{"id":896,"date":"2010-08-04T18:33:43","date_gmt":"2010-08-04T21:33:43","guid":{"rendered":"http:\/\/lenidavid.com.br\/?p=896"},"modified":"2011-09-15T18:46:46","modified_gmt":"2011-09-15T21:46:46","slug":"hera-uma-vez-em-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=896","title":{"rendered":"Hera uma vez, em Paris"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-901\" title=\"Foto: Simone Carneiro\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/MonevistaParis1-300x224.jpg\" alt=\"Foto: Simone Carneiro\" width=\"475\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/MonevistaParis1-300x224.jpg 300w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/MonevistaParis1.jpg 536w\" sizes=\"auto, (max-width: 475px) 100vw, 475px\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 300px;\"><em>Leni David<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Uma foto antiga, um fragmento de uma can\u00e7\u00e3o qualquer, palavras rabiscadas \u00e0 margem de um livro t\u00eam a for\u00e7a de nos transportar para outras \u00e9pocas, para outros lugares, al\u00e9m de despertar momentos que ficariam para sempre na penumbra do inconsciente. Quantas vezes momentos \u00fanicos foram revividos gra\u00e7as aos guardados engavetados, por acaso, ou por querer? Quantas vezes tivemos o privil\u00e9gio de (re)visitar o passado gra\u00e7as a um min\u00fasculo flagrante recuperado pela audi\u00e7\u00e3o, pelo olfato ou pela vis\u00e3o? Os sentidos s\u00e3o antenas que captam fragmentos da realidade e t\u00eam o poder de nos conduzir pelos labirintos da mem\u00f3ria e de avivar em cores definidas, a imagem de um lugar, de um tempo adormecido, de coisas e pessoas que povoaram a nossa trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Folheando uma antiga revista <em>Hera<\/em>, (re)visitei um tempo de v\u00f4os destemidos, de esperas e expectativas, tempo em que uma jovem interiorana, t\u00edmida e ing\u00eanua, enfrentaria as armadilhas da cidade com suas luzes e mist\u00e9rios. Tempo de juventude e de destemor, de ang\u00fastias e aprendizados, mas, sobretudo, de buscas. A <em>Hera<\/em> viajou na bagagem, no in\u00edcio dos anos 80, rumo a Paris, cidade sempre pintada com as cores do arco-\u00edris, cores de sonho e fantasia. Aqui, era tempo de ditadura e, muitas vezes, as vontades de dizer e de querer eram sufocadas; na Fran\u00e7a, Miterrand assumia o poder sob o signo da rosa vermelha. <em>L\u2019important c\u2019est la rose<\/em>\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Havia o desejo de voar alto, de ajudar a construir um mundo novo e justo, pleno de liberdade. As can\u00e7\u00f5es que escondiam mensagens nas entrelinhas, os Jos\u00e9s de Drummond, os Severinos de Melo Neto e os carac\u00f3is dos cabelos de Caetano ajudavam a alimentar as utopias. Os versos de Vin\u00edcius enchiam cora\u00e7\u00f5es de amor e os outros poetas, consagrados ou n\u00e3o, brotavam do papel e saiam das bocas para traduzir a vida. E a <em>Hera<\/em> fazia parte do cotidiano dessa gera\u00e7\u00e3o por traduzir sentimentos pr\u00f3ximos da realidade. Os poetas da <em>Hera<\/em> eram vis\u00edveis, andavam pelas ruas, davam aulas, jogavam bola, trabalhavam em bancos, arquitetavam casas, faziam arte com palavras e pinc\u00e9is e faziam parte da cidade; eles cantavam os anseios de uma gera\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de palavras doces, \u00e0s vezes brutas, \u00e0s vezes afiadas como navalhas. A <em>Hera<\/em> cabia no bolso e no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Os anos passaram e um dia \u2013 quase vinte anos depois &#8211; a <em>Hera<\/em> voltou ao seu lugar de origem \u2013 a Bahia &#8211; numa nova bagagem. Era tempo de recome\u00e7o, tempo de constru\u00e7\u00e3o, tempo de assentar a poeira e fincar ra\u00edzes na Terra. Os objetos, os livros, sa\u00edam das caixas para preencher novos espa\u00e7os. Entre eles, a <em>Hera<\/em> n\u00b0 10 com a sua capa azul e branca amarrotada pelo tempo; entre as p\u00e1ginas, anota\u00e7\u00f5es feitas a l\u00e1pis e uma data: \u201cParis, tarde de domingo, 1983\u201d; e a tradu\u00e7\u00e3o de dois poemas de Roberval Pereyr.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">O tempo havia esmaecido as lembran\u00e7as e a (re)leitura dos poemas trouxe de volta uma sala, uma poltrona, um endere\u00e7o: 41, <em>rue Brancion<\/em>. Fazia frio e na rua, a cor cinzenta dos pr\u00e9dios emoldurados pela janela confundia-se com as nuvens escuras. Acho que era janeiro. Chumbo na paisagem, chumbo no cora\u00e7\u00e3o daquela que olhava, triste, os galhos desfolhados das \u00e1rvores da cal\u00e7ada, que se exibiam num movimento lento e compassado com seus galhos enegrecidos como garras de monstros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">O r\u00e1dio tocava baixinho um noturno de Chopin. O som da melodia entorpecia desejos e impregnava a sala com suas notas; a tarde era triste e