Para começar a festa

 

Um Homem e seu Carnaval

Deus me abandonou

no meio da orgia

entre uma baiana e uma egípcia.

Estou perdido,

Sem olhos, sem boca

sem dimensões.

As fitas, as cores, os barulhos

passam por mim de raspão.

Pobre poesia.

O pandeiro bate

é dentro do peito

mas ninguém percebe.

Estou lívido, gago.

Eternas namoradas

riem para mim

demonstrando os corpos,

os dentes.

Impossível perdoá-las,

sequer esquecê-las.

Deus me abandonou

no meio do rio.

Estou me afogando

peixes sulfúreos

ondas de éter

curvas curvas curvas

bandeiras de préstitos

pneus silenciosos

grandes abraços largos espaços

eternamente.

Poema de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) publicado no seu primeiro livro, Brejo das Almas.

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Participação popular consolida o retorno do Bando Anunciador

 

 

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Demonstrando estar, de fato, ainda presente e forte no imaginário da população de Feira de Santana e de municípios da região, o Bando Anunciador da Festa de Senhora Santana, padroeira da região, voltou às ruas na manhã desse domingo (13), em mais uma edição da festa, resgatada pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) em 2007.

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Extinta por determinação de alguns segmentos do poder público e da Igreja em 1987, as manifestações populares em louvor a Senhora Santana voltaram a fazer parte do calendário de eventos do município, com a participação de moradores de diversos bairros de Feira de Santana e de comunidades de outras cidades.

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Foi um desfile de cores, animação, criatividade, folia, bandas, charangas e muito mais. Muitas pessoas, emocionadas, disseram ter encontrado amigos que há anos não via, o que foi possível graças ao Bando Anunciador.

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.Fotos: Dan Souza

Aniversário de Salvador

 

SalvadorMarinaBahia

Estou com problemas na coluna; uma hérnia de disco que inferniza os meus dias e me transforma numa espécie de pessoa intocável. Passei o dia tentando escrever alguma coisa em homenagem à minha querida Salvador, sem sucesso. Decidi então homenagear a cidade no dia do seu aniversário de 365 anos, com fotos que fiz ao longo dos anos, principalmente imagens do mar, que são aquelas que embevecem meus olhos.

Saa  2009 332

SalvadorFaroll

Bomfim 2014 4061

SalvadorMarinaBahia

SalvadorPescaria

Saveiro 2014_4058

 SalvadorSMarcelo

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Dia da Mulher

 

Maria, Maria

É um dom, uma certa magia

Uma força que nos alerta

Uma mulher que merece

Viver e amar

Como outra qualquer

Do planeta

Maria, Maria

É o som, é a cor, é o suor

É a dose mais forte e lenta

De uma gente que rí

Quando deve chorar

E não vive, apenas aguenta

Mas é preciso ter força

É preciso ter raça

É preciso ter gana sempre

Quem traz no corpo a marca

Maria, Maria

Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha

É preciso ter graça

É preciso ter sonho sempre

Quem traz na pele essa marca

Possui a estranha mania

De ter fé na vida….

Mas é preciso ter força

É preciso ter raça

É preciso ter gana sempre

Quem traz no corpo a marca

Maria, Maria

Mistura a dor e a alegria…

Mas é preciso ter manha

É preciso ter graça

É preciso ter sonho sempre

Quem traz na pele essa marca

Possui a estranha mania

De ter fé na vida….

(…)

Mas é preciso ter força

É preciso ter raça

É preciso ter gana sempre

Quem traz no corpo a marca

Maria, Maria

Mistura a dor e a alegria…

Mas é preciso ter manha

É preciso ter graça

É preciso ter sonho, sempre

Quem traz na pele essa marca

Possui a estranha mania

De ter fé na vida

(Milton Nascimento)

Evolução do carnaval da Bahia III

 

Os blocos de trios

Aurélio Schommer

O Bloco Internacionais é de 1962. A ele se seguiram o Corujas, em 1963, As Muquiranas, em 1966, Camaleão (1978), Eva e Cheiro de Amor (1980) e Crocodilo (1985), além de dezenas de outros. Se, no início, os trios viviam apenas de publicidade, com os blocos e suas cordas passaram a ter uma fonte de receita ainda mais significativa, chegando a faturar milhões em cada carnaval. Essa fórmula (trio + patrocínio + bloco com cordas) será igualmente exportada para micaretas e outras festas, multiplicando as receitas da indústria do carnaval baiano.

