Bahia recebe exposição da ONU sobre tráfico de escravos

Valongo (Debret)

Valongo (Debret)

A exposição “Forever Free-Livres para sempre”, sobre a história do tráfico de escravos no mundo, foi inaugurada, nesta segunda-feira (15), em Feira de Santana (BA), terceiro destino da mostra no Brasil, onde já foi montada no Rio de Janeiro e em Niterói.

Uma iniciativa conjunta da Central Única das Favelas Bahia (CUFA-BA) e do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), como parte das atividades da Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024), a mostra – com entrada gratuita – ficará aberta, até o final de julho de 2015, no Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). O espaço funciona das 9 às 12 horas e das 14h às 17h.

A inauguração contou com a presença de diversas autoridades, entre as quais os secretários municipais de Cultura e de Educação, o reitor da UEFS, representantes dos movimentos negros e de entidades da área jurídica, o presidente da Associação de Blocos Afros e Afoxés, o presidente da Câmara de Vereadores de Feira de Santana, deputados estaduais e o assessor de comunicação do UNIC Rio, entre outros.

A mostra, composta por painéis que retratam – e explicam – a história do comércio transatlântico de escravos, foi criada pelas Nações Unidas para lembrar os 400 anos nos quais mais de 15 milhões de pessoas foram vítimas de um dos capítulos mais nefastos da história da humanidade que não deve ser esquecido.

 

Serviço

Exposição “Forever Free-Livres para sempre”

Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA)

Universidade Federal de Feira de Santana (UEFS)

Rua Conselheiro Franco, 66

Centro – Feira de Santana (BA)

Horário: 9 às 12 horas e das 14h às 17h

 

 

Arraiá do Comércio

 

Com o intuito de resgatar, promover e valorizar as tradições juninas, o SESC em parceria com a Prefeitura Municipal e a ACEFS, estará realizando no período de 09 a 17de junho do corrente ano, uma autêntica festa de São João: o 14º ARRAIÁ DO COMÉRCIO.

Visando repetir o sucesso dos anos anteriores, estaremos proporcionando aos feirenses e visitantes um verdadeiro “arraiá” do interior, fomentando o aquecimento do comércio no Centro da cidade, atraindo a comunidade com uma programação temática de qualidade num espaço onde todas as classes sociais tenham acesso e promovendo a integração campo/cidade, através da propagação de atividades genuinamente rurais (artesanatos, bebidas e comidas típicas). É importante frisar que todos os produtores passaram por um curso com duração de 02 dias (26 a 27/05) no SENAC sobre “Confecção e qualificação de produtos juninos e atendimento”, no qual tenham a oportunidade de desenvolver novos conhecimentos e aperfeiçoar o seu trabalho.

A Praça João Barbosa de Carvalho (Praça do Fórum), já consolidada como espaço cultural, será o palco onde se apresentarão diversos trios forrozeiros, quadrilhas e grupos culturais da nossa cidade e região, entre às 12:00h e 22:00h dos nove dias de festa (entre 09 e 17 de junho), mostrando toda a alegria e magia que compõem a maior festa popular do Nordeste, valorizando assim o nosso Patrimônio Cultural e Humano.

A ARRAIA

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Domingo com Fernando Sabino

 

Em matéria de automóveis

 

Fernando Sabino

Em matéria de automóveis, seu raciocínio era o seguinte:

— Para que ter automóvel, se eu não sei dirigir?

E se alguém lhe sugeria que aprendesse:

— Para que aprender, se não tenho automóvel?

Um dia, porém, não se sabe como, escapou de seu sofismático raciocínio e apareceu dirigindo um automóvel. Aprendera a dirigir, só Deus sabe como:

— Fazer o carro andar eu faço. Mas não sei como funciona, nem como é lá dentro. Outro dia ameaçou enguiçar e então me perguntaram se não seria o carburador. Só então fiquei sabendo que meu carro dispõe de um carburador.

O que o encanta principalmente é o poder sugestivo de certos nomes: carburador, embreagem, chassi. radiador, cárter, diferencial.

— Fala-se também numa famosa mola de seguimento, que deve ser muito importante. Para mim não há alternativa: se enguiçar, desço e tomo um táxi. Imagine se eu tiver de ficar dentro do carro indagando: será o dínamo? a bateria, os acumuladores? falta de força no chassi? falta de óleo na bateria?

