{"id":1034,"date":"2010-08-28T20:54:37","date_gmt":"2010-08-28T23:54:37","guid":{"rendered":"http:\/\/lenidavid.com.br\/?p=1034"},"modified":"2010-08-28T21:47:42","modified_gmt":"2010-08-29T00:47:42","slug":"a-baiana-do-acaraje-imagens-do-real-e-do-ideal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=1034","title":{"rendered":"A Baiana do Acaraj\u00e9: imagens do real e do ideal"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 150px;\">\u00a0<\/p>\n<h3 style=\"padding-left: 150px;\">\u00a0Parte III (Final)<\/h3>\n<h4 style=\"padding-left: 120px;\">A &#8220;baiana&#8221; no cen\u00e1rio da cidade<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Em <em>Bahia, imagens da Terra e do povo<\/em>,<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn1\">[1]<\/a> colet\u00e2nea de cr\u00f4nicas publicadas originalmente na revista <em>O Cruzeiro<\/em>, Odorico Tavares, no cap\u00edtulo dedicado \u00e0 cozinha baiana, lamenta a escassez de bons restaurantes na cidade no in\u00edcio dos anos 50, elogia a cozinha das casas tradicionais e aconselha ao visitante que, n\u00e3o podendo usufruir de uma refei\u00e7\u00e3o em uma resid\u00eancia local de cozinha afamada, a procurar os restaurantes no Mercado Modelo, advertindo ainda: se o viajante <em>\u201cn\u00e3o \u00e9 muito exigente e est\u00e1 entusiasmado pelo pitoresco, em muito p\u00e9 de escada, nas Laranjeiras e no Pelourinho, encontrar\u00e1 quem fa\u00e7a uma moqueca bem feita<\/em>\u201d. Elogia as \u201cbaianas\u201d Od\u00edlia, \u201c<em>que vende a melhor cocada preta da Bahia<\/em>\u201d e Vitorina, instalada em frente ao bar \u201cAnjo Azul\u201d, no Cabe\u00e7a, cujo acaraj\u00e9 \u201c<em>\u00e9 o que h\u00e1 de melhor<\/em>\u201d. Pela descri\u00e7\u00e3o de Odorico Tavares presume-se que o n\u00famero de baianas era expressivo e que as mesmas podiam ser encontradas facilmente em v\u00e1rios pontos da cidade: \u201cTamb\u00e9m em frente ao Elevador Lacerda , nas feiras populares, h\u00e1 quituteiras que fazem \u00f3timos acaraj\u00e9s\u2026 No terreiro de Jesus, \u00e0 tarde ou \u00e0 noite, tamb\u00e9m se encontram \u2018baianas\u2019 sentadas \u00e0 beira dos passeios, com suas vestimentas pr\u00f3prias, sua higiene impec\u00e1vel, preparado seus quitutes para bo\u00eamios, para transeuntes, altas horas da noite\u201d<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center; padding-left: 30px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1036\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/nova-baiana3.jpg\" alt=\"Foto:   Everaldo Luis\" width=\"492\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/nova-baiana3.jpg 547w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/nova-baiana3-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 492px) 100vw, 492px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Se a economia baiana havia atingido no in\u00edcio da d\u00e9cada de 50 o m\u00e1ximo da letargia na qual mergulhara h\u00e1 quase 100 anos, a cria\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s representou o marco de uma nova era.