 Alguns blocos geram bandas, que gravam discos de grande sucesso. Nova fonte de receita e mais divulgação para a produção musical baiana, que atinge o auge nos últimos 30 anos. Por falar em música, o chamado axé não é um gênero, mas uma marca da música baiana que incluiu o frevo, o samba, o rock, o pop, a balada e, acreditem, marchas de bandas militares, onde se formaram muitos dos músicos que fariam os primeiros carnavais de trio. O axé é sobretudo a mistura de todos esses ritmos, reinventados. É criação permanente, a cada ano diferente, mas sempre respeitando a essência da forma de brincar em torno do trio elétrico, o seu dançar e pular típicos.

Nenhum grupo representa melhor o carnaval baiano atual do que a Timbalada, fundado em 1993 por Carlinhos Brown, que envolve a comunidade do Candeal. Nele, tudo se cria e recria com muita velocidade, com grande apuro técnico e artístico.

O modelo do carnaval baiano recebe muitas críticas de quem fica de fora da corda e até hoje não conseguiu emplacar com sucesso como espetáculo televisivo, residindo aí sua grande limitação. A grandiosidade dos trios e o fluxo de foliões, por outro lado, tornaram as ruas estreitas, apertadíssimas. A possibilidade de mudar o circuito para locais mais amplos, porém, é temida em função da perda de tradição que representaria. A rua faz parte do carnaval baiano desde os primeiros carros alegóricos, do corso.

Como preservar tradição, melhorar o acesso do público não pagante de abadás e camarotes, e ganhar espaço físico para o trio sem perda de identidade são desafios que se colocam para nosso carnaval. Mas a criatividade do baiano haverá de dar respostas satisfatórias, como sempre aconteceu. Surgido entre nós como divertimento da elite, imposto como alternativa organizada contra o violento entrudo, o carnaval tornou-se parte de nossa cultura, símbolo de nossa identidade étnica e fonte de atração de recursos e turistas. Preservar o que a festa tem de melhor e torná-la cada vez mais bonita e representativa de nossas raízes depende de nós.

 

 

Dodô Osmar e o frevo novo

“Todo mundo na praça e manda a gente sem graça pro salão”, diz o verso de Caetano Veloso. A metade do século XX está para chegar e o carnaval nas muitas praças populares, nos bairros e em alguns pontos do centro, vai se tornando manifestação de massa aceita e aplaudida, enquanto a elite tradicional mantém os bailes nos salões. O corso entra em decadência, mas será salvo por uma invenção que irá unir elite e povo num só carnaval: o trio elétrico.

 O trio é de 1951, obra do engenheiro Temístocles Aragão. Mas ele não teria criado a invenção se não fosse uma dupla inventar a guitarra elétrica brasileira (já existia nos Estados Unidos), adaptada a um automóvel, no ano anterior, obra de Adolfo Nascimento (Dodô) e Osmar Macedo, que também criaram o ritmo “frevo novo”, adaptação do tradicional ritmo pernambucano à nova instrumentação.

O sucesso da novidade foi instantâneo e não apenas mudou radicalmente o modo predominante de se brincar na Bahia como daria início, anos depois, à exportação da folia baiana para todo Brasil e exterior.

 O trio rompe os conceitos de espaços privados, pois atrás dele, pulando, vão gentes de todas as classes sociais, dançando e pulando de todas as maneiras possíveis, ao som de ritmos misturados, o que bem mais tarde será chamado de axé (em iorubá = energia vital).

 Mas o trio, para se impor, precisava de patrocínio. Em 1952, a Fratelli Vita, fábrica baiana de refrigerantes, patrocina Dodô e Osmar, que inauguram, no mesmo ano, o caminhão no lugar da picape e da “fubica”, como fora batizado o primeiro carro, um Ford 1929, da dupla. Nesse mesmo ano, surge a micareta de Feira de Santana, logo em seguida a de Alagoinhas, inspiradas pelas novidades.

 Assim, vitaminado pelos patrocínios e amado pelos foliões, o trio não para de crescer e caracteriza definitivamente o carnaval baiano aos olhos dos brasileiros e estrangeiros, que comparecem em grande número a nosso carnaval. O carnaval de trio, além das micaretas e outras festas, passa a ser a forma de festejar predominante de muitas outras cidades, todas tendo a Bahia como referência, um sucesso que enche de orgulho o povo baiano.