Tive de adverti-lo de que bateria e acumuladores eram uma coisa só, e que no radiador só se coloca água.

  — Eu sei, eu sei: aliás, o meu carro, apesar de novo deve estar com algum defeito no radiador, não gasta água nunca! Todas as vezes que mando botar água o homem diz que não é preciso, já tem. Com o óleo é a mesma coisa. Abrem a tampa do carro e retiram lá de dentro, de um lugar que jamais consegui ver direito onde é. um ferrinho comprido, enxugam o ferrinho, tornam a enfiar e retiram de novo, me mostram a ponta pingando óleo e dizem que não é preciso. Nunca é preciso.

— Você não costuma lubrificar o carro?

— Já lubrifiquei uma vez. Isso é fácil: basta levar o carro no posto e dizer: lubrificação geral, trocar o óleo do cárter. Não me esqueço, por causa daquele detetive dos folhetos do meu tempo, o Nick Cárter.

— Convém não esquecer também a água da bateria. Tem de ser água destilada.

 Isto ele também já sabia. Um dia o carro não quis pegar e alguém lhe disse que devia ser a água da bateria. Foi a um posto e mandou que olhassem se tinha água na bateria. Tinha. Então tirem, pediu. O sujeito ficou a olhá-lo como se ele fosse doido: tirar a água? Então ele disse apenas a palavra mágica, que resolve tudo:

— Verifiquem.

  Verificaram, enquanto ele aguardava, meio ressabiado. O homem do posto se aproximou, misterioso:

— Elemento seco.

 Olharam-se mutuamente, em silêncio, sem que qualquer sombra de compreensão perpassasse entre os dois, esclarecendo os mistérios insondáveis da mecânica dos semoventes. Eis que impenetrável é o desígnio dos motores de explosão e traiçoeira a força dos acumuladores.

— Elemento seco?

 Elemento seco! Secam-se os elementos e esotérico se torna o segredo que faz o poderio dos seres vivos no comando das máquinas inertes. Num repente de inspiração divinatória, com a voz embargada do emoção, ele sugeriu:

— Deve ser o giguelê.

 Giguelê — palavra mágica que ele um dia ouviu alguém pronunciar, denunciando a existência de uma peça pequenina que não sabe para que serve nem onde fica, mas da qual certamente emana a energia que movimenta os automóveis, num fluxo de divina inspiração como o que movimenta a dança religiosa em torno à diminuta imagem de Exu e outros deuses pagãos.

— No mais — arremata ele — tirante o giguelê, em matéria de automóveis estou com as mulheres. Para elas como para mim um carro se compõe apenas de duas coisas: buzina e volante.

Texto extraído do livro “Quadrante 2″, 4ª edição – Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1963, págs.108-110.

Broken car in cartoon style for repair or service concept

 

Jornalista lança Dicionário de Escritores Contemporâneos da Bahia

 

A Convite Lançamento - Dicionário de Escritores

Além do livro em destaque, os leitores terão acesso a outras publicações de escritores que integram o dicionário

Com o apoio da União Baiana de Escritores – UBESC e o Círculo de Estudo, Pensamento e Ação – CEPA, será lançado no dia 12 de junho (sexta-feira), às 18h, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Salão Nobre Kátia Mattoso), nos Barris, em Salvador, o “Dicionário de Escritores Contemporâneos da Bahia”, uma publicação organizada pelo jornalista Carlos Souza Yeshua, que apresenta 206 verbetes de autores baianos. A obra sairá pela Editora CEPA e tem prefácio do professor Germano Machado. Durante a apresentação do dicionário, também será lançado o livro de poesia “Criação”, da escritora Morgana Gazel. A noite dedicada aos amantes da literatura será um momento de celebração e contatos profissionais entre os participantes.  “Teremos um lançamento coletivo, pois diversos integrantes do dicionário farão sessão de autógrafos de suas obras. Portanto, os leitores não terão apenas o livro biobibliográfico, mas publicações de diversos gêneros. Vale apena marcar presença para prestigiar os autores baianos”, recomenda Yeshua. Livros da Editora Òmnira (Roberto Leal), do Movimento Cultural Artpoesia (José da Boa Morte e Carlos Alberto Barreto), da Cogito Editora (Ivan de Almeida), do Projeto Alma Brasileira (Sandra Stabile), também serão disponibilizados.

