Maria Dapaz – Uma linda voz, uma linda canção

 

VIAGEM

         (João de Aquino e Paulo César Pinheiro)

  

Oh, tristeza me desculpe

Tô de malas prontas

Hoje, a poesia, veio ao meu encontro

Já raiou o dia, vamos viajar

Vamos indo de carona

Na garupa leve do tempo macio

Que vem caminhando desde muito longe

Lá do fim do mar

Vamos visitar a estrela

Da manhã raiada

Que pensei perdida pela madrugada

Mas vai escondida querendo brincar

Senta nessa nuvem clara

Minha poesia

Anda, se prepara, traz uma cantiga

Vamos espalhando música no ar

Olha, quantas aves brancas

Minha poesia

Dançam nossa valsa

Pelo céu que um dia

Fez todo bordado de raios de sol.

Oh, poesia, me ajude

Vou colher avencas

Lírios, rosas, dálias pelos campos verdes

Que você batiza de jardins do céu

Mas pode ficar tranquila

Minha poesia

Pois nós voltaremos numa estrela guia

Num clarão de lua quando serenar

Ou, talvez, até quem sabe

Nós só voltaremos

Num cavalo baio, no alazão da noite

Cujo nome é Raio… Raio de Luar

Um poema de Verlaine traduzido em português

 
Gosto muito de Chanson d’automne, escrito por Verlaine, também conhecido como “poeta maldito” e “príncipe dos poetas”; outro dia encontrei uma tradução do poema, escrita por Alphonsus Guimaraens, um dos mais admirados poetas simbolistas do Brasil e que viveu até os anos 20 do século passado.
 
 
CHANSON D’AUTOMNE
  
Les sanglots longs
Des violons
De l’automne
Blessent mon coeur
D’une langueur
Monotone.
 Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l’heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure.
 Et je m’en vais
Au vent mauvais
Qui m’emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.
Paul Verlaine
 
 
CANÇÃO DO OUTONO
 
(Tradução: Alphonsus de Guimaraens)
Os soluços graves
Dos violinos suaves
Do outono
Ferem a minh’alma
Num langor de calma
E sono.
Sufocado, em ânsia,
Ai! quando à distância
Soa a hora,
Meu peito magoado
Relembra o passado
E chora.
Daqui, dali, pelo
Vento em atropelo
Seguido,
Vou de porta em porta,
Como a folha morta
Batido

Outono em Paris

Você quer passear em Paris?

Foto: Leni David

Você  já conhece Paris? Você deseja conhecer a “cidade luz”? Ou está planejando uma viagem? 

Seja qual for a resposta, a solução está em suas mãos: basta ligar o seu computador e acessar o site paris-26-gigapixels ! Você pode passear pela cidade, apreciar e conhecer a história dos principais monumentos, sonhar, sorrir, como se estivesse sobrevoando, apreciando a paisagem de uma janela privilegiada. Trata-se de uma fotografia panorâmica da cidade, com uma qualidade extraordinária (definição de 26 GigaPixels).

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Bicentenário de Chopin

O bicentenário de Chopin, nascido na Polônia em 1o de março de 1810, em Zelazowa Wola, perto de Varsóvia está sendo comemorado em todo o mundo em 2010. Filho de mãe polonesa e pai francês, Chopin faleceu aos trinta e nove anos de idade (1849) em Paris, e foi sepultado no cemitério do Père Lachaise.

Segundo Andrzej Sulek, diretor do Fryderyk Chopin Institute, “Frédéric Chopin é um ícone polonês, e não há nenhuma outra figura tão conhecida no mundo que tão bem represente a cultura polonesa.

Retratos de Mulheres – Resenha

 

                                           Por Socorro Pitombo*

Mulher, um tema recorrente, mas sempre muito instigante, revelador, inesgotável. Quanto mais nos debruçamos sobre o feminino, mais mulheres encontramos.  Extraordinárias, com trajetórias singulares. Algumas fortes, outras nem tanto, sofredoras, gloriosas ou detestáveis, mas interessantes. Muitas relegadas ao esquecimento.

Há séculos o ser humano se pergunta, e até hoje não há uma resposta clara, por que as sociedades ainda diferenciam tanto os dois sexos em termos de hierarquia e funções. Na realidade, apesar dos avanços e conquistas, a mulher ainda é discriminada em muitas situações. É o caso de perguntarmos: como se estabeleceram as hierarquias, como isso aconteceu e se sempre foi assim.

