Exposição Phantasias – Lançamento de livros

A phantasias

O Museu de Arte Contemporânea, encerrando suas atividades expositivas do ano de 2014, apresenta no dia 04 de dezembro, às 20h, a mostra de artes visuais Phantasias que reúnem os artistas Antonio Brasileiro e Juraci Dórea. A exposição de Brasileiro consiste em vinte telas de diversos tamanhos e Juraci, telas e instalações. Junto às exposições, teremos os lançamentos dos livros de poesia inéditos Longes terras e O livro das phantasias de Brasileiro e Juraci respectivamente, pelas edições MAC, que publica frequentemente escritores feirenses.

O livro das phantasias é o sexto livro de Juraci quereúne 42 poemas de diferentes décadas (70, 80 e 90) todos intitulados phantasia; “os azulejos sabem/que o silêncio vem de longe/que todo silêncio vem de longe/­- como os crisântemos e as borboletas”. (Phantasia 13)

O livro Longes terras marca o retorno do poeta Antonio Brasileiro com o lançamento de livros inéditos, com 64 poemas que foram escritos entre 2005 e 2013; “Não nos iludamos: Tudo é só real./O sim, velhos panos./O erro, plural./Que a vida é passagem/(sabemos) somente./É tudo real/Criação da mente”. (Poema)

Antonio Brasileiro é pintor, poeta baiano, professor e membro da Academia Baiana de Letras. Possui mais de vinte títulos de poesia publicados. Nasceu em Matas do Orobó, interior da Bahia e reside em feira de Santana desde as obras publicadas, destacando-se entre eles: Caronte (romance, 1995), Antologia poética (1996), Da inutilidade da poesia (ensaio, 2002), Poemas reunidos (2005) e Dedal de areia (poesia). Recentemente lançou o livro Desta Varanda, pelo selo cartas baianas, além de ser o idealizador da revista baiana de literatura Hera.

Juraci Dórea, poeta e artista visual. Nasceu em Feira de Santana, Bahia. Publicou os livros Umquasepoema para Edwirges (poesia), 1976, Eurico Alves, poeta baiano(ensaio), 1979; Poema de Feira de Santana ( poesia), 2012

O evento terá a intervenção de atores e poetas declamando poesias, além da exibição de vídeos Arte produzidos pelos artistas George Lima e Caetano Dias.

 

Data: 04/12/2014

Horário: 20h

Local: Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira

Rua Geminiano Costa, 255, Centro – Feira de Santana -BA

Maiores informações: (75) 3223-7033 – macfeira@gmail.com

 

O mundo é um carrossel

 

A poema 10696459_693416644080999_8887822057181702724_n

Ao publicar o belo poema de Antônio Brasileiro, um samba antigo me veio à lembrança: “Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí”…

Ao sair de férias  roubo a borboleta que pousou na caneta do poeta e saio voando com ela por aí.

Ps. Quando coisas bonitas acontecerem (e se houver um computador por perto), passo para dar notícias. Até breve!

A Borboleta2

.

 

O último conto de fadas

 

O ÚLTIMO CONTO DE FADAS

A palavra fugacidade

Um trem sem ninguém dentro

Fotos amarelecidas…

A solução para as vidas

desencontradas

.

Uma batalha perdida

A inteira lida perdida

O ímpeto dos cavalos

A moça que ficou velha

e esquecida

.

A arte de estar sozinho

O último conto de fadas

A estrada para a estrada

A mão, sobre o homem feito,

do menino.

(Antonio Brasileiro)

Exposição coletiva 30 x 30

 

Galeria de Arte Carlo Barbosa CUCA/UEFS 

 A Galeria de Arte Carlo Barbosa do CUCA/UEFS e a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer, convidam para a mostra coletiva 30×30 (Pequenos Formatos), com abertura no dia 20 de março, quinta, às 19 h, reunindo 30 artistas visuais de Feira de Santana e Salvador. Cada artista apresentará uma obra medindo 30×30 cm.

Com a curadoria de Justino Marinho, Lígia Aguiar, Selma Oliveira e Cristiano Cardoso, a mostra abre a programação cultural de 2014, do Centro Universitário de Cultura e Arte. Reúne 30 artistas visuais, com trajetórias e estilos diferentes, de várias gerações, com nomes já consolidados e novos valores. A diversidade de técnicas e de linguagens segue a linha da arte contemporânea e suas múltiplas formas de expressão.

Ao agrupar nomes representativos de várias épocas, revelou-se uma visualidade harmônica, destacada pelas proposições e questões inseridas em cada obra.

