Carta da APLB à sociedade baiana

 

7 de agosto de 2012

 

AGRADECEMOS O APOIO DE TODO O POVO BAIANO À NOSSA LUTA

 Em assembleia, dia 03/08/2012, os professores do Estado da Bahia decidiram pela SUSPENSÃO DA GREVE, CONTINUIDADE DA MOBILIZAÇÃO E APROVAÇÃO DE UMA AGENDA DE LUTAS, com assembleias, passeatas e seminários.

Nesses 115 dias de GREVE conseguimos chamar atenção da população para a qualidade da educação pública e envolvê-la na discussão. Enfrentamos acampamento de quase 04 meses na Assembleia Legislativa e a truculência do presidente daquela Casa que se valeu de medida judicial para nos retirar e ainda sofremos com as perdas de colegas que morreram nesse processo.

Chamado ao debate o governo optou por retaliar a categoria promovendo 04 meses de corte de salários, demissão de contratados pelo sistema REDA e PST, abertura de processo administrativo aos profissionais em estado probatório contratação de empresa sem licitação para substituir os professores titulares, além de reter o dinheiro do sindicato (APLB- SINDICATO).

Desfechou um duro golpe sobre os (as) aposentados (as) retirando-lhes gratificações conquistadas na luta ao longo da história, e utilizou a imprensa para afirmar que concedera reajuste maior do que o pleiteado pelo sindicato. Ao invés de negociar preferiu deixar a GREVE continuar e não considerou os apelos de vários seguimentos importantes da sociedade tendo em vista o cumprimento do Ano Letivo.

Somos profissionais comprometidos, temos respeito a toda sociedade baiana, prezamos o nosso bem maior que são os Estudantes, por isso decidimos retornar às aulas, mesmo rejeitando as Cláusulas Econômicas do Termo de Acordo enviado pelo governo do estado da Bahia, porque ela não contempla aposentados (as), pensionistas e os/as professores/as que não concluíram a Licenciatura Plena.

A LUTA CONTINUA!

A defesa de uma Escola Pública, Gratuita, Laica de Qualidade é dever de toda a sociedade. Por isso continuaremos insistindo no acompanhamento da aplicação do dinheiro público. Os governantes devem utilizar corretamente as verbas públicas em benefício do povo. Educação, saúde, segurança moradia e saneamento básico devem ser metas prioritárias.

Portanto, conclamamos Pais, Mães, Responsáveis, Estudantes, e todos(as) Trabalhadores(as) em Educação para nos mantermos UNIDOS nesta Luta.

Fonte: Site da APLB-Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia

Presidente da Assembléia expulsa professores em greve na Bahia

 

Os professores grevistas da rede estadual de ensino decidiram desocupar a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) no final da tarde desta sexta-feira (20). Inicialmente, o comando de greve do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB) se reuniu para debater a questão e aceitou a proposta de deixar o prédio de forma pacífica. Depois, o indicativo foi apresentado no saguão Deputado Nestor Duarte ao restante da categoria, que também concordou em se retirar da sede do Legislativo baiano.

Os docentes, que desarmaram as barracas na sequência, se dirigiram em marcha até o espelho d´água na rampa da AL-BA, onde um ato marcou a continuidade da greve, decidida em assembleia-geral pela manhã. Eles deixaram o espaço, após 94 dias – a classe foi para o prédio uma semana após iniciar a greve que já dura 101 dias –, no escuro, a cantar a música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, ícone dos protestos antiditadura nos anos 60. Em seguida, os representantes da categoria caminharam para fazer uma manifestação na Avenida Paralela. A próxima assembleia-geral da APLB será realizada na manhã da próxima terça (24).

Fonte: Bahia Notícias

Professores estaduais continuam em greve e ganham twitaço nesta terça

Docentes completam 89 dias de greve e prometem aumentar a luta

Aline Barnabé – Metro1

 Os professores da rede estadual de ensino completam 89 dias de greve e recebem mais uma ação nas redes sociais. Está marcado para a terça-feira (10) o twitaço #AgrevecontinuanegociaJW. O movimento está marcado para às 20h e é o segundo que acontece. Na última terça-feira (3), o grupo Professores da Bahia organizou o twitaço com a hashtag #NegociaWagner.

