Caminhando pela cidade com Cíntia Portugal

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Ontem, dia 04 de abril, aconteceu o lançamento do livro Caminhando pela Cidade, de Cíntia Portugal. O meu desejo era de estar presente e de “caminhar pela cidade” de mãos dadas com a autora, pelas ruas da memória, em Feira de Santana, o que não foi possível em razão de problemas de saúde alheios à minha vontade. A minha participação nesse evento seria modesta, mas repleta de boas recordações e alimentadas pelo reencontro com pessoas queridas que fizeram – e que fazem parte da minha vida.

Como feirense tenho pela minha cidade um amor incondicional, apesar das transformações impostas pelo tempo, pelo dito “progresso” e pelo despreparo e indiferença de tantos que a mutilaram ao longo dos anos. Apesar dos esforços realizados nos últimos anos e dos numerosos trabalhos de pesquisa voltados para o interior do Estado, fonte de informações importantes e originais, muito ainda precisa ser resgatado, pois a maioria das pesquisas focaliza Salvador, a capital da Bahia, sobretudo os episódios relacionados ao litoral, costumes e personagens característicos daquela realidade.

Mas, como hoje é dia de festa e alegria, caminhar pelas ruas de Feira da Santana do passado é uma evocação da memória que faz bem à alma; a cidade,  devidamente resgatada através de fontes documentais, iconográficas e escritas, representaram o seu cotidiano em determinadas épocas.

Cíntia Portugal realizou uma leitura das configurações da cidade, seus códigos, regras e procedimentos, praticados e legitimados em momentos distintos da sua história. Identificou atores sociais enquanto agentes e incentivadores da produção cultural local. Ela foi motivada pelo desejo de identificar acontecimentos da vida feirense, reconhecer, desvendar e fixar fatos e personagens no tempo e no espaço, e, para mim, a importância da obra já aparece estampada na capa: uma foto antiga da Rua Sales Barbosa onde se vê toda a lateral do Mercado Municipal, hoje Mercado de Arte. O mais interessante, porém, é a sobreposição de uma foto colorida onde aparecem pernas bem torneadas e um lindo par de sapatos vermelhos decorados com bolinhas brancas e laçarotes.

Ao adquirir o livro, a primeira impressão transmitida à minha mente pelos meus olhos foi a de uma jovem que flanava despreocupada pelas ruas da cidade. Ao concluir a leitura, constatei que esse passeio prazeroso estava intimamente ligado à História do Cotidiano, defendida por Le Goff, pois era possível perceber que a cidade funcionava como um mosaico, que ela apresentava e representava o mundo e a sociedade e atribuía a cada ator e a cada elemento histórico, um papel preciso no funcionamento dos sistemas e na decodificação da realidade. Ou seja, o olhar jovem e extravagante da autora, representado aqui pelo par de sapatos vermelhos, deu outra dimensão ao resgate da memória urbana.

Sabe-se que os grupos humanos representam o mundo que os rodeia de maneiras distintas: um mundo figurado ou sublimado, um mundo codificado pelos valores, pela importância do trabalho e do lazer; um mundo dotado de sentido, através das crenças; um mundo, finalmente, fruto dos legados do meio, da educação e da instrução. Assim, segundo Rioux, a História Cultural, reivindica o estudo das formas de representação do mundo no interior de um grupo humano, independentemente da sua natureza, nacional ou regional, social ou política.

Quero concluir essa breve reflexão citando versos singelos de Eurico Alves Boaventura:

Minha terra não é moça,

minha terra é menino,

que atira badogue

que mata mocó.

(…)

Minha terra é menino

é um vaqueirinho

vestido de couro…

Na lírica melancólica de Eurico, que canta as aventuras do menino sertanejo, fica explícito o desejo de resguardar o passado da cidade, sua memória, guardiã de algo que efetivamente ocorreu, pois é ela quem assegura a continuidade temporal e os alicerces da história que se escreverá no futuro.

Os recentes estudos atestam a impossibilidade de uma dissociação, até então possível, entre a memória e a história, haja vista que ela permite uma melhor apreensão das relações entre o passado e o presente; assim sendo, segundo Paul Ricoeur, a memória deve ser entendida como uma construção identitária dos grupos sociais subordinados a determinados contextos sociais, e tem como fundamento a preservação da identidade.

