{"id":3194,"date":"2011-12-02T17:47:46","date_gmt":"2011-12-02T20:47:46","guid":{"rendered":"http:\/\/lenidavid.com.br\/?p=3194"},"modified":"2011-12-05T12:21:07","modified_gmt":"2011-12-05T15:21:07","slug":"ah-paris-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=3194","title":{"rendered":"Ah Paris, Paris&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 330px;\">\u201c<em>Imaginou-se nos caf\u00e9s de paris<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 330px;\"><em>lan\u00e7ando uma nova po\u00e9tica<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 330px;\"><em>e um bai\u00e3o enciumado ecoou longe<\/em>.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 330px;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Iderval Miranda)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 330px;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o, em artigo recente &#8211; &#8220;Dividindo o quarto com Garcia Marquez&#8221;, que me foi recomendado por Juraci D\u00f3rea, conta a sua experi\u00eancia como h\u00f3spede do H\u00f4tel des 3 Coll\u00e8ges localizado no cora\u00e7\u00e3o do Quartier Latin, exatamente no n\u00famero 16 da rue Cujas, um hotelzinho duas estrelas muito simples, mas simp\u00e1tico e limpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca me hospedei nesse hotel, mas posso afirmar que ele \u00e9 muito bem localizado. Vizinho \u00e0 Sorbonne, pert\u00edssimo do Panth\u00e9on, a dois passos do Jardim de Luxembourg e do Museu de Cluny, dedicado \u00e0 Idade M\u00e9dia. Tamb\u00e9m fica muito pr\u00f3ximo do famoso restaurante Polidor, que funciona desde 1845, serve o melhor Boeuf Bouguignon e a melhor Tarte Tatin de Paris, por um pre\u00e7o tentador e que recentemente foi cen\u00e1rio do filme Meia Noite em Paris. Para quem gosta de andar \u00e9 muito f\u00e1cil chegar, andando, at\u00e9 o Museu d\u2019Orsay, ao Louvre, \u00e0 Notre Dame, \u00e0 Sainte Chapelle e a dezenas de outros monumentos reputados da capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhe\u00e7o bem o quartier. Pr\u00f3ximo ao Boulevard Saint Michel, sempre animado e dotado de um com\u00e9rcio variado: livrarias, lojas de souvenirs, butiques, bons caf\u00e9s e uma profus\u00e3o de pequenos restaurantes que servem comida francesa, grega, espanhola, italiana, vietnamita, etc., por pre\u00e7os access\u00edveis. \u00c9 evidente que o local n\u00e3o \u00e9 recomendado para quem quer experimentar a comida dos grandes chefes da cozinha francesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seu artigo, Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o relata entusiasmado que ficou sabendo atrav\u00e9s de uma plaquinha de bronze na porta daquele im\u00f3vel, que naquele hotel, em 1957, Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, pr\u00eamio Nobel de literatura, escreveu o romance &#8220;Ningu\u00e9m Escreve ao Coronel&#8221;, o terceiro da sua carreira; feliz, ele descobre ainda, que o quarto que ocupavam &#8211; ele, a filha e uma amiga &#8211; era o mesmo que no passado fora ocupado pelo escritor. E constatou que o escritor h\u00fangaro Mikl\u00f3s Radnoti, um dos mais queridos pelos seus compatriotas, morou no Trois Coll\u00e8ges no final dos anos 1930 e que o poeta Raoul Ponchon viveu ali entre 1911 e 1937. Loyola esqueceu de citar, por\u00e9m, que na mesma rua, quase em frente ao hotel em quest\u00e3o, encontra-se um outro, tamb\u00e9m muito famoso por ter abrigado nos anos 1940 o escritor Jorge Amado. Trata-se do Grand Hotel Saint Michel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, as placas nas entradas dos im\u00f3veis em Paris s\u00e3o comuns e contam hist\u00f3rias que s\u00f3 s\u00e3o percebidas por pessoas dispon\u00edveis, que por acaso ou por querer, descobrem fragmentos da hist\u00f3ria de pessoas que fugiram da rotina, pessoas que deixaram os seus nomes gravados para a posteridade. N\u00e3o \u00e9 preciso muito esfor\u00e7o para descobrir que um escritor, um inventor, um ator ou um revolucion\u00e1rio viveu ali. H\u00e1 tamb\u00e9m as placas que homenageiam os \u201cHer\u00f3is da P\u00e1tria\u201d, locais onde pessoas perderam a vida em defesa de uma causa ou de um ideal, como os militantes da Resist\u00eancia francesa. H\u00e1 pouco tempo descobri o im\u00f3vel onde viveu Santos Dumont e confesso que fiquei feliz com o achado; a placa informava que ali, em 1903, ele havia estacionado o seu dirig\u00edvel n\u00famero 9; a antiga resid\u00eancia do aviador brasileiro fica no n\u00famero 41 da avenida dos Champs Elys\u00e9es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a indica\u00e7\u00e3o do artigo por meu amigo, a internet me levou ao texto que