{"id":4200,"date":"2012-07-26T23:55:53","date_gmt":"2012-07-27T02:55:53","guid":{"rendered":"http:\/\/lenidavid.com.br\/?p=4200"},"modified":"2012-07-28T13:01:49","modified_gmt":"2012-07-28T16:01:49","slug":"26-de-julho-dia-da-padroeira-de-feira-de-santana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=4200","title":{"rendered":"26 de julho, dia da Padroeira de Feira de Santana"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o dia 17 \u00a0de julho, a Par\u00f3quia da Catedral Metropolitana de Sant&#8217;Ana est\u00e1 em festa. O encerramento das festividades aconteceu hoje, dia 26 de julho. Sant\u2019Ana \u00e9 a av\u00f3 de Jesus, padroeira da cidade de Feira de Santana e padroeira dos Professores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este ano a Festa da Padroeira tamb\u00e9m comemorou o Jubileu de Ouro da Arquidiocese de Feira de Santana. Pela manh\u00e3 houve missa festiva na Catedral\u00a0 e \u00e0 tarde, uma prociss\u00e3o percorreu as ruas da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Sant&#8217;Ana \u00e9 a av\u00f3 de Jesus e como o dia 26 de julho \u00e9 \u00a0dedicado \u00e0s av\u00f3s, ofere\u00e7o a todas elas\u00a0a linda cr\u00f4nica de Rachel de Queiroz.<\/p>\n<p>\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4202\" title=\"\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Santana-10563-2.jpg\" alt=\"\" width=\"235\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Santana-10563-2.jpg 235w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Santana-10563-2-176x300.jpg 176w\" sizes=\"auto, (max-width: 235px) 100vw, 235px\" \/><\/p>\n<p style=\"padding-left: 240px;\"><strong>A arte de ser Av\u00f3<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 330px;\">Rachel de Queiroz<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Netos s\u00e3o como heran\u00e7as: voc\u00ea os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do c\u00e9u. \u00c9, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrim\u00f4nio, sem as dores da maternidade. E n\u00e3o se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto \u00e9 realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo&#8230; Quarenta anos, quarenta e cinco&#8230; Voc\u00ea sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. N\u00e3o lhe incomoda envelhecer, \u00e9 claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensa\u00e7\u00f5es &#8211; todos dizem isso embora voc\u00ea, pessoalmente, ainda n\u00e3o as tenha descoberto &#8211; mas acredita. Todavia, tamb\u00e9m obscuramente, tamb\u00e9m sentida nos seus ossos, \u00e0s vezes lhe d\u00e1 aquela nostalgia da mocidade. N\u00e3o de amores nem de paix\u00f5es: a do\u00e7ura da meia-idade n\u00e3o lhe exige essas efervesc\u00eancias. A saudade \u00e9 de alguma coisa que voc\u00ea tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de crian\u00e7a no seu pesco\u00e7o. Choro de crian\u00e7a. O tumulto da presen\u00e7a infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crian\u00e7as? Naqueles adultos cheios de problemas que hoje s\u00e3o os filhos, que t\u00eam sogro e sogra, c\u00f4njuge, emprego, apartamento a presta\u00e7\u00f5es, voc\u00ea n\u00e3o encontra de modo nenhum as suas crian\u00e7as perdidas. S\u00e3o homens e mulheres &#8211; n\u00e3o s\u00e3o mais aqueles que voc\u00ea recorda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ent\u00e3o, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gesta\u00e7\u00e3o ou do parto, o doutor lhe p\u00f5e nos bra\u00e7os um menino. Completamente gr\u00e1tis &#8211; nisso \u00e9 que est\u00e1 a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua ra\u00e7a, da qual voc\u00ea morria de saudades, s\u00edmbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, \u00e9 um menino seu que lhe \u00e9 &#8220;devolvido&#8221;. E o espantoso \u00e9 que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravag\u00e2ncia; ao contr\u00e1rio, causaria esc\u00e2ndalo e decep\u00e7\u00e3o se voc\u00ea n\u00e3o o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que h\u00e1 anos se acumulava, desdenhado, no seu cora\u00e7\u00e3o. Sim, tenho certeza de que a vida nos d\u00e1 os netos para nos compensar de todas as mutila\u00e7\u00f5es trazidas pela velhice. S\u00e3o amores novos, profundos e felizes que v\u00eam ocupar aquele lugar vazio, nost\u00e1lgico, deixado pelos arroubos juvenis. Ali\u00e1s, desconfio muito de que netos s\u00e3o melhores que namorados, pois que as viol\u00eancias da mocidade produzem mais l\u00e1grimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse av\u00f3, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto &#8211; no entanto! &#8211; nem tudo s\u00e3o flores no caminho da