Poesia em prosa

 

Carta de Caymmi para Jorge Amado

“Jorge, meu irmão, são onze e trinta da manhã e terminei de compor uma linda canção para Yemanjá, pois o reflexo do sol desenha seu manto em nosso mar, aqui na Pedra da Sereia. Quantas canções compus para Janaína, nem eu mesmo sei, é minha mãe, dela nasci. Talvez Stela saiba, ela sabe tudo, que mulher, duas iguais não existem, que foi que eu fiz de bom para merecê-la? Ela te manda um beijo, outro para Zélia e eu morro de saudade de vocês. Quando vierem, me tragam um pano africano para eu fazer uma túnica e ficar irresistível.

Ontem saí com Carybé, fomos buscar Camafeu na Rampa do Mercado, andamos por aí trocando pernas, sentindo os cheiros, tantos, um perfume de vida ao sol, vendo as cores, só de azuis contamos mais de quinze e havia um ocre na parede de uma casa, nem te digo. Então ao voltar, pintei um quadro, tão bonito, irmão, de causar inveja a Graciano. De inveja, Carybé quase morreu e Jenner, imagine!, se fartou de elogiar, te juro. Um quadro simples: uma baiana, o tabuleiro com abarás e acarajés e gente em volta. Se eu tivesse tempo, ia ser pintor, ganhava uma fortuna. O que me falta é tempo para pintar, compor vou compondo devagar e sempre, tu sabes como é, música com pressa é aquela droga que tem às pampas sobrando por aí.

O tempo que tenho mal chega para viver: visitar Dona Menininha, saudar Xangô, conversar com Mirabeau, me aconselhar com Celestino sobre como investir o dinheiro que não tenho e nunca terei, graças a Deus, ouvir Carybé mentir, andar nas ruas, olhar o mar, não fazer nada e tantas outras obrigações que me ocupam o dia inteiro. Cadê tempo pra pintar?

Quero te dizer uma coisa que já te disse uma vez, há mais de vinte anos quando te deu de viver na Europa e nunca mais voltavas: a Bahia está viva, ainda lá, cada dia mais bonita, o firmamento azul, esse mar tão verde e o povaréu. Por falar nisso, Stela de Oxóssi é a nova iyalorixá do Axé e, na festa da consagração, ikedes e iaôs, todos na roça perguntavam onde anda Obá Arolu que não veio ver sua irmã subir ao trono de rainha? Pois ontem, às quatro da tarde, um pouco mais ou menos, saí com Carybé e Camafeu a te procurar e não te encontrando, indagamos: que faz ele que não está aqui se aqui é seu lugar? A lua de Londres, já dizia um poeta lusitano que li numa antologia de meu tempo de menino, é merencória. A daqui é aquela lua. Por que foi ele para a Inglaterra? Não é inglês, nem nada, que faz em Londres? Um bom filho-da-puta é o que ele é, nosso irmãozinho.

Sabes que vendi a casa da Pedra da Sereia? Pois vendi. Fizeram um edifício medonho bem em cima dela e anunciaram nos jornais: venha ser vizinho de Dorival Caymmi. Então fiquei retado e vendi a casa, comprei um apartamento na Pituba, vou ser vizinho de James e de João Ubaldo, daquelas duas ‘línguas viperinas, veja que irresponsabilidade a minha.

Mas hoje, antes de me mudar, fiz essa canção para Yemanjá que fala em peixe e em vento, em saveiro e no mestre do saveiro, no mar da Bahia. Nunca soube falar de outras coisas. Dessas e de mulher. Dora, Marina, Adalgisa, Anália, Rosa morena, como vais morena Rosa, quantas outras e todas, como sabes, são a minha Stela com quem um dia me casei te tendo de padrinho. A bênção, meu padrinho, Oxóssi te proteja nessas inglaterras, um beijo para Zélia, não esqueçam de trazer meu pano africano, volte logo, tua casa é aqui e eu sou teu irmão Caymmi”.

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Bahia – A lavagem do Bonfim

Todos os anos, na segunda quinta-feira de janeiro após o “dia de reis” (6 de janeiro), acontece em Salvador a Festa do Senhor do Bonfim da Bahia. Essa festa tradicional e de grande beleza, que é acompanhada por milhares de pessoas de todas as parte do mundo, consiste num enorme cortejo que sai da igreja da Conceição da Praia em direção à igreja do Bonfim, no alto da Colina Sagrada. Centenas de baianas, personagens tradicionais dos festejos, abrem o desfile e levam nas mãos vasos com flores e água de cheiro, usadas para lavar o adro da igreja e purificar os fiéis, num ritual de fé e esperança. Fogos de artifício anunciam o início do cortejo aberto pelas baianas e acompanhado pelo povo, num percurso de 8 km e a maioria das pessoas veste-se de branco, como manda a tradição.

Lavagem do Bonfim

A festa do Senhor do Bonfim, com a lavagem do adro da Igreja é considerada a mais importante das comemorações populares de Salvador. Os festejos religiosos (novenas e missas) têm início no dia seguinte à lavagem e se encerram no domingo.

