Parte 3: Ida e volta

Por Simone

No dia do meu aniversário de 8 anos, lembro da minha surpresa e felicidade quando descobri na minha cama, um belo conjunto, uma camisa marrom franzida e uma saia trapézio. Meu presente de aniversário. Meu bolo de aniversário foi uma boneca com cabelos de ameixa.

A radiola tocava:

“…Reconhece a queda

e não desanima,

Levanta, sacode a poeira

e ainda volta por cima…”

Paulo Vanzolini

Nos anos 90 a música continuava presente no nosso Lar, estávamos no Brasil.

Se ouvia, Paulo Diniz, Geraldo Azevedo…

“Um chope, pra distrair…”

Com, 14 anos, escolhi minha própria música, pois era adolescente, gritava nas músicas de Rage Against the Machine. Nada muito suave e sensível. Quero me desculpar de ter feito dano muitos ouvidos nesse período.

Dez anos mais tarde, quando passava meus domingos à noite dançando no clube de Salsa nos Champs-Elysées, O Montecristo, minha Mãe me acordava no dia seguinte cantando:

“Dáme música Latina,

 porque me siento muy bien…”

(autor desconhecido)

Seu canto me acordava enquanto abria a janela do meu quarto, já era hora do almoço.

Tableau_de_Leni-3-reduzidoAuvergne

Houveram dias mais tristes quando minha Mãe soluçava ouvindo o Ciúme, ou Cajuína de Caetano Veloso,

“Existirmos,

a que será que se destina? “

 A melodia levava a tristeza pra lá, ou pelo menos tentava.

Juraci-10-reduzidoJuraci Dórea

Entre Villalobos e suas Bachianas Brasileiras, Ravel e seu Bolero, As Quatro estações de Vivaldi, os cantores de MPB iluminavam essa sala de Châtillon, no sul de Paris, onde a saudade Brasileira era palpável apesar da linda vista para Montmartre.

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