{"id":1312,"date":"2010-12-14T00:43:30","date_gmt":"2010-12-14T03:43:30","guid":{"rendered":"http:\/\/lenidavid.com.br\/?p=1312"},"modified":"2011-09-15T20:56:37","modified_gmt":"2011-09-15T23:56:37","slug":"tempo-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=1312","title":{"rendered":"Tempo de Natal"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff00ff;\">T<\/span><span style=\"color: #ff6600;\">o<\/span><span style=\"color: #ff0000;\">n<\/span>s\u00a0 <span style=\"color: #000080;\">d<\/span><span style=\"color: #00ff00;\">e <\/span>\u00a0<span style=\"color: #ff00ff;\">lil\u00e1s<\/span><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 450px;\"><em>Leni\u00a0 David<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">\u00a0Era dezembro e o dia estava frio e cinzento; saiu do trabalho no final da tarde e pegou o metr\u00f4. O movimento era intenso. Algumas pessoas sorridentes, outras afobadas, quase todas carregavam sacolas onde se\u00a0viam pacotes coloridos e decorados. Sentia-se cansada, mas n\u00e3o conseguira um lugar para sentar-se. Desceu na esta\u00e7\u00e3o <em>Palais Royal<\/em> onde um m\u00fasico tocava harpa. Andou durante algum tempo escutando a melodia e acompanhando o compasso do ritmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Sentiu frio. Ajeitou a bolsa \u00e0 tiracolo, cal\u00e7ou as luvas e enfiou as m\u00e3os nos bolsos do casaco. Tomou a dire\u00e7\u00e3o da rua de <em>Rivoli<\/em> onde as vitrines faiscavam exibindo brilhos e cores. Havia vitrines verdes, vermelhas, amarelas, azuis, como se os comerciantes houvessem decidido espalhar cores m\u00e1gicas pelas ruas para magnetizar os passantes. Decoradas e iluminadas com esmero, as vitrines tinham uma apar\u00eancia fant\u00e1stica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">De vez em quando, seduzida como uma borboleta que gira em torno da chama incandescente, parava para apreci\u00e1-las. Era \u00e9poca de Natal e talvez comprasse alguma coisa interessante para presentear os familiares, mas n\u00e3o se sentia motivada a entrar nas lojas abarrotadas de pessoas que escolhiam objetos, j\u00f3ias, e que rodopiavam frente aos espelhos. Olhando-as de longe pareciam crian\u00e7as travessas, felizes com as traquinagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">A rua de <em>Rivoli<\/em> era longa e a noite j\u00e1 se anunciava. Exposta ao frio sentia os p\u00e9s e as m\u00e3os enregelados, apesar dos agasalhos; as faces e a boca dormentes e os olhos lacrimejantes. Diante de uma vitrine viu refletida a imagem de uma mulher, vestida com um casaco preto e longo. Ela usava uma cachecol colorido em volta do pesco\u00e7o; tinha um aspecto elegante, mas parecia triste. Assustou-se quando percebeu que a imagem que via refletida no vidro era a sua. Sentiu vergonha e fugiu dali apressada, na dire\u00e7\u00e3o do ponto de \u00f4nibus que a levaria para casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Enquanto andava convencia-se de mil raz\u00f5es para estar feliz; n\u00e3o havia motivo para tristeza. Estava vivendo um momento especial; a ilumina\u00e7\u00e3o fe\u00e9rica deixava a cidade fascinante. Era Natal e ela podia comprar todos os presentes que quisesse. Nada lhe faltava! Sua casa estava decorada, a festa organizada e at\u00e9 havia na sala um lindo pinheiro natural, perfumado, ornado de bolas prateadas e azuis. Sabia que ganharia os presentes que havia escolhido. Al\u00e9m disso, estava em Paris \u2013 nome que soa como sin\u00f4nimo de paraiso &#8211; e sabia que muitas pessoas dariam tudo para viver um momento como aquele. Bobagem! Estava apenas um pouco cansada&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Ainda pensando no privil\u00e9gio de estar ali e convencida de que estava tudo bem, chegou \u00e0 esquina da pra\u00e7a do <em>H\u00f4tel de Ville.<\/em> Ficou petrificada no meio da cal\u00e7ada, quase sem f\u00f4lego, os olhos arregalados. N\u00e3o acreditava no que via, pois jamais vira algo t\u00e3o espetacular. A pra\u00e7a estava lil\u00e1s! V\u00e1rios tons de lil\u00e1s misturados e difusos davam um aspecto inusitado ao local. O imenso pr\u00e9dio da prefeitura, ao fundo, parecia dourado \u00e0 luz dos refletores. Os jatos d\u2019\u00e1gua da fonte luminosa projetados no espa\u00e7o refletiam as cores do arco \u00edris e acompanhavam a melodia de uma m\u00fasica de Bach. Era um cen\u00e1rio de sonho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Sentou-se num banco da pra\u00e7a como se estivesse hipnotizada pelas nuan\u00e7as do lil\u00e1s e pela dan\u00e7a das \u00e1guas coloridas. Quanto tempo ficara absorta contemplando aquele espet\u00e1culo? N\u00e3o sabia. Entrou no \u00f4nibus como um aut\u00f4mato e enquanto ele deslizava pelas ruas iluminadas chorou baixinho e admitiu que sofria. Sentia uma tristeza profunda que se insinuava no \u00e2nimo e no cora\u00e7\u00e3o. Portanto, tudo era belo e ela gostava de estar ali. A\u00a0 cidade n\u00e3o tinha culpa da sua agonia, ningu\u00e9m tinha culpa. Compreendeu, por\u00e9m, que\u00a0era \u00a0imposs\u00edvel   estar feliz, mesmo se o cen\u00e1rio\u00a0era \u00a0de sonho e encantamento, pois sua presen\u00e7a n\u00e3o estava incorporada \u00e0quele espa\u00e7o; faltava-lhe um peda\u00e7o. Ele se encontrava muito longe dali, bem longe, onde o sol esparramava raios dourados para iluminar o ver\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 300px;\">Paris, dezembro 1997<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Tons\u00a0 de \u00a0lil\u00e1s Leni\u00a0 David \u00a0Era dezembro e o dia estava frio e cinzento; saiu do trabalho no final da tarde e pegou o metr\u00f4. O movimento era intenso. 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