Ao chegar ao Bonfim as baianas lavam as escadarias e o adro da Igreja  com água perfumada, e despejam essa mesma água sobre as cabeças de pessoas que buscam neste banho a purificação do corpo e da alma.  Após a lavagem, a festa prossegue com rodas de capoeira e samba, enquanto nas casas, os visitantes se deliciam com comidas populares, como o caruru, o cozido e a feijoada.

Origem da festa

Segundo o historiador Cid Teixeira, havia no Rio Vermelho uma capela consagrada à devoção de São Gonçalo, mas a mesma degradou-se e a festa de São Gonçalo foi transferida para o bairro do Bonfim. No passado, os devotos seguiam por mar, em saveiros e pequenos vapores da Companhia Baiana de Navegação. Desembarcavam no Porto da Lenha e subiam a ladeira do mesmo nome. Em razão da distância e por não haver estradas em boas condições, os romeiros chegavam ao Bonfim três dias antes da festa e daí o costume de lavar a igreja na quinta-feira, para prepará-la para a festa do domingo. Os que seguiam a pé também levavam água de toda a cidade, em potes, moringas ou latas, sobre as cabeças, dançando durante todo o trajeto.

A princípio essa lavagem era feita pelos moradores das vizinhanças e depois foi se tornando um ato cada vez mais difundido. Documentos e fotos antigas atestam a presença de aguadeiros, bondes e animais enfeitados com flores e bandeirolas, que deslocavam-se rumo ao Bonfim, além de baianas vestidas com as suas mais belas indumentárias, balangandãs e patuás.

Ao contrário do que acontece hoje, quando a água é carregada em potes, no século XIX e início do século XX, a água utilizada para a lavagem da igreja era retirada de uma fonte existente na Baixa do Bonfim e na noite de quarta-feira, romeiros de toda parte do Estado e de outras regiões do Brasil, além de apanhar a água, acendiam fogueiras, cantavam e dançavam ao som de cavaquinhos, pandeiros e violas. No dia seguinte a igreja era lavada e perfumada com água de colônia e o chão do templo era enxugado com panos brancos rendados.

No lado profano da festa, havia a apresentação de filarmônicas, de grupos com atabaques, capoeira e samba. No chamado sábado do Bonfim, começavam a chegar, à noite, numerosos ternos e ranchos que cantavam e dançavam até a manhã de domingo e permaneciam à espera da tradicional Segunda-Feira Gorda da Ribeira.

A festa, desde que se tem notícia, é marcada pelo sincretismo religioso. Ao lado dos devotos católicos, membros do candomblé prestam homenagem ao Senhor do Bonfim – Cristo, que no sincretismo corresponde a Oxalá. A Lavagem do Bonfim ainda guarda características do passado.

A Igreja do Bonfim

A Igreja Basílica do Senhor Bom Jesus do Bonfim, ou Igreja do Bonfim como é mais conhecida, um dos principais cartões-postais de Salvador, é um dos símbolos da religiosidade baiana. A construção do santuário teve início em 1740 com a vinda para a Bahia do Capitão de Mar e Guerra, Theodósio de Faria.

Segundo a Irmandade de Nosso Senhor do Bonfim, o Capitão de Mar e Guerra tinha grande devoção ao Senhor do Bonfim que se venera na cidade de Setúbal, em Portugal, e trouxe de Lisboa uma imagem semelhante esculpida em pinho de riga, medindo 1,06m de altura.

Em 1745, a imagem foi guardada na Igreja da Penha, em Itapagipe, onde permaneceu até a construção do novo templo. Nesse mesmo ano foi fundada uma irmandade que foi denominada “Devoção do Senhor do Bonfim”.
Situado na única colina de Itapagipe, o templo foi construído entre os anos de 1746 a 1772. A imagem foi transferida para o novo templo em 1754, em uma procissão que contou com a presença macissa da população baiana da época. A imagem de Nossa Senhora da Guia, também trazida de Portugal por Theodósio de Faria e também foi colocada na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim.

Conta-se que o Capitão trouxe a imagem como agradecimento por haver sobrevivido a uma tempestade em alto-mar. Prometeu então construir uma igreja no ponto mais alto que avistasse, de onde pudesse ver a entrada da Baía de Todos os Santos.

 Festa e proibições

Mas nem sempre a festa se desenrolou em paz e harmonia. Desde o século XIX houve proibições da lavagem da igreja, com a polícia apreendendo vassouras, potes, violões, atabaques e cavaquinhos. Em 1889, ano da Proclamação da República, o Arcebispo da Bahia, Dom Luís Antônio dos Santos, baixou portaria proibindo a lavagem do interior da igreja, contando com a ajuda da Guarda Cívica. Em razão da proibição, houve espancamentos, brigas e feridos e os motivos alegados pelo então Arcebispo, é que a festa era freqüentada por gente embriagada, da pior espécie. Durante dez anos a lavagem da igreja do Bonfim ficou proibida e nos dias que antecediam os festejos, o local era cercado pela polícia, com o objetivo de impedir qualquer tipo de manifestação. Dez anos depois, em 1899, a lavagem voltou a ser realizada, graças à persistência dos moradores do local, fiéis e comunidades afro-baianas vinculadas ao candombé.

