Carta da APLB à sociedade baiana

 

7 de agosto de 2012

 

AGRADECEMOS O APOIO DE TODO O POVO BAIANO À NOSSA LUTA

 Em assembleia, dia 03/08/2012, os professores do Estado da Bahia decidiram pela SUSPENSÃO DA GREVE, CONTINUIDADE DA MOBILIZAÇÃO E APROVAÇÃO DE UMA AGENDA DE LUTAS, com assembleias, passeatas e seminários.

Nesses 115 dias de GREVE conseguimos chamar atenção da população para a qualidade da educação pública e envolvê-la na discussão. Enfrentamos acampamento de quase 04 meses na Assembleia Legislativa e a truculência do presidente daquela Casa que se valeu de medida judicial para nos retirar e ainda sofremos com as perdas de colegas que morreram nesse processo.

Chamado ao debate o governo optou por retaliar a categoria promovendo 04 meses de corte de salários, demissão de contratados pelo sistema REDA e PST, abertura de processo administrativo aos profissionais em estado probatório contratação de empresa sem licitação para substituir os professores titulares, além de reter o dinheiro do sindicato (APLB- SINDICATO).

Desfechou um duro golpe sobre os (as) aposentados (as) retirando-lhes gratificações conquistadas na luta ao longo da história, e utilizou a imprensa para afirmar que concedera reajuste maior do que o pleiteado pelo sindicato. Ao invés de negociar preferiu deixar a GREVE continuar e não considerou os apelos de vários seguimentos importantes da sociedade tendo em vista o cumprimento do Ano Letivo.

Somos profissionais comprometidos, temos respeito a toda sociedade baiana, prezamos o nosso bem maior que são os Estudantes, por isso decidimos retornar às aulas, mesmo rejeitando as Cláusulas Econômicas do Termo de Acordo enviado pelo governo do estado da Bahia, porque ela não contempla aposentados (as), pensionistas e os/as professores/as que não concluíram a Licenciatura Plena.

A LUTA CONTINUA!

A defesa de uma Escola Pública, Gratuita, Laica de Qualidade é dever de toda a sociedade. Por isso continuaremos insistindo no acompanhamento da aplicação do dinheiro público. Os governantes devem utilizar corretamente as verbas públicas em benefício do povo. Educação, saúde, segurança moradia e saneamento básico devem ser metas prioritárias.

Portanto, conclamamos Pais, Mães, Responsáveis, Estudantes, e todos(as) Trabalhadores(as) em Educação para nos mantermos UNIDOS nesta Luta.

Fonte: Site da APLB-Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia

Presidente da Assembléia expulsa professores em greve na Bahia

 

Os professores grevistas da rede estadual de ensino decidiram desocupar a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) no final da tarde desta sexta-feira (20). Inicialmente, o comando de greve do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB) se reuniu para debater a questão e aceitou a proposta de deixar o prédio de forma pacífica. Depois, o indicativo foi apresentado no saguão Deputado Nestor Duarte ao restante da categoria, que também concordou em se retirar da sede do Legislativo baiano.

Os docentes, que desarmaram as barracas na sequência, se dirigiram em marcha até o espelho d´água na rampa da AL-BA, onde um ato marcou a continuidade da greve, decidida em assembleia-geral pela manhã. Eles deixaram o espaço, após 94 dias – a classe foi para o prédio uma semana após iniciar a greve que já dura 101 dias –, no escuro, a cantar a música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, ícone dos protestos antiditadura nos anos 60. Em seguida, os representantes da categoria caminharam para fazer uma manifestação na Avenida Paralela. A próxima assembleia-geral da APLB será realizada na manhã da próxima terça (24).

Fonte: Bahia Notícias

“Ah, eu não sabia, que a ditadura voltaria pra Bahia!”

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), Marcelo Nilo (PDT), revelou, em entrevista coletiva realizada em seu gabinete, na tarde desta segunda-feira (16), que pedirá a reintegração de posse da Casa no Tribunal de Justiça (TJ-BA), caso os professores grevistas não desocupem o saguão Deputado Nestor Duarte, até às 17h05. Ele informou que tentou contato com a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), mas não obteve êxito. “A Casa precisa voltar à normalidade. Eu tentei conversar com o sindicato, mas eles não me receberam por telefone”, argumentou o deputado, que já solicitou à Casa Militar da AL-BA que comunicasse a determinação ao movimento.

