{"id":341,"date":"2010-03-22T14:12:51","date_gmt":"2010-03-22T17:12:51","guid":{"rendered":"http:\/\/lenidavid.com.br\/?p=341"},"modified":"2010-04-03T15:33:53","modified_gmt":"2010-04-03T18:33:53","slug":"retratos-de-mulheres-resenha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=341","title":{"rendered":"Retratos de Mulheres &#8211; Resenha"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/historiademulheres.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-348\" title=\"historiademulheres\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/historiademulheres-232x300.jpg\" alt=\"\" width=\"216\" height=\"274\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Por Socorro Pitombo<\/em>*<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mulher, um tema recorrente, mas sempre muito instigante, revelador, inesgot\u00e1vel. Quanto mais nos debru\u00e7amos sobre o feminino, mais mulheres encontramos.\u00a0 Extraordin\u00e1rias, com trajet\u00f3rias singulares. Algumas fortes, outras nem tanto, sofredoras, gloriosas ou detest\u00e1veis, mas interessantes. Muitas relegadas ao esquecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 s\u00e9culos o ser humano se pergunta, e at\u00e9 hoje n\u00e3o h\u00e1 uma resposta clara, por que as sociedades ainda diferenciam tanto os dois sexos em termos de hierarquia e fun\u00e7\u00f5es. Na realidade, apesar dos avan\u00e7os e conquistas, a mulher ainda \u00e9 discriminada em muitas situa\u00e7\u00f5es. \u00c9 o caso de perguntarmos: como se estabeleceram as hierarquias, como isso aconteceu e se sempre foi assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fil\u00f3sofo alem\u00e3o Friedrich Engels j\u00e1 sustentava que a sujei\u00e7\u00e3o da mulher come\u00e7ou com a fam\u00edlia e a propriedade privada, quando os humanos se assentaram em povoados. Antes, na vida n\u00f4made, o homem ca\u00e7ava, protegia. A mulher paria, amamentava, criava. E essa assombrosa capacidade deve t\u00ea-la tornado muito poderosa. Talvez, quem sabe, a \u00e2nsia de controle dos homens tenha nascido desse medo. Do medo do poder inquestion\u00e1vel das mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas e outras quest\u00f5es est\u00e3o contidas no livro \u201cHist\u00f3rias de Mulheres\u201d, da espanhola Rosa Montero, considerada a escritora do momento. Rosa tra\u00e7a o perfil de quinze mulheres extraordin\u00e1rias, que tiveram a coragem de se afastar das normas estabelecidas e de trazer \u00e0 tona as mudas afli\u00e7\u00f5es de suas \u00e9pocas.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #ff6600;\">A Fugitiva<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align:   justify;\">Uma das biografadas \u00e9 a escritora <strong>Agatha Christie<\/strong>, a \u201cRainha do Crime\u201d como ficou conhecida pelos seus romances policiais. Apesar de famosa \u2013 seus livros foram lidos em todo o mundo \u2013 era perseguida por um monstro interior. Sua exist\u00eancia foi marcada por afli\u00e7\u00f5es, uma eterna fuga do negror, um combate secreto contra o caos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ela, era importante que o mundo fosse ordenado, correto, tudo em seu devido lugar: o universo de sua inf\u00e2ncia.\u00a0 Preocupava-se com a apar\u00eancia, embora a sua pr\u00f3pria n\u00e3o fosse das mais agrad\u00e1veis. Aos 40 anos come\u00e7ou a engordar e transformou &#8211; se numa matrona, de seios fartos e quadris avantajados. Os dentes eram ruins e, por isso mesmo, nunca aparecia sorrindo nas fotografias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora n\u00e3o seja mencionado em sua autobiografia, o desaparecimento da escritora provocou especula\u00e7\u00f5es de toda ordem.\u00a0 \u00c0 essa \u00e9poca j\u00e1 era famosa. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar o impacto que causou, desaparecer assim, misteriosamente, sem deixar nenhuma pista. Ao final de onze dias Agatha foi encontrada, bem instalada em um hotel.