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">A \u201cvoca\u00e7\u00e3o tur\u00edstica\u201d da cidade passou a ser explorada pela administra\u00e7\u00e3o estadual e municipal, a implanta\u00e7\u00e3o do Centro Industrial de Aratu alimentou os sonhos de modernidade de grande parte da popula\u00e7\u00e3o que via na chegada do progresso, a sa\u00edda para as suas dificuldades e do ponto de vista cultural, o Reitor da Universidade Federal da Bahia, Edgard Santos, vai representar o grande passo para a realiza\u00e7\u00e3o de projetos extraordin\u00e1rios na \u00e1rea cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">O surto de transforma\u00e7\u00e3o da economia estadual ent\u00e3o deflagrado, como n\u00e3o poderia deixar de ser, e que se estendeu at\u00e9 as d\u00e9cadas de 60 e 70 com a implanta\u00e7\u00e3o do Centro Industrial de Aratu, alcan\u00e7ou a cidade e sua Regi\u00e3o Metropolitana, marcando-as profundamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center; padding-left: 30px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1048\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/SalvadorFaroll.jpg\" alt=\"\" width=\"463\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/SalvadorFaroll.jpg 514w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/SalvadorFaroll-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 463px) 100vw, 463px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Nessa \u00e9poca, opul\u00eancia e pobreza, subdesenvolvimento e modernidade, exibiam-se insolentemente. Definitivamente, Salvador mudava de aspecto a partir da aventura industrial e da implanta\u00e7\u00e3o dos projetos de moderniza\u00e7\u00e3o. Grandes cadeias de lojas passaram a dominar o setor comercial, que tamb\u00e9m deslocou-se do Centro Hist\u00f3rico para a regi\u00e3o da Pituba e para as novas avenidas. Os <em>shoppings centers<\/em> rec\u00e9m instalados conquistaram a popula\u00e7\u00e3o que podia fazer compras sem se expor \u00e0s dificuldades comuns do antigo centro da cidade. Tudo mudou, a cidade transformou-se e o setor tur\u00edstico tamb\u00e9m recebeu um impacto muito grande \u00e0 partir de ent\u00e3o. Segundo Scheinowitiz,<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn3\">[3]<\/a> a cidade antiga com estruturas arcaicas, a primeira cidade fundada na Terra de Santa Cruz, a Salvador das ruas estreitas e sinuosas, a cidade da poesia e do langor, a sonhadora e a m\u00edstica, entra de vez no ritmo c\u00e9lere da moderniza\u00e7\u00e3o e um ex\u00e9rcito de oper\u00e1rios fura os morros, cava t\u00faneis e constr\u00f3i viadutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 esse surto de moderniza\u00e7\u00e3o a sociedade brasileira, segundo Prandi<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn4\">[4]<\/a> participar\u00e1 ativamente de um projeto de recupera\u00e7\u00e3o das origens que remete diretamente \u00e0 Bahia. Valoriza-se a cultura negra, sobretudo a cultura negro-baiana e essa mudan\u00e7a de rumos seria determinada pelas classes m\u00e9dias, ou seja, pela intelectualidade brasileira de maior legitimidade dos anos 60. Al\u00e9m disso, da modernidade da Bossa Nova \u00e0 Tropic\u00e1lia, os baianos lideram os movimentos renovat\u00f3rios da m\u00fasica popular brasileira. A Bahia ganha espa\u00e7o na m\u00eddia, fala-se do Cinema Novo e da literatura de Jorge Amado; as ialorix\u00e1s s\u00e3o homenageadas por artistas em evid\u00eancia no cen\u00e1rio art\u00edstico nacional. E as \u201cbaianas\u201d? Que espa\u00e7o elas ocupam no cen\u00e1rio \u201cnovo\u201d da cidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">At\u00e9 1975, as not\u00edcias que evocam a \u201cbaiana de acaraj\u00e9\u201d fazem refer\u00eancia, principalmente, \u00e0 sua participa\u00e7\u00e3o no cortejo da lavagem do Bonfim, aspergindo com \u00e1gua perfumada as cabe\u00e7as dos pol\u00edticos em voga. Em 1975, no entanto, publica-se mat\u00e9ria com o seguinte t\u00edtulo: <em>Baiana do acaraj\u00e9 ser\u00e1 cadastrada pela prefeitura<\/em>.