{"id":4985,"date":"2013-05-17T15:56:19","date_gmt":"2013-05-17T18:56:19","guid":{"rendered":"http:\/\/lenidavid.com.br\/?p=4985"},"modified":"2013-05-17T21:13:28","modified_gmt":"2013-05-18T00:13:28","slug":"precisamos-redefinir-com-urgencia-o-significado-de-urgente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=4985","title":{"rendered":"\u201cPrecisamos redefinir, com urg\u00eancia, o significado de URGENTE\u201d."},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 330px;\">\u00a0Eliane Brum<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dias atr\u00e1s, Gabriel Prehn Britto, do blog Gabriel quer viajar, tuitou a seguinte frase: \u201cPrecisamos redefinir, com urg\u00eancia, o significado de URGENTE\u201d. (Caixa alta, na internet, \u00e9 grito.) \u201cParece que as pessoas perderam a no\u00e7\u00e3o do sentido da palavra\u201d, comentou, quando perguntei por que tinha postado esse protesto\/desabafo no Twitter. \u201cUrgente n\u00e3o \u00e9 mais urgente. N\u00e3o tem mais significado nenhum.\u201d Ele se referia tanto ao urgente usado para anunciar not\u00edcias nada urgentes nos sites e nas redes sociais, quanto ao urgente que invade nosso cotidiano, na forma de demanda tanto da vida pessoal quanto da profissional. Depois disso, Gabriel passou a postar uns \u201ctu\u00edtes\u201d provocativos, do tipo: \u201cUrgente! Acordei\u201d ou \u201cUrgente: hoje \u00e9 sexta-feira\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A provoca\u00e7\u00e3o \u00e9 muito precisa. Se h\u00e1 algo que se perdeu nessa \u00e9poca em que a tecnologia tornou poss\u00edvel a todos alcan\u00e7arem todos, a qualquer tempo, \u00e9 o conceito de urg\u00eancia. Vivemos ao mesmo tempo o privil\u00e9gio e a maldi\u00e7\u00e3o de experimentarmos uma transforma\u00e7\u00e3o radical e muito, muito r\u00e1pida em nosso ser\/estar no mundo, com grande impacto na nossa rela\u00e7\u00e3o com todos os outros. Como tudo o que \u00e9 novo, \u00e9 previs\u00edvel que nos atrapalhemos. E nos lambuzemos um pouco, ou at\u00e9 bastante. Nessa nova configura\u00e7\u00e3o, parece necess\u00e1rio resgatarmos alguns conceitos, para que o nosso tempo n\u00e3o seja devorado por banalidades como se fosse mat\u00e9ria ordin\u00e1ria. E talvez o mais urgente desses conceitos seja mesmo o da urg\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos vivendo como se tudo fosse urgente. Urgente o suficiente para acessar algu\u00e9m. E para exigir desse algu\u00e9m uma resposta imediata. Como se o tempo do \u201coutro\u201d fosse, por direito, tamb\u00e9m o \u201cmeu\u201d tempo. E at\u00e9 como se o corpo do outro fosse o meu corpo, j\u00e1 que posso invadi-lo, simbolicamente, a qualquer momento. Como se os limites entre os corpos tivessem ficado t\u00e3o fluidos e indefinidos quanto a comunica\u00e7\u00e3o ampliada e potencializada pela tecnologia. Esse se apossar do tempo\/corpo do outro pode ser compreendido como uma viol\u00eancia. Mas at\u00e9 certo ponto consensual, na medida em que este que \u00e9 alcan\u00e7ado se abre\/oferece para ser invadido. Torna-se, ao se colocar no modo \u201conline\u201d, um corpo\/tempo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Mas exige o mesmo do outro \u2013 e retribui a possess\u00e3o. Olho por olho, dente por dente. Tempo por tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como muitos, tenho tentado descobrir qual \u00e9 a minha medida e quais s\u00e3o os meus limites nessa nova configura\u00e7\u00e3o. E passo a contar aqui um pouco desse percurso no cotidiano, assim como do trilhado por outras pessoas, para que o questionamento fique mais claro. Descobri logo que, para mim, o celular \u00e9 insuport\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser alcan\u00e7ada por qualquer um, a qualquer hora, em qualquer lugar. Estou lendo um livro e, de repente, o mundo me invade, em geral com irrelev\u00e2ncias, quando n\u00e3o com telemarketing. Estou escrevendo e algu\u00e9m liga para me perguntar algo que poderia ter descoberto sozinho no Google, mas achou mais f\u00e1cil me ligar, j\u00e1 que bastava apertar uma tecla do pr\u00f3prio celular. Trabalhei como