Encerro a minha reflexão parabenizando a escritora Cíntia Portugal pelo excelente trabalho que realizou em prol da memória histórico-cultural de Feira de Santana.

Leni David

 

Noitada cultural

 

 

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Caminhando pela Memória de Feira de Santana                  

Programação de lançamento

Local: Casarão Fróes da Mota

Data: 04/04/14

Hora: 19h00

Mediadora: Cintia Portugal

I

Abertura:
Prévia do espetáculo: A cidade da rua Direita.

Grupo Conto em Cena,
direção de Geovane Mascarenhas,
Duração: 20 min. 

 II
Apresentação do livro Caminhando pela Cidade
Pela autora e bate-papo com leitores. 

O projeto de pesquisa Literatura de Jornal em Periódicos Brasileiros Pelo Prof. Doutor Adeítalo Manoel Pinho.”De mãos dadas com a memória“, Profª Mestre Leni David. “Falando de memórias” Uma prática com alunas da UATI /UEFS, Profª. Mestre Ana Angélica Vergne de Morais
Duração: 20 min. 

III
Entre Histórias e Memórias: Olney São Paulo e a peleja do cineasta do sertão.
Pela Profª. Mestre Maria David Santos.

A memória do Jornal Folha do Norte desde 1909.-
Pelos jornalistas Carlos Melo, Dalvaro Silva e Hugo Navarro.
Duração: 20 min.

                                               IV

O A, B, C de Feira de Santana – O livro Caminhando pela cidade.
Mesa com o escritor Cezar Ubaldo, Profª. Mestre Andréia Araújo e convidados
Duração: 20 min.

  V
Exposição do Clube da Fotografia: Exposição Fotográfica “Feira de Santana e o tempo levou!” de autoria dos Associados do Clube de Fotografia de Feira de Santana.

 VI
Encerramento: Apresentação musical Mano Gavazza.

Apoio: Fundação Senhor dos Passos. CUCA: Centro de Cultura e Arte., Mestrado em Estudos Literários (UEFS); Associados do Clube de Fotografia de Feira de Santana;

 

 

Lançamento de livro

O Realismo Pós-metafísico. Uma sociedade de exclusão no cinema e na literatura brasileiros.

Lançamento: 6 de dezembro, às 11 horas, na Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho.

Como se formou o crime organizado no Brasil? Qual a responsabilidade da ditadura militar na instauração da criminalidade?

Qual o modo de existência do Estado de Direito na sociedade brasileira? Os direitos humanos acabaram numa sociedade neo-liberal? Por quê esta sociedade não tolera ouvir falar sobre os direitos humanos?

São esses tipos de questões que esse livro suscita através de uma análise apurada de narrativas literárias e fílmicas que abordam a violência urbana atual.

O foco do realismo pós-metafísico é analisar o desmoronamento das idéias universais de justiça, mostrando como os direitos se fragmentaram, de acordo com os contextos de diversidade cultural que a pós-modernidade autorizou.

Na modernidade, os valores metafísicos entraram em crise, uma vez que na sociedade da técnica não havia mais lugar para pensamentos transcendentes. Mas a memória de valores de justiça social emergiram distorcidos no seio de grupos de poder paralelos, numa lembrança deformada do que seria um Estado de Direito.

Esta obra que expõe elos fundamentais entre Literatura, Cinema e Direito, analisa narrativas brasileiras emblemáticas, que mostram como valores pós-metafísicos tem se desenvolvido em comunidades de exclusão, e como tais comunidades buscam compor códigos jurídicos suscetíveis de livrar os sujeitos da brutalidade instaurada por sistemas autoritários e arbitrários de governo. Ela dialoga com Kafka e Foucault para a compreensão do arbitrário do poder; e busca a estética semiótica de Peirce para lidar com as questões complexas que pairam nas representações da história contemporânea.

Licia Soares de Souza professora  da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), colaboradora do Pós-Cultura da UFBa, professora associada da Universidade do Quebec em Montreal, e pesquisadora do CNPq. Doutora em Semiótica pela Universidade do Quebec em Montreal, publicou vários artigos e livros em semiótica narrativa, no Brasil, Canadá e Alemanha, entre outros:  Introdução às Teorias Semióticas (Vozes, 2006), e Literatura e Cinema. Traduções Intersemióticas (EDUNEB, 2009).