<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn5\">[5]<\/a> O texto inclui declara\u00e7\u00f5es de Waldeloir Rego, diretor do <em>Departamento do Folclore, Festas Populares e Esportes da Prefeitura Municipal do Salvador, <\/em>entidade fundada em 1973, justificando a medida como necess\u00e1ria para a preserva\u00e7\u00e3o dos valores culturais, al\u00e9m de garantir um produto de qualidade, pois algumas baianas inescrupulosas estavam adulterando a massa do acaraj\u00e9, acrescentando \u00e0 mesma, farinha de mandioca e de milho, o que alterava o sabor e a consist\u00eancia dessa iguaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Em julho de 1977<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn6\">[6]<\/a>, aparecem n\u00fameros oficiais da prefeitura de Salvador, mais precisamente do <em>Departamento do Folclore, Festas Populares e Esportes da Prefeitura Municipal do Salvador<\/em>, informando que cerca de quinhentas \u201cbaianas\u201d estavam cadastradas nesse organismo<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn7\">[7]<\/a> e que as inscri\u00e7\u00f5es isentavam as interessadas do pagamento de taxas, \u201cexigindo-se apenas que a cadastrada vista-se de acordo com a tradi\u00e7\u00e3o e que mantenha rigoroso asseio pessoal, como tamb\u00e9m dos seus objetos de trabalho.\u201d O mesmo jornal, em reportagem do m\u00eas de setembro do mesmo ano, publica nova mat\u00e9ria sobre o tema cujo t\u00edtulo, Prefeitura n\u00e3o exigir\u00e1 das \u201cbaianas\u201d o traje t\u00edpico,<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn8\">[8]<\/a> deixa claro que houve rea\u00e7\u00e3o das \u201cbaianas\u201d com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas impostas pelo \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico. A declara\u00e7\u00e3o \u00e9 da senhora S\u00f4nia Garrido, diretora da <em>Divis\u00e3o de Folclore<\/em>, fato que demonstra que a entidade respons\u00e1vel pela medida n\u00e3o era mais a mesma e que a sua dire\u00e7\u00e3o havia mudado. Informa-se tamb\u00e9m que h\u00e1 cerca de seiscentas baianas cadastradas e que metade delas vendem iguarias em cumprimento \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o do candombl\u00e9 apresentado-se devidamente trajadas com a indument\u00e1ria tradicional, em obedi\u00eancia aos preceitos da cren\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">A partir de 1978 a <em>Federa\u00e7\u00e3o do Culto Afro-Brasileiro<\/em> assume a responsabilidade do cadastramento e fiscaliza\u00e7\u00e3o das \u201cbaianas.\u201d Por\u00e9m, no in\u00edcio do mesmo ano, a reportagem tendo como t\u00edtulo <em>Baianas condenam discrimina\u00e7\u00e3o religiosa na vendagem de comidas t\u00edpicas<\/em>,<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn9\">[9]<\/a> denuncia a pretens\u00e3o da entidade de afastar as vendedoras que n\u00e3o fossem filiadas ao candombl\u00e9 e vinculadas a um terreiro. Houve protestos da maioria das vendedoras de comidas t\u00edpicas que, indignadas, justificavam: <em>\u201cquem trabalha com tabuleiro \u00e9 porque precisa de uma ocupa\u00e7\u00e3o para garantir o seu sustento e da sua fam\u00edlia, independente da seita ou religi\u00e3o a que perten\u00e7a<\/em>.