O Museu e a Arte Contemporânea

Na arte contemporânea não existe limites estabelecidos para a invenção da obra, embora nem tudo em nome da liberdade, sem critérios e sem o risco de referências, a transgressão sem saber de que, divulgado como arte, é arte. Com o deslocamento dos suportes tradicionais, a exemplo da pintura e da escultura para outras opções estéticas ou experiências artísticas em processo, com o uso de novas tecnologias disponíveis ou não, mas principalmente com um novo conceito do que vem a ser uma obra de arte, hoje em dia, coloca em xeque o museu tradicional.

Determinadas linguagens de natureza diversificadas da atualidade solicitam a reformulação de demandas e  estratégias museias, um outro modelo museológico e museográfico.

O museu é o recipiente de conservar uma coleção e preservar uma herança  estética e cultural  de um tempo que passou e do presente para significar o possível futuro. Ele ocupa um lugar de destaque entre os diferentes elementos que compõem o sistema da arte. Assim como o hospício e a clínica, é provável ver nele um espaço de confinamento, um espaço sagrado, intocável e asséptico de exposição de objetos, que exige do espectador um ritual de contemplação, quase em silêncio, das chamadas obras de arte.

Não é um lugar neutro, tem história e implicações ideológicas. Na primeira metade do século XX, o museu de arte era o depósito de repouso do moderno, questionado no início desse século pelo precursor das poéticas contemporâneas, Marcel Duchamp e seu novo paradigma, bem humorado, para a arte: não mais uma coisa criada pelo artista, mas a coisa que o sujeito reconhecido como artista escolhe e decide para ser a obra de arte.

O museu como lugar passivo foi desarticulado com o Minimalismo na década de 1960 e logo em seguida a Arte Conceitual entrou em cena questionando de forma crítica e decisiva as instituições culturais, em especial o museu, o templo da sacralização da arte. O embate foi travado entre o museu e as novas propostas artísticas, efêmeras, privilegiando a ideia contra a materialidade que se armazena na instituição e alimenta o mercado de arte com mercadorias. A arte, desde então, passou a ser uma usina geradora de críticas, provocações e incômodos. Os mal-entendidos entre a arte e a  instituição museal foram inevitáveis e imprevisíveis.

O caráter problematizador dessa produção de arte praticamente rejeitou o estatuto da obra de arte como produto, isto contrariou interesses do mercado e o desejo de classificar e acomodar da instituição museológica. Para a arte contemporânea, o museu com sua arquitetura característica, com função de alojar uma diversidade de procedimentos, é um laboratório de ensaio do que pode ser uma obra de arte, um campo de experimentação. O museu é indispensável, é o ponto de partida e a estação de chegada. É ele que legitima o que se designa experiência artística. E o papel do museu, mais do que armazenar obras, é ser um espaço de pensamento crítico e educativo, frequentado por um público ativo e não mero observador do que está em exposição.

De certa forma, a arte produzida hoje, expõe feridas da cultura e do sistema da arte.  E o imaginário museal tem uma importância na formação do olhar capaz de pensar sobre a arte, do olhar que deixou de contemplar passivamente para experimentar e vivenciar. A arte de hoje não nos diz nada como a arte do passado, ela convida o espectador para refletir sobre o que é uma obra de arte e suas relações com o sistema institucional. Nesse caso, o museu é o lugar privilegiado para o exercício do pensamento, até porque, as obras efêmeras são transferidas ou resgatadas para dentro do discurso e da instituição museológica pelos documentos, registros e reproduções.

Almandrade

(artista plástico, poeta e arquiteto)

 

10ª Semana de Museus movimenta Museu da Cidade – Salvador:

Bate-papo com Almandrade

Tema: “O Museu e a Arte Contemporânea: Um Desafio”

16 de maio (quarta feira) às 10 h.

MUSEU DA CIDADE

Largo do Pelourinho – Centro Histórico – Salvador

Arte e delicadeza

 

Recebi um e-mail com essas fotografias extraordinárias. Fiquei encantada com a beleza e a delicadeza do trabalho da artista Camille Allen realizado com massa de amêndoas e claras de ovos.