Segundo Nilo, se for confirmada a resistência prometida pela APLB, será solicitado o corte de água, luz e telefone do espaço. Indagado se há a intenção de pedir reforço policial para que os docentes saiam do espaço, o parlamentar disse que a decisão será do TJ. “Isso não é comigo”, pontuou. A categoria está na AL-BA desde o último dia 18 de abril, sete dias após o movimento, que já dura 97 dias, ser iniciado.

Fonte: Bahia Notícias

 

Vejam o vídeo com a reação dos professores:

Mais um artigo de Consuelo Novais Sampaio

 

A EDUCAÇÃO ANTECEDE O PROGRESSO

 

Por: Consuelo Novais Sampaio*

Por ignorar que a educação vem antes do progresso, a Bahia sofre um processo de empobrecimento econômico, social, político, cultural. No afã de segurar o poder, o PT perde votos de antigos aliados, aceleradamente. Relega a segundo plano suas obrigações básicas: saúde, educação, segurança, setores em situação precária, aumentando o medo que perpassa a população. Recente encontro de empresários concluiu que o Brasil é um país caro. O seu parque industrial está se encolhendo. Importamos produtos manufaturados, principalmente da China, hoje o nosso principal fornecedor, também o maior vendedor de máquinas e equipamentos para a indústria nacional. Ultrapassou os USA! Somos dela dependentes.

Tradicionalmente, porém, a China prioriza a educação. Até o ano 2000, 90% da população (1.2 bilhão hab., hoje 1.339 bi ) era alfabetizada. Este índice caiu nos últimos cinco anos, mas o governo já anunciou investimento de US$ 13 milhões em campanhas de alfabetização. Note-se que a alfabetização básica na China implica ler e escrever 1.500 caracteres, escola tempo integral, professores nível universitário!

No Brasil, são apenas 26 caracteres! Até a concessão do voto ao analfabeto, o aluno deveria assinar o nome, para ser considerado alfabetizado. Hoje, anulado esse “entrave”, os políticos jogam soltos: para que investir em educação, se não mais dá votos? Resultado, alunos saem da escola sem saber ler e escrever. São os analfabetos funcionais, que não conseguem colocação no mercado do trabalho (20,3%). Não é de admirar, porque além de mal pagos, das precárias condições de trabalho, grande parte dos professores não tem licenciatura; entram na sala de aula após nove meses de treinamento, e bolsa de baixo valor! E anunciam que o nosso índice de analfabetismo caiu! A quem desejam enganar? Sem educador incentivado não há aluno motivado. Perde o país. Não foi por coincidência, mas por decisão política que a educação na China cresceu a partir de 1979, quando o governo pôs em prática os resultados da pesquisa pioneira de Theodore W. Shultz, vencedor do Premio Nobel de Economia naquele ano. O estudo desse notável economista está centrado nos  problemas dos países em desenvolvimento, com ênfase na educação, como dínamo propulsor do progresso.

Em constrangedor atraso, inclusive em relação aos irmãos sul-americanos, o Brasil decidiu estabelecer piso nacional para os professores da rede pública, cuja referência é o índice do Fundeb, atualmente fixado em 22,22%. Sempre na contramão, a Bahia resiste, apesar do acordo firmado (11 nov. 2011), transformado na Lei 12.364/2011, de cumprimento daquele reajuste no salário dos professores do ensino médio e fundamental. Este acordo com o Estado deveria entrar em vigor em janeiro de 2012. Os professores esperaram; fizeram greve em março, para lembrar o governo do compromisso assumido. Voltaram às aulas, sem que o governo se pronunciasse. Daí a atual greve, desde o último dia 11. Quando saberemos como é fatiado o orçamento da Bahia? Teremos de aguardar até 16 de maio (Lei Nº 12.527)? Enquanto o governo propõe pagar 3% em novembro deste, e 4% em abril de 2013, a Coelba aumentou nossas contas em 6,15% desde o dia 22 deste, e a Embasa, com novo aumento de 12,89%  a partir de 1º de maio. Enlutou o Dia do Trabalhador.

