O mundo é um carrossel

 

A poema 10696459_693416644080999_8887822057181702724_n

Ao publicar o belo poema de Antônio Brasileiro, um samba antigo me veio à lembrança: “Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí”…

Ao sair de férias  roubo a borboleta que pousou na caneta do poeta e saio voando com ela por aí.

Ps. Quando coisas bonitas acontecerem (e se houver um computador por perto), passo para dar notícias. Até breve!

A Borboleta2

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Iderval Miranda

 

 Diário

 

o homem. as palavras. o amor. as mercadorias.

troca. essência. essência. essência. vida.

aqui e agora. a mão. a arma. a fome.

o medo. o medo. o medo. sempre.

portagradecadeadodoportãoportalpistola. defesa

defensa devesa. pesadelo e pesar.

longe. pendor e precipício. viver perigosamente.

o homem. a fera. a moeda. a pobreza. o negro

horizontes do caos. simples palavras.

                                   Iderval Miranda

 Poema extraído do livro “Então” (poemas).1972/2012, Feira de Santana, Ed. Tulle, 2013, p. 88.

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O último conto de fadas

 

O ÚLTIMO CONTO DE FADAS

A palavra fugacidade

Um trem sem ninguém dentro

Fotos amarelecidas…

A solução para as vidas

desencontradas

.

Uma batalha perdida

A inteira lida perdida

O ímpeto dos cavalos

A moça que ficou velha

e esquecida

.

A arte de estar sozinho

O último conto de fadas

A estrada para a estrada

A mão, sobre o homem feito,

do menino.

(Antonio Brasileiro)

Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa

 

Prêmio Portugal Telecom 2013 anuncia semifinalistas

(Entre eles, dois poetas baianos: Ruy Espinheira Filho e Roberval Pereyr)

O Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa divulgou nesta segunda-feira (3) os semifinalistas da edição 2013, além do júri que irá escolher os finalistas, em setembro, e os vencedores, em novembro. Nesta primeira etapa, um júri de 280 profissionais da literatura em língua portuguesa indicados pela curadoria selecionou por meio de votação online 63 semifinalistas, dentre 450 livros inscritos, todos publicados no Brasil no ano de 2012.

Devido ao empate na categoria poesia e dois empates entre os romances, 63 livros (e não 60) classificaram-se para a próxima fase. Estão na disputa 21 obras na categoria poesia, 22 na categoria romance e 20 na categoria conto/crônica. Entre os romances, estão contemplados três autores portugueses, um angolano, um moçambicano e 17 brasileiros.

O corpo de jurados que irá selecionar os finalistas e, por fim, os vencedores em novembro é composto por: André Seffrin, Cristóvão Tezza, Italo Moriconi, João Cezar de Castro Rocha, José Castello e Leyla Perrone Moisés.

Confira abaixo a lista completa de semifinalistas:

CONTO/CRÔNICA

A caneta e o anzol – Domingos Pellegrini
A última madrugada – João Paulo Cuenca (leia o Paiol Literário com o escritor)
A verdadeira história do alfabeto – Noemi Jaffe
Ai meu Deus, ai meu Jesus – Fabrício Carpinejar (leia o Paiol Literário com o escritor)
Aquela água toda – João Anzanello Carrascoza
As verdades que ela não diz – Marcelo Rubens Paiva
Cheiro de chocolate e outras histórias – Ronivalter Jatobá
Como andar no labirinto – Affonso Romano de Sant’Anna
Contos inefáveis – Carlos Nejar (leia resenha do livro)
Copacabana Dreams – Natércia Pontes (leia resenha do livro)
Crônicas para ler na escola – Zuenir Ventura
Diálogos impossíveis – Luis Fernando Veríssimo
Essa coisa brilhante que é a chuva – Cíntia Moscovich (leia resenha do livro e Inquérito com a escritora)
Jogo de varetas – Manoel Ricardo de Lima (leia resenha do livro)
Livro das horas – Nélida Piñon (leia o Paiol Literário com a escritora)
Manhãs adiadas – Eltânia André
Mistura fina – Vera Casa Nova
O tempo em estado sólido – Tércia Montenegro
Páginas sem glória – Sérgio Sant’Anna (leia resenha do livro e o Paiol Literário com o escritor)
Shazam! – Jorge Viveiros de Castro (leia resenha do livro)