 

Os bonequinhos, não fosse o tamanho minúsculo, seriam confundidos com bebês de verdade.  O mais incrível é que eles são comestíveis. Mas será que alguém ousaria mastigar uma coisinha dessas?

Muito obrigada pela colaboração, Ivani.

 

Exposição no Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira

No dia 29 de setembro, quinta-feira, às 20h, o Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira promove a abertura da Exposição “Somos todos heroicos” com trabalhos de 20 artistas visuais do Recôncavo.

Os trabalhos foram realizados com a utilização de diversas técnicas: fotografia, desenho, pintura, escultura e gravura, compondo um painel representativo da arte que está sendo produzida nas cidades de Cachoeira, Muritiba e São Félix.

A mostra fica em pauta até 30 de outubro de 2011.

 

 

 

 

 

Pacientes com câncer participam de oficina de arte na Uefs

 

 

A  Associação de Apoio a Pessoa com Câncer (AAPC), ofereceu na tarde desta quinta-feira (22), uma oficina de pintura a mão realizada no jardim do prédio da Reitoria da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). A artista plástica Nanja, homenageada, participou da oficina como professora.

 A artista Nanja explicou que os participantes aprenderam noções básicas de pintura livre, mas o resultado dos quadros superou a expectativa. “Está sendo uma honra ter sido homenageada e poder transmitir conhecimentos”, afirmou. Para o museólogo Cristiano Cardoso, “a oficina é uma forma de terapia para essas pessoas, um momento de lazer e distração”.

Além da programação de atividades, a exposição “Mulheres em diferentes caminhos: arte, ciência e cotidiano, presentes nos museus da Uefs”, fica aberta até esta sexta-feira no prédio da Reitoria.

As atividades integraram a 5ª Primavera dos Museus promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) em parceria com museus da Uefs. O Museu Casa do Sertão realizou uma oficina de cerâmica, o Museu do Observatório Antares realizou a oficina jovens cientistas e o Museu Regional realizou a oficina de pintura.

Com informações de Vívian Servo Leite – Ascom/Uefs

 

Artes plásticas, música e emoção – Uma noite imperdível

 

EXPOSIÇÃO 11 + 22 + 44 – Homenagem a Raul Seixas

 

Em 17 de agosto, no ateliê de Leonel Mattos Rio Vermelho -Salvador -, será realizada a exposição “11+22+44” em homenagem a Raulzito (Raul Seixas) e seus Panteras, banda que gravou o primeiro LP há quarenta e quatro anos!

Foram convidados 11 renomados artistas plásticos para uma exposição coletiva no ateliê do Rio Vermelho, para homenagear Raul Seixas nos 22 anos da sua morte, e os 44 anos do lançamento do primeiro LP!

Participarão da exposição: Almandrade, Bel Borba, Carlínio, Celso Cunha, Gustavo Moreno, Jayme Figura, Leonel Mattos, Miguel Cordeiro, Ramiro Bernabó, Ricardo Franco e Vauluizo Bezerra.

No vernissage os músicos, Carlos Eládio, Carleba e Mariano (formação original da banda Raulzito e seus Panteras), apresentarão performance e concerto de músicas da banda, ao vivo.

QUANDO –  Dia 17  a 31 de Agosto de 2011

ONDE – Ateliê de Leonel Mattos – Rua Guedes Cabral 155 em frente a Igreja de
Santana a nova

HORA – A Partir das 19 h até 22h

CONTATO – (71) 9961 7470 – 3019 4877

Leonel Mattos – Artista plástico e curador

 

Raul morreu. Raul vive. Em cada fã, admirador, ou entusiasta de suas revolucionárias idéias. Seria ele nosso Che Guevara tropical?