O grupo que se intitula sem vínculo com órgãos públicos ou representações de classe, e que discute temas de interesse dos professores estaduais convidou artistas e políticos a participarem do moviento.

 O twitaço acontece no mesmo dia da assembleia da categoria, que será realizada na Secretaria de Educação do Estado (SEC), a partir das 9h. Essa assembleia terá um ânimo diferente, já que os docentes estão na iminência de receberem a determinação da desembargadora Deyse Lago, que declarou que os professores deveriam voltar às aulas imediatamente.

A APLB Sindicato informou ao Metro1 que vai recorrer da liminar do Tribunal de Justiça, que determinou a greve ilegal com um agravo.

 Greve

Os professores pedem reajuste salarial de 22,22% valor que foi acordado e assinado em reunião ocorrida em novembro de 2011. O acordo garantia os valores do piso nacional, depois o governo voltou atrás e ignorou o acordo mandando para a Assembleia um projeto de lei com valores menores.

Por meio da imprensa, o governador fez uma proposta que prevê reajuste salarial entre 22% e 26% por meio de progressão na carreira, através da presença regular em cursos de qualificação promovidos pelo governo.

De acordo com a APLB Sindicato, a proposta não contempla os professores aposentados, em licença médica e estágio probatório e quer que o governo sente com a categoria para negociar.

Fonte: Metro1

 

Em defesa da educação: um artigo de Consuelo Novais Sampaio

O jornal A TARDE de hoje, 03 de julho, publicou o artigo “O AUTORITARISMO PREDOMINA NO GOVERNO”, da professora Consuelo Novais Sampaio. Autora de vários livros, a professora Consuelo Novais Sampaio é Doutora em História pelo The Johns Hopkins University; professora aposentada da Universidade Federal da Bahia, dirige o Centro de Memória da Bahia, da Fundação Pedro Calmon e é membro da Academia de Letras da Bahia desde 1992.

O AUTORITARISMO PREDOMINA NO GOVERNO

Consuelo Novais Sampaio

As medidas adotadas pelo governo da Bahia, através do secretario de Educação, agridem a democracia duplamente: pela intransigência substituindo o diálogo, e pelo autoritarismo, sinônimo de despotismo, substituindo a autoridade. Esta constatação se evidencia na falta de ética e de moral nos recentes atos do governo.

 A convocação de professores em estagio probatório e Reda, para substituir os professores da rede estadual, foi a mais recente tentativa de impor a autoridade pela força do poder. Queremos crer que os convocados honrarão a categoria, construtores que são da base educacional dos nossos jovens. Em contraste, os professores em greve, aguardam do governo o respeito ao direito que lhes cabe de ajuste salarial de 22,22% fixado por lei federal (11.738/08). Estão acampados no legislativo, aguardando a revogação da espúria lei estadual (12.364/11) que os engessou até a Copa de 2014. Subliminarmente, governo e legislativo dizem aos nossos jovens: larguem os livros; peguem a bola. É constrangedora a submissão do Legislativo ao Executivo, além de vivermos em 2011 aguardando 2014!

Não menos autoritária foi a propaganda enganosa, veiculada pelo governo em canal de TV, afirmando que os professores da rede pública estadual já haviam recebido ajuste salarial de 22% a 26%.! Não explicou o milagre. Recorreu ao nosso maior veículo de propaganda – tão grande que fez Lula aliar-se a um foragido da Interpol! Ao enganar o povo através da TV, o governo da Bahia assumiu o papel de Golias contra um Davi, cujo estilingue foi posto à venda em feira pública, visando a defesa de princípios básicos da educação. Depois, revivendo o Leviatã — monstro bíblico recriado por Thomas Hobbes para caracterizar as garras do Estado repressivo que se formava no século XVII — o governo da Bahia cortou o parco salário de professores indefesos. Ao invés de dialogar, preferiu humilhar. Tirar, ao invés de dar-lhes o que lhes pertence por lei federal que, constitucionalmente, se superpõe à estadual, mormente quando esta foi criada posteriormente, para a defesa de interesses circunstanciais. A humilhação a que foram submetidos os professores fortaleceu-lhes a dignidade, a honra, cujas noções transmitem aos seus alunos. É a justeza da causa que defendem — a educação, como pilar e cerne da sociedade e do próprio governo – que faz com que aguardem decisão favorável do governo.