Aos olhos da Igreja, porém, a lavagem era considerada como uma profanação do templo e um atentado aos dogmas cristãos. Mas o povo continuava a participar dos festejos, apesar do temor à repressão policial.


Em 1940 com a chegada dos “Redentoristas” à Salvador, o povo sentiu-se encorajado a realizar a lavagem do templo. Palanques foram armados para a apresentação de ranchos, ternos e orquestras. A presença das babalorixás, como símbolo do sincretismo com Oxalá, o pai de todos os orixás, levou o clero, mais uma vez, a proibir a lavagem, com intervenção da polícia. No entanto, para surpresa de todos, nesse ano de 1940, os comerciantes do local se uniram ao povo fechando as portas dos seus comércios e liberando os empregados, que se juntaram aos fiéis em protesto pela proibição. O impasse foi resolvido pelo então interventor Juracy Magalhães que, sensibilizado, conseguiu junto ao clero a abertura da basílica.

Hoje, vários afoxés e grupos musicais, entre eles um dos mais antigos, os Filhos de Gandhi participam dos festejos do Bonfim. A comissão de frente é formada por mais de quinhentas baianas vestidas à rigor. Turistas de todas as partes do mundo, fiéis e o povo em geral, acompanham o cortejo a pé, em carroças, bicicletas ou caminhões enfeitados.

A dois dias da lavagem do Bonfim, segundo os jornais baianos, o clima de festa já havia tomado conta da Colina Sagrada. A manhã da terça-feira começou movimentada com turistas lotando a Basílica em busca de bênçãos e na quinta-feira o cortejo desceu pelas principais ruas da cidade baixa rumo ao Bonfim, inundando de beleza os olhos dos que apreciavam o desfile.

A Igreja Católica, em ato histórico de confraternização religiosa baniu sua intolerância para com os rituais de origem africana incorporados à Lavagem do Bonfim. Foram desfeitos os equívocos de atitudes do passado emanadas de autoridades religiosas e até do poder oficial em várias escalas. A aceitação clara da presença heterogênea de crenças e seitas religiosas no Bonfim desmonta a discriminação,  participação do candomblé na lavagem, e outras expressões de raiz africana marcantes, em cidade de alto contingente negro, ganha significado de marco histórico – vitória do ardor místico sobre a discriminação. E para esse gesto muito contribuiu a vontade manifestada no ano passado pelo padre Menezes em tornar-se arauto de uma fraternidade religiosa raríssima neste mundo de radicalismos extremados, segundo o jornal A Tarde.

Para nós, independente das crenças e da fé que motiva o povo a participar do cortejo, da lavagem e da festa do Bonfim, tanto do ponto de vista religioso quanto do profano, o mais bonito é a preservação da tradição, é a alegria traduzida nos olhos das velhas baianas, é o colorido das flores e fitas esvoaçando ao vento.Todo esse conjunto de símbolos faz da Bahia uma terra singular.

 

Festa do Bonfim – Alegria, devoção e protesto

                                                  Foto: Raul Spinassé 

Nesta quinta-feira, 17, após o Culto Ecumênico realizado em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira de Salvador, uma queima de fogos iniciou a caminhada dos fiéis em direção à Colina Sagrada, onde fica localizada a Igreja do Bonfim. Dezenas de baianas puxam o cortejo de baianos, turistas e autoridades até a Igreja. Cerca de 34 entidades culturais, entre bandas de sopro, afoxés, grupos de samba e percussão, além dos 1.500 integrantes do Bloco Afoxé Filhos de Ghandy, desfilam pela Cidade Baixa.

O culto reuniu milhares de fiéis que desde o início da manhã desta quinta-feira, 17, aguardavam em frente à Conceição da Praia, no Comércio. Participaram da cerimônia representantes de diferentes religiões, entre católicos, evangélicos, mulçumanos, espíritas e do candomblé, além políticos e autoridades locais, como o governador em exercício, Otto Alencar, do chefe da Casa Civil, Rui Costa, da senadora Lídice da Mata e do prefeito de Salvador, ACM Neto.

                                                        Foto: Eric Salles

 “Quem tem fé vai a pé”

Além de preparo físico, é preciso fé para enfrentar o percurso de oito quilômetros, da Conceição da Praia à Colina Sagrada. O cortejo tem início após a celebração do culto inter-religioso. São quase três horas de uma peregrinação que segue o fluxo da Rua Miguel Calmon, no Comércio, encontra a Avenida Jequitaia (Calçada) e converge na Avenida Fernandes da Cunha (Mares). Na reta final, a Avenida Dendezeiros é o caminho para a multidão chegar à igreja ao som de bandinhas, conjuntos de percussão e muito samba.