uma camela e, no meu momento de folga, algu\u00e9m resolve me acessar para falar de trabalho, obedecendo \u00e0s suas pr\u00f3prias necessidades, sem dar a m\u00ednima para as minhas. N\u00e3o, mas n\u00e3o mesmo. N\u00e3o h\u00e1 chance de eu estar acess\u00edvel \u2013 e dispon\u00edvel \u2013 24 horas por sete dias, semana ap\u00f3s semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Me bani do mundo dos celulares, fechei essa janela no meu corpo. Mantenho meu aparelho, mas ele fica desligado, com uma grava\u00e7\u00e3o de \u201cn\u00e3o uso celular, por favor, mande um e-mail\u201d. Carrego-o comigo quando saio e quase sempre que viajo. Se precisar chamar um t\u00e1xi em algum momento ou tiver uma urg\u00eancia real, ligo o celular e fa\u00e7o uma chamada. Foi o jeito que encontrei de usar a tecnologia sem ser usada por ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha decis\u00e3o n\u00e3o foi bem recebida pelas pessoas do mundo do trabalho, em geral, nem mesmo pela maior parte dos amigos e da fam\u00edlia. Descobri que, ao n\u00e3o me colocar 24 horas dispon\u00edvel, as pessoas se sentiam pessoalmente rejeitadas. Mas n\u00e3o apenas isso: elas sentiam-se lesadas no seu suposto direito a tomar o meu tempo na hora que bem entendessem, com ou sem necessidade, como se n\u00e3o devesse existir nenhum limite ao seu desejo. Algumas declararam-se ofendidas. Como assim eu n\u00e3o posso falar com voc\u00ea na hora que eu quiser? Como assim o seu tempo n\u00e3o \u00e9 um pouco meu? E se eu precisar falar com voc\u00ea com urg\u00eancia? Se for urg\u00eancia real \u2013 e quase nunca \u00e9 \u2013 h\u00e1 outras formas de me alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percebi tamb\u00e9m que, em geral, as pessoas sentem n\u00e3o s\u00f3 uma obriga\u00e7\u00e3o de estar dispon\u00edveis, mas tamb\u00e9m um gozo. Talvez mais gozo do que obriga\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que explica a cena corriqueira de ver as pessoas atendendo o celular nos lugares mais absurdos (inclusive no banheiro&#8230;). Nem vou falar de cinema, que a\u00ed deveria ser caso de pol\u00edcia. Mas em aulas de todos os tipos, em restaurantes e bares, em encontros \u00edntimos ou mesmo profissionais. \u00c9 o gozo de se considerar imprescind\u00edvel. Como se o mundo e todos os outros n\u00e3o conseguissem viver sem sua onipresen\u00e7a. Se n\u00e3o atenderem o celular, se n\u00e3o forem encontradas de imediato, se n\u00e3o derem uma resposta imediata, cat\u00e1strofes poder\u00e3o acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O celular ligado funciona como uma autoafirma\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia. Tipo: o mundo (a empresa\/a fam\u00edlia\/ o namorado\/ o filho\/ a esposa\/ a empregada\/ o patr\u00e3o\/os funcion\u00e1rios etc) n\u00e3o sobrevive sem mim. A pessoa se estressa, reclama do ass\u00e9dio, mas n\u00e3o desliga o celular por nada. Desligar o celular e descobrir que o planeta continua girando pode ser um risco maior. Nesse sentido, e sem nenhuma ironia, \u00e9 comovente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, \u00e9 um tanto ego\u00edsta, j\u00e1 que a pessoa n\u00e3o se coloca por inteiro onde est\u00e1, numa aula ou no trabalho ou mesmo em casa \u2013 nem se dedica por inteiro \u00e0quele com quem escolheu estar, num encontro \u00edntimo ou profissional. Est\u00e1 l\u00e1 \u2013 mas apenas parcialmente. N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o ter efeito sobre o momento \u2013 e sobre o resultado. A pessoa est\u00e1 parcialmente com algu\u00e9m ou naquela atividade espec\u00edfica, mas tamb\u00e9m est\u00e1 parcialmente consigo mesma. Ao manter o celular ligado, voc\u00ea pertence ao mundo, a todo mundo e a qualquer um \u2013 mas talvez n\u00e3o a si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Me parece descort\u00eas algu\u00e9m estar comigo num restaurante, por exemplo, e interromper a conversa e a comida para atender o celular. Assim como me parece abusivo ser obrigada a aturar os celulares das pessoas ao redor tocando em todas as modalidades e volumes, invadindo o espa\u00e7o de