 Pelo que tem sido exposto na mídia, deseja-se que a sórdida estratégia intentada pelo secretario de Administração (jogar funcionários públicos contra seus companheiros, lembram-se?) não faça escola. Que os professores convocados não se sintam como peças fracas e disponíveis de um exercito de reserva, das quais se lança mãos quando conveniente. Não permitam que sejam jogados contra seus colegas. O modo de ação do governo, manipulando a sociedade contra os que preparam os seus filhos para o futuro, é abominável, pela agressão, pela intransigência exacerbada.

 Nos primórdios da atual crise global, que feriu todo o sistema financeiro do planeta após a queda do Lehman Brother’s, este quarto maior banco do mundo, em desespero, reuniu-se com altos banqueiros coreanos, propondo-lhes comprar boa parte da massa podre de imóveis que, aos borbotões, eram-lhes devolvida. Convencidos que os asiáticos aceitariam sua proposta, decepcionaram-se quando, em silêncio, eles se retiraram da mesa de negociações. Correram atrás e ofereceram-lhes maiores vantagens. O líder coreano recusou. Continuou a andar e, virando a cabeça disse-lhes não se tratar de capital; apenas, concluiu, “não gostei do jeito como vocês conduziram as negociações”.

 Parafraseando o banqueiro coreano, está claro que não só os professores, mas a sociedade não gosta do “jeito como o governo está conduzindo as negociações”. A despeito da lei da Transparência e, conforme divulgado, os recursos do FUNDEB ultrapassarem 900 milhões de reais, além de vários bilhões ultimamente transferidos pelo governo federal, nada foi-nos dito sobre a aplicação de tais recursos. Que o bom senso prevaleça.

Fonte: Jornal A TARDE – 03/07/2012

 

 

O Brasil precisa saber

02/07/2012 – 15h44

Governador da Bahia é vaiado em desfile

EDER LUIS SANTANA

 COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE SALVADOR

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), foi hostilizado pela população nesta segunda-feira (2). Vaias e palavras como “traidor” e “fora Wagner” foram disparadas por centenas de pessoas enquanto a comitiva do petista andava pelas ruas do centro histórico de Salvador, no desfile do 2 de Julho.

O 2 de Julho é um evento cívico que reúne milhares de pessoas para celebrar a data que marca a expulsão das tropas portuguesas da Bahia, em 1823, durante o período de lutas pela independência do Brasil. Este ano, cerca de 200 mil pessoas participaram da festa, segundo a Polícia Militar.

Em Salvador, o 2 de Julho serve todos os anos como termômetro do cenário político. Gestores públicos e candidatos vão às ruas em comitivas, sendo obrigados a encarar os eleitores e as manifestações de carinho ou repúdio. No caso de Wagner, o desgaste teve início em janeiro, com a greve da PM que durou 12 dias, e segue com a paralisação dos professores, que completa hoje 83 dias.

O desfile percorre cerca de oito quilômetros. Wagner foi vaiado a todo momento por pessoas com faixas e cartazes com frases do tipo “Todos pela educação, menos o governo”.

Como atos de protestos eram esperados, a equipe do PT tratou de blindar o governador com um forte esquema de proteção. O Largo da Lapinha, de onde sai o desfile, foi cercado com grades, policiais e seguranças que impediam a circulação na área oficial do governo. Até a saída da comitiva de Wagner foi antecipada e, ao contrário de anos anteriores, saiu no início do cortejo, antes mesmo das manifestações populares.