comentei acima e, casualmente, a outro artigo de Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o: \u201cSabendo franc\u00eas podemos ser mais felizes\u201d. Ele inicia a sua escrita afirmando que n\u00e3o \u00e9 esnobe e assegura que para desfrutar Paris, a Provence e outros locais reputados, \u201csabendo franc\u00eas, os prazeres multiplicam-se por cem, o desfrute por duzentos, a alegria por quinhentos. Mesmo que voc\u00ea tenha ido apenas para fazer compras, como a maioria dos brasileiros\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia ele questiona alguns aspectos da vida moderna, entre eles o estudo de idiomas, e confere que nos dias atuais aprendemos apenas aqueles que o mercado chama de l\u00ednguas \u00fateis, como o ingl\u00eas, o japon\u00eas e o mandarim. Loyola critica a elimina\u00e7\u00e3o de algumas l\u00ednguas, que no passado eram estudadas no gin\u00e1sio, como o franc\u00eas, o latim e o espanhol, que ele pr\u00f3prio estudou e que considera importantes na sua forma\u00e7\u00e3o. Lembra com carinho de uma antiga professora de franc\u00eas, Donna Fanny, da \u00e9poca em que estudava em Araraquara e o quanto fora importante ler autores cl\u00e1ssicos da literatura francesa, no original. Mas a cr\u00edtica se torna mais severa quando comenta a maneira como s\u00e3o feitas reformas e mudan\u00e7as no sistema educacional brasileiro, argumentando que, se isso fosse importante, o ensino atual deveria ser extinto, haja vista que ele n\u00e3o leva a lugar nenhum da maneira em que est\u00e1 estruturado. E ele continua: \u201cH\u00e1 na nossa vida algo que \u00e9 preciso preencher. Uma necessidade interior de esp\u00edrito, contempla\u00e7\u00e3o do mundo, da vida, avalia\u00e7\u00e3o das coisas. Encarar a exist\u00eancia como algo que precisa de alimento\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, como uma coisa puxa outra, alguns dias depois encontrei o artigo \u201cCapital lingu\u00edstico\u201d, da jornalista Carolina Nogueira, que morou (estudou) em Paris durante quatro anos e que est\u00e1 de volta ao Brasil. Carolina tem um blog, Le Croissant, e tamb\u00e9m colabora com o blog do Noblat. Nesse artigo ela comenta a cr\u00f4nica de Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o e tece considera\u00e7\u00f5es pertinentes a respeito de ser mais feliz por falar franc\u00eas; lembra que o pr\u00f3prio autor chama a aten\u00e7\u00e3o sobre a pol\u00eamica que o seu texto pode provocar, quando pede para n\u00e3o ser tomado por esnobe, mas garante que n\u00e3o tem jeito; sempre haver\u00e1 quem pense assim. E adverte que ela pr\u00f3pria \u00e9 taxada de \u201cdeslumbrada\u201d nos coment\u00e1rios que recebe na sua coluna, Cartas de Paris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carolina faz um balan\u00e7o da sua estadia na Fran\u00e7a, \u00e0s v\u00e9speras de deixar Paris, e repertoria coisas que trar\u00e1 na bagagem: alguns novos melhores amigos. Dois novos diplomas. O seu amor pelo desenho recuperado e colocado em lugar de destaque em sua vida. Muitos livros. Mas, sobretudo, um idioma a mais. Um idioma que lhe abriu as portas para todos os outros itens da lista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constata\u00e7\u00e3o de que Paris volta com ela para o Brasil, gra\u00e7as ao \u201ccapital lingu\u00edstico\u201d \u00e9 explicitada atrav\u00e9s das conquistas, da experi\u00eancia do vivido, da maneira como enfrentou situa\u00e7\u00f5es boas e ruins. Acompanho as \u201cCartas de Paris\u201d h\u00e1 muito tempo e alguns questionamentos levantados por Carolina Nogueira nesse texto e em outros publicados anteriormente, tamb\u00e9m j\u00e1 me ocorreram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como ela, j\u00e1 fui chamada de deslumbrada, sabichona e dona do mundo, somente por ter defendido \u2013 ou esclarecido &#8211; alguns pontos de vista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Fran\u00e7a e aos franceses e, algumas vezes, por ter corrigido a pron\u00fancia de uma palavra, n\u00e3o por iniquidade, mas por mania, talvez por ser professora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, quem morou em Paris n\u00e3o \u00e9 esnobe; pelo contr\u00e1rio \u00e9 simples e bem resolvido. \u00c9 algu\u00e9m que realizou trabalhos dom\u00e9sticos sem queixas, algu\u00e9m que embalou suas compras no supermercado, algu\u00e9m que retirou o lixo de casa todas as manh\u00e3s sem fazer cara feia; algu\u00e9m que completou o tanque de gasolina nos postos \u2013 na Fran\u00e7a n\u00e3o h\u00e1 frentistas &#8211; e que lavou os vidros de casa para permitir a entrada\u00a0radiante de um raio de sol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tamb\u00e9m \u00e9 algu\u00e9m que visitou museus, viu lan\u00e7amentos de filmes, visitou exposi\u00e7\u00f5es, assistiu a espet\u00e1culos de dan\u00e7a e de teatro, assistiu a semin\u00e1rios e confer\u00eancias proferidas por intelectuais de destaque no Brasil e no mundo; fez piqueniques nos fins de semana, enfrentou o duro inverno com temperaturas abaixo de zero. Aprendeu a\u00a0sonhar com \u00a0a primavera e a esmagar as folhas de outono nas longas caminhadas nos bosques e parques pr\u00f3ximos de casa. Enfim, \u00e9 algu\u00e9m que v\u00ea o mundo de um jeito diferente e que abandonou aquele olhar deslumbrado do turista que foi um dia, algu\u00e9m que teve a chance de vivenciar uma experi\u00eancia singular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem viveu em Paris, ou em qualquer outra cidade do mundo, por mais de seis meses, antes de tudo foi aprendiz; depois se tornou guia espont\u00e2neo; tornou-se uma esp\u00e9cie de professor de escola maternal, quando levou pela m\u00e3o amigos ou familiares s\u00f4fregos de novidades e descobertas. Foi tradutora nas lojas e restaurantes. Percorreu e ensinou caminhos, preparou aventuras gastron\u00f4micas, bizarras ou deliciosas; por gostar de compartilhar as belezas que aprendeu a desfrutar, essas aventuras inusitadas eram alimentadas pelo carinho, pelo sorriso, pelo amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas todos os adjetivos se tornam pobres e insignificantes se comparados aos prazeres que a experi\u00eancia de ter vivido na Fran\u00e7a, sobretudo na cidade luz, proporciona a um ser humano; os amigos de toda vida, que nos oferecem a cama mais aconchegante e a mais bonita. Os jantares e almo\u00e7os elaborados, de dar \u00e1gua na boca, regados a vinhos especiais tirados da adega em nossa homenagem. Festas inesquec\u00edveis na Bretanha, na Normandia, na Borgonha, no Tarn, na Champanhe, no Auvergne ou na Provence. Amigos que nos querem sempre, ao longo dos anos, e que a cada encontro, muitos anos depois, renovam a certeza de que eles fazem parte da nossa vida. Essas coisas que enternecem o cora\u00e7\u00e3o est\u00e3o intimamente atreladas aos momentos vividos, \u00e0s experi\u00eancias adquiridas, ao aprendizado de uma nova cultura, em um pa\u00eds onde se respira arte e hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso concordo com Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o e com Carolina Nogueira. Sabendo franc\u00eas podemos ser mais felizes, sim. E tenho a impress\u00e3o de que a afirmativa \u00e9 v\u00e1lida para qualquer idioma. Podemos ser mais felizes ao brincar com uma crian\u00e7a, escutar hist\u00f3rias de um anci\u00e3o ou compartilhar as experi\u00eancias de um trabalhador ou de um feirante que merca os seus morangos ou as suas cerejas em um pa\u00eds estrangeiro. E tudo isso, al\u00e9m do capital lingu\u00edstico citado por Carolina Nogueira, est\u00e1 intimamente conectado ao preenchimento da vida, \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o do mundo e \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o das coisas, como quer Loyola, ou seja, ao jeito de encarar a exist\u00eancia como algo que precisa de alimento. E isso \u00e9 patrim\u00f4nio, dos bons, que ningu\u00e9m pode usurpar; ele nos pertence de fato e de direito. \u00c9 conquista, experi\u00eancia, riqueza imaterial adquirida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 360px;\"><em>Leni David<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">Feira, 28\/11\/2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cImaginou-se nos caf\u00e9s de paris lan\u00e7ando uma nova po\u00e9tica e um bai\u00e3o enciumado ecoou longe.\u201d \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Iderval Miranda) Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o, em artigo recente &#8211; &#8220;Dividindo o quarto com Garcia Marquez&#8221;, que me foi recomendado por Juraci D\u00f3rea, conta &hellip; <a href=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=3194\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[30,12,162],"tags":[994,1856,174,965,34,169],"class_list":["post-3194","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas-leni-david","category-memoria","category-saidos-da-gaveta","tag-carolina-nogueira","tag-cronicas","tag-franca","tag-ignacio-de-loyola-brandao","tag-leni-david","tag-paris"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3194"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3194\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3214,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3194\/revisions\/3214"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}