av\u00f3. H\u00e1, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a m\u00e3e. N\u00e3o importa que ela, em si, seja sua filha. N\u00e3o deixa por isso de ser a m\u00e3e do garoto. N\u00e3o importa que ela, hipocritamente, ensine o menino a lhe dar beijos e alhe chamar de &#8220;vovozinha&#8221;, e lhe conte que de noite, \u00e0s vezes, ele de repente acorda e pergunta por voc\u00ea. S\u00e3o lisonjas, nada mais. No fundo ela \u00e9 rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posi\u00e7\u00f5es respectivas, a m\u00e3e e a av\u00f3 representam, em rela\u00e7\u00e3o ao neto, pap\u00e9is muito semelhantes ao da esposa e da amante dos tri\u00e2ngulos conjugais. A m\u00e3e tem todas asvantagens da domesticidade e da presen\u00e7a constante. Dorme com ele, d\u00e1-lhe de comer, d\u00e1-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obriga\u00e7\u00e3o de educar e o \u00f4nus de castigar. J\u00e1 a av\u00f3, n\u00e3o tem direitos legais, mas oferece a sedu\u00e7\u00e3o do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas n\u00e3o programadas. Leva a passear, &#8220;n\u00e3o ralha nunca&#8221;. Deixa lambuzar de pirulitos. N\u00e3o tem a menor pretens\u00e3o pedag\u00f3gica. \u00c9 a confidente das horas de ressentimento, o \u00faltimo recurso nos momentos de opress\u00e3o, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa \u00e9 uma deliciosa fuga \u00e0 rotina, tem todos os encantos de uma aventura. L\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 linha divis\u00f3ria entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subvers\u00e3o da disciplina. Dormir sem lavar as m\u00e3os, recusar a sopa e comer roquetes, tomar caf\u00e9 &#8211; caf\u00e9! -, mexer no arm\u00e1rio da lou\u00e7a, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a \u00e1gua do gato, acender e apagar a luz el\u00e9trica mil vezes se quiser &#8211; e at\u00e9 fingir que est\u00e1 discando o telefone. Riscar a parede com o l\u00e1pis dizendo que foi sem querer &#8211; e ser acreditado! Fazer m\u00e1-cria\u00e7\u00e3o aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os bra\u00e7os da av\u00f3, e de l\u00e1 escutar os debates sobre os perigos e os erros da educa\u00e7\u00e3o moderna&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabe-se que, no reino dos c\u00e9us, o crist\u00e3o defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Por\u00e9m, esses prazeres n\u00e3o estar\u00e3o muito acima da alegria de sair de m\u00e3os dadas com o seu neto, numa manh\u00e3de sol. E olhe que aqui embaixo voc\u00ea ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados ser\u00e1 defeso. Meu Deus, o olhar das outras av\u00f3s, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto! E quando voc\u00ea vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: &#8220;V\u00f3!&#8221;, seu cora\u00e7\u00e3o estala de felicidade, como p\u00e3o ao forno. E o misterioso entendimento que h\u00e1 entre av\u00f3 e neto, na hora em que a m\u00e3e o castiga, e ele olha para voc\u00ea, sabendo que se voc\u00ea n\u00e3o ousa intervir abertamente, pelo menos lhe d\u00e1 sua incondicional cumplicidade&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre av\u00f3 e neto: o bibel\u00f4 de estima\u00e7\u00e3o que se quebrou porque o menininho &#8211; involuntariamente! &#8211; bateu com a bola nele. Est\u00e1 quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recorda\u00e7\u00f5es: os cacos na m\u00e3ozinha, os olhos arregalados, o bei\u00e7o pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque &#8220;ningu\u00e9m&#8221; se zangou, o culpado foi a bola mesma, n\u00e3o foi, V\u00f3? Era um simples boneco que custou caro. Hoje \u00e9 rel\u00edquia: n\u00e3o tem dinheiro que pague&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 210px;\">In, O brasileiro perplexo, 1964.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Desde o dia 17 \u00a0de julho, a Par\u00f3quia da Catedral Metropolitana de Sant&#8217;Ana est\u00e1 em festa. O encerramento das festividades aconteceu hoje, dia 26 de julho. Sant\u2019Ana \u00e9 a av\u00f3 de Jesus, padroeira da cidade de Feira de Santana &hellip; <a href=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=4200\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,17,263],"tags":[1269,1270],"class_list":["post-4200","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","category-feira-de-santana","category-festas","tag-festa-de-santana","tag-padroeira-da-cidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4200"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4203,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4200\/revisions\/4203"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}