“Acho injusto. Tenho tranquilidade em dizer que me considero um homem dedicado à educação”, disse o governador, sobre as vaias.

Os professores em greve na Bahia pedem reajuste de 22,22%. O governo oferece aumento de 7% para novembro, com outros 7% acrescidos em abril de 2013.

“Querer ganhar mais é razoável, mas tem de estar dentro do padrão. Não tenho como atender [o aumento], pois arrebentaria o orçamento do Estado. Se a guerra é comigo, se a raiva é com governador Jaques Wagner, então que não descarreguem essa raiva nos alunos que não tem culpa nenhuma”, afirmou o petista.

Ao lado dele estavam o candidato à Prefeitura de Salvador, Nelson Pellegrino (PT), e a vice Olívia Santana (PC do B). Para tentar fazer com que a rejeição ao PT não atinja sua candidatura, Pellegrino diz que manterá “projetos consistentes para recuperar financeira e administrativamente a cidade”.

Já os demais candidatos à prefeitura aproveitaram o dia. O deputado federal ACM Neto (DEM) foi aclamado e barrava seus próprios seguranças para garantir que ninguém ficasse sem tirar fotos ao seu lado ou receber abraços.

O deputado federal Márcio Marinho (PRB) e o professor municipal Hamilton Assis (PSOL) também circulavam entre os eleitores.

Já o candidato do PMDB, o radialista e ex-prefeito de Salvador Mário Kertész, deixou o desfile na metade do caminho. De acordo com sua assessoria, Kertész teve de ir a um almoço com líderes do PDT que negociam uma coligação. O PMDB prometia sair sozinho na briga eleitoral, mas já coligou-se com o PSC.

Fonte: Folha de São Paulo

Manifestação ofusca participação de prefeituráveis no 2 de Julho

As vaias e manifestações contra o governador Jaques Wagner acabaram monopolizando as atenções das comemorações da Independência da Bahia nesta segunda-feira, 2 de Julho, data da expulsão das tropas portuguesas do Estado em 1823. Com isto, a participação dos principais candidatos à prefeitura de Salvador nos festejos no Largo da Lapinha acabaram sendo ofuscadas.

O candidato do PT, Nelson Pelegrino minimizou a manifestação, por classificar como algo específico de uma classe (dos professores), e não da população em geral. Pelegrino afirmou que este evento não vai abalar sua candidatura, pois o principal objetivo da eleição é a discussão de um projeto para a cidade.

Já o candidato do PMDB, o radialista e ex-prefeito de Salvador, Mário Kértesz, que acabou deixando às pressas os festejos para uma reunião de última hora com o PDT, avaliou que estas manifestações dão o indício que a questão da educação será um tema muito forte no debate eleitoral em Salvador.

Para o candidato do DEM, ACM Neto, o governador está em uma posição incoerente com seu passado, e, por isso, encontra-se em um situação difícil. Neto disse que, ao contrário de Jaques Wagner, nunca participou de uma greve. Mesmo assim, afirmou que não pretende usar a greve dos professores da rede estadual de ensino durante a campanha para ter dividendos políticos.

Fonte: A Tarde

Professores fazem paródias para protestar contra governo Wagner

Luana Ribeiro
luana.ribeiro@redebahia.com.br

Nos últimos dias, uma trilha sonora diferente invadiu os carros de som das manifestações dos professores da rede estadual de ensino. As dez faixas do CD “Hits da Greve”, com paródias de músicas conhecidas, tem versos como “Traíra, traíra, assim você me mata…”, versão de Ai, se eu te pego, internacionalmente famosa na voz de Michel Teló.

As paródias foram compostas por um grupo de seis professores há cerca de um mês.“Foi meio de brincadeira, cada um foi dizendo uma frase e fomos fazendo”, conta um dos compositores, que preferem não se identificar.

Compositor de Inventando Moda, uma das músicas parodiadas, o cantor Magary, viu com bom humor o uso de sua música para o protesto. “Achei a paródia divertida. A música, quando se torna muito popular, acaba virando uma espécie de obra de domínio público e aí cada um usa a música como achar mais engraçado”, afirma.