Aurélio Schommer –  É natural de Caxias do Sul – RS (1967), radicado em Salvador desde 1995, é escritor e vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura da Bahia. Em 2011, foi o curador da 1ª edição da Flica, de que é fundador e participante da curadoria. É ex-presidente da Câmara Bahiana do Livro – CBaL (gestão 2009/2010). Autor de “História do Brasil vira-lata” (Casarão do Verbo – 2012), tem oito títulos publicados, entre romances, relatos históricos, livro de contos e o Dicionário de Fetiches (2008), obra de referência. Participa de um quadro periódico sobre literatura na rádio Educadora, de Salvador.

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Evolução do carnaval da Bahia II

 

O carnaval dos afoxés, blocos, cordões e batucadas

                                                           Aurélio Schommer

Data de 1892 a primeira participação de descendentes de africanos no carnaval oficial da Bahia, através dos clubes Embaixada Africana e Pândegos d’África. Incentivada e saudada pela imprensa por conta do “bom comportamento” dos negros, a participação dos clubes africanizados seguia a linha de negar a bagunça do entrudo em nome da ordem dos desfiles. Nem todos os afrodescendentes, porém, podiam participar. Fazer parte de um clube era privilégio de mulatos de classe média.

Os demais afrodescendentes queriam brincar o carnaval a sua maneira, organizando-se em afoxés e “batuques”, como a mídia classificava as músicas tocadas por eles. Em 1905, a Polícia baixa portaria proibindo os “batuques”, fazendo cumpri-la com rigor.

A organização de blocos, cordões e batucadas foi a resposta popular às proibições. Eles desfilavam e promoviam bailes de rua nos bairros periféricos, na Baixa dos Sapateiros e Terreiro de Jesus, longe dos olhos da elite. Passaram a ser tolerados justamente por se distanciarem do centro, a área nobre entre o Campo Grande e a rua Chile, ocupada pelos corsos.

Com o decorrer da primeira metade do século XX, o patrocínio de casas comerciais e das primeiras emissoras de rádio baianas deu gás e aceitação aos blocos, onde o samba e outros ritmos apropriados ao predomínio dos instrumentos de percussão se destacavam como trilha sonora. A tradição chegou até nossos dias a partir deles, sendo os blocos afro e o chamado Carnaval Ouro Negro formas modernas de representar esses antigos carnavais populares.

Se o afoxé é uma tradição muito antiga, é com a criação do Filhos de Gandhi, em 1949, que ganha expressão de público e atrai a curiosidade e, mais adiante, a fidelidade de baianos e visitantes.

A partir dos anos 1970, surgem novos blocos afro, com refinada produção musical e a proposta de resgatar as raízes e o orgulho africanos de nossa gente. O Ilê Ayiê, da Liberdade, é de 1974. Com três mil componentes, 147 deles na bateria, enche as ruas do circuito oficial do carnaval. Mas é o Olodum, fundado em 1979 no Pelourinho, quem irá projetar essa forma de fazer música e carnaval para o mundo.

Foi um sucesso estrondoso, projetou o nome de nossa terra para a aldeia global, fenômeno de rápida disseminação, que contribui enormemente para a atração de turistas.

Logo houve a fusão entre trio e bloco afro, o que gerou novos sucessos, como o Araketu, fundado em 1980. Na medida desse sucesso, a baianidade passa a ser sinônimo de negritude, marca até hoje mantida.

 Aurélio Schommer – É natural de Caxias do Sul – RS (1967), radicado em Salvador desde 1995, é escritor e vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura da Bahia. Em 2011, foi o curador da 1ª edição da Flica, de que é fundador e participante da curadoria. É ex-presidente da Câmara Bahiana do Livro – CBaL (gestão 2009/2010). Autor de “História do Brasil vira-lata” (Casarão do Verbo – 2012), tem oito títulos publicados, entre romances, relatos históricos, livro de contos e o Dicionário de Fetiches (2008), obra de referência. Participa de um quadro periódico sobre literatura na rádio Educadora, de Salvador.