a minha alma era de chumbo como o dia l\u00e1 fora. Os poemas que lia naquela tarde de inverno, talvez escritos numa noite de \u201ctropical melancolia\u201d, tinham o poder de traduzir-me, de revelar-me como imagem refletida em \u00e1gua cristalina. Era o encontro entre a professorinha interiorana de alma escancarada e a cidad\u00e3 cosmopolita, com seus medos e ang\u00fastias. Era a constata\u00e7\u00e3o de que a cidade dos sonhos &#8211; Paris \u2013 nem sempre era sin\u00f4nimo de para\u00edso, como todos acreditavam. Os versos do poeta foram transportados para a l\u00edngua de Voltaire:<\/p>\n<h5 style=\"padding-left: 60px;\">Can\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u201cHabito a mans\u00e3o dos tristes, dos inconcili\u00e1veis\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">T. S. Rausto<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0\u201cN\u00e3o tenho muitas vontades:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">contemplo a brisa;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00e0s vezes me d\u00f3i (\u00e0 tarde) a vida).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">S\u00e3o poucos meus companheiros,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">eles est\u00e3o perdidos \u2013<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">e eu perdido com eles. Comigo.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">S\u00e3o poucos e nunca os tive<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">nem os conheci \u2013<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">apenas nos reunimos: para existir.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<h5 style=\"padding-left: 60px;\">Chanson<\/h5>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u201cJ\u2019habite la demeure des tristes, des inconciliables\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0   T. S. Rausto<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Je n\u2019ai pas beaucoup d\u2019envies\u00a0:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">je contemple la brise\u00a0;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">parfois elle me fait du mal (l\u2019apr\u00e8s-midi) la vie.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Mes compagnons ne sont pas nombreux,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">ils sont perdus \u2013<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">et moi, perdu avec eux. Avec moi.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Ils sont peu nombreux et jamais je ne les ai eu<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">je ne les ai m\u00eame pas connus \u2013<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00e0 peine nous nous rassemblons\u00a0: pour exister.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-902\" title=\"Foto: Leni David\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/ParisLeni99-072-200x300.jpg\" alt=\"Foto: Leni David (1999)\" width=\"300\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/ParisLeni99-072-200x300.jpg 200w, https:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/ParisLeni99-072.jpg 359w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">A m\u00e3o perversa da solid\u00e3o apertava a garganta, calava a voz. A cidade estava ali, oferecida, com seus brilhos de lantejoulas. Mas a consci\u00eancia e a impot\u00eancia grotesca empurravam para o ref\u00fagio melanc\u00f3lico do apartamento, onde havia aus\u00eancias: um mausol\u00e9u encravado no est\u00f4mago da urbe. E os companheiros, onde estavam? Refestelavam-se ao sol? Os poucos companheiros talvez n\u00e3o estivessem como eu, perdida em mim mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Naquele tempo, Can\u00e7\u00e3o revelou verdades a um ser ing\u00eanuo, compadecido de si, v\u00edtima do vazio. O segundo poema, no entanto, revelou d\u00favidas, talvez nunca antes decifradas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 90px;\"><strong>Rigor 3<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Sou infeliz e quero conhecer-me:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">quero saber quem sou por estes dias<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">t\u00e3o cheios de terror, quero saber-me.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Quero morrer de novo e renascer-me<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">e quero estar transido de agonias<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">e conhecer-me, quero conhecer-me.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">este \u00e9 o meu grito e, nele, quero ver-me<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">e comover-me em cantos, calmarias:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">hei de saber-me, ah, hei de saber-me.