Além de criticar a posição do governo estadual durante a greve, que completa hoje 81 dias, as versões servem para levantar o ânimo dos grevistas. “Afinal, a gente tem sofrido muito com essa greve”, afirma um dos professores.

Após um tempo tentando viabilizar a gravação, conseguiram apoio de um produtor artístico de uma banda conhecida, que segundo eles, também prefere se manter no anonimato. “Ele nos deu essa força, porque é solidário ao movimento, mas não quer que a gente divulgue, para não ligar o nome da banda à greve”, diz o professor. O CD foi gravado em dez horas de gravação em estúdio, com uma equipe de 18 pessoas e cem cópias foram feitas, por “restrição financeira”, informou.

Para divulgar as músicas, os professores pretendem tocar o CD nas manifestações. Uma das oportunidades de estreia foi na última quarta-feira, na frente do Centro Educacional Carneiro Ribeiro – Escola Parque, onde foi realizado o primeiro Aulão Enem, aulas de reforço para o exame contratadas pela Secretaria Estadual da Educação.

O CD foi tocado novamente em ato público realizado ontem na Praça Nelson Mandela, no bairro da Liberdade, mas a grande aposta é o desfile cívico do 2 de julho.

Impasse

A próxima assembleia da categoria acontece na terça-feira, mas não há indicativo de nenhuma rodada de negociação. Portanto, o CD deve tocar ainda muito.

O presidente da ALPB, Rui Oliveira, afirmou que em 80 dias de greve o sindicato e a Secretaria Estadual de Educação (SEC) se reuniram apenas uma vez, no dia 10 de abril. “Esse foi o único encontro diante das nossas reivindicações”. A SEC não comentou.

O arcebispo primaz do Brasil, dom Murilo Kriger, desde o início da greve intermediou reuniões tanto com os professores quanto com o Governo do Estado. Porém, nos últimos dias não participou de nenhuma negociação. Segundo o coordenador de comunicação da Arquidiocese, padre Manoel Filho, “o arcebispo está acompanhando os fatos da greve e quando for solicitado irá intermediar novas conversas”.

O Mistério Público do Estado também não se pronunciou sobre a greve.
Anteontem, a Secretaria de Educação e a Secretaria de Administração do estado rescindiram o contrato de 57 professores do Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), que não teriam comparecido à convocação para dar aulas no plano de reposição para alunos do 3º ano. Outros três professores efetivos foram afastados acusados de vandalismo.

Fonte: Correio da Bahia

 

Professores: o silêncio dos bons

A Folha de São Paulo publicou hoje reportagem com o título “Governo da Bahia promove “aulão” que tem até show de reggae”. Embora mostre algumas facetas da greve, a reportagem tece comentários sobre as medidas tomadas pelo governador com o intuito de “amenizar a situação dos estudantes que estão sem aulas há mais de dois meses”. No entanto, nada é dito a respeito da intransigência do governo, do confisco das vantagens funcionais dos professores, entre outras coisas.

Na realidade, com o objetivo de esvaziar a greve dos professores da rede pública estadual, que exigem o pagamento do piso salarial instituído pelo governo federal, a Secretaria de Educação assinou contrato, sem licitação, de R$ 1,5 milhão com a empresa Abais Conteúdos Educativos & Produção Cultural Ltda, coordenada por Jorge Portugal.

Ontem (27) o primeiro “aulão” foi realizado enquanto os professores da rede pública protestavam diante da escola. Segundo a Folha “a primeira edição da aula-show reuniu professores que, sobre um palco, falaram sobre crise no Oriente Médio e impactos do narcotráfico no Brasil, entre outros assuntos”. Dois alunos se manifestaram a respeito: “Diferente do que teríamos na sala, com o professor próximo da turma”, segundo Jadson Almeida, que quer cursar enfermagem. Larissa Lima, no entanto, gostou da iniciativa por poder relembrar alguns temas. Mas, para ela, o “aulão” busca disfarçar o impasse da greve. “Deveríamos ter aulas normais e ‘aulões’ como complemento.