Evolução do carnaval da Bahia I

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Os primeiros carnavais

Aurélio Schommer

 

Carnaval, na Bahia, surgiu como divertimento da elite, espelhado na festa de mesmo nome de Paris e Veneza, sem contar, porém, com a liberalidade de costumes das cidades europeias, especialmente da italiana, onde o carnaval durava dois meses ou mais, durante os quais aconteciam coisas que fazem o nosso carnaval de hoje parecer muito comportado, muito certinho. Mas isso quanto a costumes, pois a violência sempre passou longe do divertimento da elite europeia, mais interessada em bailes de máscaras e cortejos suntuosos.

A tradição do carnaval remonta às mais antigas civilizações registradas, mas a festa só passou a ter esse nome (corruptela de “a carne vale”) com o advento do cristianismo e consequente adoção da quaresma. Desde então, as cidades europeias que o adotaram aliaram festa e refinamento.

 A partir de meados do século XIX, a elite soteropolitana começou a fazer bailes de máscaras e fantasias nos melhores salões da cidade, sem acesso ao povão, obviamente. Mais adiante, garantida a segurança pela polícia, os mais abastados tomariam as ruas em suntuosos e festivos cortejos, sempre com suas máscaras e fantasias. Para garantir que não houvesse concorrência, pois os africanos e seus descendentes tinhas suas próprias máscaras, proibiu-se a estes o uso de tais disfarces.

Assim, em 1879, os jornais registravam a ordem do chefe de polícia de Salvador “que fosse substituído esse uso bárbaro (entrudo) pelos divertimentos do carnaval”. A campanha pelo banimento do entrudo e oficialização do carnaval atingiu diversas cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Recife e Ilhéus. Mas as festas nos salões ricos continuavam, os bailes de carnaval, tal como são realizados até nossos dias.

Do início dos desfiles de carnaval, que passaram a incluir carros alegóricos, até 1907, pelo menos, carnaval e entrudo conviveram nas ruas, não sem uma severa repressão policial aos adeptos dos velhos hábitos do entrudo. Houve também contaminação do entrudo pelo carnaval e vice-versa. Era o embrião do carnaval de rua, que mistura a fantasia, os cortejos, com brincadeiras.

O confete e a serpentina, novidades trazidas do carnaval parisiense, além de outras inovações, tornaram o carnaval de rua um evento popular e, ao mesmo tempo, incentivado e controlado pelas autoridades e pelos jornais, que muito combatiam o “crime contra a humanidade e à civilização”, representado pelo velho entrudo.

No início do século XX, as sociedades e clubes carnavalescos dominavam a cena do carnaval de rua, com desfiles ao som de marchas militares e óperas. Era época de União Veneziana, Baiano, Girondinos, Pierrôs da Caverna e outros.

Os desfiles de carnaval, chamados de corso, tornam-se também atração turística, com muitos vindo do interior para assistir. Com o tempo, os carros alegóricos seriam substituídos pelos automóveis, uma ideia do que estava por vir, o carnaval moderno, centrado no trio elétrico.

AurélioBusto 1Aurélio Schommer – É natural de Caxias do Sul – RS (1967), radicado em Salvador desde 1995, é escritor e vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura da Bahia. Em 2011, foi o curador da 1ª edição da Flica, de que é fundador e participante da curadoria. É ex-presidente da Câmara Bahiana do Livro – CBaL (gestão 2009/2010). Autor de “História do Brasil vira-lata” (Casarão do Verbo – 2012), tem oito títulos publicados, entre romances, relatos históricos, livro de contos e o Dicionário de Fetiches (2008), obra de referência. Participa de um quadro periódico sobre literatura na rádio Educadora, de Salvador.

Um poema de Vinícius de Moraes

Poema de Natal

 

Para isso fomos feitos:

Para lembrar e ser lembrados

Para chorar e fazer chorar

Para enterrar os nossos mortos —

Por isso temos braços longos para os adeuses

Mãos para colher o que foi dado

Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer

Uma estrela a se apagar na treva

Um caminho entre dois túmulos —

Por isso precisamos velar

Falar baixo, pisar leve, ver

A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:

Uma canção sobre um berço

Um verso, talvez de amor

Uma prece por quem se vai —

Mas que essa hora não esqueça

E por ela os nossos corações

Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre

Para a participação da poesia

Para ver a face da morte —

De repente nunca mais esperaremos…

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas

Nascemos, imensamente.