POESIA

A casa dos nove pinheiros – Ruy Espinheira Filho
A cicatriz de Marilyn Monroe – Contador Borges
A praça azul e Tempo de vidro – Samarone Lima
A voz do ventríloquo – Ademir Assunção
As maçãs de antes – Lila Maia
Caderno inquieto – Tarso de Melo
Ciclo do amante substituível – Ricardo Domeneck
Deste lugar – Paulo Elias Franchetti
Engano geográfico – Marília Garcia
Formas do nada – Paulo Henriques Britto (leia resenha do livro)
Meio seio – Nicolas Behr
Mirantes – Roberval Pereyr
O amor e depois – Mariana Ianelli (leia resenha do livro)
Ouro Preto – Mário Alex Rosa
Píer – Sérgio Alcides
Porventura – Antonio Cícero (leia resenha do livro)
Quando não estou por perto – Annita Costa Malufe
Sentimental – Eucanaã Ferraz
Totens – Sérgio Medeiros
Trato de silêncios – Luci Collin (leia o Paiol Literário com a escritora)
Um útero é do tamanho de um punho – Angélica Freitas (leia Inquérito com a escritora)

ROMANCE

A confissão da leoa – Mia Couto (leia entrevista com o escritor)
A máquina de madeira – Miguel Sanches Neto (leia resenha do livro)
A noite das mulheres cantoras – Lídia Jorge
A sul. O sombreiro – Pepetela
As visitas que hoje estamos – Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira (leia entrevista com o escritor)
Barba ensopada de sangue – Daniel Galera (leia resenha do livro e o Paiol Literário com o escritor)
Big Jato – Xico Sá (leia resenha do livro e entrevista com o escritor)
Caderno de ruminações – Francisco Dantas (leia resenha do livro)
Desde que o samba é samba – Paulo Lins (leia resenha do livro e o Paiol Literário com o escritor)
Deus foi almoçar – Férrez (leia resenha do livro)
Era meu esse rosto – Marcia Tiburi (leia resenha do livro e o Paiol Literário com a escritora)
Estive lá fora – Ronaldo Correira de Brito (leia resenha do livro e o Paiol Literário com o escritor)
Mar azul – Paloma Vidal (leia Inquérito com a escritora)
O casarão da rua do Rosário – Menalton Braff (leia resenha do livro)
O céu dos suicidas – Ricardo Lísias (leia resenha do livro e o Paiol Literário com o escritor)
O filho de mil homens – Valter Hugo Mãe
O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam – Evandro Affonso Ferreira
O que deu para fazer em matéria de história de amor – Elvira Vigna (leia entrevista com a escritora)
O sonâmbulo amador – José Luiz Passos (leia resenha do livro)
Paulicéia de mil dentes – Maria José Silveira
Sôbolos rios que vão – António Lobo Antunes
Solidão continental – João Gilberto Noll (leia resenha do livro e o Paiol Literário com o escritor)

Sobre Poemas e Poetas

 

Mario Quintana – Caricatura Arradium

 

“Às vezes você acha que está dizendo bobagens e está é fazendo poesias”

“A diferença entre um poeta e um louco é que o poeta sabe que é louco… Porque a poesia é uma loucura lúcida”.

                                                         (Mário Quintana)

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Um poema de Paulo Leminski

 

Atraso Pontual

Ontens e hojes, amores e ódio,

 adianta consultar o relógio?

 Nada poderia ter sido feito,

 a não ser o tempo em que foi lógico.

 Ninguém nunca chegou atrasado.

 Bençãos e desgraças

 vem sempre no horário.

 Tudo o mais é plágio.

 Acaso é este encontro

 entre tempo e espaço

 mais do que um sonho que eu conto

 ou mais um poema que faço?

.Paulo Leminski

Ano Novo!

 

Idmar Boaventura

Bendito seja Janeiro,

que nos dá a chance de começar             de          novo.

Dezembro é crepúsculo. Tem gosto

de coisas velhas guardadas na gaveta

com as luzinhas da árvore de natal.

Dezembro, mês de balanço,

é cansaço, desencanto.

O que não se fez. O que não se cumpriu.