SOARES DE SOUZA Lícia. O Realismo Pós-metafísico. Uma sociedade de exclusão no cinema e na literatura brasileiros. Feira de Santana, EDUEFS/ FAPESB, 2013.

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Um livro, muitas história: Então…

Tive a honra de receber o mais novo livro de poemas do poeta Iderval Miranda, lançado em junho de 2013. Motivos diversos me obrigaram a deixa-lo na estante, espiando para mim e impondo a sua presença. Acontece que “Então”, não é um livro qualquer; não é para ser folheado. Ele é documento, memória, poesia, vida.

Publico hoje o primeiro poema, aquele que me prendeu. Aos poucos apresentarei as diversas facetas desse livro instigante.

Breve metafísica

já não me bastam as pequenas fantasias,

ou volúveis sonhos, as noites de desespero.

diante de mim,

o deserto da grande espera

e o infindável horizonte do nada.

assim caminharei,

por sobre pedras e espinhos,

buscando em carne e espírito

o que foi sem nunca ter sido.

In MIRANDA, Iderval. Então (poemas). Feira de Santana, Tulle, 2013, p. 83.

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UEFS Editora lança 14 novos títulos

 

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A UEFS Editora lança 14 novos títulos na próxima quinta-feira (21), a partir das 16h, em solenidade no hall do prédio da Reitoria da Universidade Estadual de Feira de Santana, campus universitário. O evento vai contar com a presença dos autores para sessão de autógrafos e apresentação dos trabalhos.

Os livros a serem lançados e seus respectivos autores são os seguintes: Arlequim da Paulicéia (Aleilton Fonseca); Rosae: linguistíca histórica, história das línguas e outras histórias (Tânia Lobo, Zenaide Carneiro, Juliana Soledade, Ariadne Almeida e Silvana Ribeiro); Escolas Normais (Ione Celeste Jesus de Souza e Antonio Roberto Seixas da Cruz); Multitão: experimentações, limites, disjunções, artes e ciências (Susana Oliveira Dias, Elenise Cristina de Andrade e Antonio Carlos Amorim); Violência na Montanha – Uma leitura dos contos de Miguel Torga (Marcelo Brito da Silva); Matriciamento em Saúde Mental (Maria Salete Bessa Jorge, Marluce Maria Araújo Assis, Túlio Batista Franco e Antonio Alves Pinto); Lutas sociais, intelectuais e poder: problema de história social (Eurelino Coelho e Larissa Penelú); Griôs: dobras e avessos de uma ONG – Pedagogia – ponto de cultura (Marco Barzano); Desenhando a ideia de uma avenida feliz (Sidnei de Araujo Oliveira); Sem comparação Torga Rosa (Francisco Ferreira de Lima); Análise Socioambiental (Jocimara Lobão e Barbara-Christine Silva); Trabalho Docente e Saúde (Carlos Eduardo Soares); Rainha Destronada (Rinaldo Cesar Nascimento Leite), e Histórias de Antigamente (Silvia Correia de Codes).

Embora em atividade há poucos anos, a UEFS Editora tem publicado cada vez mais trabalhos relevantes produzidos pela comunidade acadêmica das mais diversas áreas científicas. É dada prioridade à publicação de obras originais de caráter técnico-cientifico e cultural, fruto de trabalho de pesquisa docente. As obras são selecionadas através de editais lançados periodicamente no site da Uefs (www.uefs.br/portal) e da própria Editora (www.uefseditora.com.br).

Ascom/Uefs

 

O arlequim da Pauliceia – Imagens de São Paulo na poesia de Mário de Andrade

 

Passeando em Sampa com Mário de Andrade

 

Um olhar apaixonado sobre uma obra apaixonada. O resultado são estas milhares de linhas/trilhos que conduzem o leitor aos bondes da São Paulo da garoa, aos lampiões a gás, levando-o a acompanhar sensorialmente a construção do Teatro Municipal, da Catedral da Sé, do Edifício Martinelli, ao lado de transeuntes de terno, gravata e chapéu no centro velho da cidade; mulheres à la française, à sombra dos primeiros arranha-céus, ouvindo os ruídos dos primeiros automóveis importados e o gemido cada vez mais rumoroso de uma Pauliceia que engatava marchas em direção a uma loucura que se desenhava e se redesenha até hoje. O que diria Mario de Andrade se visse a São Paulo atual do alto do Pico do Jaraguá, onde pedira, em testamento poético,  que os seus olhos fossem sepultados?