\u201d Mesmo as baianas vinculadas ao candombl\u00e9 se mostraram descontentes com a entidade por consider\u00e1-la injusta, discriminando as \u201cbaianas\u201d n\u00e3o adeptas do candombl\u00e9, num desrespeito \u00e0 liberdade religiosa garantida por lei. Os objetivos da entidade n\u00e3o foram adiante e at\u00e9 novembro de 1998 ela foi a respons\u00e1vel pelo cadastramento, fiscaliza\u00e7\u00e3o e concess\u00e3o de \u201cpontos\u201d para as \u201cbaianas de acaraj\u00e9\u201d de Salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: center; padding-left: 30px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1046\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/novabaiana.jpg\" alt=\"\" width=\"445\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/novabaiana.jpg 549w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/novabaiana-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 445px) 100vw, 445px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Em 1982 \u00e9 criado o \u201cDia da Baiana,\u201d<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn10\">[10]<\/a> promo\u00e7\u00e3o da Bahiatursa, \u00f3rg\u00e3o oficial de turismo do estado, tendo sido escolhido o dia 25 de novembro para os festejos e homenagens. As comemora\u00e7\u00f5es do dia da baiana repetem-se a cada ano, com missa festiva na Igreja de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos, no Pelourinho, caf\u00e9 da manh\u00e3, apresenta\u00e7\u00f5es de sambas de roda, c\u00e2nticos, sorteios e distribui\u00e7\u00e3o de pr\u00eamios entre as participantes. Segundo as reportagens dos jornais locais,<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn11\">[11]<\/a> esta festa conta com a participa\u00e7\u00e3o de baianas idosas e jovens, algumas com mais de cinq\u00fcenta aos de profiss\u00e3o, todas elas vestidas \u00e0 rigor, exibindo suas mais belas indument\u00e1rias. Al\u00e9m disso s\u00e3o muitos os testemunhos destas mulheres que n\u00e3o poupam coment\u00e1rios sobre as dificuldades os prazeres nas duras jornadas de trabalho que come\u00e7a, em geral, nas primeiras horas do dia, quando a maior parte da popula\u00e7\u00e3o ativa ainda dorme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">O t\u00edtulo da mat\u00e9ria que anuncia a cria\u00e7\u00e3o do \u201cdia da baiana\u201d, n\u00e3o necessita de explica\u00e7\u00f5es para que se possa entender as raz\u00f5es que motivaram a Bahiatursa a criar essa data festiva homenageado as trabalhadoras urbanas mais famosas da Bahia. No texto, a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: \u201cCom o objetivo de valorizar e estimular a figura da baiana t\u00edpica, que atrav\u00e9s   do seu trabalho difunde a culin\u00e1ria, a cultura e os costumes dos baianos, a Bahiatursa instituiu o dia 25 de novembro como o \u2018Dia da Baiana do Acaraj\u00e9\u2019, quando ser\u00e1 desenvolvida uma intensa programa\u00e7\u00e3o nos principais centros emissores do fluxo tur\u00edstico para o estado da Bahia.\u201d A programa\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o visava atrair turistas de outras   cidades brasileiras, principalmente Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Bras\u00edlia e Recife. \u201cO v\u00f4o da Baiana\u201d deu in\u00edcio \u00e0 programa\u00e7\u00e3o e sete baianas t\u00edpicas embarcavam em companhias a\u00e9reas com destina\u00e7\u00e3o prevista para as capitais mencionadas acima, distribuindo entre os passageiros fitas do Senhor do Bonfim, programas anunciando os eventos festivos do ver\u00e3o baiano. Durante o v\u00f4o os passageiros escutavam can\u00e7\u00f5es cujos temas versavam sobre a pr\u00f3pria baiana e na cidade de destino elas eram recebidas por uma personagem t\u00edpica local. \u00c0 noite era oferecido um coquetel \u00e0 imprensa, \u00e0s autoridades, aos diretores de ag\u00eancias de turismo e viagens, onde saboreava-se acaraj\u00e9s e batida