Sem ter condições financeiras de sequer preparar-se para ir às aulas, a motivação dos professores cai, acompanhada pela vertiginosa queda no aprendizado dos alunos, comprometendo o ensino, vital para a existência de uma sociedade digna de si mesma. Espera-se que pais de alunos, profissionais liberais e do ensino, em particular, lutem a luta dos professores estaduais da Bahia, ao invés de lamentar estarem os seus filhos sem aula. Até que toda a sociedade reconheça ser a educação prioridade para o seu desenvolvimento, nenhum passo será dado nesse sentido. É preciso desviar o olhar do interesse pessoal, para que se veja o todo, pelo menos o nacional. E que não se esqueça que tudo é política. Até o ar que respiramos é político, disse a poeta. Como passará à história o atual governo? Lembre-se, História é Escolha.

*Consuelo Novais Sampaio é autora de vários livros, Doutora em História pelo The Johns Hopkins University; professora aposentada da Universidade Federal da Bahia, dirige o Centro de Memória da Bahia, da Fundação Pedro Calmon, e também é membro da Academia de Letras da Bahia desde 1992

Professores estaduais continuam em greve e ganham twitaço nesta terça

Docentes completam 89 dias de greve e prometem aumentar a luta

Aline Barnabé – Metro1

 Os professores da rede estadual de ensino completam 89 dias de greve e recebem mais uma ação nas redes sociais. Está marcado para a terça-feira (10) o twitaço #AgrevecontinuanegociaJW. O movimento está marcado para às 20h e é o segundo que acontece. Na última terça-feira (3), o grupo Professores da Bahia organizou o twitaço com a hashtag #NegociaWagner.

O grupo que se intitula sem vínculo com órgãos públicos ou representações de classe, e que discute temas de interesse dos professores estaduais convidou artistas e políticos a participarem do moviento.

 O twitaço acontece no mesmo dia da assembleia da categoria, que será realizada na Secretaria de Educação do Estado (SEC), a partir das 9h. Essa assembleia terá um ânimo diferente, já que os docentes estão na iminência de receberem a determinação da desembargadora Deyse Lago, que declarou que os professores deveriam voltar às aulas imediatamente.

A APLB Sindicato informou ao Metro1 que vai recorrer da liminar do Tribunal de Justiça, que determinou a greve ilegal com um agravo.

 Greve

Os professores pedem reajuste salarial de 22,22% valor que foi acordado e assinado em reunião ocorrida em novembro de 2011. O acordo garantia os valores do piso nacional, depois o governo voltou atrás e ignorou o acordo mandando para a Assembleia um projeto de lei com valores menores.

Por meio da imprensa, o governador fez uma proposta que prevê reajuste salarial entre 22% e 26% por meio de progressão na carreira, através da presença regular em cursos de qualificação promovidos pelo governo.

De acordo com a APLB Sindicato, a proposta não contempla os professores aposentados, em licença médica e estágio probatório e quer que o governo sente com a categoria para negociar.

Fonte: Metro1

 

Em defesa da educação: um artigo de Consuelo Novais Sampaio

O jornal A TARDE de hoje, 03 de julho, publicou o artigo “O AUTORITARISMO PREDOMINA NO GOVERNO”, da professora Consuelo Novais Sampaio. Autora de vários livros, a professora Consuelo Novais Sampaio é Doutora em História pelo The Johns Hopkins University; professora aposentada da Universidade Federal da Bahia, dirige o Centro de Memória da Bahia, da Fundação Pedro Calmon e é membro da Academia de Letras da Bahia desde 1992.

O AUTORITARISMO PREDOMINA NO GOVERNO

Consuelo Novais Sampaio

As medidas adotadas pelo governo da Bahia, através do secretario de Educação, agridem a democracia duplamente: pela intransigência substituindo o diálogo, e pelo autoritarismo, sinônimo de despotismo, substituindo a autoridade. Esta constatação se evidencia na falta de ética e de moral nos recentes atos do governo.

