O homem e seu carnaval

 

Carlos Drummond de Antrade

 

Deus me abandonou

 no meio da orgia

 entre uma baiana e uma egípcia.

 Estou perdido.

 Sem olhos, sem boca

 sem dimensões.

 As fitas, as cores, os barulhos

 passam por mim de raspão.

 Pobre poesia.       

 

O pandeiro bate

 é dentro do peito

 mas ninguém percebe.

 Estou lívido, gago.

 Eternas namoradas

 riem para mim

 demonstrando os corpos,

 os dentes.

 Impossível perdoá-las,

 sequer esquecê-las.

 

Deus me abandonou

 no meio do rio.

 Estou me afogando

 peixes sulfúreos

 ondas de éter

 curvas curvas curvas

 bandeiras de préstitos

 pneus silenciosos

 grandes abraços largos espaços

 eternamente.

Evolução do carnaval da Bahia III

 

Os blocos de trios

Aurélio Schommer

O Bloco Internacionais é de 1962. A ele se seguiram o Corujas, em 1963, As Muquiranas, em 1966, Camaleão (1978), Eva e Cheiro de Amor (1980) e Crocodilo (1985), além de dezenas de outros. Se, no início, os trios viviam apenas de publicidade, com os blocos e suas cordas passaram a ter uma fonte de receita ainda mais significativa, chegando a faturar milhões em cada carnaval. Essa fórmula (trio + patrocínio + bloco com cordas) será igualmente exportada para micaretas e outras festas, multiplicando as receitas da indústria do carnaval baiano.

 Alguns blocos geram bandas, que gravam discos de grande sucesso. Nova fonte de receita e mais divulgação para a produção musical baiana, que atinge o auge nos últimos 30 anos. Por falar em música, o chamado axé não é um gênero, mas uma marca da música baiana que incluiu o frevo, o samba, o rock, o pop, a balada e, acreditem, marchas de bandas militares, onde se formaram muitos dos músicos que fariam os primeiros carnavais de trio. O axé é sobretudo a mistura de todos esses ritmos, reinventados. É criação permanente, a cada ano diferente, mas sempre respeitando a essência da forma de brincar em torno do trio elétrico, o seu dançar e pular típicos.

Nenhum grupo representa melhor o carnaval baiano atual do que a Timbalada, fundado em 1993 por Carlinhos Brown, que envolve a comunidade do Candeal. Nele, tudo se cria e recria com muita velocidade, com grande apuro técnico e artístico.

O modelo do carnaval baiano recebe muitas críticas de quem fica de fora da corda e até hoje não conseguiu emplacar com sucesso como espetáculo televisivo, residindo aí sua grande limitação. A grandiosidade dos trios e o fluxo de foliões, por outro lado, tornaram as ruas estreitas, apertadíssimas. A possibilidade de mudar o circuito para locais mais amplos, porém, é temida em função da perda de tradição que representaria. A rua faz parte do carnaval baiano desde os primeiros carros alegóricos, do corso.

Como preservar tradição, melhorar o acesso do público não pagante de abadás e camarotes, e ganhar espaço físico para o trio sem perda de identidade são desafios que se colocam para nosso carnaval. Mas a criatividade do baiano haverá de dar respostas satisfatórias, como sempre aconteceu. Surgido entre nós como divertimento da elite, imposto como alternativa organizada contra o violento entrudo, o carnaval tornou-se parte de nossa cultura, símbolo de nossa identidade étnica e fonte de atração de recursos e turistas. Preservar o que a festa tem de melhor e torná-la cada vez mais bonita e representativa de nossas raízes depende de nós.

 

 

Dodô Osmar e o frevo novo

“Todo mundo na praça e manda a gente sem graça pro salão”, diz o verso de Caetano Veloso. A metade do século XX está para chegar e o carnaval nas muitas praças populares, nos bairros e em alguns pontos do centro, vai se tornando manifestação de massa aceita e aplaudida, enquanto a elite tradicional mantém os bailes nos salões. O corso entra em decadência, mas será salvo por uma invenção que irá unir elite e povo num só carnaval: o trio elétrico.

 O trio é de 1951, obra do engenheiro Temístocles Aragão. Mas ele não teria criado a invenção se não fosse uma dupla inventar a guitarra elétrica brasileira (já existia nos Estados Unidos), adaptada a um automóvel, no ano anterior, obra de Adolfo Nascimento (Dodô) e Osmar Macedo, que também criaram o ritmo “frevo novo”, adaptação do tradicional ritmo pernambucano à nova instrumentação.

O sucesso da novidade foi instantâneo e não apenas mudou radicalmente o modo predominante de se brincar na Bahia como daria início, anos depois, à exportação da folia baiana para todo Brasil e exterior.

 O trio rompe os conceitos de espaços privados, pois atrás dele, pulando, vão gentes de todas as classes sociais, dançando e pulando de todas as maneiras possíveis, ao som de ritmos misturados, o que bem mais tarde será chamado de axé (em iorubá = energia vital).