de lim\u00e3o, havendo distribui\u00e7\u00e3o de brindes e folhetos promocionais. Esta programa\u00e7\u00e3o foi repetida durante alguns anos, na mesma \u00e9poca, garantindo o sucesso das programa\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas idealizadas pela Bahiatursa. No aeroporto de Salvador, nas sa\u00eddas dos desembarques nacionais e internacionais, \u201cbaianas\u201d distribu\u00edam fitinhas do Bonfim aos passageiros, enquanto conjuntos de samba batucavam alegremente, despertado a curiosidade dos viajantes que desembarcavam na cidade, mesmo em plena madrugada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Muitas coisas mudaram nestes \u00faltimos anos. Convidar \u201cbaianas\u201d para servir iguarias nas festas refinadas e oficiais, tornou-se comun. Os jornais do Sul publicam reportagens sobre as \u201cbaianas.\u201d<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn12\">[12]<\/a> At\u00e9 uma <em>delicatessen<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn13\">[13]<\/a><\/em> de Salvador, especializada em produtos finos, adotou o acaraj\u00e9 como chamariz para a clientela, vendendo em m\u00e9dia cerca de seiscentos acaraj\u00e9s por tarde, que s\u00e3o confeccionados pelo setor de produ\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pela \u201cbaiana\u201d que serve o petisco, como acontece habitualmente. Os acaraj\u00e9s s\u00e3o expostos em tabuleiros el\u00e9tricos, permanecem quentes pois s\u00e3o conservados em banho-maria e cada compartimento apresenta uma iguaria diferente <em>\u201csem aquela miscel\u00e2nea que se pode observar nos tabuleiros tradicionais<\/em>\u201d. A \u201cbaiana\u201d, \u00e9 jovem, meiga e bonita tendo sido escolhida pela ger\u00eancia do estabelecimento comercial para exercer a fun\u00e7\u00e3o. Uma experi\u00eancia que deu certo, segundo os idealizadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Enquanto isso, algumas \u201cbaianas de acaraj\u00e9\u201d, como Cira<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn14\">[14]<\/a> e Dinha,<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn15\">[15]<\/a> estabelecidas respectivamente no Rio Vermelho e em Itapu\u00e3, chegam a comercializar mil acaraj\u00e9s por dia, durante a semana e mil e quinhentos acaraj\u00e9s di\u00e1rios nos fins de semana. Cira por exemplo tem uma rede de distribui\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios pontos da cidade. As gar\u00e7onetes fardadas servem os petiscos mediante fichas vendidas num caixa especial. Dinha, em contrapartida, tem um celular para atender os pedidos dos \u201cclientes vips\u201d e transporta o seu material de trabalho em carro de sua propriedade e \u00e9 convidada com frequ\u00eancia para participar de eventos no sul do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Cursos de higiene alimentar (o primeiro realizado em 11 de abril 1992),<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn16\">[16]<\/a> s\u00e3o oferecidos a cada ano. Surgiram associa\u00e7\u00f5es, entre elas a ABA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o das Baianas de Acaraj\u00e9, fundada em 1992,<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn17\">[17]<\/a> contando com mil e duzentas associadas em 1998, entre as quatro mil vendedoras de comidas t\u00edpicas trabalhando na regi\u00e3o metropolitana do Salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel comprar acaraj\u00e9s a quilo e sob encomenda e muitas baianas, que modernizaram, inclusive, o tabuleiro, aceitam vales de transportes como pagamento e oferecem um refrigerante gratuito na compra de um acaraj\u00e9.