{"id":248,"date":"2010-03-13T20:45:24","date_gmt":"2010-03-13T23:45:24","guid":{"rendered":"http:\/\/lenidavid.com.br\/?p=248"},"modified":"2011-09-16T19:18:14","modified_gmt":"2011-09-16T22:18:14","slug":"14-de-marco-%e2%80%93-dia-nacional-da-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=248","title":{"rendered":"14 de mar\u00e7o \u2013 Dia Nacional da Poesia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O fil\u00f3sofo grego, Arist\u00f3teles, afirmava que \u201ca arte liter\u00e1ria \u00e9 mimese (imita\u00e7\u00e3o); ou seja, \u00e9 a arte que imita pela palavra\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A palavra poesia tem origem grega &#8211;\u00a0po\u00edesis &#8211; e significa a\u00e7\u00e3o de fazer algo, criar. A poesia \u00e9 definida como a arte de escrever em versos, aquilo que desperta o sentimento, com o poder de modificar ou imitar a realidade, segundo a percep\u00e7\u00e3o do artista. No passado os poemas eram cantados, acompanhados pela lira, um instrumento\u00a0 musical muito comum na Gr\u00e9cia antiga. Por isso, diz-se que a poesia pertence ao g\u00eanero l\u00edrico. Hoje podemos falar de versos livres, poemas \u00e9picos, dram\u00e1ticos e l\u00edricos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">As linhas de um poema s\u00e3o os versos. Ao conjunto de versos d\u00e1-se o nome de estrofe. Os versos podem rimar \u2013 ou n\u00e3o &#8211; entre si e obedecer a determinada m\u00e9trica, que \u00e9 a contagem das s\u00edlabas po\u00e9ticas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Os versos mais tradicionais s\u00e3o as redondilhas; a redondilha menor tem cinco s\u00edlabas, e a maior, sete; os versos decass\u00edlabos t\u00eam dez s\u00edlabas; os alexandrinos, doze.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A rima \u00e9 um recurso utilizado para dar musicalidade aos versos, baseando-se na semelhan\u00e7a sonora das palavras do final ou, \u00e0s vezes, do interior dos versos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Rima, ritmo e m\u00e9trica s\u00e3o caracter\u00edsticas especiais de um poema e que podem variar, dependendo do movimento liter\u00e1rio da \u00e9poca. A partir do Modernismo (1922) os versos livres s\u00e3o os mais utilizados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Segundo o poeta Ferreira Gullar, o artista cria um outro mundo \u201cmais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado \u2013 por cima da realidade imediata\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O <strong>Dia Nacional da Poesia<\/strong><strong> <\/strong>\u00e9 comemorado no dia 14 de mar\u00e7o em homenagem ao nascimento do poeta baiano\u00a0Castro Alves.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0Ant\u00f4nio Frederico de Castro Alves nasceu a 14 de mar\u00e7o de 1847 na Fazenda Cabaceiras, comarca de\u00a0\u00a0Muritiba, a 42 Km da vila de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o de \u201cCurralinho\u201d, hoje Castro Alves, na Bahia, e faleceu a 6 de julho de 1871, na cidade do Salvador, com apenas 24 anos de idade.<span id=\"_marker\">\u00a0de Muritiba,\u00a0 a 42 Km da Vila de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, hoje Castro Alves, na Bahia; ele faleceu a\u00a0 6 de julho de 2871. em Salvador, com apenas 24 anos de idade. <\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0Em 1862 ingressou na Faculdade de Direito de Recife. Datam dessa \u00e9poca os seus amores pela atriz portuguesa Eug\u00eania C\u00e2mara e a composi\u00e7\u00e3o dos primeiros poemas abolicionistas. Em 1867 deixa Recife, indo para a Bahia onde faz representar seu drama <em>Gonzaga<\/em>. Segue depois para o Rio de Janeiro, recebendo incentivos dos escritores Jos\u00e9 de Alencar, Francisco Otaviano e Machado de Assis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A 11 de novembro de 1868, em uma ca\u00e7ada nos arredores de S\u00e3o Paulo, feriu o calcanhar esquerdo com um tiro de espingarda, resultando-lhe a amputa\u00e7\u00e3o do mesmo. Sobreveio, em seguida, a tuberculose, que lhe obriga a retornar \u00e0 sua terra natal, onde veio a falecer.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Castro Alves pertenceu \u00e0 Terceira Gera\u00e7\u00e3o da Poesia Rom\u00e2ntica (Social ou Condoreira), caracterizada pelos ideais abolicionistas e republicanos, sendo considerado a maior express\u00e3o da \u00e9poca<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Suas obras mais destacadas s\u00e3o: Espumas Flutuantes, Gonzaga ou A Revolu\u00e7\u00e3o de Minas, A Cachoeira de Paulo Afonso,Vozes D&#8217;\u00c1frica, O Navio Negreiro, entre outras. Suas poesias s\u00e3o marcadas pela cr\u00edtica \u00e0 escravid\u00e3o, motivo pelo qual \u00e9 conhecido como &#8220;Poeta dos Escravos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/castroalves.