O filósofo alemão Friedrich Engels já sustentava que a sujeição da mulher começou com a família e a propriedade privada, quando os humanos se assentaram em povoados. Antes, na vida nômade, o homem caçava, protegia. A mulher paria, amamentava, criava. E essa assombrosa capacidade deve tê-la tornado muito poderosa. Talvez, quem sabe, a ânsia de controle dos homens tenha nascido desse medo. Do medo do poder inquestionável das mulheres.

Essas e outras questões estão contidas no livro “Histórias de Mulheres”, da espanhola Rosa Montero, considerada a escritora do momento. Rosa traça o perfil de quinze mulheres extraordinárias, que tiveram a coragem de se afastar das normas estabelecidas e de trazer à tona as mudas aflições de suas épocas.

A Fugitiva

Uma das biografadas é a escritora Agatha Christie, a “Rainha do Crime” como ficou conhecida pelos seus romances policiais. Apesar de famosa – seus livros foram lidos em todo o mundo – era perseguida por um monstro interior. Sua existência foi marcada por aflições, uma eterna fuga do negror, um combate secreto contra o caos.

Para ela, era importante que o mundo fosse ordenado, correto, tudo em seu devido lugar: o universo de sua infância.  Preocupava-se com a aparência, embora a sua própria não fosse das mais agradáveis. Aos 40 anos começou a engordar e transformou – se numa matrona, de seios fartos e quadris avantajados. Os dentes eram ruins e, por isso mesmo, nunca aparecia sorrindo nas fotografias.

Embora não seja mencionado em sua autobiografia, o desaparecimento da escritora provocou especulações de toda ordem.  À essa época já era famosa. Não é difícil imaginar o impacto que causou, desaparecer assim, misteriosamente, sem deixar nenhuma pista. Ao final de onze dias Agatha foi encontrada, bem instalada em um hotel.  Não se lembrava de nada. Tinha perdido completamente a memória, fugido de si mesma. Mais tarde, com ajuda psiquiátrica, foi reconstruindo as lembranças. Mas nunca se referiu a esse episódio.

Com Archie Christie, seu primeiro marido, viveu tempos de aventura. Durante um ano viajou com ele para dar a volta ao mundo. Agatha, que sempre procurou ser a esposa ideal, viu aos poucos a sua relação cair por terra. Archie se interessou por outra mulher e a separação foi inevitável. O que na época era impensável. Muito menos para ela, que gostava de tudo certinho, no seu devido lugar, mesmo que para isso tivesse que fingir para si mesma. Porque Agatha passou a vida ocultando coisas, dissimulando defeitos. Foi, sem dúvida, uma grande farsante, uma impostora, no bom sentido.

A esquecida

Jovem, inteligente, talentosa, escultora de gênio. Assim era Camile Claudel, outra mulher “fotografada” por Rosa Montero. Tinha tudo para triunfar, mas acabou sucumbindo, vítima das convenções e dos preconceitos da época. Francesa de Villeneuve começou a esculpir ainda criança, por conta própria. Aos 12 anos produziu um trabalho em argila que chamou a atenção dos artistas locais.

Chegou a Paris aos 19 anos, em 1881. Nessa época às mulheres era vedado o direito de estudar na Escola de Belas Artes.  Mas a destemida  Camile não se acovardou, se matriculou numa academia e alugou um estúdio com três jovens escultoras inglesas. As poucas moças que saíam das normas eram consideradas quase prostitutas. Conheceu Auguste Rodin, ele com 44 anos de idade e ela 19. Tinha plena consciência de que era genial e queria conquistar o mundo. Seu grande pecado foi ter-se apaixonado perdidamente pelo celebérrimo mestre. Casado há 20 anos, Rodin não abriu mão da estabilidade familiar e a aprendiz foi relegada a segundo plano, ao semiclandestino lugar de amante. Apaixonada e envolvida por um homem muito mais velho, admirado, cortejado, Camile se submeteu e pagou caro por isso. A sociedade não lhe perdoou.

São muitas as controvérsias sobre a vida tumultuada de Camile Claudel, sobretudo sobre a sua relação amorosa e profissional com Rodin. Trabalhava, apaixonada e incansavelmente, mas pouco assinou as suas obras. Também lhe serviu de modelo, ocupação que lhe consumia horas de dedicação e não se sabe ao certo se era remunerada.