<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn18\">[18]<\/a> Em contrapartida, pode-se ler reportagens com t\u00edtulo provocador \u2013 \u201c\u2019Baianas empres\u00e1rias\u2019 esquecem tradi\u00e7\u00e3o.\u201d<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn19\">[19]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Finalmente, a briga entre Dinha e Regina pela disputa da clientela no Largo de Santana no Rio Vermelho ocupou a primeira p\u00e1gina da imprensa local<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn20\">[20]<\/a> sendo not\u00edcia at\u00e9 no Jornal Nacional da Globo. Em raz\u00e3o dessa disputa a prefeitura, atrav\u00e9s da Secretaria de Servi\u00e7os P\u00fablicos \u2013 SESP, chamou para si a responsabilidade pelas baianas. Em 25 de novembro de 1998, foi assinado pelo prefeito de Salvador, Ant\u00f4nio Imbassahy, decreto regulamentando, pela primeira vez na hist\u00f3ria do munic\u00edpio, o uso e a ocupa\u00e7\u00e3o do solo.<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=327-1235#_ftn21\">[21]<\/a> As \u201cbaianas\u201d ter\u00e3o um prazo de um ano para adotar as novas normas. Foi criada uma taxa destinada ao licenciamento para a explora\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de iguarias, devendo a mesma ser renovada anualmente, haver\u00e1 padroniza\u00e7\u00e3o do equipamento e obrigatoriedade do uso do traje t\u00edpico.<\/p>\n<div id=\"attachment_1037\" style=\"width: 411px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1037\" class=\"size-full wp-image-1037 \" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/baianassa.jpg\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"522\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/baianassa.jpg 401w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/baianassa-230x300.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/><p id=\"caption-attachment-1037\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lucila Moreira<\/p><\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">OBSERVA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Apesar do romantismo que envolve a \u201cbaiana,\u201d &#8211; n\u00e3o s\u00f3 pelo carisma dessa personagem que conquistou a simpatia de baianos e brasileiros e que soube preservar ao longo dos tempos tra\u00e7os marcantes da cultura da Bahia, no mundo moderno e com a \u201cglobaliza\u00e7ao\u201d invadindo os mais rec\u00f4nditos rinc\u00f5es do planeta, a sua imagem poderia ser interpretada como irreal e ultrapassada. Essa baiana nost\u00e1lgica lembra a Salvador do passado, escondendo mist\u00e9rios nas ruelas estreitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">A cidade e a baiana mudaram de fisionomia e de h\u00e1bitos, modernizaram-se. As ladeiras do Pelourinho tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o escondem mist\u00e9rios e segredos, est\u00e3o iluminadas e policiadas. A \u201cbaiana\u201d idealizada, a mulher-desejo percebida atrav\u00e9s dos cheiros, pelo paladar, pela sedu\u00e7\u00e3o e da dan\u00e7a rica de meneios e requebros j\u00e1 n\u00e3o encanta tanto. Mas baianas como a Odilia e a Vitorina da \u00e9poca de Odorico Tavares existem ainda. A \u201cbaiana\u201d personificada por Verger, capaz de enfrentar desafios e de transpor obst\u00e1culos pode ser encarnada pela maioria das \u201cbaianas\u201d, sejam elas modestas, ou empresarias promissoras, sobretudo a mulher trabalhadora que enfrenta a rua carregando tabuleiro, fogareiro e a mat\u00e9ria prima para a