 

Raul e os Panteras (Mariano, Carleba e Carlos Eladio) se conheceram quando tinham aproximadamente 15 anos. Todos estudavam em boas escolas, mas queriam mais. Começaram a se reunir para discutir filosofia, sociologia, e acumularam forte bagagem cultural. Portanto hoje ao ouvir Raulzito solo ou com seus Panteras, prestem bastante atenção as letras, fruto destas leituras e questionamentos juvenis.A Escola de Frankfurt foi a mola propulsora inicial, mas o grupo queria saber de onde viemos, para onde vamos e o que estamos fazendo aqui. Complicado. Tarefa árdua para um grupo de jovens.

Vocês devem ter estranhado o título, mas é uma trilogia facilmente decifrável. Leonel Mattos, pintor e agitador cultural, velho fã de Raulzito, juntou 11 artistas plásticos para em seu atelier/galeria homenagear o mestre e seu grupo. No dia haverá um happening, concerto, jam session, dos Panteras que voltaram à estrada e estão gravando. Ah, faltou o 22 e o 44 e, por incrível que pareça, fazem 44 anos de gravação do primeiro LP (ainda lembram o que é isso??) Raulzito e seus Panteras. Deixei o 22 por último, pois ele faz referência aos anos que o mestre nos deixou. Sociedade Alternativa?

Nada mais contemporâneo para este mundo em crise. Seu hino, seu guia. Esta mescla de musica e artes plásticas tem por objetivo reacender o mito Raulzito e tentar fazer com que especialistas em música se interessem em fazer um estudo profundo do que ele foi para a musica brasileira, além da homenagem das artes plásticas.

O grupo tentou ir ao Sul Maravilha em busca do sucesso e como não conseguiu, talvez por estar ha anos-luz de sua época, ele se desintegrou. Raulzito, em carreira solo, ganhou um Festival da Canção, o que lhe proporcionou certa fama e status. Mas a mosca continuava voando.E os habitantes terrenos olhando estupefatos. Aos poucos ele se impôs e chegou a emplacar sucessos. Mas a doença que o perseguia, a mesma que matou Amy Winehouse, e está devidamente catalogada na OMS, o levou como um meteoro.

Hoje, todos os anos, no dia do aniversário de sua morte, os fãs se reúnem no cemitério da Saudade para cantar Raul. Também hoje em dia virou bordão nacional quando um show está ruim a platéia gritar:toca Raul! Os Panteras continuam na estrada e lá de cima Raul sorri e certamente grita: viva a sociedade alternativa!

Octaviano Moniz

Obra de Juraci Dórea é destaque em mostra de arte em São Paulo

No período de 27 deste mês a 3 de junho, o artista plástico Juraci Dórea participa da exposição individual “Arquivos em Processo”, em São Paulo. A mostra é promovida pela Intermeios – Casa de Artes e Livros e pelo Centro de Estudos da Oralidade (PUC/SP), com apoio da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Apresentará documentos que compuseram o processo de criação do artista feirense no Projeto Terra.

Esculturas feitas de madeira e couro fincadas em pleno sertão compõem o Projeto Terra, que chamou a atenção dos críticos justamente por mudar o circuito tradicional da obra de arte, tirando-a dos locais previstos e previsíveis. Seu criador, por hábito, registrava cada etapa em diversas mídias: fotos, vídeos, gravações de áudio e anotações num diário. Este registro ganhou status de obra ao se transformar em livros e exposições nos museus e bienais. O projeto nasceu para viver em lugares inusitados e ganhou o mundo através da sua documentação.

A exposição, que tem a curadoria das professoras Jerusa Pires Ferreira e Cecília Almeida  Salles, além de Carolina Lobo, mestranda na PUC/SP, apresenta vídeos, fotos, anotações e outros documentos que compuseram o processo de criação no Projeto Terra, com o qual o artista participou de exposições como as Bienais de São Paulo, Veneza e Bienal de Havana, entre outras.

Coletivas

Juraci Dórea também participa da mostra “Artistas Arquitetos” – Coletiva que pode ser visitada até 30 de junho, no Museu Regional de Arte, em Feira de Santana. Nessa exposição ele apresenta quatro obras da série Cenas Brasileiras.