Jorge Portugal, conhecido na Bahia como apresentador de programas de televisão, está à frente da iniciativa; a reportagem afirma ainda que a empresa em questão fechou outro contrato com o governo, de R$ 1,9 milhão, para fazer programas de TV com temas do Enem e de vestibulares.

Ainda na mesma reportagem, segundo a professora Sandra Marinho, da Universidade Federal da Bahia, os gastos (com esses “aulões”) são discrepantes em relação ao ensino público. “Temos escolas em situação precária, com acervos de bibliotecas ameaçados. É a mercantilização da educação e a desqualificação dos profissionais da rede pública.”

Cabe salientar que os professores tiveram os seus salários cortados e lutam contra a intransigência do governo que se nega a negociar. Em várias ocasiões ele se mostrou irredutível e afirmou que não fará mais acordo. “Não haverá mais nenhum acordo, pois a categoria fez dessa greve uma luta política“. Ontem, em Campo Formoso, no interior do estado, ele repetiu mais uma vez que “Se depender de mim vocês não terão salário”.

Assim fica difícil, não é?

Por outro lado, novas iniciativas têm sido tomadas, como na Câmara Municipal de Feira de Santana, que promoveu um debate sobre a situação dos professores da rede pública. Leiam abaixo:

Greve dos professores: Sessão na Câmara Municipal de Feira de Santana debate situação da categoria

 Ney Silva

Professores da rede estadual de ensino, em greve há quase 80 dias, participaram na manhã desta quinta-feira (28), de uma sessão especial na Câmara de Vereadores. Eles lotaram a galeria para ouvir os discursos de representantes da APLB, de vereadores e do deputado Targino Machado.

O presidente da APLB-Feira, Germano Barreto lamentou a ausência de um representante do estado na sessão especial. Sobre a possibilidade de a greve acabar depois do dia 2 de Julho, o dirigente da entidade disse que não passa de mais uma história. “Botaram data, tiraram data e os professores continuam firmes na resistência”, afirmou.

Durante pronunciamento o deputado estadual Targino Machado informou que devido ao estresse a que estão submetidos, sem dinheiro até para comprar medicamentos, seis professoras já morreram vítimas de infarto. Ele fez duras críticas ao governador Jaques Wagner e o chamou de “traidor”.

A professora Nadja Sampaio, que integrou a comissão de professores para participar da sessão especial, destacou que é preciso saber qual é o país que as pessoas querem ter. “É um país de faz de contas. Onde as leis ficam no papel ou onde as leis são cumpridas?”, questiona. Ele lembrou que quando se elege um político se tem a expectativa que pelo menos as leis sejam cumpridas.

Segunda Nadja, a lei do piso é muito clara. Estabelece que a cada janeiro os professores tem direito a um aumento salarial. Além do piso, também diz que aposentados e pensionistas não devem ser prejudicados. Mas, segundo a professora o governo está indo de encontro á lei.

Ela esclarece que a proposta de 7% em novembro não vai contemplar aposentados e pensionistas. “No caso dos professores, de um modo geral, se eles aceitarem esse percentual agora, quando for em janeiro o piso terá um novo aumento e a categoria ficará excluída desse reajuste. O que nós estamos pedindo é que realmente se cumpra a lei”, afirmou Nadja.

A professora disse também que o reajuste de 22,22% foi concedido pela presidente Dilma e isso demonstra segundo ela, que se o percentual foi concedido é porque os estados e municípios têm condições de pagar. “O governo federal dá o aumento e o governo estadual diz que não pode pagar. Isso significa uma irresponsabilidade do governo federal?” questiona.

O vereador Ailton Rios, também lamentou a ausência de representantes do estado para participar do debate, o qual ele classificou como muito importante. Ele leu uma nota informativa publicada em jornais onde consta que está sendo incluído no Plano Nacional de Educação (PNE), a destinação de um percentual de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em políticas de educação durante um período de 10 anos.