 A convocação de professores em estagio probatório e Reda, para substituir os professores da rede estadual, foi a mais recente tentativa de impor a autoridade pela força do poder. Queremos crer que os convocados honrarão a categoria, construtores que são da base educacional dos nossos jovens. Em contraste, os professores em greve, aguardam do governo o respeito ao direito que lhes cabe de ajuste salarial de 22,22% fixado por lei federal (11.738/08). Estão acampados no legislativo, aguardando a revogação da espúria lei estadual (12.364/11) que os engessou até a Copa de 2014. Subliminarmente, governo e legislativo dizem aos nossos jovens: larguem os livros; peguem a bola. É constrangedora a submissão do Legislativo ao Executivo, além de vivermos em 2011 aguardando 2014!

Não menos autoritária foi a propaganda enganosa, veiculada pelo governo em canal de TV, afirmando que os professores da rede pública estadual já haviam recebido ajuste salarial de 22% a 26%.! Não explicou o milagre. Recorreu ao nosso maior veículo de propaganda – tão grande que fez Lula aliar-se a um foragido da Interpol! Ao enganar o povo através da TV, o governo da Bahia assumiu o papel de Golias contra um Davi, cujo estilingue foi posto à venda em feira pública, visando a defesa de princípios básicos da educação. Depois, revivendo o Leviatã — monstro bíblico recriado por Thomas Hobbes para caracterizar as garras do Estado repressivo que se formava no século XVII — o governo da Bahia cortou o parco salário de professores indefesos. Ao invés de dialogar, preferiu humilhar. Tirar, ao invés de dar-lhes o que lhes pertence por lei federal que, constitucionalmente, se superpõe à estadual, mormente quando esta foi criada posteriormente, para a defesa de interesses circunstanciais. A humilhação a que foram submetidos os professores fortaleceu-lhes a dignidade, a honra, cujas noções transmitem aos seus alunos. É a justeza da causa que defendem — a educação, como pilar e cerne da sociedade e do próprio governo – que faz com que aguardem decisão favorável do governo.

 Pelo que tem sido exposto na mídia, deseja-se que a sórdida estratégia intentada pelo secretario de Administração (jogar funcionários públicos contra seus companheiros, lembram-se?) não faça escola. Que os professores convocados não se sintam como peças fracas e disponíveis de um exercito de reserva, das quais se lança mãos quando conveniente. Não permitam que sejam jogados contra seus colegas. O modo de ação do governo, manipulando a sociedade contra os que preparam os seus filhos para o futuro, é abominável, pela agressão, pela intransigência exacerbada.

 Nos primórdios da atual crise global, que feriu todo o sistema financeiro do planeta após a queda do Lehman Brother’s, este quarto maior banco do mundo, em desespero, reuniu-se com altos banqueiros coreanos, propondo-lhes comprar boa parte da massa podre de imóveis que, aos borbotões, eram-lhes devolvida. Convencidos que os asiáticos aceitariam sua proposta, decepcionaram-se quando, em silêncio, eles se retiraram da mesa de negociações. Correram atrás e ofereceram-lhes maiores vantagens. O líder coreano recusou. Continuou a andar e, virando a cabeça disse-lhes não se tratar de capital; apenas, concluiu, “não gostei do jeito como vocês conduziram as negociações”.

 Parafraseando o banqueiro coreano, está claro que não só os professores, mas a sociedade não gosta do “jeito como o governo está conduzindo as negociações”. A despeito da lei da Transparência e, conforme divulgado, os recursos do FUNDEB ultrapassarem 900 milhões de reais, além de vários bilhões ultimamente transferidos pelo governo federal, nada foi-nos dito sobre a aplicação de tais recursos. Que o bom senso prevaleça.

Fonte: Jornal A TARDE – 03/07/2012

 

 

Professores fazem paródias para protestar contra governo Wagner

Luana Ribeiro
luana.ribeiro@redebahia.com.br

Nos últimos dias, uma trilha sonora diferente invadiu os carros de som das manifestações dos professores da rede estadual de ensino. As dez faixas do CD “Hits da Greve”, com paródias de músicas conhecidas, tem versos como “Traíra, traíra, assim você me mata…”, versão de Ai, se eu te pego, internacionalmente famosa na voz de Michel Teló.

As paródias foram compostas por um grupo de seis professores há cerca de um mês.“Foi meio de brincadeira, cada um foi dizendo uma frase e fomos fazendo”, conta um dos compositores, que preferem não se identificar.