São trabalhos nas mais diversas linguagens, como desenhos, fotos, pinturas e performance, dos artistas: Adenor Gondim, André Luiz, Andrea May, Arthur Scovino, Aruane Garzedin, Beth Sousa, Elisa Galeffi,Gabriel Guerra, Guache Marques, José Araripe Jr., Justino Marinho, Lígia Aguiar, , Rebeca Matta, Sara Victoria, Silvério Guedes, Ade Ribeiro, Antonio Brasileiro, Gabriel Ferreira, Gemicrê, George Lima, J. Sobrinho, Jorge Galeano, José Arcanjo, Luiz Gomes, Maristela Ribeiro, Nailson Chaves, Nanja, Rosalice Azevedo, Silvio Portugal e Wania Garcia.

Segundo Justino Marinho, reunir artistas que produzem linguagens técnicas diferentes é interessante por dar uma dinâmica mais abrangente ao evento e a possibilidade de oferecer ao público um leque de opções, dentro do que se faz na arte da nossa terra.  Estipulamos um formato determinado para as obras bidimensionais, a fim de melhor aproveitar o espaço disponível e tornar possível a aquisição de obras assinadas por nomes reconhecidos.

Durante a abertura, o artista visual Arthur Scovino realizará a performance Um Minuto Apenas, em que ele filosofa: “quanto pesa a nossa dor na balança da Justiça? Quantas penas serão necessárias para cobrir o preconceito e a intolerância?” A performance acontece entre notas de um samba-canção da década de 50 e a possibilidade de ser folha nova nadando contra a correnteza, acredita o artista.

Exposição coletiva: 30X30 (Pequenos formatos)

Local: Galeria Carlo Barbosa CUCA/UEFS

Dia: 20 de março de 2014

Horário abertura: 19h

Visitação: De 20.03.2014 a 20.04.2014

Segunda a sexta-feira das 8h às12h e das 14h às 18h

Entrada Franca

Mais um poema de Antônio Brasileiro

Os Barcos

Nenhum lugar é onde estamos.

A vida é para passar.

Os filhos, hoje, são homens;

os barcos, naves do mar.

Nosso destino, o jogamos

inteiro naquele ás.

Mas, da vida., que levamos?

As mágoas as marcas, as

plurivórtices lembranças?

Naves sábia, alto mar:

que filho não é criança?

IN:BRASILEIRO, Antônio. Dedal de Areia, Rio de Janeiro: Garamond, 2006, p. 34.

Nanja (2004) Foto: Leo Brasileiro

.

 

 

O poeta conta um conto

 

GATO ROMEU

 

Antônio Brasileiro

 

Acastos Romeu ia fazer 60 anos. Não parecia. Parecia ter 40. Talvez pelo tipo de paixão que o dominava: as bolas de gude.

Acastos era carteiro, vivia com a mãe. Sua mania pelas bolas de gude vinha da infância – e, pelo visto, durava mais de 50 anos. Acastos para uns, Romeu para outros, Gato Romeu era como os meninos de cinco gerações o conheciam.  Diariamente, às cinco em ponto, lá estava ele, na praça, gudes no bolso. Aquilo lá era quase uma instituição: de pai para filho, conhecia-se o cantinho da praça: lá está o Gato, dizia-se. Romeu, sozinha, era uma palavra que indicava extrema habilidade, às vezes mesmo pintalgada de sagacidade, “sabedoria” – roubo enfim. Mas este sentido não se aplicava a Gato Romeu, que era decente, mesmo porque que só brincava, não apostava. O seu “romeu” é porque soava a voz de gato, só.

Então a mãe de Gato Romeu morreu. A velhinha ia fazer 90 anos, forte e saudável; mas começara de repente a espirrar – era missa de Santo Antônio – e no dia 13 mesmo morreu. Acastos herdou a casa e um pedaço de dinheiro vivo da poupança da velha. Não era muita coisa, claro, mas o suficiente para que duas mulheres se declarassem subitamente apaixonadas pelo carteiro.

E agora, Gato? – perguntavam-lhe os amigos de sua idade. – Glória te capa.

Glória, esclareçamos, era a puta mais simpática da zona. Cliente Acastos há muitos anos, ela era praticamente uma irmã, tal o cuidado como o tratava. – E agora, Gato? Mas as mulheres sérias de Arrozais conheciam Glória: “E Glória é boba?”, diziam.

