Reflexões de um poeta

 

Divisor de Águas

Antônio Brasileiro

Prezados senhores, somos todos

da mesma cepa se vistos de binóculos.

Mas não somos os mesmos.

Eu, com meus poemas indecifráveis

vós, com vossas gravatas coloridas /

eu, com esta consciência de mim

vós, com vossa mesa farta /

 

eu, buscando o sempre inatingível

vós, com vossas gravatas coloridas I

eu, meditando muito sobre vós

vós, com sua mesa farta.

Não somos da mesma cepa, mas vistos

de binóculo somos os mesmos.

Eis uma grande injustiça.

In Antologia Poética. Salvador: Casa de Jorge Amado; Copene, 1996

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