Há quem diga que muitas obras assinadas por Rodin tenham sido esculpidas por Camile, pois trazem a marca do seu estilo: audacioso, inovador. Produziram muitos trabalhos em conjunto. Mas quem aparecia era o grande escultor, sempre festejado.  Embora igualmente genial, ela não teve o seu talento reconhecido. A sombra do mestre a esmagou.

Conservadoras, a imprensa e a sociedade não aceitavam suas esculturas arrojadas. Alguns críticos importantes chegaram a reconhecer a sua genialidade. Mas não o suficiente para consagrá-la como artista.   Enquanto isso, Rodin triunfava com obras mais transgressoras que as de Camile. Talvez inspiradas na criatividade e no talento da aluna dedicada. Afinal, não se sabe quem copiou quem. Mas não há dúvida de que ele a usou, tanto como mulher quanto como artista. Prova disso é que a década em que estiveram juntos foi a mais efervescente e produtiva para o escultor.

Camile rompeu com Rodin e a partir de então, em seu próprio estúdio, tentou manter-se a si mesma. As suas obras não vendiam, o que a levou progressivamente ao empobrecimento. Acabou desequilibrada. Tinha alucinações, mania de perseguição. Toda a sua revolta voltou-se contra Rodin.

No manicômio para onde foi levada, por ordem da própria mãe, não recebia visitas, exceto a do irmão Paul, que algumas raras vezes esteve  com ela. Na verdade, Camile foi punida pela família e pela sociedade por transgredir. Por tentar viver da sua arte e amar sem restrições, enfim, ser dona da sua própria vida. Não conseguiu. Apesar das suas comovedoras súplicas, permaneceu 30 anos internada. Morreu no manicômio de Montdevergues em 1943.

A autora

Rosa Montero é uma escritora ainda jovem, mas com uma obra madura. Nasceu em Madrid, em 1951. Frequentou a Faculdade de Filosofia e Letras e desde 1976 é colunista exclusiva do Jornal El País. A série de artigos reunidos no livro Histórias de Mulheres (2008) foi publicada oportunamente em El País Semanal e aparece numa versão ampliada, libertada da ditadura do espaço. É autora de diversos livros, dentre os quais Te trataré como a una reina (1983) e El Corazón Del Tártaro (2001, além dos já publicados no Brasil pela Ediouro: A Louca da Casa (2004), que recebeu o prêmio Grinzane Cavour de literatura estrangeira e o prêmio Qué Leer de melhor livro espanhol – Paixões (2005), História do Rei Transparente (2006) e A Filha do Canibal (2007), prêmio Primavera de melhor romance.

As biografadas

Agatha Christie – Camile Claudel – Frida Kahlo – Simone de Beauvoir – Charlotte, Emily, e Anne Brontë – George Sand – Margaret Mead,- Isabelle Eberhardt – Laura Riding- Maria Lejárraga – Alma Malher – Lady Ottoline Morrel – Zenóbia Camprubi-  Mary Wollstonecraft – Aurora e Hildegart Rodriguez.

* Socorro Pitombo é jornalista e colaboradora do Blog.

A sabedoria de Guimarães Rosa

 

Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?
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“Felicidade se acha em horinhas de descuido…”
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“Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo”. 

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“Mas quem é que sabe como?

Viver… o senhor já sabe: viver é etcétera…”

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“Eu não sei quase nada, mas desconfio de muita coisa”. 

(Guimarães Rosa)

Aleilton Fonseca – Nhô Guimarães

Concebido como uma homenagem ao escritor João Guimarães Rosa, no cinquentenário de Grande Sertão: Veredas, o romance Nhô Guimarães, de Aleiton Fonseca, é um saboroso As Mil e Uma Noites sertanejo. Trabalhando a linguagem de forma imaginativa, Aleilton cria uma personagem que, ao narrar histórias e causos, em boa parte inspiradas no imaginário popular brasileiro e no vasto universo rosiano, relembra seu velho amigo Nhô Guimarães.

“O sertão vem a mim”, diz a narradora. “Acredite: o sertão vem a mim, todo dia mais. As histórias vêm: aqui se arrancham, almoçam e jantam, bem fartas, tiram madorna na rede, de prosa comigo. O senhor compreendeu o meu dizer? Elas vêm a mim, guardo os fatos, aceito: protejo, velo, resguardo, no meu firmar. Tomo conta de um tesouro.”

“Aleilton Fonseca resgata uma prosa cheia de beleza, cuja oralidade passa por um apuro formal que lhe filtra os cacoetes e excessos”, escreve nas orelhas Antonio Torres. “Mas sem abdicar do colorido, do ritmo e sabor das conversas num avarandado ou ao pé do fogão, para espantar o medo das assombrações, ou se livrar das más lembranças.” 