Ele fez referências às informações do deputado Targino Machado de que existem ONGs recebendo milhões do governo do estado e, principalmente, o contrato da empresa do professor Jorge Portugal por cerca de R$ 1,5 milhão para realizar as aulas para os alunos do 3º ano do ensino médio.

Apesar da sessão não ter contado com a presença de um representante da Secretaria Estadual de Educação, o vereador Marialvo Barreto autor do requerimento que propôs a discussão diz que a ata vai ser encaminhada ao governador Jaques Wagner. “Seria bom que a Secretaria de Educação mandasse um representante para se tentar um acordo“, afirmou.

Na próxima segunda-feira professores de Feira de Santana vão participar de um protesto em Salvador durante as comemorações do 2 de Julho, data da Independência da Bahia.

Fonte: Acorda Cidade

 

“O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons.” (Martin Luther King)

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Wagner é vaiado por grevistas

 

 

 Como já era esperado, o governador Jaques Wagner foi recebido com vaias por um grupo de professores em greve ao chegar à Igreja do Convento do Carmo, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, para assistir a um concerto da Camerata da Orquestra Sinfônica da Bahia, na manhã desta segunda (25), abrindo os festejos do Dois de Julho, a Independência da Bahia.

Cerca de 100 professores participaram do protesto, a maioria vinda de cidades vizinhas. De Feira de Santana, por exemplo, partiu, logo cedo, um ônibus fretado pela delegação local do sindicato da categoria.

Mais tarde, em entrevista, Wagner acusou os dirigentes sindicais de transformarem a greve em movimento político, rechaçou a acusação de intransigente e disse que está  faltando “compreensão” de parte dos professores.

“O que me choca é a covardia contra os alunos indefesos. É fácil dizer que a culpa é minha, pois o governador representa o poder, mas não sou eu que estou tirando as aulas dos meninos, são os professores”, afirmou.

Logo cedo, os professores se concentraram nas proximidades da entrada da igreja, onde ceria celebrado o Te Deum,  culto em reverência aos heróis das lutas pela independência da Bahia. Wagner, porém, não participou da cerimônia e foi representado por seu chefe de gabinete, Edmon Lucas.

Na porta, com faixas e cartazes, o grupo de grevistas gritava palavras de ordem, cantava paródias chamando o governador de “traidor” e vaiava deputados e secretários de estado que chegavam ao local.

Há cinco anos consecutivos, o governo baiano é transferido simbolicamente para Cachoeira no dia 25 de julho, por força da Lei 10.695/07. Em 25 de junho de 1822, os moradores de Cachoeira proclamaram a independência da Bahia e iniciaram as lutas para expulsar as tropas portuguesas, culminando com a batalha final, em 2 de julho de 1823, data magna do Estado.

Fonte: Bahiatodahora: http://www.bahiatodahora.com.br/noticias/wagner-e-vaiado-por-professores

Jaques Wagner é vaiado em Cachoeira

Wagner é alvo de protesto e se diz chocado com a “covardia” dos grevistas

Biaggio Talento l Agência A TARDE

Cachoeira  – O governador Jaques Wagner foi recebido com várias e gritos de “traíra”, por um grupo de 100 professores do Estado em greve, na manhã desta segunda-feira, 25, quando chegou à Igreja do Carmo, em Cachoeira, para assistir a um concerto alusivo aos festejos do Dois de Julho, a Independência da Bahia.

Em entrevista, Wagner ponderou que está faltando “compreensão” de parte dos professores. Alegou que não está sendo intransigente e acusou os sindicalistas do APLB-Sindicato de transformarem a greve em movimento político.

“Me parece que do lado de lá há uma queda de braço (entre as lideranças) e eu já disse que a luta política se resolve no processo eleitoral. O que mais me choca é a covardia contra os alunos indefesos. É fácil dizer que a culpa é do governador, pois o governador representa o poder, mas não sou eu que estou tirando as aulas dos meninos, são os professores. É como usassem os alunos como escudo”, criticou Wagner.