Com a instalação ”Concerto para Raposas e Violoncelo”, Juraci Dórea ocupa uma das salas do Museu de Arte Contemporânea, na coletiva “Pontos Cardeais”, que fica aberta ao público até 15 de junho, ao lado de Maristela Ribeiro, Edson Machado e George Lima.

Lembranças de Feira de Santana” é a instalação que o artista apresenta na Exposição “Intercâmbio Bahia & São Paulo” – coletiva que já foi vista em Feira de Santana. A mostra será aberta em 1º de junho, na galeria Asia Arts/ Asia 70 em São Paulo, com artistas baianos como Leonel Matos, Sante Scaldaferri, Bel Borba, César Romero e Sergio Rabinovitz e os paulistas, Caciporé Torres, Ivaldo Granato e Antonio Peticov, entre outros.

Socorro Pitombo – Assessoria Cuca/Uefs

 

 

“PONTOS CARDEAIS”

 

QUATRO ARTISTAS EXPÕEM NO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA 

A partir do próximo dia 20 de maio, sexta-feira, às 20 horas: Edson Machado, George Lima, Juraci Dórea e Maristela Ribeiro.

A mostra traz obras individuais e inéditas dos quatro artistas, que também editam juntos a revista de arte “QUANTA”.

Edson Machado dedica-se às artes visuais desde a década de 1980, em especial à linguagem fotográfica. Constam no seu currículo várias exposições coletivas. Recentemente foi selecionado para o Projeto “Portas Abertas Para as Artes Visuais”, da FUNCEB, oportunidade em que mostrou seu trabalho no Centro de Cultura de Alagoinhas, Bahia. Participou de diversos Salões Regionais do Estado da Bahia e da Bienal do Recôncavo, em São Felix, Bahia. É integrante do Grupo GEMA – Grupo de Pesquisa em Arte Contemporânea. Com o olhar maduro de quem domina a linguagem fotográfica, Edson Machado ocupará uma das salas do museu, apresentando a obra intitulada “IMPERMANÊNCIAS”, que provoca reflexões do público acerca das coisas passageiras da vida.

George Lima dedica-se às artes visuais desde a década de 1990 e também é integrante do Grupo GEMA. A sua trajetória artística é marcada pelo caráter investigativo sobre as várias possibilidades visuais contemporâneas, recorrendo a diversas linguagens como: pintura, desenho, escultura, instalação e fotografia. Já participou de várias mostras coletivas; realizou exposições individuais na Galeria Carlo Barbosa, em Feira de Santana e no Museu Galeria Caetano Veloso, em Santo Amaro, Bahia; participou de diversos Salões Regionais e da Bienal do Recôncavo, em São Felix, Bahia.

George participará da exposição com a obra “PARTITURA”, em que se apropria de uma série de objetos do cotidiano, manipulando-os e deslocando-os para o contexto de arte, imbuído do propósito de explorar o status ambíguo de serventia desses objetos.

Juraci Dórea vem se dedicando às artes plásticas desde o começo da década de 1960. O artista apresenta uma obra bastante diversificada, envolvendo pintura, desenho e escultura. Todas essas facetas do seu trabalho têm como referência a cultura sertaneja, cujas marcas ainda podem ser identificadas na região de Feira de Santana, onde o artista reside. O seu currículo conta com numerosas exposições, realizadas no Brasil e no exterior, entre as quais O currículo do artista conta com numerosas exposições, realizadas no Brasil e no exterior, dentre as quais: Circuito das Artes no Palacete das Artes (Rodin), Salvador, Paisagem Nordestina, Centro Cultural Correios, Salvador, Cenas Brasileiras, Caixa Cultural Salvador e São Paulo (2007); 14 Fragmentos Contemporâneos II, Museu de Arte Moderna da Bahia, Galeria 57, Leiria, Portugal (2005); Bahia à Paris – Arts Plastiques d´Aujourd´hui, Galeria Debret, Paris, França (1998); 3ª Bienal de Havana (1989); 43ª Bienal de Veneza, Itália (1988); 19ª Bienal de São Paulo, São Paulo (1987); IV Salão Nacional de Artes Plásticas, MAM, Rio de Janeiro (1982).