todos os outros sem nenhuma considera\u00e7\u00e3o. Ou ainda estar em um lugar p\u00fablico e ter de ouvir a narra\u00e7\u00e3o de uma vida privada, uma que n\u00e3o conhe\u00e7o nem quero conhecer. Ser\u00e1 que isso \u00e9 realmente necess\u00e1rio? Ser\u00e1 que uma pessoa n\u00e3o pode se ausentar, ficar incomunic\u00e1vel, por algumas horas? Ser\u00e1 que temos o direito de invadir o corpo\/tempo dos outros direta ou indiretamente? Ser\u00e1 que h\u00e1 tantas urg\u00eancias assim? Como \u00e9 que trabalh\u00e1vamos e am\u00e1vamos antes, ent\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, eu n\u00e3o sou imprescind\u00edvel a todo mundo e tenho certeza de que os dias nascem e morrem sem mim. As emerg\u00eancias reais s\u00e3o poucas, ainda bem, e para estas h\u00e1 forma de me encontrar. Logo, posso ficar sem celular. Mas tive de me esfor\u00e7ar para que as pessoas entendessem que n\u00e3o \u00e9 uma rejei\u00e7\u00e3o ou uma modalidade de misantropia, apenas uma escolha. Para mim, \u00e9 uma maneira de definir as fronteiras simb\u00f3licas do meu corpo, de territorializar o que sou eu e o que \u00e9 o outro, e de estabelecer limites \u2013 o que me parece fundamental em qualquer vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tentei manter um telefone fixo, com o n\u00famero restrito \u00e0s pessoas fundamentais no campo dos afetos e tamb\u00e9m no profissional. Mas o telemarketing n\u00e3o permitiu. \u00c9 impressionante como as empresas de todo o tipo \u2013 e agora at\u00e9 os candidatos numa elei\u00e7\u00e3o \u2013 acham que t\u00eam o direito de nos invadir a qualquer hora. Considero uma viol\u00eancia receber uma liga\u00e7\u00e3o ou grava\u00e7\u00e3o dessas dentro de casa, \u00e0 minha revelia. E parece que sempre encontram um jeito de burlar nossas tentativas de barrar esse tipo de ass\u00e9dio. Assim, tamb\u00e9m botei uma grava\u00e7\u00e3o no telefone fixo \u2013 e ele virou um telefone s\u00f3 para recados, porque foi o \u00fanico jeito que encontrei de impedir o abuso do mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha principal forma de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje o e-mail, porque sou eu que escolho a hora de acess\u00e1-lo. E, ao procurar algu\u00e9m, seja por motivo profissional ou pessoal, tenho certeza de n\u00e3o estar invadindo seu cotidiano em hora impr\u00f3pria. \u00c9 assim que combino encontros e entrevistas ao vivo, que s\u00e3o os que eu prefiro. Ou marco hor\u00e1rio para conversas por Skype com quem est\u00e1 em outra cidade ou pa\u00eds. E quando viajo ou preciso desaparecer do mundo, para ficar s\u00f3 comigo mesma, ou me dedicar a um outro por completo, ou \u00e0 escrita de um livro, basta deixar uma mensagem autom\u00e1tica. Tento me disciplinar para acessar o Twitter, que para mim \u00e9 hoje uma ferramenta fundamental para dar, receber e principalmente compartilhar informa\u00e7\u00f5es, em hor\u00e1rios espec\u00edficos. E desligo o computador antes de dormir, como gesto simb\u00f3lico que diz: fechei a porta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma amiga foi assaltada por uma ins\u00f4nia persistente. Ao despertar, na madrugada, tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que o mundo se movia em ritmo veloz enquanto ela dormia. Parecia que estava perdendo algo importante, que ficaria para tr\u00e1s. E parecia at\u00e9 que estava morta para o mundo, \u201coffline\u201d. \u00c0s vezes n\u00e3o resistia e sa\u00eda da cama para caminhar at\u00e9 o escrit\u00f3rio, onde ficava o computador, e entrar no Facebook e no Twitter, dar uma circulada nos sites de not\u00edcias, manter-se desperta, presente e alinhada ao mundo que n\u00e3o parava, correndo atr\u00e1s dele. Depois, passou a deixar o notebook ao lado da cama e j\u00e1 acessava a internet dali mesmo, apesar dos protestos do marido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a ins\u00f4nia j\u00e1 estava comprometendo seriamente os seus dias, ela procurou um psiquiatra em busca de rem\u00e9dio. O m\u00e9dico perguntou bastante sobre seus h\u00e1bitos, e ela descobriu que o pesadelo que a deixava insone era