Destinado tanto a iniciantes quanto a iniciados na obra de Guimarães Rosa, Nhô Guimarães, de Aleilton Fonseca, é um romance-homenagem que segue seu próprio caminho. Como afirma Maria Lúcia Martins, neste romance “cada letra é sinal de rastro rasgado entre brumas de solidão e o vermelho do sangue”.

O  autor

Aleilton Fonseca nasceu em Firmino Alves, BA (1959), viveu em Ilhéus, Vitória da Conquista, João Pessoa, São Paulo, e reside em Salvador. Cursou Letras (UFBA), fez mestrado (UFPB) e doutorado em literatura (USP). Lecionou na UESB, foi professor na Université d’Artois (França), em 2003, e hoje atua na UEFS-Bahia. Publicou Jaú dos Bois e Outros Contos (1997), O Desterro dos Mortos (2001) e O Canto de Alvorada (2003). Co-organizou os livros Oitenta: Poesia e Prosa (1996), Rotas & Imagens: Literatura e Outras Viagens (2000) e O Triunfo de Sosígenes Costa (2004). Recebeu, entre outros, o  Prêmio Nacional Herberto Sales (ALB-BA, 2001) e o Prêmio Marcos Almir Madeira (UBE-RJ, 2005). É co-editor da revista de arte Iararana, correspondente de Latitudes, “cahiers lusophones” (França), membro da Academia de Letras da Bahia e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana. Acredita que a “literatura é uma sentença de vida; uma forma eficaz de conhecer profundamente o ser humano”.

 

Um poeta: Luís Pimentel

EU E ELA

Ela cuspiu nos meus sonhos

não reagi

              acordei.

Xingou mamãe de jamanta

fui até bom

              concordei.

Disse que eu era uma besta

compreendi

              mas chorei.

Gritou que tinha outro homem

fui imbecil

              duvidei

Provou que eu não existia

não discuti

              me matei

 

CANTO MENOR

           Para Antônio Brasileiro

 Eu que recitava

ser maior que o mundo,

hoje me concentro:

sou menor que a água.

Só que menos clara,

só que menos calma,

só que menos

e só.

       (Luiz Pimentel)

 

Luís Pimentel nasceu no sertão baiano, em 1953 entre Itiúba e Gavião. Mas, dizem as más línguas que ele é natural de Feira de Santana; talvez o seja, por afinidade e pelos amigos que tem ali. Jornalista radicado no Rio de Janeiro trabalhou em diversas redações de jornais e revistas locais, dentre eles, os jornais Última e Hora e Jornal do Brasil. Dirigiu e editou a revista Música Brasileira, publicação dedicada à memória e aos lançamentos da MPB. Fez parte de dois periódicos lançados por Ziraldo – Bundas e O Pasquim21. É autor de mais de 20 livros de poesia e  prosa. Atualmente é colunista de O Dia. Como escritor recebeu importantes prêmios por sua vasta e variada obra.

Obras do autor:

Aquele beijo que eu te dei (contos e crônicas, Ed. Antares, 1985); As miudezas da velha (Prêmio Jorge de Lima de Poesia, Ed. Clima, 1990. 2º Edição: Myrrha, 2003); Um cometa cravado em tua coxa – contos (Editora Record, 2003); Entre sem bater – Humor na imprensa, do Barão de Itararé ao Pasquim21 (Ediouro, 2004); O calcanhar da memória – Poesia (Bertrand Brasil, 2004); Declarações de humor (textos humorísticos, Fivestar, 2006. 1ª edição: Ed. Gavião, 1994); Com esses eu vou – de A a Z, crônicas e perfis da MPB (Editora ZIT, 2006); Contos escolhidos (Fundação Cultural da Bahia, 2006); Cabelos molhados (Contos. Ministério da Educação e Cultura, 2006); Noites de sábado e outras crônicas cariocas (Editora Leitura, 2007); Grande homem mais ou menos – contos (Bertrand Brasil, 2007; Fundação Catarinense de Cultura, Prêmio Cruz e Souza 2002)