As duas mulheres estavam mesmo empenhadas em se casar com o bom homem, agora gozosa notícia na cidadezinha de Arrozais. Que vai ser de nossos filhos? – clamavam os ex-meninos jogadores de gude, agora pais, e um ou dois avós. – E o cantinho da praça? Gato Romeu casado?

Torciam a boca.

Glória, claro, não era boba. As mulheres se estapearam e tudo acabou em gracejos da população. Aos domingos, Gato Romeu se vestia a rigor para jogar gude. Com gravata e tudo.

                                                                        29/05/2007

 

 

 

Os poetas de Feira de Santana

 

Comentário de Affonso Romano de Sant’Anna na Radio Metrópole (BA), em 4/1/2013

 

Já estive uma vez em Feira de Santana fazendo conferências, mas não podia supor que ali havia uma insólita revista literária – Hera – e um consistente grupo de poetas . Agora o reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana Jose Carlos Barreto de Santana acaba de editar um grosso volume, mais de 700 páginas, fazendo-nos conhecer esses poetas agrupados entre 1972 e 2005.

Isto é o que se chama “diferença”. Tudo começou quando Antonio Brasileiro foi em `1967 lecionar Moral e Cívica no Colégio Estadual de Feira de Santana. Transformou a chatura daquela disciplina imposta pela ditadura em algo atrativo. Fez um concurso de redação, selecionou os aspirantes a escritor trabalhou com eles os textos que deram origem à revista “ Hera. Resultado: apareceu ali geração de poetas. Alguns surpreendentes. O leitor Nivaldo Moura, sempre atento, descobriu que havia até uma tese de Jecilma Alves Lima sobre esses poetas baianos. Tese que li e apreciei.

Essa publicação dos poetas de “Hera”, me lembrou dos antigos cancioneiros medievais que reuniam o melhor de uma época. Também nesta edição história de “Hera” são dezenas de poetas, uma safra significativa. Recebi o volume através de Roberval Pereira, poeta e teórico que sabe das coisas. Botei no facebook uma noticia dessa publicação e gostaria que os jornais do Rio e São Paulo acordassem, porque essas antologia de “Hera é imprescindível à historia da moderna poesia brasileira. No livro “Musica Popular e moderna poesia brasileira” estudei os grupos dominantes na poesia brasileira, mas a poesia brasileira não se limita àqueles grupos vanguardistas que se digladiavam naquela época. O crítico piauiense Assis Brasil mostrou isto numa série de antologias.

Gostei de saber que a geração mais velha de poetas baianos, como Ruy Espinheira e Florisvaldo Mattos deram força a esse movimento nascente. Tanta bobagem passando por poesia é publicada com destaque na imprensa do Rio e São Paulo, que ler esses poetas de “Hera” é um refrigério.

A poesia é um mistério. Ela sopra onde quer. Enquanto alguns zumbis perdidos na pós-modernidade ficam alardeando a morte da arte e a morte da poesia ela surge generosa, jovem e necessária. Como nesses poetas de Feira de Santana.

 

Observação: Agradeço particularmente à minha amiga Alana Freitas pelo envio da notícia. O comentário de Affonso Romano de Sant’Anna me deixou muito feliz. Sou fã do grupo desde os anos 70 e vibrei com a publicação da Antologia do Grupo Hera no ano passado; em minha modesta opinião, um documento histórico. Esta alegria é ainda mais forte, pois a minha cidade – Feira de Santana – está na origem de tudo. Parabéns aos poetas de Feira de Santana!

Ps. Aproveitei para publicar fotos dos jovens poetas.

Atualização: Recebi do poeta Iderval Miranda  mais três fotos dos jovens poetas da Hera, provavelmente dos anos 70 (as calças “boca de sino” e os os cabelos black-power atestam isso), para o “meu baú”. Muito obrigada Iderval!

 

Ano Novo – Nouvelle Année

 

Pedras no caminho? Guardo todas; um dia vou construir um castelo… Dizia a poeta Cora Coralina.

É evidente que a vida prega peças e que 2012 foi um ano cheio; um pouco de coisas boas, algumas frustrações, algumas desavenças e momentos de alegria e felicidade.

O ano novo pode ser diferente, maravilhoso, divertido; mas certamente não será perfeito, em razão das pedras no caminho.

Mas, em 2013, quero um olhar novo e o coração tranquilo para desejar paz aos meus amigos, e uma luz tão serena em suas vidas quanto a da lua de Itaparica sobre as águas da Baía de Todos os Santos.

