{"id":6072,"date":"2015-04-14T19:29:53","date_gmt":"2015-04-14T22:29:53","guid":{"rendered":"http:\/\/lenidavid.com.br\/?p=6072"},"modified":"2015-04-14T19:47:13","modified_gmt":"2015-04-14T22:47:13","slug":"juraci-dorea-conta-em-livro-a-historia-de-feira-de-santana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=6072","title":{"rendered":"Juraci D\u00f3rea conta em livro a hist\u00f3ria de Feira de Santana"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/atarde.uol.com.br\/muito\/noticias\/1673649-juraci-dorea-conta-em-livro-a-historia-de-feira-de-santana\"><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/A-Juraci-650x375_juraci-dorea-artista-visual-sertao-feira-de-santana_1510645.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6073\" alt=\"A Juraci 650x375_juraci-dorea-artista-visual-sertao-feira-de-santana_1510645\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/A-Juraci-650x375_juraci-dorea-artista-visual-sertao-feira-de-santana_1510645.jpg\" width=\"541\" height=\"312\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/A-Juraci-650x375_juraci-dorea-artista-visual-sertao-feira-de-santana_1510645.jpg 541w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/A-Juraci-650x375_juraci-dorea-artista-visual-sertao-feira-de-santana_1510645-300x173.jpg 300w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/A-Juraci-650x375_juraci-dorea-artista-visual-sertao-feira-de-santana_1510645-500x288.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 541px) 100vw, 541px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eron Rezende<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora esteja no centro de Feira de Santana, apinhado de motos, vendedores de rua e negociantes de megafone, a casa de Juraci D\u00f3rea, feita \u00e0 semelhan\u00e7a da arquitetura \u00e1rida (barro e tijolos aparentes, plantas urticantes, terreno pedregoso), tem o som de um mosteiro no sert\u00e3o. &#8220;Me apeguei f\u00e1cil, por isso n\u00e3o consigo sair&#8221;, diz ele, erguendo os bra\u00e7os, como se apontasse para a invis\u00edvel camada que abra\u00e7a sua casa e a distingue da urg\u00eancia mundana. &#8220;Dizem que um artista tem que encarar o sil\u00eancio como fonte de criatividade. Aprendi isso desde cedo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua rever\u00eancia ao sil\u00eancio, no entanto, parece ser menos resultado da disciplina de um artista, e mais de um tra\u00e7o perene de personalidade. Juraci D\u00f3rea \u00e9 um sertanejo. Seu corpo viceja o sert\u00e3o. Nascido, criado e &#8220;enraizado&#8221;, com ele diz, em Feira de Santana, cidade que oscila entre a geografia \u00e1rida e a litor\u00e2nea, ele aparenta sempre habitar o lado \u00e1rido da hist\u00f3ria. &#8220;A maior parte da minha inf\u00e2ncia passei vendo os vaqueiros, as boiadas no meio da rua. A minha viv\u00eancia foi em cima dessa cultura&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed vem o \u00edmpeto que o fez colocar em telas, murais e esculturas o cotidiano das terras ressequidas, a ponto de utilizar o pr\u00f3prio semi\u00e1rido baiano como superf\u00edcie de exposi\u00e7\u00e3o, espelhando obras em comunidades do interior &#8211; algo que est\u00e1 na base do Projeto Terra, iniciado h\u00e1 30 anos, que levou o nome de D\u00f3rea para importantes mostras de arte, como as bienais de S\u00e3o Paulo, Havana e Veneza. Em seu ateli\u00ea, situado ao fundo da casa, ele, com 70 anos, trabalha agora num novo projeto, uma mescla de biografia, mem\u00f3rias e colagem: pretende, num livro, contar a hist\u00f3ria de Feira de Santana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu queria fazer um trabalho sisudo e hist\u00f3rico, mas, aos poucos, percebi que o maior legado que posso deixar \u00e9 uma hist\u00f3ria subjetiva&#8221;, diz, indicando uma mesa atulhada de livros, fotos e revistas que versam sobre a cidade, acumulados em quase 50 anos de carreira. Com a mente livre de um ensa\u00edsta, D\u00f3rea pretende, a partir das mudan\u00e7as arquitet\u00f4nicas (como a extin\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios hist\u00f3ricos de arquitetura ecl\u00e9tica), fazer uma narrativa pessoal sobre sua cidade natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro, que ser\u00e1 conclu\u00eddo no final do primeiro semestre, ter\u00e1 edi\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Feira