Com a obra intitulada “CONCERTO PARA RAPOSAS E VIOLONCELO” Juraci Dórea ocupa uma sala do museu e recorre mais uma vez a suportes efêmeros, buscando investigar novas possibilidades plásticas oferecidas por materiais comuns no meio em que vive. 

Maristela Ribeiro aborda o diálogo poético com experimentações oriundas das linguagens visuais contemporâneas. Desde meados dos anos 90, participa com frequência de coletivas, salões e bienais na Bahia, em outros estados brasileiros, assim como, em outros países, tendo recebido diversos prêmios e menções, dentre os quais, o Prêmio Sacatar para Residência Artística Internacional, com artistas oriundos da Alemanha, EUA, Síria e Canadá.

Nos últimos anos apresentou trabalhos nos Conjuntos Culturais da Caixa em Salvador, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e no Centro Cultural Recoleta, em Buenos Aires. Desde 2008 coordena o Grupo de Pesquisa em Arte Contemporânea – GEMA, coletivo formado por artistas, estudantes e pesquisadores que se propõe a operar procedimentos e intervenções urbanas, de modo investigativo e experimental. Em 2010, o Coletivo GEMA ganhou o Prêmio Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Para ocupar uma sala de 60m² na exposição ”Pontos Cardeais”, Maristela Ribeiro escolheu levar “OS CONVIDADOS”. São pessoas imaginárias que chegam de todas as partes, traçando rotas na cena cotidiana, desenhando, dessa forma, um mapa em um espaço primordialmente urbano.

A mostra ficará aberta à visitação pública no Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira até o dia 15 de junho, de 08 às 18h.

Artistas arquitetos expõem no Museu Regional de Arte da Uefs

Com a Curadoria da Prova do Artista Galeria de Arte, será realizada no dia 19 deste mês, no Museu Regional de Arte da Universidade Estadual de Feira de Santana, a exposição Artistas Arquitetos. O evento, coordenado pelo Cuca, tem vernissage agendado para as 19h.

Participam da mostra os artistas arquitetos da Bahia Juraci Dórea, Luiz Humberto de Carvalho, Jamison Pedra, Almandrade, Eneida Sanches, Chico Mazzoni, Aruane Garzedin, Igor Souza, Lourenço Muller, Arsênio Oliveira, Eliezer Nobre e Waldo Robato.

Juraci Dórea será destaque na exposição, como único artista feirense com sala especial na Bienal de São Paulo em 1988 e sala especial na bienal de Veneza, em 1998. Outro homenageado será Diógenes Rebouças, primeiro artista arquiteto da Bahia. “Ele foi responsável pela formação de muitos profissionais da área, quando arte e humanismo eram ingredientes da construção civil”, revela o artista plástico Almandrade, acrescentando que nessa exposição, Diógenes terá apresentação do professor e historiador Francisco Sena.

De acordo com Almandrade, que também é poeta e arquiteto, a curadoria da mostra adotou como critério a passagem do artista pela Escola de Arquitetura, arquitetos de formação que descobriram ou tornaram-se artistas plásticos por caminhos e interesses diversos, até contraditórios. Neste caso, pontua Almandrade, “é evidente a diversidade de linguagens e estilos que, por outro lado, refletem tendências articuladas com a pluralidade da arte contemporânea”.

Socorro Pitombo – Assessoria Cuca/Uefs

 

Manifestações da cultura negra na mostra de Gabriel Ferreira


A Capoeira de Angola e o Candomblé estão presentes nos trabalhos do artista visual Gabriel Ferreira, que poderão ser vistos na Galeria de Arte Carlo Barbosa, no Cuca, a partir das 20h da próxima terça-feira (19). A mostra, com a temática “Brinquedo dos Angolas e Orixás: Aloísio Resende e Bel Pires”, ficará aberta à visitação pública até 15 de maio.

Para colar estas duas manifestações, o artista se debruçou sobre o trabalho de pesquisa historiográfica do mestre de capoeira e professor Bel Pires, o qual entrelaçou com a poesia de Aloísio Resende, poeta feirense que viveu entre 1900 e 1941, aliado à admiração pessoal que tem pelo Candomblé.