\u00a0 N\u00e3o se lembrava de nada. Tinha perdido completamente a mem\u00f3ria, fugido de si mesma. Mais tarde, com ajuda psiqui\u00e1trica, foi reconstruindo as lembran\u00e7as. Mas nunca se referiu a esse epis\u00f3dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com Archie Christie,   seu primeiro marido, viveu tempos de aventura. Durante um ano viajou com ele para dar a volta ao mundo. Agatha, que sempre procurou ser a esposa ideal, viu aos poucos a sua rela\u00e7\u00e3o cair por terra. Archie se interessou por outra mulher e a separa\u00e7\u00e3o foi inevit\u00e1vel. O que na \u00e9poca era impens\u00e1vel. Muito menos para ela, que gostava de tudo certinho, no seu devido lugar, mesmo que para isso tivesse que fingir para si mesma. Porque Agatha passou a vida ocultando coisas, dissimulando defeitos. Foi, sem d\u00favida, uma grande farsante, uma impostora, no bom sentido.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #ff6600;\">A esquecida<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jovem, inteligente, talentosa, escultora de g\u00eanio. Assim era <strong>Camile Claudel<\/strong>, outra mulher \u201cfotografada\u201d por Rosa Montero. Tinha tudo para triunfar, mas acabou sucumbindo, v\u00edtima das conven\u00e7\u00f5es e dos preconceitos da \u00e9poca. Francesa de Villeneuve come\u00e7ou a esculpir ainda crian\u00e7a, por conta pr\u00f3pria. Aos 12 anos produziu um trabalho em argila que chamou a aten\u00e7\u00e3o dos artistas locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou a Paris aos 19 anos, em 1881. Nessa \u00e9poca \u00e0s mulheres era vedado o direito de estudar na Escola de Belas Artes.\u00a0 Mas a destemida\u00a0 Camile n\u00e3o se acovardou, se matriculou numa academia e alugou um est\u00fadio com tr\u00eas jovens escultoras inglesas. As poucas mo\u00e7as que sa\u00edam das normas eram consideradas quase prostitutas. Conheceu <strong>Auguste Rodin<\/strong>, ele com 44 anos de idade e ela 19. Tinha plena consci\u00eancia de que era genial e queria conquistar o mundo. Seu grande pecado foi ter-se apaixonado perdidamente pelo celeb\u00e9rrimo mestre. Casado h\u00e1 20 anos, Rodin n\u00e3o abriu m\u00e3o da estabilidade familiar e a aprendiz foi relegada a segundo plano, ao semiclandestino lugar de amante. Apaixonada e envolvida por um homem muito mais velho, admirado, cortejado, Camile se submeteu e pagou caro por isso. A sociedade n\u00e3o lhe perdoou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o muitas as controv\u00e9rsias sobre a vida tumultuada de Camile Claudel, sobretudo sobre a sua rela\u00e7\u00e3o amorosa e profissional com Rodin. Trabalhava, apaixonada e incansavelmente, mas pouco assinou as suas obras. Tamb\u00e9m lhe serviu de modelo, ocupa\u00e7\u00e3o que lhe consumia horas de dedica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se sabe ao certo se era remunerada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem diga que muitas obras assinadas por Rodin tenham sido esculpidas por Camile, pois trazem a marca do seu estilo: audacioso, inovador. Produziram muitos trabalhos em conjunto. Mas quem aparecia era o grande escultor, sempre festejado.\u00a0 Embora igualmente genial, ela n\u00e3o teve o seu talento reconhecido. A sombra do mestre a esmagou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conservadoras, a imprensa e a sociedade n\u00e3o aceitavam suas esculturas arrojadas. Alguns cr\u00edticos importantes chegaram a reconhecer a sua genialidade. Mas n\u00e3o o suficiente para consagr\u00e1-la como artista.