de Santana, onde D\u00f3rea atuou como professor do Departamento de Letras e Artes. Hoje aposentado, ele debru\u00e7a-se exclusivamente sobre a feitura da obra. &#8220;\u00c9 um projeto que martela minha cabe\u00e7a h\u00e1 tanto tempo que eu achava que nunca fosse realizar. Quando a universidade colocou prazo, pensei: &#8216;\u00c9 agora'&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Terra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma\u00e7\u00e3o em arquitetura pela Ufba o ajudar\u00e1 na an\u00e1lise das mudan\u00e7as urbanas, mas \u00e9 o talento de arquivista que parece sustentar a empreitada. D\u00f3rea possui catalogado praticamente tudo referente a sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria. Numa estante pr\u00f3xima ao computador, que usa para digitalizar registros ainda em papel, ele guarda negativos de fotos que exibem suas primeiras exposi\u00e7\u00f5es, a passagem das telas em carv\u00e3o para as de tinta, a utiliza\u00e7\u00e3o das primeiras pe\u00e7as de couro em esculturas e, claro, todo o percurso do Projeto Terra.<br \/>\n&#8220;Esse foi um trabalho que n\u00e3o achava muito espa\u00e7o nas mostras de arte oficiais. A\u00ed me ocorreu\u00a0 n\u00e3o expor na cidade, nos museus, nos circuitos oficiais, mas devolver esse trabalho para o sert\u00e3o&#8221;, diz sobre o Projeto Terra. &#8220;Em vez de fazer a exposi\u00e7\u00e3o nos museus, eu fiz a exposi\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio ambiente de inspira\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os registros mais curiosos da saga do Projeto Terra s\u00e3o os da intera\u00e7\u00e3o dos moradores com as obras, sobretudo com as esculturas abstratas feitas com madeira e couro curtido. H\u00e1 sempre uma rever\u00eancia cautelosa, como a que exibe Edwirges, senhora que, durante o in\u00edcio do projeto, em 1984, auxiliou D\u00f3rea no contato com os moradores de diversos povoados do sert\u00e3o, como Monte Santo, Canudos e Raso da Catarina &#8211; a esta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica pr\u00f3xima a Santa Br\u00edgida, local das aventuras de Lampi\u00e3o e seu bando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Sert\u00e3o \u00e9 uma palavra abrangente, porque em cada estado do pa\u00eds tem um. Mas o meu\u00a0 \u00e9 o do Nordeste. Come\u00e7a em Feira e se espalha pelo oeste&#8221;, diz. &#8220;Mais do que isso,\u00a0 para mim, \u00e9 o lugar das coisas essenciais, onde nada \u00e9 sup\u00e9rfluo, nada pode sobrar&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano passado, quando a trajet\u00f3ria de D\u00f3rea foi reverenciada com uma mostra na 3\u00aa Bienal da Bahia e com o document\u00e1rio O Imagin\u00e1rio de Juraci D\u00f3rea no Sert\u00e3o: Veredas, dirigido por Tuna Espinheira, passou pela sua cabe\u00e7a que a vida, dali em diante, seria feita com o &#8220;\u00f3cio de quem se\u00a0 aproxima do fim&#8221;. Ideia que, ele diz, &#8220;chegou e foi em dois segundos&#8221;. Ap\u00f3s concluir o livro, j\u00e1 planeja retomar a s\u00e9rie de quadros Cenas Brasileiras (que emulam a literatura de cordel) e j\u00e1 n\u00e3o acha descabido aventurar-se numa nova expedi\u00e7\u00e3o para o Projeto Terra. Um fruto, ele lembra, da produtividade germinada no sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Fonte: Jornal A Tarde<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eron Rezende Embora esteja no centro de Feira de Santana, apinhado de motos, vendedores de rua e negociantes de megafone, a casa de Juraci D\u00f3rea, feita \u00e0 semelhan\u00e7a da arquitetura \u00e1rida (barro e tijolos aparentes, plantas urticantes, terreno pedregoso), tem &hellip; <a href=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=6072\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[349,1859,353],"class_list":["post-6072","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feira-de-santana","tag-bahia","tag-feira-de-santana","tag-juraci-dorea"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6072","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6072"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6072\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6075,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6072\/revisions\/6075"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}