Compositor de Inventando Moda, uma das músicas parodiadas, o cantor Magary, viu com bom humor o uso de sua música para o protesto. “Achei a paródia divertida. A música, quando se torna muito popular, acaba virando uma espécie de obra de domínio público e aí cada um usa a música como achar mais engraçado”, afirma.

Além de criticar a posição do governo estadual durante a greve, que completa hoje 81 dias, as versões servem para levantar o ânimo dos grevistas. “Afinal, a gente tem sofrido muito com essa greve”, afirma um dos professores.

Após um tempo tentando viabilizar a gravação, conseguiram apoio de um produtor artístico de uma banda conhecida, que segundo eles, também prefere se manter no anonimato. “Ele nos deu essa força, porque é solidário ao movimento, mas não quer que a gente divulgue, para não ligar o nome da banda à greve”, diz o professor. O CD foi gravado em dez horas de gravação em estúdio, com uma equipe de 18 pessoas e cem cópias foram feitas, por “restrição financeira”, informou.

Para divulgar as músicas, os professores pretendem tocar o CD nas manifestações. Uma das oportunidades de estreia foi na última quarta-feira, na frente do Centro Educacional Carneiro Ribeiro – Escola Parque, onde foi realizado o primeiro Aulão Enem, aulas de reforço para o exame contratadas pela Secretaria Estadual da Educação.

O CD foi tocado novamente em ato público realizado ontem na Praça Nelson Mandela, no bairro da Liberdade, mas a grande aposta é o desfile cívico do 2 de julho.

Impasse

A próxima assembleia da categoria acontece na terça-feira, mas não há indicativo de nenhuma rodada de negociação. Portanto, o CD deve tocar ainda muito.

O presidente da ALPB, Rui Oliveira, afirmou que em 80 dias de greve o sindicato e a Secretaria Estadual de Educação (SEC) se reuniram apenas uma vez, no dia 10 de abril. “Esse foi o único encontro diante das nossas reivindicações”. A SEC não comentou.

O arcebispo primaz do Brasil, dom Murilo Kriger, desde o início da greve intermediou reuniões tanto com os professores quanto com o Governo do Estado. Porém, nos últimos dias não participou de nenhuma negociação. Segundo o coordenador de comunicação da Arquidiocese, padre Manoel Filho, “o arcebispo está acompanhando os fatos da greve e quando for solicitado irá intermediar novas conversas”.

O Mistério Público do Estado também não se pronunciou sobre a greve.
Anteontem, a Secretaria de Educação e a Secretaria de Administração do estado rescindiram o contrato de 57 professores do Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), que não teriam comparecido à convocação para dar aulas no plano de reposição para alunos do 3º ano. Outros três professores efetivos foram afastados acusados de vandalismo.

Fonte: Correio da Bahia

 

Professores: o silêncio dos bons

A Folha de São Paulo publicou hoje reportagem com o título “Governo da Bahia promove “aulão” que tem até show de reggae”. Embora mostre algumas facetas da greve, a reportagem tece comentários sobre as medidas tomadas pelo governador com o intuito de “amenizar a situação dos estudantes que estão sem aulas há mais de dois meses”. No entanto, nada é dito a respeito da intransigência do governo, do confisco das vantagens funcionais dos professores, entre outras coisas.

Na realidade, com o objetivo de esvaziar a greve dos professores da rede pública estadual, que exigem o pagamento do piso salarial instituído pelo governo federal, a Secretaria de Educação assinou contrato, sem licitação, de R$ 1,5 milhão com a empresa Abais Conteúdos Educativos & Produção Cultural Ltda, coordenada por Jorge Portugal.

Ontem (27) o primeiro “aulão” foi realizado enquanto os professores da rede pública protestavam diante da escola. Segundo a Folha “a primeira edição da aula-show reuniu professores que, sobre um palco, falaram sobre crise no Oriente Médio e impactos do narcotráfico no Brasil, entre outros assuntos”. Dois alunos se manifestaram a respeito: “Diferente do que teríamos na sala, com o professor próximo da turma”, segundo Jadson Almeida, que quer cursar enfermagem. Larissa Lima, no entanto, gostou da iniciativa por poder relembrar alguns temas. Mas, para ela, o “aulão” busca disfarçar o impasse da greve. “Deveríamos ter aulas normais e ‘aulões’ como complemento.