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>Rigueur 3<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Je suis malheureux et je veux me conna\u00eetre\u00a0:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">je veux savoir qui je suis dans ces jours<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">si pleins de terreur, je veux me conna\u00eetre.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Je veux mourir \u00e0 nouveau et rena\u00eetre<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">et je veux \u00eatre transi d\u2019agonies<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">et me conna\u00eetre, je veux me conna\u00eetre.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Ceci est mon cri et, en lui, je veux me voir<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">et je veux m\u2019\u00e9mouvoir dans les chants, dans les accalmies\u00a0:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">il faut que je me sache, ah\u00a0,\u00a0 il faut que je me connaisse.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">A criatura daquele instante iniciou sua caminhada naquela tarde de chumbo, como se morresse ao entardecer e renascesse a cada manh\u00e3; os versos do poeta se tornaram seus; os dias de chumbo perderam a sua for\u00e7a e o brilho da cidade n\u00e3o incomodava mais. A coragem refor\u00e7ou-se fermentada pelo medo. O tempo passou&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Nesse instante entrego de volta, Poeta,\u00a0 &#8211; agradecida, os seus versos que roubei um dia e que ajudaram a afrontar verdades; a trilhar os caminhos da cidade, a contemplar a luz sem ofuscar os olhos, <em>malgr\u00e9 tout<\/em>. Paris, com suas cores, luzes e mist\u00e9rios, deixou marcas indel\u00e9veis na mem\u00f3ria e uma profunda saudade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Feira de Santana, Bahia; mar\u00e7o de 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Obs. Os poemas <em>Rigor 3<\/em> e <em>Can\u00e7\u00e3o<\/em> s\u00e3o da autoria do poeta Roberval Pereyr e foram extra\u00eddos da Revista <em>Hera<\/em>, n\u00b0 10, Edi\u00e7\u00f5es Cordel, 1978, p. 35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">O poeta baiano Roberval Pereyr (1953-) \u00e9 co-fundador da revista <em>Hera<\/em>, junto com o poeta Antonio Brasileiro; Roberval \u00e9 doutor pela UNICAMP e professor de Teoria Liter\u00e1ria na Universidade Estadual de Feira de Santana &#8211; UEFS, Bahia. Al\u00e9m de participar em diversas antologias, Roberval publicou v\u00e1rios livros, entre eles: <em>As roupas do nu<\/em> (1981); <em>Ocidentais<\/em> (1987); <em>O S\u00fabito Cen\u00e1rio<\/em> (1996); <em>Concerto de Ilhas<\/em> (1997); <em>Sagu\u00e3o de Mitos<\/em> (1998); <em>Pequenos Assombros<\/em> e <em>A unidade Primordial da L\u00edrica Moderna<\/em> (2000). <em>Acordes<\/em> (2010). Am\u00e1lgama &#8211; <em>Nas Praias do Avesso e poesia Anterior <\/em>(2004).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Em sua obra o poeta nomear e avaliar os sentidos do seu percurso e da saga humana, atrav\u00e9s da linguagem e dos gestos, como se alertando a si mesmo e ao leitor de que tudo resulta da experi\u00eancia e da cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><strong>Observa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\u00a0A cr\u00f4nica\u00a0&#8220;Hera era uma vez, em Paris&#8221; foi publicada originalmente na <em>Tribuna Cultural<\/em>, Ano III, n\u00b0 144, em 03 de julho de 2005, quando se comemorava o Ano Fran\u00e7a &#8211; Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-903 aligncenter\" title=\"Foto: Leni David\" src=\"http:\/\/lenidavid.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/ParisLeni99-018-300x200.jpg\" alt=\"Foto: Leni David\" width=\"475\" height=\"356\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Leni David &nbsp; Uma foto antiga, um fragmento de uma can\u00e7\u00e3o qualquer, palavras rabiscadas \u00e0 margem de um livro t\u00eam a for\u00e7a de nos transportar para outras \u00e9pocas, para outros lugares, al\u00e9m de despertar momentos que ficariam para sempre &hellip; <a href=\"https:\/\/lenidavid.com.br\/?p=896\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[30,12,14],"tags":[1856,174,337,34,338],"class_list":["post-896","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas-leni-david","category-memoria","category-poemas-e-poetas","tag-cronicas","tag-franca","tag-hera-uma-vez-wm-paris","tag-leni-david","tag-roberval-pereyr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/896","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=896"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/896\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":899,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/896\/revisions\/899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=896"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=896"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lenidavid.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=896"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}