E como diz o poeta Idmar Boaventura,

… ano a ano,

Janeiro nos rejuvenesce,

com sua porção generosa

de esperança.

Por isso convido a todos para um brinde, proposto pelo poeta. Que o Ano Novo seja um Ano BOM. Feliz 2013!

A foto da lua cheia sobre a Baía de Todos os Santos foi feita por mim, em Mar Grande (Itaparica), e tem ao fundo a cidade de Salvador – Bahia

Maintenant la traduction pour les amis français :

Des pierres sur le chemin? Je les garde, toutes; un jour je construirai un château avec elles… Disait la poétesse Cora Coralina.

Il est évident que la vie nous donne des coups et que 2012 a été une année pleine; un peu de bonnes choses, quelques frustations, quelques malentendus et des moments de joie et de bonheur.

La nouvelle année peut être différente, merveilleuse, joyeuse; mais, certainement elle ne sera pas parfaite, à cause des pierres sur le chemin.

Mais, en 2013, je veux avoir un regard nouveau et le coeur tranquille pour souhaiter la paix à tous mes amis, et une lumière si sereine dans leur vie, comme celle de la lune d’Itaparica sur les eaux de la Baie de Tous les Saints, à Bahia.

Joyeux 2013!

                          Brinde

 

Antônio Brasileiro

Se a mente, que não é nada, mantém-se quieta

e as vozes do remorso não persistem,

eis o momento de desvendar enigmas,

de relembrar caminhos

e de tomar uns chopes com os amigos.

.

Pois se a mente, que não é nada, está quieta

– os enigmas mais crus, domesticados –

e o passado é um pássaro em nossa mão,

eis que o homem conhece a perfeição.

E como tudo passa tão rapidamente,

é bom brindar essas coisas com amigos.

 

Encontro literário

Na quinta próxima, 14/06, às 20h, no Bistrô Caffé (Av. Maria Quitéria, 1960), o poeta e artista plástico Antonio Brasileiro, membro da Academia Baiana de Letras e um dos fundadores do Grupo Hera, irá nos brindar com sua inteligência e bom humor no 1º Café Literário promovido pelo Bistrô Caffé em parceria com Coleção Nova Letra e o grupo Sociedade dos Poetas Quase Vivos. O evento trará, além do bate-papo com o convidado, recital de poesia e performances artísticas.

A entrada é gratuita.

 

Poesia

 

TOADA

 Antonio Brasileiro

Pertencemos ao Universo,

mas o Universo é inventado.

Vamos saindo de lado,

porque o mundo é invertido.

Mas o mundo é divertido

e nós somos o inverso:

sérios, casmurros, contidos

como um bicho de seis lados –

quatro lados embutidos,

os outros dois atolados.

Entro na perna do pinto,

saio na perna do pato.

Quem quiser, me conte cinco.

Um poema e uma tarde azul

Canção

Antônio Brasileiro

A alegria mora no olhar.

O ser das coisas não tem sentido.

Felicidade, por que não vives

  sem perguntar?

A lua descendo tão devagar

e o manso gado pascendo ali:

por que, poeta, por que não vives

  sem perguntar?

A tarde é tudo. Búzios do mar

ecoam em suas conchas o ido.

Só tu, inquietude, não vives

  sem perguntar.

In Antônio Brasileiro. Desta Varanda (Alguns poemas), Salvador: P55 Edições, Coleção Cartas Bahianas, 2011, p. 39

 

Lançamento de livros

 

Lançamento de livros dos poetas Antonio Brasileiro e Ruy Espinheira Filho, no Póstudo Restaurante, na  Rua João Gomes 87, FreeShop do Rio Vermelho, dia 5 de dezembro, segunda-feira, das 19 às 22 horas. Os livros fazem parte da coleção Cartas Baianas, coordenada por Claudius Portugal.

Reflexões de um poeta

 

Divisor de Águas

Antônio Brasileiro

Prezados senhores, somos todos

da mesma cepa se vistos de binóculos.

Mas não somos os mesmos.

Eu, com meus poemas indecifráveis

vós, com vossas gravatas coloridas /

eu, com esta consciência de mim

vós, com vossa mesa farta /

 

eu, buscando o sempre inatingível

vós, com vossas gravatas coloridas I

eu, meditando muito sobre vós

vós, com sua mesa farta.

Não somos da mesma cepa, mas vistos

de binóculo somos os mesmos.

Eis uma grande injustiça.

In Antologia Poética. Salvador: Casa de Jorge Amado; Copene, 1996