confec\u00e7\u00e3o dos pratos, ferramentas do seu trabalho quotidiano, necess\u00e1rias \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es mais elementares da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">A \u201cbaiana de acaraj\u00e9\u201d das ruas da cidade do Salvador tornou-se personagem p\u00fablica, real e imagin\u00e1ria, uma mulher trabalhadora e uma escultura simb\u00f3lica feita de versos rimados e de lembran\u00e7as saudosas, sobre um fundo permanente de precariedade social e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><strong>Artigo Publicado<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">DAVID Maria Lenilda Carneiro S. <em>A Baiana do acaraj\u00e9 : imagens do real e do ideal<\/em>, Revista da Biblioteca M\u00e1rio de Andrade, v. 57, S\u00e3o Paulo, jan.\/dez., 1999, p. 147-155.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1038 aligncenter\" title=\"Foto: Leni David\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/SalvadorVistaDoMar2.jpg\" alt=\"\" width=\"462\" height=\"309\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/SalvadorVistaDoMar2.jpg 513w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/SalvadorVistaDoMar2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 462px) 100vw, 462px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center; padding-left: 30px;\">\u00a0<\/p>\n<hr style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\" size=\"1\" \/>[1] &#8211; TAVARES Odorico, <em>Bahia, Imagens da terra e do povo<\/em>, Rio de Janeiro, Livraria Jos\u00e9 Olympio Editora, 1951, p. 131- 140.<\/p>\n<p>[2] TAVARES Odorico, <em>Bahia, imagens da terra e do povo<\/em>, op. cit. p. 137.<\/p>\n<p>[3] &#8211; Scheinowitiz, A.S., <em>O macroplanejamento da aglomera\u00e7\u00e3o de Salvador<\/em>, Salvador, Secretaria da Cultura e Turismo, EGBA, 1998.<\/p>\n<p>[4] &#8211; PRANDI, Reginaldo. <em>As religi\u00f5es negras do Brasil<\/em>, in <em>Dossi\u00ea povo negro \u2013 300 anos<\/em>, Revista da USP\u00a0, Coordenadoria de Comunica\u00e7\u00e3o social, Universidade de S\u00e3o Paulo, N\u00b0 1 (mar.\/mai. 1989, p. 74.<\/p>\n<p>[5] &#8211; Jornal A Tarde, 16\/07\/1975 \u201c<em>Baiana do acaraj\u00e9 ser\u00e1 cadastrada pela prefeitura<\/em>.\u00a0\u00bb<\/p>\n<p>[6] &#8211; Jornal A Tarde, 8\/07\/1977, \u00ab\u00a0<em>O que \u00e9 que a \u00ab\u00a0baiana\u00a0\u00bb tem<\/em>\u00a0?, texto de Marcos Luedy..<\/p>\n<p>[7] &#8211; Lista dos principais \u00ab\u00a0pontos\u00a0\u00bb, com o n\u00famero de \u00ab\u00a0baianas\u00a0\u00bb em suas zonas espec\u00edficas\u00a0: Avenida Sete de Setembro, 15\u00a0; Amaralina\u00a0: 14\u00a0; Nazar\u00e9\u00a0: 18\u00a0; Baixa dos sapateiros\u00a0: 17\u00a0; Barroquinha\u00a0: 27\u00a0; Brotas\u00a0: 16\u00a0; Com\u00e9rcio\u00a0:81\u00a0; Esta\u00e7\u00e3o Rodovi\u00e1ria\u00a0:12\u00a0; Itapu\u00e3\u00a0: 84\u00a0; Pra\u00e7a da S\u00e9\u00a0: 17\u00a0; Terreiro de Jesus\u00a0: 11\u00a0; Vila Ol\u00edmpica\u00a0: 10<\/p>\n<p>[8] &#8211; Jornal A Tarde, 05\/09\/77.<\/p>\n<p>[9] &#8211; Jornal A Tarde, 31\/07\/1998.<\/p>\n<p>[10] &#8211; <em>Dia da \u00ab\u00a0baiana do acaraj\u00e9\u00a0\u00bb para estimular o turismo<\/em>\u00a0\u00bb, Jornal A Tarde, 21\/11\/1982.