“Como o texto poético embala muitas das minhas ilustrações, fascinei-me com a possibilidade de colocar tudo num mesmo prato de barro e despachar numa Galeria”, afirma Gabriel, que seguiu inspirado pela poesia de Aloísio, conhecido como o Poeta dos Candomblés; por Bel Pires em alguns dos seus artigos científicos, “para poder apresentar ao público mais uma das minhas aventuras pictóricas lastreadas em elementos textuais”, completa.

O artista explica que a mostra não é um apanhado geral a respeito da capoeiragem e do candomblé, não se trata de uma reedição acerca dos temas e sim uma abordagem bem particular através de pinturas, com um discurso que versa, tece e aproxima as duas linguagens.

Segundo ele, o Grupo Malungo, sob a coordenação do mestre Bel Pires, é grande incentivador do seu trabalho com a capoeiragem, pois além de emprestar o nome “Brinquedo  dos Angolas”, disponibiliza acervo fotográfico e bibliográfico para subsidiar a sua produção.

Além de artista visual, Gabriel Ferreira também é músico, filho da percussão, como ele próprio se define, com aprendizado e passagem pelas filarmônicas Maria Quitéria e 14 de Agosto. Natural da vizinha cidade de Tanquinho, mas residente em Feira de Santana, o artista participou de mostras individuais e coletivas em salões e bienais no Brasil e exterior.

 

Exposição intercâmbio – Bahia x São Paulo

 

Exposição no Cuca reúne artistas de várias gerações

“Dois estados em diálogo com a arte”.  É assim que o artista plástico Leonel Mattos define a “Exposição Intercâmbio Bahia X São Paulo”, que será realizada na próxima sexta-feira  (25). O evento é promovido pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), por meio do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), em parceria com o Ateliê Leonel Mattos.

O coquetel de abertura está programado para as 19 horas, na Galeria de Arte Carlo Barbosa, no Cuca. A exposição fica aberta à visitação pública até 15 de abril. É a primeira de uma série que o Ateliê Leonel Mattos pretende realizar, iniciando por Bahia e São Paulo. Na sequência, a programação inclui Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pará.

Participam da mostra artistas das gerações anos 60, 70 e 80, com uma trajetória consolidada, entre os quais Almandrade, Bel Borba, César Romero, Gustavo Moreno, Juraci Dórea, Sante Scaldaferri, Sérgio Rabinovitz, Vauluizo Bezerra. E mais: Anna Anapana, Antônio Peticov, Claudia Simões, Caciporé Torres, Ivald Granato, Renot, Jú Côrte Real, Luiz Cavalli e Guilherme Faria.

Com informações de Socorro Pitombo – Cuca/Uefs

Local: GALERIA DE ARTE CARLO BARBOSA – CUCA

Abertura : 25 de Março às 19 h

Visitação : 25 de Março a 15 de abril de 2011

 

O artista Jorge Galeano faz interferências no campus da Uefs

 

 

Ao utilizar painéis de alvenaria para compor trabalhos da série “Uma Canción para Anita”, o artista visual Jorge Galeano, deu um toque especial ao campus da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).  Durante 15 dias, ele trabalhou com interferências artísticas em nove painéis fixos localizados entre os módulos de aula do campus universitário.

De acordo com o artista, trata-se de uma realização independente, sem nenhum custo para a Universidade. “A minha intenção é levar a arte para o campus”, disse ele. Galeano informou ainda que está desenvolvendo projeto para realizar interferências em árvores da cidade, como uma forma de preservar o verde, de humanizar e embelezar Feira de Santana.

Assessoria Cuca/Uefs

Nanja e suas máscaras

 

 

A criatividade e a sensibilidade são soberanas para a artista plástica Nanja Brasileiro; pinceladas cromáticas e formas inusitadas adquirem novas nuances para o prazer dos olhos e do espírito.