aquele computador ligado, com o mundo acontecendo dentro dele num ritmo que ela n\u00e3o podia acompanhar nem mesmo se mantendo acordada por 24 horas. Bastou desligar o computador a cada noite para que passasse a despertar menos vezes e menos sobressaltada nas madrugadas. Aos poucos, voltou a dormir bem. O mundo estava onde devia estar \u2013 e ela tamb\u00e9m, na cama. Estava offline, mas viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhe\u00e7o pessoas que botam fita adesiva sobre a c\u00e2mera do computador. Foi o meio encontrado para se protegerem da sensa\u00e7\u00e3o de que estavam sendo espiadas\/monitoradas 24 horas por dia por algum tipo de Big Brother \u2013 no sentido do 1984, do George Orwell (n\u00e3o no do reality show da TV Globo). A c\u00e2mera tinha se tornado uma esp\u00e9cie de olho do mundo, que podia abrir as p\u00e1lpebras mesmo \u00e0 revelia, como nas hist\u00f3rias fant\u00e1sticas e nos filmes de terror.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conto minhas (des)venturas, assim como as de outros, apenas porque acho que n\u00e3o somos os \u00fanicos a ter esse tipo de inquieta\u00e7\u00e3o. \u00c9 um momento hist\u00f3rico bem estrat\u00e9gico de redefini\u00e7\u00e3o de limites, de territ\u00f3rios e tamb\u00e9m de conceitos. Que tipo de efeito ter\u00e1 sobre as novas gera\u00e7\u00f5es a ideia de que n\u00e3o h\u00e1 limites para alcan\u00e7ar, ocupar e consumir o tempo\/corpo dos pais e amigos e mesmo de desconhecidos? Assim como n\u00e3o h\u00e1 limites para ter o pr\u00f3prio tempo\/corpo alcan\u00e7ado, ocupado e consumido?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda acho que o gozo de ser imprescind\u00edvel a quase todos os outros \u2013 no sentido de n\u00e3o poder se ausentar ou se calar \u2013 e tamb\u00e9m de ser onipotente \u2013 no sentido de alcan\u00e7ar, a qualquer hora, o corpo de todos os outros \u2013 \u00e9 maior do que o inc\u00f4modo. Mas talvez s\u00f3 aparentemente, na medida em que \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o estejamos conseguindo avaliar o estrago que esses corpos\/tempos viol\u00e1veis e violados possam estar causando na nossa subjetividade \u2013 e mesmo na nossa capacidade criativa e criadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande perda \u00e9 que, ao se considerar tudo urgente, nada mais \u00e9 urgente. Perde-se o sentido do que \u00e9 priorit\u00e1rio em todas as dimens\u00f5es do cotidiano. E viver \u00e9, de certo modo, um constante interrogar-se sobre o que \u00e9 importante para cada um. Ou, dito de outro modo, uma constante interroga\u00e7\u00e3o sobre para quem e para o qu\u00ea damos nosso tempo, j\u00e1 que tempo n\u00e3o \u00e9 dinheiro, mas algo tremendamente mais valioso. Como disse o professor Antonio Candido, \u201ctempo \u00e9 o tecido das nossas vidas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa oferta 24 X 7 do nosso corpo simb\u00f3lico para todos os outros \u2013 e \u00e0s vezes para qualquer um \u2013 pode ter um efeito bem devastador sobre a nossa exist\u00eancia. Um que sequer \u00e9 escutado, dado o tanto de barulho que h\u00e1. Falamos e ouvimos muito, mas de fato n\u00e3o sabemos se dizemos algo e se escutamos algo. Ou se \u00e9 apenas ru\u00eddo para preencher um vazio que n\u00e3o pode ser preenchido dessa maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 este o nosso mal-estar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver no tempo do outro \u2013 de todos e de qualquer um \u2013 \u00e9 uma trag\u00e9dia contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0(Eliane Brum escreve \u00e0s segundas-feiras.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: <a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Sociedade\/eliane-brum\/noticia\/2013\/04\/e-urgente-recuperar-o-sentido-de-urgencia.html\">Revista Epoca<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00a0Eliane Brum Dias atr\u00e1s, Gabriel Prehn Britto, do blog Gabriel quer viajar, tuitou a seguinte frase: \u201cPrecisamos redefinir, com urg\u00eancia, o significado de URGENTE\u201d. 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