AUSÊNCIA

 

A morte de um ser amado cria em nos sentimentos extremamente violentos. Um deles é a ausência da pessoa amada. É esse vácuo que ressentimos ao ver essa cadeira vazia, ao se deitar sozinho na cama, ao não ter mais a quem falar do seu dia, dos problemas, de projetos, de viagens… Ele tem que ser dominado.

Leni amava Carlos Drummond. Rita, sua amiga, escolheu esse poema:

AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
Que rio e danço e invento exclamações alegres,
Porque a ausência, essa ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade, Corpo, 1984, p. 25.

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