Aleilton Fonseca disseca a obra e a alma do famoso escritor, acrescentando pontos de vistas surpreendentes. Se você nunca leu Mário de Andrade ficará com vontade de ler. E se já leu fará uma nova leitura, uma redescoberta. De maneira elegante, Aleilton se coloca em segundo plano para elevar Mário de Andrade à altura que ele merece. Os dois se merecem e se incorporam na busca de compartilhar o sentimento e a poesia com seus semelhantes. Mário, frisa o autor, “procurava incorporar-se ao coletivo, como forma de destruir em si o egoísmo das distinções particulares, despojando-se dos valores que o tornam um indivíduo só e solitário”.

Aleilton nos oferece uma prosa poética, juntando fotos antigas da cidade a excertos da obra do modernista. Uma das fotografias mostra passageiros sentados de costas num bonde, talvez o mesmo em que Mário um dia se sentira sozinho ao escrever: “O bonde está cheio/De novo porém/Não sou mais ninguém”. Ao exprimir a cidade em versos, o poeta modernista procurou “domá-la, pô-la nas rédeas da linguagem, de novo humanizá-la, tornando-a inteligível, transparente ao sentimento humano”, acentua o autor, acrescentando que as críticas e os elogios do poeta a São Paulo são puros atos de amor.

Pegue o bonde, então, caro leitor, e vai conversando com Aleilton Fonseca e Mário de Andrade. Não se assuste se você vir passar um veloz Metrô ao largo. Compare as duas metrópoles, mas volte para o presente. Pode doer. Volte devagarinho.

Jaime Pereira da Silva (Jornalista)

5ª Feira do Livro de Feira de Santana

Fortalecer a proposta de mobilização da comunidade para fazer da leitura um elemento facilitador da compreensão do mundo através da participação de cada ser na construção coletiva da cidadania.  Esta será uma das vertentes da 5ª Feira do Livro, evento promovido em parceria entre entidades de Feira de Santana e de Salvador que será realizada no período de14 a19 de agosto.

Os estandes já começaram a ser armados na Praça do Fórum de Feira de Santana e a expectativa de público é de aproximadamente 40 mil pessoas, número que representa um acréscimo de mais 15 mil visitantes, se comparada à edição do ano passado.

A Feira tem como objetivo geral mobilizar a comunidade feirense e da região circunvizinha para a importância da leitura como elemento facilitador da compreensão do mundo e da participação de cada ser na construção coletiva da cidadania. Espera-se contribuir para articulação entre os diversos conhecimentos produzidos sobre leitura e formação do leitor.

A Feira do Livro nasceu do desejo de educadores em despertar os dirigentes de instâncias públicas, privadas e filantrópicas para a importância de implementar políticas públicas do livro e da leitura na sociedade e possibilitar o acesso de pessoas excluídas do universo da leitura e de atividades culturais.

O sonho de executar o evento se tornou realidade em 2008, graças à união de esforços da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Arquidiocese de Feira de Santana, Secretaria da Educação do Estado (Direc-02), Secretaria Municipal de Educação, Serviço Social do Comércio de Feira de Santana (Sesc), Serviço Social da Indústria de Feira de Santana (Sesi), Serviço Social do Transporte / Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/- Senat) e Fundação Pedro Calmon.

Além da exposição e venda de livros, a Feira terá vasta programação que envolve lançamento de livros; contação de histórias e de causos; conversa com o escritor; mesas redondas e palestras; seminário novas letras: outros novos autores; recitais; oficinas; teatro; música; exibição de filmes; biblioteca móvel; planetário – Observatório Antares; apresentação com fantoches; apresentação dos ganhadores do 4º Festival Anual da Canção Estudantil (Face) da Rede Estadual de Ensino; apresentação dos ganhadores do 3º Tempos de Arte Literária ( TAL) da Rede Estadual de Ensino; lançamento de editais de premiação pela Fundação Pedro Calmon; encontros de escritores, de cordelistas e de música.

