{"id":719,"date":"2010-06-24T17:34:30","date_gmt":"2010-06-24T20:34:30","guid":{"rendered":"http:\/\/lenidavid.com.br\/?p=719"},"modified":"2011-09-15T18:30:14","modified_gmt":"2011-09-15T21:30:14","slug":"antes-que-eles-crescam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=719","title":{"rendered":"Antes que eles cres\u00e7am"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-720\" title=\"Foto: Leni David\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Xpinico3-284x300.jpg\" alt=\"Foto: Leni David\" width=\"256\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Xpinico3-284x300.jpg 284w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Xpinico3.jpg 426w\" sizes=\"auto, (max-width: 256px) 100vw, 256px\" \/><\/p>\n<p style=\"padding-left: 240px;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 240px;\">\u00a0<em>Affonso Romano de Sant\u2019anna<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">H\u00e1 um per\u00edodo em que os pais v\u00e3o ficando \u00f3rf\u00e3os de seus pr\u00f3prios filhos. \u00c9 que as crian\u00e7as crescem. Independentes de n\u00f3s, como \u00e1rvores tagarelas e p\u00e1ssaros\u00a0 estabanados, elas crescem sem pedir licen\u00e7a. Crescem como a infla\u00e7\u00e3o, independente do governo e da vontade popular, entre os estupros dos pre\u00e7os, os disparos dos discursos e os assaltos das esta\u00e7\u00f5es. Crescem com uma estrid\u00eancia alegre e \u00e0s vezes, com alardeada arrog\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Mas n\u00e3o crescem todos os dias, de igual maneira; crescem de repente. Um dia sentam-se perto de voc\u00ea no terra\u00e7o e dizem uma frase com tal maturidade, que voc\u00ea sente que n\u00e3o pode mais trocar as fraldas daquela criatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Onde \u00e9 que andou crescendo aquela danadinha, que voc\u00ea n\u00e3o percebeu? Cad\u00ea aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cad\u00ea a pazinha de brincar na areia, as festinhas de anivers\u00e1rio com palha\u00e7os, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">A crian\u00e7a est\u00e1 crescendo num ritual de obedi\u00eancia org\u00e2nica, desobedi\u00eancia civil. E voc\u00ea agora est\u00e1 ali, na porta da discoteca, esperando que ela n\u00e3o apenas cres\u00e7a, mas apare\u00e7a. Ali est\u00e3o muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Entre <em>hamburguers<\/em> e refrigerantes l\u00e1 est\u00e3o nossos filhos, com o uniforme de sua gera\u00e7\u00e3o: inc\u00f4modas mochilas da moda nos ombros nus, ou, ent\u00e3o, com a blusa amarrada na cintura. Est\u00e1 quente, achamos que v\u00e3o estragar a blusa, mas n\u00e3o tem jeito, \u00e9 o emblema da gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Pois ali estamos, com os cabelos j\u00e1 embranquecidos. Esses s\u00e3o os filhos que conseguimos gerar apesar dos golpes dos ventos, das colheitas das not\u00edcias e das ditaduras das horas. E eles   crescem meio amestrados, observando muitos erros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">H\u00e1 um per\u00edodo em que os pais v\u00e3o ficando \u00f3rf\u00e3os dos pr\u00f3prios filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">N\u00e3o mais os colhemos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre g\u00edrias e can\u00e7\u00f5es. Passou o tempo do bal\u00e9, do ingl\u00eas, da nata\u00e7\u00e3o e do jud\u00f4. Sa\u00edram do banco de tr\u00e1s e passaram para o volante das pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Dever\u00edamos ter ido mais \u00e0 cama deles ao anoitecer, para ouvirmos sua alma respirando conversas e confid\u00eancias entre os len\u00e7\u00f3is da inf\u00e2ncia e os adolescentes cobertos, naquele quarto cheio de adesivos, posters, agendas coloridas e discos ensurdecedores. N\u00e3o, n\u00e3o os levamos suficientes vezes ao maldito <em>Play Center<\/em>, <em>Shopping<\/em>, n\u00e3o lhes demos suficientes <em>hamburguers<\/em> e cocas, n\u00e3o lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Eles cresceram sem que esgot\u00e1ssemos neles todo o nosso afeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center; padding-left: 30px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-721\" title=\"Meninada4\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Meninada4-300x193.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"174\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Meninada4-300x193.jpg 300w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Meninada4.jpg 418w\" sizes=\"auto, (max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">No princ\u00edpio subiam a serra ou iam \u00e0 casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, p\u00e1scoas, piscinas e amiguinhos. Sim, havia as brigas dentro do carro, disputa pela janela, pedido de chicletes e sandu\u00edches, cantorias infantis. Depois chegou a idade em que viajar com os pais come\u00e7ou a ser um esfor\u00e7o, um sofrimento, pois era imposs\u00edvel largar a turma e os primeiros namorados. Os pais ficaram, ent\u00e3o, exilados dos filhos. Tinham a solid\u00e3o que sempre desejaram, mas, n\u00e3o de repente, morriam de saudades daquelas pestes. O jeito \u00e9 esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto \u00e9 a hora do carinho ocioso e estocado n\u00e3o exercido nos pr\u00f3prios filhos e que n\u00e3o pode morrer conosco. Por isso os av\u00f3s s\u00e3o t\u00e3o desmesurados e distribuem t\u00e3o incontrol\u00e1vel afei\u00e7\u00e3o. Os netos s\u00e3o a \u00faltima oportunidade de reeditar nosso afeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-722\" title=\"Foto: Leni David\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/MoneQuel-202x300.jpg\" alt=\"\" width=\"182\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/MoneQuel-202x300.jpg 202w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/MoneQuel.jpg 326w\" sizes=\"auto, (max-width: 182px) 100vw, 182px\" \/><\/p>\n<p><strong>Observa\u00e7\u00e3o<\/strong>: Esta cr\u00f4nica tem muito a ver com algumas coisas que\u00a0tenho pensado\u00a0nos \u00faltimos tempos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0Affonso Romano de Sant\u2019anna H\u00e1 um per\u00edodo em que os pais v\u00e3o ficando \u00f3rf\u00e3os de seus pr\u00f3prios filhos. \u00c9 que as crian\u00e7as crescem. 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