O clima em frente à Igreja do Carmo era de expectativa, desde o início da manhã, quando grevistas de vários municípios do Recôncavo Baiano começaram a se concentrar à espera do governador para o Te Deum, culto que exalta os heróis da guerra da Independência.

Wagner não apareceu, quebrando uma tradição dos anos anteriores. Foi representado pelo seu chefe de gabinete Edmon Lucas. Os professores passaram a cantarolar as músicas que vem vendo usadas nos atos dos grevistas: “Ele, ele é traidor, é traidor, é traidor” e “governo ordinário, não deu o piso e cortou o meu salário”.

Secretários estaduais e deputados da base governista que chegavam ao local eram vaiados. Um dos mais visados, o líder do governo na Assembleia Legislativa e candidato a prefeito de Feira de Santana, Zé Neto (PT), reagiu com bom humor. “Eu já tenho o casco duro”.

Fonte: http://atarde.uol.com.br/cidades/noticia.jsf?id=5848680&t=Wagner+leva+vaia+e+se+diz+chocado+com+a+

Pai indignado faz protesto no aeroporto de Salvador

Caiu na rede!

A greve dos professores da rede estadual de ensino da Bahia continua. Enquanto isso, os pais de alunos demonstram a insatisfação com a falta de diálogo do governo do Estado que se recusa a negociar com os professores e a cumprir o piso salarial determinado pelo governo federal, ou a adotar  medidas práticas para resolver o problema e levar os estudantes de volta às salas de aula.

Nesta semana, um dos pais indignados com a situação levou a sua revolta ao Aeroporto Internacional de Salvador. Ficou segurando uma placa revelando para todos que chegavam à capital do estado que as coisas não andam bem.

Sejam Bem-vindos à Bahia, um estado sem educação. Meus filhos estão sem aulas, há mais de 60 dias”. O texto se repete em outros três idiomas. Em inglês, espanhol e francês. A foto feita por Laura Alícia Côrtes está sendo compartilhada nas redes sociais sob o título de: “Olha só como os turistas estão sendo recebidos no aeroporto de Salvador”.

 Atualização:

O presidente da Associação das Mães e Pais de Alunos de Escolas Públicas da Bahia (Amap), Antônio Daltro Moura (foto acima), segue hoje para São Paulo, onde inicia uma série de manifestações a fim de sensibilizar a opinião pública nacional sobre a situação dos estudantes das escolas estaduais baianas, que estão sem aula há 72 dias. Durante os atos, Moura vai exibir um cartaz poliglota com os dizeres “Visitem a Bahia, um estado sem educação”, em português, espanhol, inglês e francês. Ele lamenta a solução paliativa encontrada pelo governo em dar aulas em caráter extraordinário apenas aos alunos do terceiro ano do ensino médio. “Somos contra esse tipo de aulão. Somente em asfalto se admite fazer tapa-buraco e educação é coisa séria”.
Fonte: Radar/Tribuna da Bahia
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Professores cantam contra o governo em protesto no Dique do Tororó

Nem a chuva, nem a greve dos rodoviários foram capazes de impedir os professores da rede estadual de ensino, em greve há 45 dias,  de ir às ruas protestar na manhã desta sexta-feira (25), no Dique do Tororó, no centro de Salvador.

A manifestação foi embalada por paródias e gritos de guerra que tiveram como alvo principal o governador Jaques Wagner (PT), que não foi o único a cair na boca dos docentes. Os petistas Nelson Pelegrino, pré-candidato à prefeitura de Salvador, e Zé Neto, líder do partido na Assembleia Legislativa (AL-BA), também tiveram seus nomes gritados como traidores da categoria.

Segundo informações da Superintendência de Trânsito e Transporte (Transalvador), a passeata deixou o fluxo de veículos lento na região e seus reflexos puderam ser sentidos, desde as 9h, nas avenidas Bonocô e Paralela, além das regiões do Iguatemi e central da cidade. Ainda de acordo com o órgão, até as 11h20 o movimento não havia se dissipado e o congestionamento persistia, ainda que em menores proporções.

Fonte: Bahia notícias

Leia mais sobre a greve dos professores aqui.