Maiores informações podem ser obtidas através do site: www.uefs.br/feiradolivro, pelo e-mail feiradolivrouefs@gmail.com e pelos telefones (75) 3161-8154 ou 3161-8254 e da Pró-Reitoria de Extensão da Uefs.

Ascom/Uefs

Lançamento de livro

Sexta-feira  (27/07), lançamento de mais uma edição do livro do poeta Damário da Cruz – Todo Risco – pela Fundação Pedro Calmon, no Pouso da Palavra,  em Cachoeira. A solenidade terá início às 18:30 hs, com palestra do professor Ubiratan Castro, diretor da Fundação Pedro Calmon.

É bom lembrar que todos os livros de Damário Dacruz têm edições esgotadas e esta é uma excelente oportunidade de obter um exemplar e de contribuir para a manutenção do Pouso da Palavra, espaço cultural criado pelo poeta.

Compareçam e divulguem!!!

Livro sobre Cordel transforma o museu em “arraiá”

Um “arraiá” junino será  montado no MAC para o lançamento do livro “O Que é Cordel” do poeta Franklin Maxado no dia 27 (quarta-feira) a partir das 18 h, agora reeditado pela Queimabucha , do Rio Grande do Norte, por ser considerado um classico no gênero  e especial para professores, estudantes e público em geral, principalmente no dizer de Jorge Amado.  O Museu de Arte Contemporânea fica na rua Geminiano Costa, 255 no Centro.

Além da fogueira, as bendeirolas  estarão misturadas às 50 xilogravuras e folhetos de cordel  de Maxado que estarão expostas à venda até o dia 20 de julho naquele Museu aberto à visitação pública. Muitas dessas xilogravuras  foram feitas para ilustrar  capas de folhetos sendo que  algumas estão nos EUA, Portugal, França, Japão, Inglaterra, Alemanha, Peru, Brasil e em outros países. Assim, a xilogravura popular brasileira hoje saiu das capinhas do folheto de Cordel para ilustrar capas de discos e de livros eruditos, virar quadros em paredes, além de serem objeto de interesse de colecionadores de arte e de  agencias para serem peças de publicidade.

É possível que  haja aulas-espetáculo semanais até o dia 19 de julho quando a exposição de xilogravuras será encerrada para o Museu entrar com outra programação de aniversário. Para isso,  dependerá da procura e interesse de pessoas e escolas e assim Franklin Maxado  convidará  cordelistas  colegas e xilogravadores para declamarem, cantarem, desenharem e  se apresentarem  ali com entrada gratuita, aproveitando a sala de reuniões do Museu.

O LIVRO

 ”O Que É Cordel na Literatura Popular” foi primeiro lançado pela Editora Codecri/Jornal Pasquim do Rio de Janeiro em l980 e foi   vendido em todo o Brasil tendo contribuido para mudar o conceito sobre este tipo de poesia pelos intelectuais . Os prefácios foram escritos pelo escritor Paulo Dantas e pelo jornalista Juarez Bahia no qual afirma:

“Franklin Maxado, baiano de Feira de Santana, pode ter sido tudo na sua vida ainda jovem. Jornalista, escritor, fazendeiro, bacharel e o que se imagine dele. Mas, nada é maior nele que o poeta. Sua profissão é poeta – e a poesia do povo, como fica melhor a qualquer destino de vate.”

Esta observação o responsável pelo MAC, o sr Edson Machado , gosta de transcrever em folhetos seus que publica.

A segunda edição a ser lançada dia 27 traz um novo prefácio  do cordelista cearense Arivaldo Viana no qual testemunha a autenticidade, pioneirismo e atualidade de Franklin Maxado, o Maxado Nordestino , como assina seus mais de 300 folhetos em quase 40 anos de profissão, tendo se apresentado lem todos os Estados do Brasil e  em alguns países. Essa atuação para muitos estudiosos  o torna um dos mestres mas isso não o envaidece, pois tem muito mais livros a ser lançados e escritos.  sendo aquele feirense simples que  vai ao Centro de Abastecimento “fazer feira”, conversar com os tabaréus e vaqueiros do mesmo modo que vai à Universidade, onde ainda trabalha no meio a doutores e a estudantes jovens, depois de ser diretor por mais de 10 do seu Museu Casa do Sertão. Ou participa de reuniões da Academia Feirense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico dos quais já foi presidente.