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-249\" title=\"castroalves\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/castroalves.jpg\" alt=\"Castro Alves\" width=\"224\" height=\"236\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\"><strong>Poemas de Castros Alves<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><em><strong>Vozes d&#8217;\u00c1frica<\/strong><\/em><strong> (fragmentos)<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Deus! \u00f3 Deus! onde est\u00e1s que n\u00e3o respondes?\u00a0\u00a0<br \/>\nEm que mundo, em qu&#8217;estrela tu t&#8217;escondes\u00a0\u00a0<br \/>\nEmbu\u00e7ado nos c\u00e9us?\u00a0<br \/>\nH\u00e1 dois mil anos te mandei meu grito,\u00a0\u00a0<br \/>\nQue embalde desde ent\u00e3o corre o infinito&#8230;\u00a0<br \/>\n\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Onde est\u00e1s, Senhor Deus?&#8230;<br \/>\n(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Hoje em meu sangue a Am\u00e9rica se nutre\u00a0\u00a0<br \/>\nCondor que transformara-se em abutre,\u00a0<br \/>\nAve da escravid\u00e3o,\u00a0<br \/>\nEla juntou-se \u00e0s mais&#8230; irm\u00e3 traidora\u00a0\u00a0<br \/>\nQual de Jos\u00e9 os vis irm\u00e3os outrora\u00a0\u00a0<br \/>\nVenderam seu irm\u00e3o.<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Basta, Senhor!\u00a0 De teu potente bra\u00e7o\u00a0\u00a0<br \/>\nRole atrav\u00e9s dos astros e do espa\u00e7o\u00a0\u00a0<br \/>\nPerd\u00e3o p&#8217;ra os crimes meus!\u00a0\u00a0<br \/>\nH\u00e1 dois mil anos eu solu\u00e7o um grito&#8230;\u00a0<br \/>\nescuta o brado meu l\u00e1 no infinito,\u00a0<br \/>\nMeu Deus!\u00a0 Senhor, meu Deus!!&#8230;\u00a0<br \/>\n\u00a0\u00a0<br \/>\n\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (S\u00e3o Paulo, 11 de junho de 1868)<br \/>\n<strong>O &#8216;Adeus&#8217; de Tereza <\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>Castro Alves<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">A vez primeira que eu fitei Tereza,<br \/>\nComo as plantas que arrasta a correnteza,<br \/>\nA valsa nos levou nos giros seus&#8230;<br \/>\nE amamos juntos&#8230; E depois na sala<br \/>\n&#8220;Adeus&#8221; eu disse-lhe a tremer co&#8217;a fala&#8230;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">E ela, corando, murmurou-me: &#8220;adeus.&#8221;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Uma noite&#8230; entreabriu-se um reposteiro&#8230;<br \/>\nE da alcova sa\u00eda um cavaleiro<br \/>\nInda   beijando uma mulher sem v\u00e9us&#8230;<br \/>\nEra eu&#8230; Era a p\u00e1lida Teresa!<br \/>\n&#8220;Adeus&#8221; lhe disse conservando-a presa&#8230;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">E ela entre beijos murmurou-me &#8220;adeus!&#8221;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Passaram tempos&#8230; sec&#8217;los de del\u00edrio<br \/>\nPrazeres divinais&#8230; gozos do Emp\u00edreo&#8230;<br \/>\n&#8230; Mas um dia volvi aos lares meus.<br \/>\nPartindo eu disse\u00a0&#8211; &#8220;Voltarei!&#8230; descansa!&#8230;&#8221;<br \/>\nEla, chorando mais que uma crian\u00e7a,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Ela em solu\u00e7os murmurou-me: &#8220;adeus!&#8221;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Quando voltei&#8230; era o pal\u00e1cio em festa!&#8230;<br \/>\nE a voz d&#8217;Ela e de um homem l\u00e1 na orquestra<br \/>\nPreenchiam de amor o azul dos c\u00e9us.<br \/>\nEntrei!&#8230; Ela me olhou branca&#8230; surpresa!<br \/>\nFoi a \u00faltima vez que eu vi Teresa!&#8230;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">E ela arquejando murmurou-me: &#8220;adeus!&#8221;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">S\u00e3o Paulo, 28 de agosto de 1868.<\/p>\n<p>Publicado no livro <em>Espumas flutuantes: poesias de Castro Alves, estudante do quarto ano da Faculdade de Direito de S. Paulo<\/em> (1870).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fil\u00f3sofo grego, Arist\u00f3teles, afirmava que \u201ca arte liter\u00e1ria \u00e9 mimese (imita\u00e7\u00e3o); ou seja, \u00e9 a arte que imita pela palavra\u201d. A palavra poesia tem origem grega &#8211;\u00a0po\u00edesis &#8211; e significa a\u00e7\u00e3o de fazer algo, criar. A poesia \u00e9 definida &hellip; <a href=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=248\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,14],"tags":[132,131,133,23],"class_list":["post-248","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","category-poemas-e-poetas","tag-castro-alves","tag-dia-da-poesia","tag-homenagem-aos-poetas-e-amantes-da-poesia","tag-poetas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=248"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/248\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2639,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/248\/revisions\/2639"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}