O que poderia ter sido.

.

Mas quando Janeiro, menino,

desponta  no horizonte,

com sua roupa branca e cheiro de mar,

tudo se renova:

aquela dieta, o guarda-roupa, desencontros, amores:

tudo que havemos de ser,

ainda que não seja.

E assim, ano          a           ano,

Janeiro nos rejuvenesce,

com sua porção generosa

de esperança.

A lua cheia (sobre a Baía de Todos os Santos) vista de Itaparica; ao fundo, as luzes de Salvador.

Fonte: Dissonâncias no espelho – aqui

 

Os motivos de Cecília

 

Motivo

                                      Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

— não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

— mais nada.

Poesia

 

TOADA

 Antonio Brasileiro

Pertencemos ao Universo,

mas o Universo é inventado.

Vamos saindo de lado,

porque o mundo é invertido.

Mas o mundo é divertido

e nós somos o inverso:

sérios, casmurros, contidos

como um bicho de seis lados –

quatro lados embutidos,

os outros dois atolados.

Entro na perna do pinto,

saio na perna do pato.

Quem quiser, me conte cinco.

Um poema de Roberval Pereyr

EXERCÍCIO

O ser é um sopro?

Um eco? A contraparte

do ego

              ferido?

O ser é um não

falseado? Um passo

em vão

          no Vazio? Um rio

constelado de enigmas?

O ser é um mito

oco? Um grito

aviltado nos vãos de vinte séculos?

O ser é um erro

de cálculo, um simulacro

do si, que é, já este,

um simulacro?

O ser é um só? Um nó

que se desfaz em infinitos

nós?

Que é, afinal, o ser

além desta vontade

mórbida, imensa

                          de esquecer?

Extraído do livro Amálgama (Nas praias do avesso e Poesia anterior), 2004, p. 21.

Roberval Pereyr reside em Feira de Santana. Co-fundador da revista Hera (1972), que dirigiu, quase sempre em parceria, desde 1973. Criou ainda as coleções literárias Olho D’Água (1982) e Bocapio (1991), além da revista de poesia Duas Águas, com Pablo Simpson (Campinas – SP, 1997). Fundou e dirige as editoras alternativas Estrada e Tulle. Estudante de flauta doce e compositor (parceiros: o catarinense Márcio Pazin, além de Tito Pereira e Carol Pereyr, seus filhos). Tem poemas publicados em antologias nacionais e internacionais, entre as quais Roteiro da poesia brasileira – anos 60, da Global Editora. Entre seus livros de poesia encontram-se As roupas do nu (1981), Ocidentais (1987), O súbito cenário (1996) Concerto de ilhas (1997), Saguão de mitos (1998), Amálgama – Nas praias do avesso e poesia anterior (2004) e Acordes (2010). Publicou ainda A unidade primordial da lírica moderna (teoria da literatura, 2000). Está no prelo o livro A mão no escuro (desenho artístico). Doutor em Letras e Professor Pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana.

Roberval Pereyr é o vencedor do Prêmio Braskem de Poesia.

O poeta feirense Roberval Pereyr é o ganhador do Prêmio Nacional de Poesia 2011, promovido pela Braskem e pela  Academia de Letras da Bahia. O livro “Mirantes” do pseudônimo Pedro P.P., que foi mantido sob sigilo, foi o escolhido pela Comissão Julgadora composta pelos acadêmicos Antonio Carlos Secchin, José Carlos Capinan e Ruy Espinheira Filho.

Logo após o anúncio do vencedor, o envelope foi aberto pelo Presidente da ALB, Dr. Aramis Ribeiro Costa, que identificou o autor da obra como o Sr. Roberval Alves Pereira, poeta feirense conhecido como “Roberval Pereyr.”

Os envelopes foram abertos no dia 12/01/2011 às 17:00h pelo Presidente da ALB, na presença da Comissão Julgadora, da Secretária e da Coordenadora da Biblioteca da ALB.

Mais de 100 inscritos concorreram ao Prêmio e os estados com maior representatividade foram Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.

A premiação será dupla. Caberá ao vencedor uma quantia em dinheiro e a publicação do livro por uma editora de projeção nacional.

Muito sucesso para Roberval Pereyr!