Estrutura

Para receber a multidão de devotos e turistas que acompanham a lavagem, os poderes públicos municipal e estadual prepararam um esquema especial de trânsito e transporte, saúde e segurança. Por parte da Secretaria da Segurança Pública, cerca de 1.900 policiais (1.811 militares e 85 civis) vão assegurar a tranquilidade no cortejo. São três postos da Polícia Civil e 38 postos elevados de observação da Polícia Militar (PM).

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) montou três postos (Conceição da Praia, Estação da Calçada e Colina Sagrada). Duas ambulâncias também estão de prontidão para casos graves .

Políticos testam popularidade na festa do Bonfim.

A tradicional Lavagem do Bonfim será marcada, nesta quinta-feira, 17, pela estreia de ACM Neto (DEM) como  prefeito de Salvador  na festa religiosa e pela ausência do governador Jaques Wagner (PT), que está em viagem à China.

Manifestação de fé, mas que serve de palco para testar a popularidade dos políticos, a caminhada funciona como um termômetro tanto para Neto medir a avaliação dos 17 primeiros dias de sua gestão, como para Wagner auferir os seis anos de seu governo, o qual estará no comando até 2014.

Wagner, que só retorna à Bahia na próxima terça-feira, vai escapar de ser acusado de “pecador” pelos servidores do Estado. No 7 de Setembro de 2012 o governador também agendou uma viagem à Espanha e Singapura (Ásia) e se livrou das vaias dos professores e dos policiais – categorias que comandaram as duas maiores greves, no ano passado, contra o governo do petista. Desta vez, as críticas vão sobrar para o vice-governador Otto Alencar (PSD), que estará representando Wagner na Lavagem do Bonfim. Disposição é o que não falta aos servidores. “Vamos denunciar ao Senhor do Bonfim que o governador não paga a URV dos funcionários”, avisa a coordenadora da Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia (Fetrab), Marinalva Nunes.

Para os 43 vereadores eleitos em outubro será a chance de reencontrar o eleitor e ratificar os compromissos de campanha eleitoral. Quanto aos que estão mirando a eleição de 2014, não custa nada pedir, desde já, as bênçãos do Senhor do Bonfim.

 Fonte: Com informações do jornal A Tarde online.

Observação: Publicarei ainda hoje a história da Lavagem do Bonfim, da origem aos nossos dias.

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Festas populares na Bahia

O calendário das festas populares da Bahia teve início no dia 25 de novembro, com o Dia da Baiana. No dia 2 de dezembro foi comemorado o Dia do Samba. Hoje, dia 4, a festa é de Iansã, ou Santa Bárbara; na Bahia tanto faz… Santa Bárbara,  a padroeira do Corpo de Bombeiros e dos mercados, e a Iansã, a orixá dos raios e trovões.

A Festa de Santa Bárbara, uma tradição de mais de 300 anos, é também patrimônio imaterial desde 2008. Durante os festejos, católicos e seguidores do candomblé, ou o povo de santo, vestem vermelho e se deslocam para as ruas do Pelourinho no centro histórico de Salvador, onde há missa campal, procissão e festa, com muito caruru servido pelos comerciantes dos mercados de São Miguel e de Santa Bárbara.

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Hoje é dia da Baiana

 

 O dia da Baiana foi instituido por razões político-econômicas e visava difundir a Bahia nas principais capitais brasileiras. Escrevi um artigo sobre o tema, publicado na Revista da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, que descreve a trajetória destas trabalhadoras urbanas. “A Baiana do acarajé: imagerns do real e do ideal”, por ser um pouco longo, foi dividido em três partes. Quem se interessar e quiser conhecer melhor as “baianas do acarajé” pode ler aqui, aqui e aqui.

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Centenário de Jorge Amado – Mostra mergulha na vida e na obra do escritor baiano

A partir de hoje, 09 de agosto às 19h, o público baiano poderá participar da abertura da exposição “Jorge, Amado e Universal”, em cartaz no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). A mostra, aberta até o dia 14 de outubro, já passou pelo Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e atraiu mais de 130 mil pessoas.

Salvatore Carrozzo

Tereza, Flor, Gabriela, Dora. São muitas e diversas as mulheres de Jorge Amado (1912- 2001). Assim como os homens: Nacib, Vadinho, Pedro Arcanjo… Eles habitam os romances e o imaginário de leitores no Brasil e no mundo. Todos saídos da cabeça inventiva do autor, que por sua vez também não era um só.

As diversas facetas de Jorge – o escritor, o marido, o pai, o político, o amigo, o viajante – são a tônica da exposição Jorge Amado e Universal, um dos destaques da programação do  centenário de Jorge, comemorado amanhã. A mostra tem abertura para convidados, hoje, e para o público, amanhã. Depois de estrear no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, chega ao Museu de Arte Moderna da Bahia, no Solar do Unhão.

Quem é Jorge?

Para um nome forte da literatura, um time de peso. A direção geral é de William Nacked, que produziu as exposições sobre Clarice Lispector (1920–1977) e Gilberto Freyre (1900–1987) no Museu da Língua Portuguesa. A cenografia é de Daniela Thomas e Felipe Tassara; e a parte multimídia foi desenvolvida pela O2 Filmes, do cineasta Fernando Meirelles.