 

Nanja considera o seu trabalho “um estado de alma”, como “uma forma de ver o mundo” e, talvez por essa razão, nesse trabalho ela tenha trocado as telas pelo corpo. A face humana e a textura da pele tornaram-se matéria-prima. Rostos pintados, suaves, deformados, ou simplesmente angelicais, transformam-se em máscaras humanas impregnadas de novos matizes e de novas expressões; elas chocam ou enternecem, amedrontam ou surpreendem.

 

A pintura – tão velha quanto o mundo – e a fotografia, uma arte moderna, representam maneiras de ver e sentir o universo. As máscaras humanas criadas por Nanja e capturadas pelo olhar mágico de Leo Brasileiro são obras de arte em sua mais pura essência, por conceberem o inusitado, pela carga emotiva que deflagram, por eternizarem o efêmero.

 

 

 

Oiticica – Um Breve Depoimento

 

Festival de Inverno da Universidade católica do Recife, julho de 1979.

 Entre os convidados, Hélio Oiticica para realizar experiências com “parangolé” e fazer uma rápida retrospectiva de sua obra através de slides. Eu estava no festival realizando uma pequena exposição que… tinha um pé na arte conceitual e outro na arte construtiva, com o título “Manias de Narciso”, que muito impressionou o Oiticica. Conversamos muito sobre arte, a partir daí.

No seu trabalho com “parangolé”, queria um público da periferia, marginal, livre de influências culturais acadêmicas, já que via na marginalidade uma idéia de liberdade. Sem dúvida, era um inventor que mantinha certo domínio intelectual sobre seu próprio trabalho. Sabia o que queria e não queria fazer qualquer coisa. Uma noite circulamos pela periferia da cidade do Recife, na busca de uma escola de samba, Oiticica, Paulo Bruscky, Jomard Muniz de Brito e Almandrade. Uma aventura, papos e papos pela madrugada a dentro, de bar em bar nos arredores da cidade. A vida e a arte, os agitados anos de 1960, a mangueira, a tropicália, Londres, Nova York etc. A arte era, para ele, uma experiência quase cotidiana contra toda e qualquer forma de opressão: social, intelectual, estética e política. Na projeção de slides na Universidade Católica, as ilustrações dos papos da madrugada anterior, as imagens de uma obra que a arte jamais se livrará. Arte concreta, neo-concreta, penetráveis, ambientes coloridos, bólides, arte ambiental, tropicália etc.

No princípio era Mondrian, Malevith, depois Duchamp. Uma trajetória exemplar na arte brasileira. Uma tensão entre fazer arte e habitar o mundo. Foi assim, uma das últimas performances do Hélio. Quase oito meses depois, misturado com suas obras na solidão de um apartamento/ninho/penetrável, agonizou por três dias vítima de um derrame cerebral. Ficou a lembrança de uma brilhante e discreta presença num festival de inverno em pleno calor do nordeste brasileiro.

 

Almandrade (artista plástico, poeta e arquiteto)

Publicado no Suplemento Literário, Belo Horizonte, novembro de 1997

Observação: Colaboração enviada pelo fotógrafo George Lima. Muito obrigada, George!

 

 

Centenário de Carybé

 

A leitura do romance Jubiabá, em 1938, um dos romances de Jorge Amado, trouxe à Bahia o argentino Hector Julio Paride Bernabó, mais conhecido como Carybé. O artista plástico, escultor, gravador e diretor de arte, fixou residência na Bahia e naturalizou-se brasileiro em 1957, época em que recebeu o título de Cidadão baiano.

 

Sobre a Bahia Carybé escreveu:

« A Bahia não é uma cidade de contrastes. Não é não. Quem pensa assim está enganado… Tudo aqui se interpenetra, se funde, se disfarça e volta à tona sob os aspectos mais diversos, sendo duas ou mais coisas ao mesmo tempo, tendo outro significado, outra roupa, até outra cara… Tudo misturado: gente, coisas, costumes, pensares. Vindos de longe ou sendo daqui, tudo misturado… Além da terra onde um dia descansaremos, há duas coisas : o preto e o branco. Havia. A loura de biquíni tem uma estrutura de ombros formidável, genuinamente sudanesa. A vendedora de mingau, escura como a noite, tem um holandês nos olhos. Tudo misturado! »

(In, CARYBÉ -. Livraria Martins Editora, São Paulo, 1962, p. 23).

