Festa para o Bahia na Getúlio Vargas

 

Bahia de Feira supera o Vitória no Barradão

A avenida Getúlio Vargas ficou pequena para a quantidade de torcedores que desde o início da noite deste domingo (15) foram às ruas comemorar o inédito título de campeão baiano de futebol conquistado pelo Bahia de Feira. Desde o apito final da partida em que o Tremendão bateu o Vitória por 2 a 1 em pleno Barradão, santuário rubro-negro, milhares de pessoas saíram de casa em passeatas, carreatas, buzinaços, e festejaram o título há 42 anos esperado pelos feirenses, desde a última conquista pelo Fluminense de Feira em 1969.

 

Marcus Alex Leite Santos disse que só havia visto uma comemoração nesta dimensão, em Feira de Santana, apenas em três oportunidades: no título nacional do Esporte Clube Bahia, em 1988, e nas últimas duas conquistas da Seleção Brasileira nas copas de 1994 e 2002. Para Giovanni Almeida, que também foi às ruas comemorar o campeonato do Bahia de Feira, o entusiasmo do feirense foi uma “explosão de emoção reprimida há anos pela falta de títulos por times da cidade”. João Vítor Nogueira acredita que, a partir de agora, o Bahia de Feira vai conquistar torcedores “o que será bom também para o Fluminense, que não vai querer ficar para trás e deverá dar a volta por cima a partir de agora”.

 

O jogo

O Bahia de Feira poderia ter entrado em campo com a vantagem de jogar por um simples empate nesta última e decisiva partida do campeonato baiano de futebol 2011, não fossem os erros de arbitragem que ajudaram o Vitória a empatar o primeiro jogo em Feira de Santana, por 2 a 2, em partida disputada no último domingo, dia 8 de maio. Na oportunidade foi validado o segundo gol do rubro-negro, no qual a televisão mostrou que o jogador estava em impedimento.

Mesmo assim, o Bahia de Feira não se deixou abater e desde os primeiros minutos partiu para cima, deixando claro que estava determinado a levantar a taça. Mas, quem abriu o placar foi o Vitória aos 14 minutos do primeiro tempo,  com Geovanni, o que aumentou a vantagem do rubro-negro que jogava por um empate por ter feito melhor campanha ao longo da competição.

O Tremendão não se deixou abater e conseguiu a igualdade do placar ainda no primeiro tempo, já nos acréscimos, com Allyson. Ele empurrou para dentro, quase em cima da linha, uma bola cruzada por Bruninho e desviada da zaga por João Neto.

 

No segundo tempo o Bahia de Feira manteve a determinação do primeiro, acuando o Vitória que só saía nos contra-ataques. Neste panorama saiu o gol do título, aos 21 minutos. Léo, que havia entrado no lugar de Allysson, tocou para João Neto que se livrou do marcador e chutou forte entre o goleiro Viáfara e a trave.

A partir daí, o que se viu foi um Vitória desesperado partindo para o ataque e o Bahia de Feira tocando a bola com tranquilidade, inclusive criando chances de ampliar o marcador. A dez minutos do final da partida o juiz Cleber Wellington Abade chegou a marcar um pênalti para o Vitória, mas voltou atrás depois que observou a bandeira levantada do assistente Roberto Braatz que marcou impedimento do ataque rubro-negro.

Sem forças para reagir, o Vitória assistiu o Bahia de Feira avançar para o título inédito e depois comemorar com a pequena torcida que compareceu ao Barradão. Os representantes rubro-negros sequer compareceram depois do jogo para receber a taça e as medalhas de vice-campeão.

O Bahia de Feira conquistou o título com Jair; Edson, Paulo Paraíba, Alex Alagoano e Alysson (Léo); Diones, Rogério, Lau e Bruninho; Carlinhos (Alex Baiano) e João Neto; técnico: Arnaldo Lira.

O Vitória atuou com Viáfara; Nino Paraíba, Alison, Reniê e Eduardo Neto (Léo); Esdras, Uelliton, Mineiro e Nikão (Rildo); Geovanni (Neto Baiano) e Elkeson; técnico: Antônio Lopes.