Jorge Portugal, conhecido na Bahia como apresentador de programas de televisão, está à frente da iniciativa; a reportagem afirma ainda que a empresa em questão fechou outro contrato com o governo, de R$ 1,9 milhão, para fazer programas de TV com temas do Enem e de vestibulares.

Ainda na mesma reportagem, segundo a professora Sandra Marinho, da Universidade Federal da Bahia, os gastos (com esses “aulões”) são discrepantes em relação ao ensino público. “Temos escolas em situação precária, com acervos de bibliotecas ameaçados. É a mercantilização da educação e a desqualificação dos profissionais da rede pública.”

Cabe salientar que os professores tiveram os seus salários cortados e lutam contra a intransigência do governo que se nega a negociar. Em várias ocasiões ele se mostrou irredutível e afirmou que não fará mais acordo. “Não haverá mais nenhum acordo, pois a categoria fez dessa greve uma luta política“. Ontem, em Campo Formoso, no interior do estado, ele repetiu mais uma vez que “Se depender de mim vocês não terão salário”.

Assim fica difícil, não é?

Por outro lado, novas iniciativas têm sido tomadas, como na Câmara Municipal de Feira de Santana, que promoveu um debate sobre a situação dos professores da rede pública. Leiam abaixo:

Greve dos professores: Sessão na Câmara Municipal de Feira de Santana debate situação da categoria

 Ney Silva

Professores da rede estadual de ensino, em greve há quase 80 dias, participaram na manhã desta quinta-feira (28), de uma sessão especial na Câmara de Vereadores. Eles lotaram a galeria para ouvir os discursos de representantes da APLB, de vereadores e do deputado Targino Machado.

O presidente da APLB-Feira, Germano Barreto lamentou a ausência de um representante do estado na sessão especial. Sobre a possibilidade de a greve acabar depois do dia 2 de Julho, o dirigente da entidade disse que não passa de mais uma história. “Botaram data, tiraram data e os professores continuam firmes na resistência”, afirmou.

Durante pronunciamento o deputado estadual Targino Machado informou que devido ao estresse a que estão submetidos, sem dinheiro até para comprar medicamentos, seis professoras já morreram vítimas de infarto. Ele fez duras críticas ao governador Jaques Wagner e o chamou de “traidor”.

A professora Nadja Sampaio, que integrou a comissão de professores para participar da sessão especial, destacou que é preciso saber qual é o país que as pessoas querem ter. “É um país de faz de contas. Onde as leis ficam no papel ou onde as leis são cumpridas?”, questiona. Ele lembrou que quando se elege um político se tem a expectativa que pelo menos as leis sejam cumpridas.

Segunda Nadja, a lei do piso é muito clara. Estabelece que a cada janeiro os professores tem direito a um aumento salarial. Além do piso, também diz que aposentados e pensionistas não devem ser prejudicados. Mas, segundo a professora o governo está indo de encontro á lei.

Ela esclarece que a proposta de 7% em novembro não vai contemplar aposentados e pensionistas. “No caso dos professores, de um modo geral, se eles aceitarem esse percentual agora, quando for em janeiro o piso terá um novo aumento e a categoria ficará excluída desse reajuste. O que nós estamos pedindo é que realmente se cumpra a lei”, afirmou Nadja.

A professora disse também que o reajuste de 22,22% foi concedido pela presidente Dilma e isso demonstra segundo ela, que se o percentual foi concedido é porque os estados e municípios têm condições de pagar. “O governo federal dá o aumento e o governo estadual diz que não pode pagar. Isso significa uma irresponsabilidade do governo federal?” questiona.

O vereador Ailton Rios, também lamentou a ausência de representantes do estado para participar do debate, o qual ele classificou como muito importante. Ele leu uma nota informativa publicada em jornais onde consta que está sendo incluído no Plano Nacional de Educação (PNE), a destinação de um percentual de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em políticas de educação durante um período de 10 anos.

Ele fez referências às informações do deputado Targino Machado de que existem ONGs recebendo milhões do governo do estado e, principalmente, o contrato da empresa do professor Jorge Portugal por cerca de R$ 1,5 milhão para realizar as aulas para os alunos do 3º ano do ensino médio.