 Para o público infanto-juvenil : O bravo soldado meu avô (Ed. Antares; 1984; Ediouro, 1995); Um menino chamado Asterisco (Globo, 1985; José Olympio, 1993); Hora do recreio (Antares, 1985; 2ª Edição, Myrrha, 2004); O ritmo da centopéia (Globo, 1986); Uma noite a coruja (Antares, 1986); Meninos de roça, cantigas de roda (Globo, 1987). Bié doente do pé  (Ao Livro Técnico); A fuga do cavalinho vermelho (José Olympio, 1989); Bié e a grande viagem (Ao Livro Técnico, 1992); Uma vez uma avó (Editora Lê, 1992); Bicho solto (Ed. Do Brasil, 1992); As roupas do papai foram embora (Ed. Record, 1992); A revolta dos dedos (Ao Livro Técnico, 1993); O chapéu de quatro pontas (Ao Livro Técnico, 1993); História do Bode Zé Pilão (Ao Livro Técnico, 1993); O peixinho do São Francisco (Agir, 1994); A gente precisa conversar (Ed. Lê, 1995); Incrível tribo pé-no-traseiro (Ao Livro Técnico, 1996); Barbas de molho (Ed. Dimensão, 1998); Sem essa de guerra (Ed. Coqueiro, 2003); O mosquito elétrico (Myrrha, 2004); Cantigas de ninar homem (Bertrand Brasil, 2005); Todas as cores do mar (Global Editora, 2007); Luiz Gonzaga (Moderna, 2007).

Você sabia que goma de mascar mata passarinhos?

Ecologia

Atraídos pelo cheiro adocicado e pelo sabor de fruta, os passarinhos estão comendo restos de goma de mascar (chicletes), deixados ou atirados por aí pelas pessoas.

A goma de mascar gruda no biquinho e eles tentam, desesperados, retirá-la com os pés,  não conseguem. E aí, acontece o pior: morrem asfixiados, sedentos e famintos.

Para evitar esse tipo de “acidente”, basta simplesmente que a goma de mascar seja enrolada num pedacinho de papel, que será colocado no lixo.

Só assim evitaremos que o pior aconteça a essas delicadas criaturas que só nos dão alegria e música da melhor qualidade. Vamos colaborar com estes maravilhosos seres da natureza, informando, também, às crianças.

A natureza,  nossos olhos e ouvidos agradecem!!!

14 de março – Dia Nacional da Poesia

O filósofo grego, Aristóteles, afirmava que “a arte literária é mimese (imitação); ou seja, é a arte que imita pela palavra”.

A palavra poesia tem origem grega - poíesis – e significa ação de fazer algo, criar. A poesia é definida como a arte de escrever em versos, aquilo que desperta o sentimento, com o poder de modificar ou imitar a realidade, segundo a percepção do artista. No passado os poemas eram cantados, acompanhados pela lira, um instrumento  musical muito comum na Grécia antiga. Por isso, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico. Hoje podemos falar de versos livres, poemas épicos, dramáticos e líricos.

As linhas de um poema são os versos. Ao conjunto de versos dá-se o nome de estrofe. Os versos podem rimar – ou não – entre si e obedecer a determinada métrica, que é a contagem das sílabas poéticas.

Os versos mais tradicionais são as redondilhas; a redondilha menor tem cinco sílabas, e a maior, sete; os versos decassílabos têm dez sílabas; os alexandrinos, doze.

A rima é um recurso utilizado para dar musicalidade aos versos, baseando-se na semelhança sonora das palavras do final ou, às vezes, do interior dos versos.

Rima, ritmo e métrica são características especiais de um poema e que podem variar, dependendo do movimento literário da época. A partir do Modernismo (1922) os versos livres são os mais utilizados.

Segundo o poeta Ferreira Gullar, o artista cria um outro mundo “mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado – por cima da realidade imediata”.

O Dia Nacional da Poesia é comemorado no dia 14 de março em homenagem ao nascimento do poeta baiano Castro Alves.

 Antônio Frederico de Castro Alves nasceu a 14 de março de 1847 na Fazenda Cabaceiras, comarca de  Muritiba, a 42 Km da vila de Nossa Senhora da Conceição de “Curralinho”, hoje Castro Alves, na Bahia, e faleceu a 6 de julho de 1871, na cidade do Salvador, com apenas 24 anos de idade. de Muritiba,  a 42 Km da Vila de Nossa Senhora da Conceição, hoje Castro Alves, na Bahia; ele faleceu a  6 de julho de 2871. em Salvador, com apenas 24 anos de idade.