O trabalho de catalogação e preparação das notas biobibliográficas durou aproximadamente dois anos e embora não registre todos os artistas da palavra em atividade no estado, nomes importantes do cenário literário estão disponíveis em suas páginas, como por exemplo: Antônio Torres (Academia Brasileira de Letras); Aleilton Fonseca, Antônio Brasileiro, Aramis Ribeiro Costa, Carlos Ribeiro, Florisvaldo Mattos, Ruy Espinheira Filho, Cyro de Mattos (Academia de Letras da Bahia); Valdomiro Santana, Hugo Homem, Jolivaldo Freitas, José Inácio Vieira de Melo, Adelice Souza, Morgana Gazel, Állex Leilla, Roberto Leal, Valdeck Almeida de Jesus, César Romero, Felisbelo da Silva, Germano Machado, Heloísa Prazeres, Vanda Angélica, Karina Rabinovitz, Mariana Paiva, Luislinda Valois, Oleone Coelho Fontes, José Carlos Limeira, Henrique Ribeiro, Cymar Gaivota, Igor Rossoni, Marcos A. P. Ribeiro, entre muitos outros.

Escritores que desenvolvem trabalhos importantes em diversas regiões da Bahia, além de Salvador, também enquerissem o dicionário com suas participações: Araken Vaz Galvão, Alfredo Gonçalves (Valença); Almir Zarfeg, Celso Kallarrari, Fabiana Pinto Silva, Athylla Borborema (Teixeira de Freitas); Maria Izabel – Bebela (Juazeiro); Clarissa Macedo, Franklin Maxado, Eduardo Kruschewsky, Lidiane Nunes, Jotta Rios, Sandra Popoff, Lélia Fernandes, João Rocha Sobrinho, Josué Brandão, Raymundo Luiz Lopes (Feira de Santana); Luiz Américo Lisboa Junior, Pawlo Cidade, Hans Schaeppi (Itabuna), Pablo Rios (São José do Jacuípe / Mairi); Zilda Freitas, Maria Afonsina Ferreira Matos, Jorge Luiz Rosa, Domingos Ailton (Jequié); Crispim Quirino (Maragogipe).

O principal objetivo desse trabalho é promover os autores e suas obras, reunindo em um só lugar as mais completas e confiáveis informações dos escritores da Bahia, além de resgatar e valorizar a memória da literatura do estado onde começou o Brasil. “Este dicionário visa também ser um livro de referência e um instrumento de pesquisa para leitores, estudantes, historiadores, jornalistas, bibliotecários, além de instituições culturais, universidades, veículos de imprensa e outros segmentos interessados em literatura, especialmente a da Bahia”, destaca Carlos Souza.

“Eu participo deste dicionário porque acho de suma importância estar numa obra que reúne artistas da palavra da contemporaneidade, pessoas com as quais eu convivo, outras das quais ouço falar, tantas outras que conheço pelas escritas. É um espaço democrático, de registro histórico-literário, que vai ficar de herança para pesquisadores, historiadores, estudiosos, amantes da literatura”, diz o escritor Valdeck Almeida de Jesus.

No prefácio o professor Germano Machado destaca que “um dicionário é de importância fundamental para todos: no caso, contém o que os autores produziram, quer seja em textos de prosa, de poesia, de conto, em suma, de suas tendências literárias pessoais. É a inicial importância, seguindo-se que serão conhecidos e até mesmo reconhecidos no amanhã a partir de hoje”.

Organizador – Carlos Souza Yeshua é jornalista, profissional de marketing e professor. Presta serviço de assessoria de imprensa e marketing pessoal para escritores, instituições culturais e artistas em geral. Autor dos livros: João Alfredo Domingues – Pau pra toda obra: e Revolução Pessoal – Seu Próximo Desafio. É organizador dos livros: Carta ao Presidente – Brasileiros em busca da cidadania (2012) e Carta ao Presidente – O que deseja o brasileiro no séc. XXI (2010). É associado da União Brasileira de Escritores – UBE e da União Baiana de Escritores – UBESC.

Mário Quitana

 

Canção de outono

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida…

Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
De carícia a contrapelo…

Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma…
Mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte nenhuma!

Mário Quitana

(Poema publicado originalmente no livro Canções, Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 131)