 XILOGRAVURAS

Franklin Maxado no prazer de contar  casos e escrever versos chega a esnobar a sua arte de desenhar e de fazer xilogravuras, apesar de muitos críticos de arte o considerar um dos maiores xilógrafos de Cordel. Ele começou profissionalmente em l976 em São Paulo quando o colecionador Zacarias José  que gostou dos seus desenhos no “Album Feira de Santana” lhe encomendou uns “tacos” para ilustrar seu folheto “Acidentes do Trabalho no Ramo da Construção”. Devido à aceitação, após veio a encomenda para fazer o retrato do presidente da Bayer do Brasil e as ilustrações para o brinde de Natal de l978 daquela indústria. Depois disso, continuou a fazer ilustrações para as capas de seus folhetos e a pesquisar  outros  artistas brasileiros do ramo, tendo publicado em l982 o livro “Cordel, Xilogravuras e Ilustrações”, também “um clássico” para o mesmo Jorge Amado quando prefaciou outro livro de Maxado, “O Cordel Televivo”.

Nisso, começou a pesquisar o inicio da Xilogravura e descobriu que é uma arte milenar, originária da índia e China, onde se imprimiam até dinheiro com carimbos de madeira. Isso motivou a Gutemberg, na Alemanha, a inventar os tipos moveis de metal criando a Imprensa,  inspirando-se dos tipos móveis esculpidos em madeira dqueles orientais. Na Europa. quando ainda não havia iventado a fotografia, a Xilogravura foi muito usada para retratar paisagens e rostos humanos a fim de serem impressos. Essa tradição é cultivada e muitos estrangeiros adquirem a xilogravura  popular para enfeitar suas casas, mesmo sabendo que , com o tempo, elas amarelecem por ser um papel.

Os jesuítas trouxeram esta arte para o Brasil para imprimir figuras de santos e paisagens da Bíblia com a meta de ajudar na evangelização dos índios, além da  arte irmã de esculpir imagens de santos. Com os jornais e as tipografias pelo interior, principalmente pelo Nordeste,  a tecnica foi muito usada para  ilustrar  notícias e retratar figuras. Os jornais feirenses mesmo usou muito tendo registrado dois profissionais, o  pernambucano Pacheco e o alagoano  Antonio Carimbeiro. Houve também o potiguar Isau Mendonça.

Franklin em Feira  diz que sempre foi bom aluno em Desenho e começou a entalhar madeira para as aulas da professora Judite Pedra, no Colegio Estadual bem como conhecer e trabalhar em madeira desde  pequeno com o primo Carlos José na Serraria Eco, do tio Osvaldo Boaventura. E nas férias, com o tio Alfredo Pinto e com  o carpinteiro José Sales, ambos de Mundo Novo.

Contatos: MAC – 75-3223-7033

Mirantes – Vencedor do prêmio Braskem

 

Será lançado nesta sexta-feira, 13 de abril, a partir das 20h, no Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, o livro “Mirantes” de autoria do professor de Teoria da Literatura da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Roberval Alves Pereira, vencedor do Prêmio Braskem Academia de Letras da Bahia – Poesia 2011. O livro reúne 80 poemas escritos nos últimos cinco anos que, de acordo com o crítico e poeta Alexei Bueno, apresentam “uma notável riqueza psicológica”.

Roberval Pereyr, como o professor assina desde 1970, fez o lançamento oficial do livro em 22 de março, na sede da Academia de Letras, no bairro de Nazaré, em Salvador, marcando a reabertura dos trabalhos acadêmicos do ano de 2012.

A premiação do Braskem contemplou a publicação do livro “Mirantes” pela Editora 7 Letras, com circulação nacional. Pereyr já tem 11 livros publicados, dez de poesia e um de ensaio. “Fico feliz com a premiação. É um fruto de um trabalho que desenvolvo com prazer: transformar a palavra em poesia”, salienta o poeta.

Durante o lançamento, haverá apresentação musical com Tito Pereira, Camila Gonçalves e Luca Pereira.

O Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira está localizado na rua Rua Geminiano Costa, 255, Centro, Feira de Santana, BA.

Ascom/Uefs