 Em 1862 ingressou na Faculdade de Direito de Recife. Datam dessa época os seus amores pela atriz portuguesa Eugênia Câmara e a composição dos primeiros poemas abolicionistas. Em 1867 deixa Recife, indo para a Bahia onde faz representar seu drama Gonzaga. Segue depois para o Rio de Janeiro, recebendo incentivos dos escritores José de Alencar, Francisco Otaviano e Machado de Assis.

A 11 de novembro de 1868, em uma caçada nos arredores de São Paulo, feriu o calcanhar esquerdo com um tiro de espingarda, resultando-lhe a amputação do mesmo. Sobreveio, em seguida, a tuberculose, que lhe obriga a retornar à sua terra natal, onde veio a falecer.

Castro Alves pertenceu à Terceira Geração da Poesia Romântica (Social ou Condoreira), caracterizada pelos ideais abolicionistas e republicanos, sendo considerado a maior expressão da época

Suas obras mais destacadas são: Espumas Flutuantes, Gonzaga ou A Revolução de Minas, A Cachoeira de Paulo Afonso,Vozes D’África, O Navio Negreiro, entre outras. Suas poesias são marcadas pela crítica à escravidão, motivo pelo qual é conhecido como “Poeta dos Escravos.

Castro Alves

Poemas de Castros Alves

                   Vozes d’África (fragmentos)

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?  
Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes  
Embuçado nos céus? 
Há dois mil anos te mandei meu grito,  
Que embalde desde então corre o infinito… 
                              Onde estás, Senhor Deus?…
(…)

Hoje em meu sangue a América se nutre  
Condor que transformara-se em abutre, 
Ave da escravidão, 
Ela juntou-se às mais… irmã traidora  
Qual de José os vis irmãos outrora  
Venderam seu irmão.
 

Basta, Senhor!  De teu potente braço  
Role através dos astros e do espaço  
Perdão p’ra os crimes meus!  
Há dois mil anos eu soluço um grito… 
escuta o brado meu lá no infinito, 
Meu Deus!  Senhor, meu Deus!!… 
  
                     (São Paulo, 11 de junho de 1868)
O ‘Adeus’ de Tereza

                   Castro Alves 

A vez primeira que eu fitei Tereza,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus…
E amamos juntos… E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala…

E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”

Uma noite… entreabriu-se um reposteiro…
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus…
Era eu… Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa…

E ela entre beijos murmurou-me “adeus!”

Passaram tempos… sec’los de delírio
Prazeres divinais… gozos do Empíreo…
… Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - “Voltarei!… descansa!…”
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”

Quando voltei… era o palácio em festa!…
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!… Ela me olhou branca… surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!…

E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”

São Paulo, 28 de agosto de 1868.

Publicado no livro Espumas flutuantes: poesias de Castro Alves, estudante do quarto ano da Faculdade de Direito de S. Paulo (1870).

Historinha

Leni David

Fiquei sem sono e decidi ligar o computador. Lembrei de uma historinha que meu avô contava – quando eu era criança – e resolvi escrevê-la. Era mais ou menos assim:

“Em uma rua qualquer de uma cidadezinha sem importância, morava um marceneiro. Ele cuidava bem das suas ferramentas e não gostava de emprestá-las. Ele as amolava, polia, desempenava, lubrificava e as guardava num painel que ficava pendurado à parede. Gostava tanto das suas ferramentas que até lhes dava nomes. O martelo  era chamado de toc-toc, o alicate, de puxa-puxa, o serrote de vai-vem, e assim sucessivamente.

Na mesma rua morava um homem que gostava de pedir emprestado as ferramentas do marceneiro e este, mesmo a contragosto as emprestava. Certa vez ele emprestou o toc-toc e este não voltou. Desaparecera…

Algum tempo depois, o filho do homem que gostava de emprestar ferramentas entrou na marcenaria e anunciou:

- Seu Fulano, meu pai mandou pedir o seu vai-vem emprestado.

Ainda ressabiado com o desaparecimento do martelo, o marceneiro respondeu:

- Menino, vai e diz ao teu pai, que se vai-vem fosse e viesse, vai-vem iria. Mas como vai-vem vai e não vem, vai-vem não vai.”

Se o menino soube dar o recado ao pai, eu não sei e o meu avô não comentou. Lembro eu que sorria muito e que tentava repetir a frase do marceneiro, sem errar. Deu certo, pois hoje fui capaz de escrever a historinha sem nenhuma dificuldade.

- Se eu a acho engraçada?

- Sei lá! Sei apenas que gostava de ouvi-la e que fui capaz de reproduzi-la. E como fazem os internautas: rsrsrsrs… só isso.