\u00a0\u00a0 Enquanto isso, Rodin triunfava com obras mais transgressoras que as de Camile. Talvez inspiradas na criatividade e no talento da aluna dedicada. Afinal, n\u00e3o se sabe quem copiou quem. Mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que ele a usou, tanto como mulher quanto como artista. Prova disso \u00e9 que a d\u00e9cada em que estiveram juntos foi a mais efervescente e produtiva para o escultor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camile rompeu com Rodin e a partir de ent\u00e3o, em seu pr\u00f3prio est\u00fadio, tentou manter-se a si mesma. As suas obras n\u00e3o vendiam, o que a levou progressivamente ao empobrecimento. Acabou desequilibrada. Tinha alucina\u00e7\u00f5es, mania de persegui\u00e7\u00e3o. Toda a sua revolta voltou-se contra Rodin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No manic\u00f4mio para onde foi levada, por ordem da pr\u00f3pria m\u00e3e, n\u00e3o recebia visitas, exceto a do irm\u00e3o Paul, que algumas raras vezes esteve\u00a0 com ela. Na verdade, Camile foi punida pela fam\u00edlia e pela sociedade por transgredir. Por tentar viver da sua arte e amar sem restri\u00e7\u00f5es, enfim, ser dona da sua pr\u00f3pria vida. N\u00e3o conseguiu. Apesar das suas comovedoras s\u00faplicas, permaneceu 30 anos internada. Morreu no manic\u00f4mio de Montdevergues em 1943.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #ff6600;\">A autora<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rosa Montero <\/strong>\u00e9 uma escritora ainda jovem, mas com uma obra madura. Nasceu em Madrid, em 1951. Frequentou a Faculdade de Filosofia e Letras e desde 1976 \u00e9 colunista exclusiva do Jornal <em>El Pa\u00eds<\/em>. A s\u00e9rie de artigos reunidos no livro <em>Hist\u00f3rias de Mulheres<\/em> <em>(2008)<\/em> foi publicada oportunamente em <em>El Pa\u00eds Semanal <\/em>e aparece numa vers\u00e3o ampliada, libertada da ditadura do espa\u00e7o. \u00c9 autora de diversos livros, dentre os quais <em>Te tratar\u00e9 como a una reina (1983) e El Coraz\u00f3n Del T\u00e1rtaro (2001<\/em>, al\u00e9m dos<em> <\/em>j\u00e1 publicados no Brasil pela Ediouro: <em>A Louca da Casa (2004),<\/em> que recebeu o pr\u00eamio Grinzane Cavour de literatura estrangeira e o pr\u00eamio Qu\u00e9 Leer de melhor livro espanhol &#8211; <em>Paix\u00f5es (2005),<\/em> <em>Hist\u00f3ria do Rei<\/em> <em>Transparent<\/em>e <em>(2006<\/em>) e <em>A Filha do Canibal <\/em>(<em>2007)<\/em>, pr\u00eamio Primavera de melhor romance.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #ff6600;\">As biografadas<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agatha Christie &#8211; Camile Claudel &#8211; Frida Kahlo &#8211; Simone de Beauvoir &#8211; Charlotte, Emily, e Anne Bront\u00eb &#8211; George Sand &#8211; Margaret Mead,- Isabelle Eberhardt &#8211; Laura Riding- Maria Lej\u00e1rraga &#8211; Alma Malher &#8211; Lady Ottoline Morrel &#8211; Zen\u00f3bia Camprubi-\u00a0 Mary Wollstonecraft &#8211; Aurora e Hildegart Rodriguez.<\/p>\n<p>* Socorro Pitombo \u00e9 jornalista e colaboradora do Blog.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por Socorro Pitombo* Mulher, um tema recorrente, mas sempre muito instigante, revelador, inesgot\u00e1vel. Quanto mais nos debru\u00e7amos sobre o feminino, mais mulheres encontramos.\u00a0 Extraordin\u00e1rias, com trajet\u00f3rias singulares. Algumas fortes, outras nem tanto, sofredoras, gloriosas ou detest\u00e1veis, mas interessantes. &hellip; <a href=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=341\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[160,5,159,158,161],"class_list":["post-341","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros","tag-biografia","tag-literatura","tag-livro","tag-rosa-montero","tag-socorro-pitombo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=341"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/341\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":418,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/341\/revisions\/418"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}