“Quando nós começamos a montar a exposição, eu disse: ‘ninguém conhece Jorge’. Me chamaram de louco. As pessoas conhecem algumas obras de Jorge Amado. Com a mostra, vamos apresentar quem é esse Jorge, essa Bahia, esse Brasil, esse mundo”, afirma o diretor, em referência ao contexto sócio-histórico.

Jorge Amado e Universal foi dividida em módulos. O primeiro é dedicado aos personagens, como Gabriela e Nacib (Gabriela, Cravo e Canela), Pedro Arcanjo (Tenda dos Milagres) e  Antonio Balduíno (Jubiabá). O segundo espaço apresenta a faceta política do autor, que foi eleito deputado federal por São Paulo no ano de 1945, pelo Partido Comunista Brasileiro.

Há ainda espaço para a malandragem e a sensualidade presentes nos livros, depoimentos de amigos, artistas e críticos, além de uma cronologia da vida do escritor. O visitante pode ver curiosidades, como fotos de Jorge Amado com sua mãe, Eulália Leal Amado; e escritos originais de Tieta do Agreste.

O custo da exposição, em São Paulo e na Bahia, foi de R$ 3 milhões, metade foi captado com patrocínio via Lei Rouanet. O plano é fazer com que a mostra fique circulando até 2014. No Brasil, já estão definidas duas cidades: Recife – local da próxima etapa – e Rio de Janeiro. Paris, na França, Frankfurt, na Alemanha, e Porto, em Portugal, estão em fase de negociação.

Múltiplos

A cineasta Cecília Amado, neta de Jorge, é só alegria para falar da exposição. “Está incrível. Deram um olhar contemporâneo, de modo a aproximar meu avô das novas gerações. É uma exposição sensorial bem completa, todos os detalhes, os sons. Tem até cheiro de cacau torrado”, observa.

Em pouco mais de dois meses, a mostra foi vista por 143 mil pessoas em São Paulo. E a amadomania ultrapassa o Brasil. Neste ano, aumentou o  número de pedidos de editoras estrangeiras interessadas em editar sua obra.

Para a exposição, a equipe do MAM preparou uma programação com debates, oficinas, contação de histórias e ações voltadas para o público infanto-juvenil. As atividades podem ser conferidas em www.bahiamam.org. “Quem for na exposição vai entrar com um Jorge na cabeça e sair com vinte”, afirma William. Bem que dizem: toda leitura é, na verdade, múltipla.

Fonte: MAM e Correio da Bahia

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“Ah, eu não sabia, que a ditadura voltaria pra Bahia!”

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), Marcelo Nilo (PDT), revelou, em entrevista coletiva realizada em seu gabinete, na tarde desta segunda-feira (16), que pedirá a reintegração de posse da Casa no Tribunal de Justiça (TJ-BA), caso os professores grevistas não desocupem o saguão Deputado Nestor Duarte, até às 17h05. Ele informou que tentou contato com a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), mas não obteve êxito. “A Casa precisa voltar à normalidade. Eu tentei conversar com o sindicato, mas eles não me receberam por telefone”, argumentou o deputado, que já solicitou à Casa Militar da AL-BA que comunicasse a determinação ao movimento.

Segundo Nilo, se for confirmada a resistência prometida pela APLB, será solicitado o corte de água, luz e telefone do espaço. Indagado se há a intenção de pedir reforço policial para que os docentes saiam do espaço, o parlamentar disse que a decisão será do TJ. “Isso não é comigo”, pontuou. A categoria está na AL-BA desde o último dia 18 de abril, sete dias após o movimento, que já dura 97 dias, ser iniciado.

Fonte: Bahia Notícias

 

Vejam o vídeo com a reação dos professores:

Aniversário de Salvador – 463 anos

 

BAHIA DE TODOS OS SANTOS

 

A Jorge de Lima

Bahia, minha Bahiazinha,

vou escrever hoje o teu poema, terrinha do meu coração!

Bahia de Todos os Santos,

és u’a morena preguiçosa,

certas horas, dormindo descuidada,

na rede azul que o mar balança.

Não usas, mais, morena, o pano-da-costa listrado

preto e branco,

vermelho e amarelo.

Mãe-natureza te deu um chalé de seda fina,

feito de espumas quentes e folhas verdes.

És faceira,

apetitosa,

e dengosa,

de seios túmidos e pontudos como jabuticaba, verdes e enormes.

Os palacetes Martins Catharino,

o velho e o novo, são as tuas pomas encardidas

que o sol morde com sensação,

o dia inteiro

Eu gosto de ti,

minha Bahia, porque és u´a morena educada,

que tudo sabe e tudo faz.

Eu gosto de ti, quando nos matos, nos candomblés,

tu te remexes devagarinho,

ou ligeirinho,

numa tontura,

numa luxúria,

desesperada.

Eu te amo no “Baiano de Tênis”,

quando te imposturas pra cima da gente.