<\/p>\n<p>[11] &#8211; \u201c<em>Baiana\u201d tem paz de esp\u00edrito e esperan\u00e7a<\/em>, Jornal A Tarde, 26\/11\/83; <em>Cidade homenageia baianas do acaraj\u00e9 com muito samba,<\/em> Correio da Bahia, 24\/11\/85\u00a0; <em>Dia de festa para as<\/em> \u201c<em>baianas<\/em>\u201d, A Tarde, 25\/11\/89; <em>Percuss\u00e3o afro d\u00e1 ritmo \u00e0 missa no dia da baiana<\/em>, Correio da Bahia, 26\/11\/1992; <em>Profiss\u00e3o de f\u00e9<\/em> \u2013 <em>Baianas de acaraj\u00e9 fazem festa no<\/em> <em>Pelourinho<\/em>, Correio da Bahia, 2\/11\/97; <em>Hoje \u00e9 dia da<\/em> <em>\u00ab\u00a0baiana do acaraj\u00e9\u00a0\u00bb festejar<\/em>, Jornal A Tarde, 25\/11\/97; Missa para homenagear as baianas revela sincretismo, A Tarde, 26\/11\/98;<\/p>\n<p>[12] &#8211; <em>Raimunda quer vender acaraj\u00e9 na pra\u00e7a &#8211; Acervo do Norte<\/em>. <em>Di\u00e1rio da Noite<\/em>, S\u00e3o Paulo, 29\/08\/70; <em>Baiana<\/em>: <em>em cada banca um mist\u00e9rio<\/em>, Raul Lody, <em>Jornal \u00daltima Hora<\/em>, Rio de Janeiro, 10\/05\/80; <em>Algumas das \u00ab\u00a0baianas\u00a0\u00bb mais conhecidas de Salvador<\/em>, <em>O Globo<\/em>, 30\/05\/91.<\/p>\n<p>[13] Delicatessen invadida por baiana de acaraj\u00e9, Jornal A Tarde, 04\/02\/96.<\/p>\n<p>[14] &#8211; <em>Cira d\u00e1 mais o que falar na briga entre as baianas<\/em>., A Tarde, 17\/11\/98.<\/p>\n<p>[15] &#8211; <em>Imperatriz do acaraj\u00e9 \u2013 Grife do dend\u00ea<\/em>, Correio da Bahia, 29\/03\/96.<\/p>\n<p>[16] &#8211; \u00ab\u00a0<em>Baianas concluem curso sobre no\u00e7\u00f5es de higiene<\/em>\u00a0\u00bb Jornal A Tarde, 11\/04\/92. Das 2.067 baianas cadastradas pela Federa\u00e7\u00e3o do Culto Afro Brasileiro, 538 baianas inscreveram-se no curso oferecido pela Secretaria de Sa\u00fade da Prefeitura do Salvador.<\/p>\n<p>[17] &#8211; <em>Entidade quer organizar<\/em> \u00ab\u00a0baianas\u201d Jornal A Tarde, 16\/10\/98.<\/p>\n<p>[18] &#8211; <em>Baiana de acaraj\u00e9 inova para vencer concorr\u00eancia<\/em>, Jornal A Tarde, 13\/11\/96.<\/p>\n<p>[19] &#8211; Reportagem publicada no Jornal A Tarde em 27\/09\/97, denunciando o <em>marketing<\/em> e as novas t\u00e9cnicas de com\u00e9rcio como respons\u00e1veis pela descaracteriza\u00e7\u00e3o da \u00ab\u00a0baiana do tabuleiro\u00a0\u00bb tradicional.<\/p>\n<p>[20] &#8211; \u00ab\u00a0<em>Guerra do acaraj\u00e9\u00a0\u00bb na disputa de ponto no Largo de Santana<\/em>, A Tarde, 16\/10\/98\u00a0; <em>Baiana vai \u00e0 justi\u00e7a<\/em> <em>para ficar no Largo de Santana<\/em>, A Tarde, 21\/10\/98\u00a0; <em>Regina mant\u00e9m \u2013tabuleiro pr\u00f3ximo ao de Dinha no Largo<\/em> <em>de Santana<\/em>, A Tarde, 22\/10\/98\u00a0; <em>Novela das baianas pode render novos cap\u00edtulos<\/em>, A Tarde, 24\/10\/98; <em>Guerra das<\/em> <em>baianas esquenta<\/em>, Correio da Bahia, 24\/10\/98.<\/p>\n<p>[21] &#8211; Decreto acaba com a guerra do acaraj\u00e9 em Salvador, A Tarde, 25\/11\/98.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0Parte III (Final) A &#8220;baiana&#8221; no cen\u00e1rio da cidade \u00a0 Em Bahia, imagens da Terra e do povo,[1] colet\u00e2nea de cr\u00f4nicas publicadas originalmente na revista O Cruzeiro, Odorico Tavares, no cap\u00edtulo dedicado \u00e0 cozinha baiana, lamenta a escassez de &hellip; <a href=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=1034\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,12],"tags":[401,349,400,34],"class_list":["post-1034","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-coisas-da-bahia","category-memoria","tag-artigo","tag-bahia","tag-baiana-do-acaraje","tag-leni-david"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1034"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1034\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1040,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1034\/revisions\/1040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}