 

 

Natal irrita e deprime quem não está a fim de festa nem tem paciência para compras

 

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Regiane Teixeira / De São Paulo

 É tarefa complicada para qualquer um desviar de luzes, propagandas e gente com sacolas em dezembro. Provavelmente dói mais na professora Adriana Bauer, 48, do que em você.

Ela faz parte de um grupo de pessoas que não acha nenhuma graça na risada do Papai Noel e que se sente mais angustiado nesta época. “Fica todo mundo louco para fazer compras, viajar, sair de férias”, diz. “Quem não pensa nisso fica desconectado.”

Os motivos para não se sentir no clima natalino vão desde a irritação pelo excesso de consumismo até o aumento de ansiedade por conta da pressão para ser sociável com familiares, amigos e colegas de trabalho.

 

Ceia magra

Não existe um termo clínico para definir a “depressão de Natal”, mas psicólogos observam um “boom” de reclamações de pacientes no período. “A sensibilidade das pessoas está à flor da pele e, por ser o final de um ciclo, é uma época em que se faz um balanço das expectativas e das relações”, diz o professor de psicologia da PUC-SP Hélio Roberto Deliberador.

Segundo Adriana Rizzo, voluntária do CVV (Centro de Valorização da Vida, ONG que dá suporte emocional por telefone ou internet, muito procurada por potenciais suicidas), os atendimentos disparam entre 23/12 e 1/1.

 

Que venha janeiro 

O Natal de 2012 foi um dos piores para a professora Adriana. Sem filhos, ela havia acabado de perder um cachorro doente. O marido estava desempregado.

“Não achei que tinha algo a comemorar”, diz ela, que já quebrou um dente de tanto rangê-lo, tensa que estava. “Sinto uma pressão quando vejo as pessoas indo ao shopping, pensando no que comprar, gente que nunca imaginei fazendo isso.”

O “blues” natalino “é uma queixa com tendência a crescer, pois as exigências sociais estão maiores”, diz a psicóloga Maria Aparecida das Neves, que atende Adriana há sete anos. “A pessoa pensa que não vai ter dinheiro para presentes, que tem que estar feliz, se sair bem nos eventos sociais.”

Para ela, porém, a maior preocupação é com quem tem depressão. “Imagina alguém que já não consegue fazer as coisas do dia a dia ter que ver a cunhada ou a tia de que não gosta.”

Mas, ainda que a pessoa venha com aquele papo de “prefiro ficar sozinha”, especialistas aconselham a não deixar depressivos sós na data.

O jornalista e músico Bruno Palma, 28, é outro que prefere pular as festas. Até pôs seus sentimentos numa canção.

“Eu quero desaparecer/Eu quero adormecer/E acordar só no próximo ano/Eu não quero fingir/Não quero te deixar para baixo/Voltarei quando isso terminar”, canta em inglês em “Come January” (“venha janeiro”).

Ao menos um alento da psicóloga Maria Aparecida: “O Ano-Novo já é uma data menos problemática. É quando tudo se dilui, se dispersa”.

Fonte: Folha de São Paulo

Festas populares da Bahia – Santa Bárbara

 

Baianos prestam homenagem a Santa Bárbara nesta quarta-feira

Quarta-feira (4) é o dia de homenagear Santa Bárbara e, em celebração ao dia da santa, o Centro Histórico vai se vestir de vermelho e branco. A tradicional Festa de Santa Bárbara, uma dos maiores festejos religiosos do calendário popular da Bahia, será dividida entre a celebração religiosa pela manhã e uma programação artística à tarde e à noite.

Uma grande homenagem no Largo do Pelourinho, marcada pelo respeito e pela devoção, será celebrada pela Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Já a programação artística, formada por 16 atrações como Fora da Mídia, Samba Chula de São Braz e Nelson Rufino, dá continuidade às homenagens ao dia festivo em todos os largos do Pelourinho durante a tarde e a noite.

Às 5h, será realizada a alvorada, que marca o início da festa com a tradicional queima de fogos no Largo do Pelourinho. Ainda pela manhã, às 8h, será realizada a missa campal, no mesmo local. Ao final da missa, uma procissão segue até o quartel do Corpo de Bombeiros. Além das homenagens à Santa, diversos carurus são oferecidos pela região, geralmente logo após a procissão. Os do Mercado de Santa Bárbara e do Mercado de São Miguel são alguns dos mais tradicionais.