És melindrosa, neste momento,

de ruge e pó no teu rostinho

estrangeirinho

                  de bangalô.

E mais me encantas,

quando te encontro

lá na cozinha,

encarvoada,

lambuzada

de azeite doce e de dendê.

Bahia,

o teu vatapá gostoso

está me parecendo, digo sério,

um manjar do céu. E foi provando-o

que o escritor disse que a Paris só falta

um vatapá baiano.

E me ri muito, naquela noite, na “Petisqueira”,

vendo um carioca almofadinha

comendo

e chorando com o ardor

da pimenta de cheiro

e da malagueta.

E todo sulista quer provar,

embora chorando, do teu efó apimentado,

deste caruru que sabes fazer com sururu,

e do vatapá doirado e do acarajé amassado por ti.

                Ai! minha Bahia, que coisa gostosa é acarajé!…

É um pomo de ouro,

          amarelinho,

          redondinho,

          delicioso,

que Ogum deixou pra gente.

O, acarajé, minha gentinha,

não tem, não tem aquele

gosto ruim de beijo chupado

que Jorge de Lima diz.

Um acarajé tem o gosto gostoso

de um lábio pintado de menina novinha.

E aquele ardor que nos fica na língua

foi a dentadinha que a menina nos deu.

Ai! Bahia!

as tuas frutas,

a laranja,

o araçá,

o caju,

a jabuticaba, o coco verde comido em Amaralina

foi Nosso Senhor que deixou cair do céu.

Bahia, Bahiazinha guerreira,

morena fértil que tem filhas bonitas, como o Brasil de Álvaro Moreyra!

Feira de Santana, (minha terra)!

           Cachoeira,

           terra do meu amigo

           Clóvis da Silveira Lima;

                          Santo Amaro

                          que faz lembrar

                          os não sei quantos filhos

                          que deixou aquele barão;

                                          Alagoinhas,

                                          onde mora o velho poeta Assis Tavares;

                                          Ilhéus,

          a menina orgulhosa e rica e vaidosa

          que só tem vestido de seda radium,

          enfeitado de madrepérola e lantejoila,

                    e arminho,

comprado às custas dos seus caxixes! …

Bahia!

Lá o sino tocou:

é a Bahia que vai rezar

lá na Sé,

na Catedral-Basilica,

em São Francisco

e no Bonfim.

E o convento da Piedade

e o de São Bento

são dois frades rezando,

com o capuz às costas.

“Dlindão!… dlão!…

dilindlão! dilindlão!…”

A Bahia é religiosa,

     ela crê em Nosso Senhor.

          Ela não tem inveja da França,

                porque tem Nossa Senhora das Candeias,

                       que apareceu a u’a menina

                                 da roça.

                                                           Bahia!

Estou ouvindo a música dos teus benditos alegres,

nas romarias que fazes às Candeias,

                    pelo rio

                    e pelo mar.

Estou vendo a ponte de São João,

que parece um braço magro de mulher velha e pelancuda,

fazendo carícia ao mar,

se balançando com o peso dos trens

                   que vão levar

                   os romeiros

                   aos pés da Virgem

                   Mãe

                            de Deus.

Me perdoa, minha Bahia,

o mal que te fiz,

fazendo mal o teu poema.

 

Publicado em Arco e Flexa, Salvador. I: 42-46, novembro de 1929.

 

Eurico Alves Boaventura

“O poeta baiano Eurico Alves Boaventura, nascido em 1909 na cidade Feira de Santana, faleceu aos 65 anos (1974) em Salvador. Rebelde participante da turma de Arco e Flexa, revista que congregou de 1928 a 1929, em Salvador, jovens escritores desejosos de acompanhar as transformações da vida literária no Brasil. O grupo liderado por Carlos Chiacchio, escritor de raízes simbolistas, reunia além de Eurico Alves Boaventura, os escritores Pinto de Aguiar, Carvalho Filho, Hélio Simões, Ramayana Chevalier, De Cavalcante Freitas, Queirós Jr. Da época agitada e alegre do Modernismo Arco e Flexa são datados os poemas de Eurico Alves.

Festa do Bonfim

Todos os anos, na segunda quinta-feira de janeiro, acontece em Salvador a Festa do Senhor do Bonfim da Bahia. Essa festa tradicional e de grande beleza, que é acompanhada por milhares de pessoas de todas as parte do mundo, consiste num enorme cortejo que sai da igreja da Conceição da Praia em direção à igreja do Bonfim, no alto da Colina Sagrada. Centenas de baianas, personagens tradicionais dos festejos, abrem o desfile e levam nas mãos e na cabeça, vasos com flores e água de cheiro, usadas para lavar o adro da igreja e purificar os fiéis, num ritual de fé e esperança. Fogos de artifícios anunciam o início do cortejo aberto pelas baianas e acompanhado pelo povo, num percurso de 8 km. Carroças enfeitadas conduzem os devotos e milhares de pessoas vestem-se de branco, como manda a tradição.