Apesar da sessão não ter contado com a presença de um representante da Secretaria Estadual de Educação, o vereador Marialvo Barreto autor do requerimento que propôs a discussão diz que a ata vai ser encaminhada ao governador Jaques Wagner. “Seria bom que a Secretaria de Educação mandasse um representante para se tentar um acordo“, afirmou.

Na próxima segunda-feira professores de Feira de Santana vão participar de um protesto em Salvador durante as comemorações do 2 de Julho, data da Independência da Bahia.

Fonte: Acorda Cidade

 

“O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons.” (Martin Luther King)

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Greve dos professores na Bahia

  

 Greve dos professores estaduais é mantida por unanimidade

Patrícia Conceição / Evilásio Júnior

 Como antecipou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB), Rui Oliveira, ao Bahia Notícias, a greve dos professores da rede estadual de ensino foi mantida por unanimidade. A votação foi realizada no estacionamento da Assembleia Legislativa (AL-BA) por centenas de servidores, que ocupam a Casa há 49 dias, inclusive trabalhadores de outras categorias que declararam apoio à paralisação. Durante a convocação do pleito, Oliveira chegou a perguntar se alguém “era maluco” de solicitar o fim do movimento, mas as manifestações só aconteceram em tom de brincadeira.

A diretora da APLB, Elza Melo, organizou a estratégia de ocupação da AL-BA para os próximos dias, em que haverá rodízio dos profissionais que dormirão no local, bem como divulgou o cronograma de atividades. “É greve, mas a gente não pode parar. Temos que continuar nos mobilizando”, clamou. Entre os passos seguintes, a classe pretende “enquadrar” o governador Jaques Wagner no Aeroporto Internacional de Salvador neste sábado (2). Como não sabe o horário em que o petista chegará no terminal, o grupo promete chegar cedo e só sair de lá após conversar com o mandatário baiano.

Estudantes fazem manifestação de apoio aos professores na Rótula do Abacaxi

Patrícia Conceição

Alunos da rede estadual de ensino, sem aulas há 49 dias por conta da greve dos professores, promoverão um ato de apoio ao movimento docente nesta quarta-feira (30), a partir das 9h, na Rótula do Abacaxi, em Salvador. Devem participar da mobilização alunos de colégios localizados nos bairros da Liberdade, Pero Vaz, IAPI, Cabula, Pernambués, Caixa D’Água, Tancredo Neves e Arenoso. Pais, alunos e docentes se reuniram nesta segunda (28), no Centro Educacional Carneiro Ribeiro – Classe 2, no Pero Vaz, para discutir o apoio ao movimento. “A comunidade se reuniu com a preocupação de que o ano letivo seja invalidado. Os alunos querem uma postura diferente por parte do governo do Estado”, conta a professora Débora Medina, que atua em uma escola no IAPI, em entrevista ao Bahia Notícias. Se a manifestação ganhar mesmo a adesão dos estudantes, a promessa é de trânsito congestionado na região da Rótula na manhã desta quarta.

Fonte: Bahia notícias

Professores cantam contra o governo em protesto no Dique do Tororó

Nem a chuva, nem a greve dos rodoviários foram capazes de impedir os professores da rede estadual de ensino, em greve há 45 dias,  de ir às ruas protestar na manhã desta sexta-feira (25), no Dique do Tororó, no centro de Salvador.

A manifestação foi embalada por paródias e gritos de guerra que tiveram como alvo principal o governador Jaques Wagner (PT), que não foi o único a cair na boca dos docentes. Os petistas Nelson Pelegrino, pré-candidato à prefeitura de Salvador, e Zé Neto, líder do partido na Assembleia Legislativa (AL-BA), também tiveram seus nomes gritados como traidores da categoria.

Segundo informações da Superintendência de Trânsito e Transporte (Transalvador), a passeata deixou o fluxo de veículos lento na região e seus reflexos puderam ser sentidos, desde as 9h, nas avenidas Bonocô e Paralela, além das regiões do Iguatemi e central da cidade. Ainda de acordo com o órgão, até as 11h20 o movimento não havia se dissipado e o congestionamento persistia, ainda que em menores proporções.

Fonte: Bahia notícias

Leia mais sobre a greve dos professores aqui.