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A partir das 14h30, o samba vai tomar os largos de todo o Pelourinho. O Largo Pedro Archanjo será movimentado pelas atrações Fora da Mídia, Bambeia e Sangue Brasileiro. No Largo Tereza Batista, os baianos poderão curtir o som de Nonato Sanskey e Roda de Samba Mucum’G, que abre a tarde de festa. Logo depois, vão se apresentar a banda Sambatrônica e o batuque afrobrasileiro do samba de roda da banda Barlavento. Já no Largo Quincas Berro D’Água, as atrações serão os grupos Samba Maria e Amoroso Samba e a cantora Claudya Costa.

O Terreiro de Jesus terá em seu palco o Grupo Trivial. A cantora Gal do Beco também fará uma apresentação especial. E o grupo Negros de Fé será responsável pelo show de encerramento da noite.

No Largo do Pelourinho, às 13h30, já será realizada a apresentação de Jorginho Commancheiro e Claudete Macêdo. Mais tarde, é a vez do Samba Chula de São Braz. E também vai se apresentar o sambista Nelson Rufino, que lança, no dia de Santa Bárbara, o seu novo DVD, e recebe como convidados Carlinhos Brown, Batifun, Carla Cristina, Edil Pacheco e Walmir Lima. De noite, será a vez de Juliana Ribeiro prestar sua homenagem ao dia, que se fará presente a partir das 20h.

A Festa

A Festa de Santa Bárbara, realizada pelo Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), órgão da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, é um dos eventos que integram o calendário das festas populares. O festejo é patrimônio imaterial desde 2008 por decreto do Governador do Estado e marca uma história de mais de 300 anos de culto à Santa Bárbara, Iansã para o Candomblé, sendo o sincretismo religioso uma das principais características da devoção à divindade.

Santa guerreira, é também lembrada como madrinha dos bombeiros e padroeira dos mercados. Suas cores são o vermelho e o branco. Estima-se que, a cada ano, mais de 12 mil fieis participam da saudação à Santa pelas ruas do Centro Histórico, de acordo com a assessoria de comunicação do CCPI.

Fonte: Correio da Bahia

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O fole vai roncar na grande final do 6º Festival de Sanfoneiros – Hoje, sexta-feira!

 Sanfoneiros

 

Dentre os elementos que melhor caracterizam a cultura popular nordestina, a sanfona se destaca quando o quesito é musical. Duelos entre os melhores sanfoneiros, de Feira de Santana e região, poderão ser vistos de perto pelo público, no Auditório Central da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), nesta sexta-feira (24). Nesta data, será realizada a grande final do VI Festival de Sanfoneiros, promovido pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), através do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca). Este ano, o Festival distribuirá R$ 24 mil em prêmios.

Cinco jurados, com formação específica ou notório conhecimento na área de música e cultura popular, julgarão os 16 finalistas observando os seguintes critérios: execução do instrumento (harmonia, melodia e ritmo) e performance do sanfoneiro (desenvoltura e comunicação com o público). Serão premiados os 1º, 2º e 3º lugares da Categoria I (até oito baixos) e da Categoria II (acima de oito baixos).

Durante o evento, o público presente, através do voto popular, também poderá escolher o melhor sanfoneiro da noite. Serão concedidos dois “Prêmio Júri Popular”, sendo um para a Categoria I e um para a Categoria II. Vale lembrar que o evento terá início às 18h30 e tem entrada franca.

Além dos finalistas, também se apresentarão no evento, um trio sanfoneiro (foyer principal), Asa Filho e Trio de Forró (show de abertura), Pedro de Dário (forró pé-de-serra), Grupo de Câmara do Cuca e convidados (tocando Luiz Gonzaga) e o Maestro Rogério Ferrer, que participará de um duelo de sanfonas com o artista Marciano.

Ascom/Uefs

Em tempo: Para quem está fora da cidade, ou não pode comparecer ao teatro da UEFS, A TVE Bahia vai transmitir ao vivo, através da internet, a grande final do 6º Festival de Sanfoneiros, evento que será realizado nesta sexta-feira (24), a partir das 18h30, no auditório central da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), com entrada franca.

O endereço do site é www.irdeb.ba.gov.br/tveonline.

O Festival de Sanfoneiros também será gravado pela TVE Bahia para exibições futuras na televisão aberta.

Sanfoneiros J Sobrinho e Os Bambas do Nordeste

Foto: George Lima