 

Lavagem do Bonfim

A festa do Senhor do Bonfim, com a lavagem das escadarias da Igreja é considerada a mais importante das comemorações populares de Salvador. Os festejos profanos têm início na quinta-feira e os religiosos (novenas e missas) têm início no dia seguinte, sexta-feira e se encerram no domingo.

Ao chegar, as baianas lavam as escadarias e o adro da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim com água perfumada e despejam água sobre as cabeças de pessoas que buscam neste banho a purificação do corpo e da alma. Durante o resto do dia muitas pessoas continuam se dirigindo ao Bonfim, em blocos ou seguindo as carroças. Após a lavagem, a festa prossegue com rodas de capoeira e samba, enquanto nas casas, os visitantes se deliciam com comidas populares, como o caruru, o cozido e a feijoada.

 

Origem da festa

 Segundo o historiador Cid Teixeira, havia no Rio Vermelho uma capela consagrada à devoção de São Gonçalo, mas a mesma degradou-se e a festa de São Gonçalo foi transferida para o bairro do Bonfim. No passado, os devotos seguiam por mar, em saveiros e pequenos vapores da Companhia Baiana de Navegação. Desembarcavam no Porto da Lenha e subiam a ladeira do mesmo nome. Em razão da distância e por não haver estradas em boas condições, os romeiros chegavam ao Bonfim três dias antes da festa e daí o costume de lavar a igreja na quinta-feira, para prepará-la para a festa do domingo. Os que seguiam a pé também levavam água de toda a cidade, em potes, moringas ou latas, sobre as cabeças, dançando durante todo o trajeto.

A princípio essa lavagem era feita pelos moradores das vizinhanças e depois foi se tornando um ato cada vez mais difundido. Documentos e fotos antigas atestam a presença de aguadeiros, bondes e animais enfeitados com flores e bandeirolas, que deslocavam-se rumo ao Bonfim, além de baianas vestidas com as suas mais belas indumentárias, balangandãs e patuás.

Ao contrário do que acontece hoje, quando a água é carregada em potes, no século XIX e início do século XX a água utilizada para a lavagem da igreja era retirada de uma fonte existente na Baixa do Bonfim e na noite de quarta-feira, romeiros de toda parte do Estado e de outras regiões do Brasil, além de apanhar a água, acendiam fogueiras, cantavam e dançavam ao som de cavaquinhos, pandeiros e violas. No dia seguinte a igreja era lavada e perfumada com água de colônia e o chão do templo era enxugado com panos brancos rendados.

No lado profano da festa, havia a apresentação de filarmônicas, de grupos com atabaques, capoeira e samba. No chamado sábado do Bonfim, começavam a chegar, à noite, numerosos ternos e ranchos que cantavam e dançavam até a manhã de domingo e permaneciam à espera da tradicional Segunda-Feira Gorda da Ribeira.

A festa, desde que se tem notícia, é marcada pelo sincretismo religioso. Ao lado dos devotos católicos, membros do candomblé prestam homenagem ao Senhor do Bonfim – Cristo, que no sincretismo corresponde a Oxalá. A Lavagem do Bonfim ainda guarda características do passado.

 

A Igreja do Bonfim

A Igreja Basílica do Senhor Bom Jesus do Bonfim, ou Igreja do Bonfim como é mais conhecida, um dos principais cartões-postais de Salvador, é um dos símbolos da religiosidade baiana. A construção do santuário teve início em 1740 com a vinda para a Bahia do Capitão de Mar e Guerra, Theodósio de Faria.

Segundo a Irmandade de Nosso Senhor do Bonfim, o Capitão de Mar e Guerra tinha grande devoção ao Senhor do Bonfim que se venera na cidade de Setúbal, em Portugal, e trouxe de Lisboa uma imagem semelhante esculpida em pinho de riga, medindo 1,06m de altura.

Em 1745, a imagem foi guardada na Igreja da Penha, em Itapagipe, onde permaneceu até a construção do novo templo. Nesse mesmo ano foi fundada uma irmandade que foi denominada “Devoção do Senhor do Bonfim”. Situado na única colina de Itapagipe, o templo foi construído entre os anos de 1746 a 1772. A imagem foi transferida para o novo templo em 1754, em uma procissão que contou com a presença macissa da população baiana da época. A imagem de Nossa Senhora da Guia, também trazida de Portugal por Theodósio de Faria e também foi colocada na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim.

Conta-se que o Capitão trouxe a imagem como agradecimento por haver sobrevivido a uma tempestade em alto-mar. Prometeu então construir uma igreja no ponto mais alto que avistasse, de onde pudesse ver a entrada da Baía de Todos os Santos.

 

Festas e proibições

Mas nem sempre a festa se desenrolou em paz e harmonia. Desde o século XIX houve proibições da lavagem da igreja, com a polícia apreendendo vassouras, potes, violões, atabaques e cavaquinhos. Em 1889, ano da Proclamação da República, o Arcebispo da Bahia, Dom Luís Antônio dos Santos, baixou portaria proibindo a lavagem do interior da igreja, contando com a ajuda da Guarda Cívica. Em razão da proibição, houve espancamentos, brigas e feridos e os motivos alegados pelo então Arcebispo, é que a festa era freqüentada por gente embriagada, da pior espécie. Durante dez anos a lavagem da igreja do Bonfim ficou proibida e nos dias que antecediam os festejos, o local era cercado pela polícia, com o objetivo de impedir qualquer tipo de manifestação. Dez anos depois, em 1899, a lavagem voltou a ser realizada, graças à persistência dos moradores do local, fiéis e negros africanos.