 

Concordo plenamente com Carybé, quando ele diz que a velha Salvador é a cidade das misturas; mistura de velho e novo, de pitoresco e inusitado. Mistura de gente, cores, sol, mar, cheiros e sabores. Uma cidade singular e plural, com suas qualidades e defeitos.

 

Em 2009, uma exposição sobre a obra do artista ficou aberta ao público entre os meses de abril e maio. Carybé – 70 anos de Bahia, organizada pelo Instituto Carybé reuniu 200 obras que retratam a diversidade de temas e técnicas utilizadas pelo artista. Trata-se de pinturas, painéis, gravuras, esculturas, murais, ilustrações de livros, objetos pessoais, além dos figurinos criados por ele para cinema, teatro e balé.

Os responsáveis pelo evento também organizaram um passeio cultural denominado Rota Carybé, visando mostrar dezenove pontos de Salvador onde existem trabalhos do artista, entre eles, o painel do aeroporto, os gradis do Campo Grande e do Solar do Unhão, a estátua da mulher com uma criança, .que se encontra na entrada do Shopping Iguatemi, os painéis do teatro Castro Alves, entre outros.

Além da exposição, Caribé foi alvo de homenagem dos Correios e Telégrafos que lançaram um selo comemorativo; também está prevista pelos responsáveis do Instituto Carybé, a restauração da sua antiga residência localizada no bairro da Boa Vista de Brotas, que deverá tornar-se Memorial e centro cultural.

Em maio de 2009 também foi lançado um livro onde está registrada a arte de dois estrangeiros ilustres, baianos de coração e por afinidade; trata-se de  “Carybé & Verger – Gente da Bahia”, , idealizado por Enéas Guerra, que também foi colaborador de Pierre Verger e com textos de José de Jesus Barreto.É o primeiro livro da trilogia Entre Amigos. Ele marcou a comemoração dos 20 anos da Fundação Pierre Verger.

Em dezembro desse mesmo ano foi lançado em Salvador, Caybé, Verger&Caymmi: Mar da Bahia, o segundo livro da trilogia, que tem como objetivo celebrar a arte e a grande amizade entre esses personagens que escolheram a “Boa Terra” e o jeito de viver de sua gente, como motivo e cenário para suas obras.

 * Hector Júlio Páride Bernabó, conhecido como Carybé, nascido no subúrbio de Lánus, em Buenos Aires, em 1911, de pai italiano e mãe brasileira; veio à Bahia pela primeira vez em 1938, estabelecendo-se definitivamente à partir de 1942. Caribé faleceu em 1° de outubro de 1997 aos 86 anos de idade. Durante a sua vida foi jornalista, ilustrador,  desenhista, pintor e escultor, deixando uma série de trabalhos que retratam aspectos culturais da Bahia.

Galeano expõe pinturas no Museu de Arte Contemporânea

Após um longo período sem expor em Feira de Santana, o artista visual Jorge Galeano volta a mostrar suas obras mais recentes.  O vernissage acontece no dia 18 deste mês, às 20h, no Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira.

Galeano apresenta cerca de 20 trabalhos, acrílico sobre tela, fechando uma série de exposições no Museu de Arte Contemporânea. Ele está voltando de uma recente tournée de exposição na Argentina, onde apresentou “Cun La luz del sertão”, com curadoria da artista Nora Dobarro.

 A mostra, uma realização da Fundación Centro de Estudos Brasileiros, aconteceu no período de 7 a 29 de outubro, com o apoio da Embajada  del Brasil, Secretaria de Cultura da presidência de La Nación , Gobierno de La Ciudad  e galeria de Arte Ruth Benzacar.

 Sobre Galeano, que é argentino, mas radicado em Feira de Santana, Nora afirma  que “o artista produz o entrelaçado de cores e as formas em uma ação de combate visual intenso apropriando-se ainda das ruas que transita diariamente e seus rituais”.