{"id":4619,"date":"2012-12-20T16:26:26","date_gmt":"2012-12-20T19:26:26","guid":{"rendered":"http:\/\/lenidavid.com.br\/?p=4619"},"modified":"2012-12-20T16:29:51","modified_gmt":"2012-12-20T19:29:51","slug":"4619","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=4619","title":{"rendered":"Festas, luzes, brilhos&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se me perguntarem qual a minha festa preferida direi sem titubear: o S\u00e3o Jo\u00e3o. Houve um tempo em que a festa junina disputava com o carnaval. Mas, depois que os festejos carnavalescos foram privatizados o S\u00e3o Jo\u00e3o conquistou um lugar cativo no meu cora\u00e7\u00e3o. Festa alegre, animada por m\u00fasica descontra\u00edda, um convite \u00e0 dan\u00e7a. Decora\u00e7\u00e3o singela, muito colorida e um convite \u00e0 gula, haja vista a fartura de iguarias regionais. Encontro de filhos, amigos, parentes queridos que moram distante; enfim, festa de alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o Natal? Acho bonito; gosto das luzes, das ruas iluminadas, dos pres\u00e9pios, que hoje est\u00e3o quase em extin\u00e7\u00e3o, e do encontro entre as pessoas que se querem bem. Detesto ver as ruas e principalmente os shoppings cheios de pessoas apressadas numa \u00e2nsia incontida de consumo. Sinto a sensa\u00e7\u00e3o de estar encurralada e, ao mesmo tempo, prisioneira do tr\u00e2nsito e do brilho que ofusca. Tamb\u00e9m acho o Natal uma festa triste, quando deveria ser uma festa de alegria, pois se comemora o anivers\u00e1rio de um menino. Mas ser\u00e1 que muitas pessoas lembram desse anivers\u00e1rio? Tenho a impress\u00e3o de que o Natal tamb\u00e9m provoca tristeza e decep\u00e7\u00f5es. O apelo \u00e9 muito forte! As pessoas sozinhas, doentes ou pobres ficam mais sozinhas ainda, pois ningu\u00e9m tem tempo para pensar nelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensando nessas coisas decidi tirar da gaveta um texto que escrevi em 17 de dezembro de 1977 e que ofereci a uma pessoa muito querida, Naidison Baptista, meu professor de Metodologia do Trabalho Cient\u00edfico, na UEFS. Naidison era severo e provocador; ele sempre dizia que nos acomod\u00e1vamos facilmente e que precis\u00e1vamos melhorar. Como era fim de ano e como o Natal se aproximava, esse texto foi oferecido ao professor, que para mim era uma esp\u00e9cie de guru. Foi a primeira vez que tive a coragem de revelar publicamente escritos que mantinha engavetados, em segredo, e este gesto significou, tamb\u00e9m, uma liberta\u00e7\u00e3o, um jeito de confessar sentimentos e coisas que poderiam ser julgadas. Eu tinha certeza de que Naidison entenderia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, 35 anos depois, reencontrei o texto em quest\u00e3o e decidi public\u00e1-lo aqui no blog, sem medo de julgamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4620\" title=\"Foto: Leni David\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/ViagemFran\u00e7a2010-2011-090.jpg\" alt=\"\" width=\"528\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/ViagemFran\u00e7a2010-2011-090.jpg 528w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/ViagemFran\u00e7a2010-2011-090-300x225.jpg 300w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/ViagemFran\u00e7a2010-2011-090-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 528px) 100vw, 528px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Mais um conto de Natal<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 360px;\"><em>Leni David<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudava na escola prim\u00e1ria e um dia, na hora do recreio, vi uma menina com um boneco. Era um palha\u00e7o equilibrista. Quis toc\u00e1-lo, mas ela puxou-o para perto de si com um grito: \u00e9 meu!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O palha\u00e7o equilibrista n\u00e3o me sa\u00eda da cabe\u00e7a. Menina interiorana, nunca tinha ouvido falar em Papai Noel. Mas, dezembro se aproximava e me contaram que aquele velhinho distribu\u00eda presentes na noite de Natal. Disseram-me que precisava escrever uma carta e deixar os sapatos atr\u00e1s da porta do quarto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escrevi uma carta para Papai Noel, uma carta carinhosa, na qual eu contava que passara de ano, que tinha sido bem comportada e um ros\u00e1rio de coisas boas para merecer o presente. Eu queria um palha\u00e7o equilibrista!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 aquele dia eu s\u00f3 conhecia do Natal, o pres\u00e9pio, e a hist\u00f3ria dos reis magos, que foram guiados at\u00e9 Bel\u00e9m por uma estrela que anunciava o nascimento do Deus Menino. Achava bonito o pres\u00e9pio enfeitado com musgos, pedras, conchas e areia branquinha; achava bonitas as casinhas de papel\u00e3o e as figuras de barro espalhadas na areia. Na manjedoura, Maria, Jos\u00e9, o boi, o burro, os carneirinhos, o galo, a grande estrela dourada e o Deus Menino deitado nas palhas de bra\u00e7os abertos, nu, sorrindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na volta da missa do galo, da qual participava a maioria da comunidade local, um grande inc\u00eandio fez da minha rua um inferno; era a maior casa comercial da cidade que pegava fogo. As labaredas medonhas pareciam lamber o c\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era Natal e eu queria que as labaredas se dissipassem, que as explos\u00f5es terminassem, para permitir a passagem do Papai Noel. Era preciso dormir, pois o velhinho s\u00f3 visitava as casas no sil\u00eancio da noite, quando todos dormiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acordei cedo e corri na dire\u00e7\u00e3o dos sapatos que estavam enfileirados atr\u00e1s da porta do quarto. Estavam vazios; oito pares de alpercatas surradas, todas vazias. Lembro dos olhos grandes de uma das minhas irm\u00e3s mais novas, arregalados, interrogadores. Pensei; Papai Noel, certamente ficara assustado com o fogo e odiei aquele inc\u00eandio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O movimento da rua naquela manh\u00e3 natalina era diferente. As crian\u00e7as da vizinhan\u00e7a, todas, tinham presentes para mostrar: bolas, petecas, bonecas e at\u00e9 veloc\u00edpedes!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que eu n\u00e3o tinha um palha\u00e7o equilibrista?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembro das grossas l\u00e1grimas que escorriam dos olhos da minha m\u00e3e, e \u00e9 por isso que eu n\u00e3o gosto de voc\u00ea, Papai Noel!<\/p>\n<p style=\"padding-left: 270px;\">Feira, 17\/12\/1977.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Se me perguntarem qual a minha festa preferida direi sem titubear: o S\u00e3o Jo\u00e3o. Houve um tempo em que a festa junina disputava com o carnaval. 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