{"id":4440,"date":"2012-10-10T19:17:32","date_gmt":"2012-10-10T22:17:32","guid":{"rendered":"http:\/\/lenidavid.com.br\/?p=4440"},"modified":"2012-10-15T21:06:29","modified_gmt":"2012-10-16T00:06:29","slug":"musica-e-teatro-nos-sempre-teremos-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=4440","title":{"rendered":"M\u00fasica e teatro: \u201cN\u00f3s sempre teremos Paris\u201d"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 210px;\"><strong>Vida Dupla<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 270px;\">Artur Xex\u00e9o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha voca\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica foi tardia. J\u00e1 havia cursado alguns anos de Engenharia, j\u00e1 trabalhava numa ag\u00eancia de turismo, levava o curso de Comunica\u00e7\u00e3o s\u00f3 pela obriga\u00e7\u00e3o de ter um diploma, o que eu acreditava ser o desejo da minha fam\u00edlia, quando a profiss\u00e3o me interessou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dediquei-me a ela, por mais de 30 anos, com exclusividade. Nunca tive veleidades liter\u00e1rias. Meu texto n\u00e3o era sagrado. Queria apenas que ele fosse adequado ao ve\u00edculo em que trabalhasse. Escrevi dois livros. Mas eles foram uma extens\u00e3o do meu trabalho: uma biografia \u2014 praticamente uma reportagem \u2014 e uma s\u00e9rie de cr\u00f4nicas ligadas \u00e0 minha experi\u00eancia profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tr\u00eas anos, escrevi uma pe\u00e7a de teatro. Foi uma encomenda. Encarei a tarefa como a do meu livro-biografia. Uma reportagem. Com toques de fic\u00e7\u00e3o, mas uma reportagem. Eu estava sendo apenas um dramaturgo acidental. Desta pe\u00e7a, surgiu o convite para fazer, ainda no teatro, a adapta\u00e7\u00e3o de um musical da Broadway. Topei a parada. Seria divertido conviver com uma megaprodu\u00e7\u00e3o. Nesta semana, terei uma nova pe\u00e7a estreando. Ao mesmo tempo, divido com um grupo de roteiristas do primeiro time, sob a batuta de Miguel Falabella, a tarefa de criar as tramas de um novo seriado de TV. N\u00e3o \u00e9 mais acidental. Mudei de profiss\u00e3o, nesta altura do campeonato? N\u00e3o. Passei a levar vida dupla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s sempre teremos Paris\u201d \u00e9 o musicalzinho que estreia nesta ter\u00e7a-feira aqui no Rio. \u00c9 uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica, embalada por m\u00fasica francesa, com dire\u00e7\u00e3o de Jacqueline Lawrence e uma dupla de atores\/cantores no palco: Fran\u00e7oise Forton e Tadeu Aguiar. Sou de outros tempos. Cresci ouvindo m\u00fasica francesa. Os jovens de hoje certamente estranhariam muito as festas de minha adolesc\u00eancia. A gente dan\u00e7ava juntinho ao som de Alain Barri\u00e8re e Gilbert B\u00e9caud. Era animad\u00edssimo. Mas n\u00e3o tenho d\u00favidas de que, para jovens do s\u00e9culo XXI, aquelas festas teriam mais cara de vel\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao fazer a pesquisa musical para o espet\u00e1culo me dei conta do quanto a m\u00fasica francesa estava adormecida no meu inconsciente. Sou do tempo do i\u00ea i\u00ea i\u00ea e da balada rom\u00e2ntica. Dan\u00e7ava ao som de Sylvie Vartan e Johnny Halliday. Mas por que ent\u00e3o me lembrava de todas aquelas lindas can\u00e7\u00f5es de Charles Trenet, Edith Piaf, Charles Aznavour&#8230;? A Fran\u00e7a, at\u00e9 n\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, sempre esteve mais pr\u00f3xima de n\u00f3s. Eu me lembro, mesmo naqueles tempos de i\u00ea i\u00ea i\u00ea, de ter assistido a um show de Maurice Chevalier no Teatro Record, em S\u00e3o Paulo. Chevalier n\u00e3o frequentava o meu hit parade. Mas eu sabia de sua import\u00e3ncia. N\u00e3o dava para deixar de ver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns anos depois, assistindo a um filme no Paissandu, descobri \u201cLa mer\u201d. N\u00e3o tinha nada a ver com a Fran\u00e7a. Era \u201cO despertar amargo\u201d (\u201cA safe place\u201d), com a Tuesday Weld e o Anthony Perkins. Na trilha sonora, estava a bel\u00edssima can\u00e7\u00e3o de Charles Trenet. Como imaginar uma cena rom\u00e2ntica de despedida sem se lembrar do tema de amor de \u201cOs guarda-chuvas de amor\u201d composto por Michel Legrand? Nunca tive nenhum disco de Edith Piaf, mas, como todo mundo, conhe\u00e7o sua grava\u00e7\u00e3o de \u201cLa vie em rose\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica francesa \u00e9 parte de nosso imagin\u00e1rio afetivo. Assim como a vis\u00e3o fantasiosa de Paris com seus gar\u00e7ons mal-educados, como a cidade em que todo mundo, mas todo mundo mesmo, fuma demais, como o para\u00edso dos cin\u00e9filos. Conheci gente que viajava para Paris s\u00f3 para ir ao cinema! N\u00e3o havia programa\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica mais variada em em todo o resto do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um pouco dessa m\u00fasica rom\u00e2ntica e um outro tanto desta cidade-fantasia que eu pus na pecinha que estreia nesta ter\u00e7a-feira. Ningu\u00e9m quer ganhar o Pr\u00eamio Shell. A gente s\u00f3 quer dividir com a plateia um imagin\u00e1rio musical que eu acredito ser comum a muitos brasileiros. Quem nunca sonhou com Paris ouvindo \u201cC&#8217;est si bon\u201d? Bem, pode ser que algu\u00e9m que esteja chegando agora n\u00e3o tenha mesmo passado pela experi\u00eancia. Eu passei. E queria dividir isso com mais gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Blog de Artur Xex\u00e9o (O Globo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0M\u00fasicas citadas no texto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">La vie en rose:<\/p>\n<p><object width=\"531\" height=\"408\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/fKyij4h9_oE?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><embed width=\"531\" height=\"408\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/fKyij4h9_oE?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0\" allowFullScreen=\"true\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" \/><\/object><\/p>\n<p>La mer:<\/p>\n<p><object width=\"606\" height=\"335\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4dZVvW44_RY?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><embed width=\"606\" height=\"335\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4dZVvW44_RY?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0\" allowFullScreen=\"true\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" \/><\/object><\/p>\n<p>C&#8217;est si bon:<\/p>\n<p><object width=\"536\" height=\"407\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6BvL-i--8Ws?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><embed width=\"536\" height=\"407\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6BvL-i--8Ws?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0\" allowFullScreen=\"true\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" \/><\/object><\/p>\n<p>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Vida Dupla Artur Xex\u00e9o Minha voca\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica foi tardia. 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