Gols: Geovanni aos 15 (Vitória); Alysson aos 45 do primeiro tempo (Bahia de Feira) e João Neto aos 21 do segundo tempo (Bahia de Feira)

Cartões amarelos: Bruninho, do Bahia de Feira; Nino, Alison, Leo, Uelliton, do Vitória

Cartão vermelho: Douglas

Árbitro: Cléber Abade (SP). Assistentes: Roberto Braatz (PR) e Erick Bandeira (PE).

Texto: Everaldo Goes / Feira Hoje

Fotos: Elvis Oliveira / Bahia de Feira

Fonte: Feira Hoje

 

O Bahia de Feira de Santana é o novo campeão baiano.

 

O Bahia de Feira de Santana é o novo campeão baiano. O time feirense derrotou o Vitória por 2 a 1, na segunda partida da final do campeonato baiano na tarde deste domingo, no Estádio Manuel Barradas, em Salvador.

O primeiro gol foi de Geovanni, para o Vitória, aos 14 minutos do primeiro tempo. Allyson empatou para o Bahia de Feira ainda no primeiro tempo. João Neto, aos 21 minutos da etapa final, marcou o gol que deu ao Bahia de Feira o título inédito de campeão baiano.

Parabéns Bahia, parabéns Feira de Santana!!!

 

 

E por falar em futebol…

 

Sermão da planície (para não ser escutado)

 

 Crônica de Carlos Drummond de Andrade publicada no Jornal do Brasil, em 18 de junho de 1974.

 Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranqüilidade.

Bem-aventurados os que, por entenderem de futebol, não se expõem ao risco de assistir às partidas, pois não voltam com decepção ou enfarte.

Bem-aventurados os que não têm a paixão clubista, pois não sofrem de janeiro a janeiro, com apenas umas colherinhas de alegria a título de bálsamo, ou nem isto.

Bem-aventurados os que não escalam, pois não terão suas mães agravadas, seu sexo contestado e sua integridade física ameaçada, ao saírem do estádio.

Bem-aventurados os que não são escalados, pois escapam de vaias, projéteis, contusões, fraturas, e mesmo da glória precária de um dia.

Bem-aventurados  os que não são cronistas esportivos, pois não carecem de explicar o inexplicável e racionalizar a loucura.

Bem-aventurados os fotógrafos que trocaram a documentação do esporte pela dos desfiles de modas, pois não precisam gastar tempo infindável para fotografar o relâmpago de um gol.

Bem-aventurados os fabricantes de bolas e chuteiras, que não recebem as primeiras na cara e as segundas na virilha, como os atletas e assistentes ocasionais de peladas.

Bem-aventurados os que não conseguiram comprar televisão a cores a tempo de acompanhar a Copa do Mundo, pois, assistindo pelo aparelho do vizinho, sofrem sem pagar 20 prestações pelo sofrimento.

Bem-aventurados os surdos, pois não os atinge o estrondar das bombas da vitória, que fabricam outros surdos, nem o matraquear dos locutores, carentes de exorcismo.

Bem-aventurados os que não moram em ruas de torcida institucionalizada, ou em suas imediações, pois só recolhem 50% do barulho preparatório ou comemoratório.

Bem-aventurados os cegos, pois lhes é poupado torturar-se com o espetáculo direto ou televisionado da marcação cerrada, que paralisa os campeões, ou do lance imprevisível, que lhes destrói a invencibilidade.

Bem-aventurados os que nasceram, viveram e se foram antes de 1863, quando se codificaram as leis do futebol, pois escaparam dos tormentos da torcida, inclusive dos ataques cardíacos infligidos tanto pela derrota como pela vitória do time bem-amado.

Bem-aventurados os que, entre a bola e o botão, se contentaram com este, principalmente em camisa, pois se consolam mais facilmente de perder o botão da roupa do que o bicho da vitória.

Bem-aventurados os que não confundem a derrota do time da Lapônia pelo time da Terra do Fogo com a vitória nacional da Terra do Fogo sobre a Lapônia, pois a estes não visita o sentimento de guerra.

Bem-aventurados os que, depois de escutar este sermão, aplicarem todo o ardor infantil no peito maduro para desejar a vitória do selecionado brasileiro nesta e em todas as futuras Copas do Mundo, como faz o velho sermoneiro desencantado, mas torcedor assim mesmo, pois para o diabo vá a razão quando o futebol invade o coração.