E como dizem os baianos, “quem tem fé vai a pé”!

 

Orquestra Juvenil da Bahia

A Orquestra Juvenil da Bahia – YOBA – comandada pelo seu fundador e regente
Ricardo Castro, executa o Tico-Tico no Fubá, de Zequinha de Abreu, e encerra a
apresentação com Vassourinhas, frevo tradicional do carnaval de rua do Recife,
composto por Matias da Rocha (música) e Joana Batista Ramos (letra).

Vale a pena ver. Colaboração enviada por Marinízia. Muito obrigada, Iza!

 

 

Vem aí o Bando Anunciador da Festa de Santana

 

Vem aí o Bando Anunciador da Festa de Santana, padroeira da cidade. O evento que será realizado pelo Cuca pelo quinto ano consecutivo, está agendado para o dia 3 de julho, domingo, uma semana antes da data inicialmente prevista. Os interessados em participar do cortejo já podem começar a se organizar, providenciando a confecção das fantasias e adereços. A direção do Cuca espera contar com a participação dos grupos de bairros como Olhos D’Água, Queimadinha, Tomba e outros, que tradicionalmente participam do evento.

O desfile reúne mascarados, baianas com suas indumentárias típicas, cabeçorras, bloco dos sujos e um grande número de populares que percorrem as ruas centrais da cidade, ao som de zabumba e do espocar de foguetes e fogos de artifício, tendo como característica maior a irreverência, além de muita alegria e animação.

Antecedendo o Bando, o Cuca realiza, em 30 de junho, mesa redonda, reunindo jornalistas e pessoas da comunidade para falar de suas experiências e as características originais do festejo, além da escolha da rainha do Bando e exposição de fotografias. Essa é também a oportunidade de discutir sobre questões que envolvem a cidade, seus valores e identidade cultural.

Socorro Pitombo – Assessoria Cuca/Uefs

 

 

Mesmo com corte de salários, professores das universidades estaduais baianas resistem à pressão do governo

EM ASSEMBLÉIA, PROFESSORES DA UEFS DECIDEM CONTINUAR EM GREVE

 

Publicada em 30/05/2011 ás 21:59hs

Em assembleia na tarde de hoje (30), com 143 assinaturas na lista de presença, por apenas três votos contra e quatro abstenções, os docentes aprovaram a continuidade da greve na Uefs. Em todas as falas, os professores responsabilizaram o governo pela continuidade da greve já que o mesmo mantém uma postura intransigente e autoritária ao retirar a proposta da Mesa de Negociação (aqui) durante a última reunião na sexta (27). A decisão da categoria demonstra sua indignação, expressa na disposição para luta mesmo com os salários de abril e maio cortados pelo governo.

A assembleia aprovou uma série de mobilizações e atividades e delegou ao Comando de Greve autonomia para negociar, em conjunto com os outros Comandos de Greve, através do Fórum das ADs. Neste sentido, foi aprovado o encaminhamento de uma nova proposta ao governo, sobre a incorporação da CET e o decreto 12.583/11, na quinta (02) e a solicitação de uma reunião já para a sexta (03), a fim de retomar as negociações. Sobre a CET, o norte para a negociação é flexibilizar o tempo de vigência do Acordo, garantida a incorporação completa, no máximo, até 2014. Quanto ao Decreto, a linha aprovada foi pela manutenção da defesa da autonomia universitária, propondo ao governo o agendamento de reuniões com o Fórum das 12 e o Fórum dos Reitores, sendo a primeira imediatamente (ainda durante a greve), pautando possíveis soluções para os efeitos do Decreto nas UEBA.

Além do Ato Público nesta terça (31) na ALBA, às 10h, e da campanha de mídia na televisão, estão agendadas uma reunião com o Fórum das entidades representativas dos estudantes e dos técnico-administrativos amanhã (31), à tarde, e outra com o Fórum dos Reitores na quarta (01), na UNEB, às 13h, para discutir os impactos do Decreto e as estratégias para garantir a autonomia universitária. No que tange à liminar concedida pela desembargadora Deise Lago, na qual manda o governo pagar os salários, a assessoria jurídica tomará todas as providências cabíveis em caso de descumprimento da ordem judicial, inclusive solicitar a prisão do governador, como faculta a legislação.
 
Na assembleia, a assessoria de comunicação, além de relatar a repercussão da greve na mídia e nas redes sociais, também exibiu o VT que está sendo veiculado pelas afiliadas da Rede Globo em todo o estado (aqui). A expectativa dos docentes é que, com o fortalecimento do movimento e a apresentação de nova proposta, o impasse imposto pelo governo possa ser superado.