 Mas o trio, para se impor, precisava de patrocínio. Em 1952, a Fratelli Vita, fábrica baiana de refrigerantes, patrocina Dodô e Osmar, que inauguram, no mesmo ano, o caminhão no lugar da picape e da “fubica”, como fora batizado o primeiro carro, um Ford 1929, da dupla. Nesse mesmo ano, surge a micareta de Feira de Santana, logo em seguida a de Alagoinhas, inspiradas pelas novidades.

 Assim, vitaminado pelos patrocínios e amado pelos foliões, o trio não para de crescer e caracteriza definitivamente o carnaval baiano aos olhos dos brasileiros e estrangeiros, que comparecem em grande número a nosso carnaval. O carnaval de trio, além das micaretas e outras festas, passa a ser a forma de festejar predominante de muitas outras cidades, todas tendo a Bahia como referência, um sucesso que enche de orgulho o povo baiano.

Aurélio Schommer –  É natural de Caxias do Sul – RS (1967), radicado em Salvador desde 1995, é escritor e vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura da Bahia. Em 2011, foi o curador da 1ª edição da Flica, de que é fundador e participante da curadoria. É ex-presidente da Câmara Bahiana do Livro – CBaL (gestão 2009/2010). Autor de “História do Brasil vira-lata” (Casarão do Verbo – 2012), tem oito títulos publicados, entre romances, relatos históricos, livro de contos e o Dicionário de Fetiches (2008), obra de referência. Participa de um quadro periódico sobre literatura na rádio Educadora, de Salvador.

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Estação Verão SESC e Dia do Comerciário 2014

 

O Carnaval chegou, e o SESC não vai deixar ninguém parado durante essa grande festa!

No dia 02 de março, domingo de Carnaval, no Projeto Estação Verão SESC, teremos o pagode de mesa do Grupo R6 e o ecletismo de Valdômio e seus teclados, além de palestra odontológica com distribuição de kits dentais.

Dia 03 de março, segunda-feira de Carnaval, O SESC comemora o Dia do Comerciário com uma grande festa e diversas atividades como Brinquedos infláveis; Oficinas com material reciclável; Contação de Histórias, Recreadores Infantis, tenda da saúde e oficinas de educação ambiental.

Ainda no Dia do Comerciário teremos shows musicais com o chorinho refinado do Choro & Samba Entre Amigos, e toda a tradição e alegria com o samba de roda da Quixabeira da Matinha.

E no dia 04 de março, terça-feira, encerrando o Carnaval e o Projeto Estação Verão no SESC, teremos o romantismo de William Vally e a animação de David Junior.

Comerciário! Reúna sua família e venha curtir o CARNAVAL no SESC!

Atenção! O acesso ao SESC é restrito aos seus associados e dependentes com a carteira atualizada, regra essa, válida para todas as idades.

Programa Santander oferece bolsas de intercâmbio para alunos da Uefs

 

Até o dia 7 de abril estarão abertas as inscrições para seleção de graduandos interessados em participar do Programa de Bolsas Ibero-Americanas do Banco Santander. Cinco bolsas serão disponibilizadas a estudantes da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) para início do intercâmbio em janeiro ou fevereiro de 2015. As inscrições devem ser feitas das 8 às 11h30 e das 14 às 17h30 na Assessoria Especial de Relações Institucionais (Aeri) da Uefs, localizada no prédio da Administração Central, 1º andar.

Apresentar bom desempenho acadêmico, estar regularmente matriculado e, no semestre em que realizará o intercâmbio, ter integralizado no mínimo 40% e no máximo 80% do currículo do curso, são alguns dos pré-requisitos para participar da seleção.

O edital está publicado no site http://aeri.uefs.br. Mais informações pelo telefone (75) 3161-8036.

Atualmente, cinco estudantes estão cursando intercâmbio através do convênio entre a Uefs e o Santander: Deise Fraga (Engenharia de Alimentos / Portugal); Izabela Maciel (Engenharia Civil / Espanha); Alana da Silva (Odonto / Portugal); Camila Braga (Direito / Espanha); Daian da Cruz (Educação Física / México).

Fonte: Ascom

 

 

Mudança na direção do Cuca

 

selma_soares_e_celismara_gomes_foto_ailton_pitombo                Selma Soares e Celismara Gomes – Foto: Ailton Pitombo

Foi empossada na manhã desta segunda-feira (13) a nova diretora do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca) da Universidade Estadual de Feira de Santana. Selma Soares de Oliveira, professora do Departamento de Letras e Artes (DLA) e também museóloga da Uefs, já esteve à frente do Cuca no período de 2007 a 2010.

Na solenidade, realizada na Reitoria, a nova diretora afirmou que dará continuidade ao que classificou de excelente trabalho já desenvolvido pela equipe do Cuca. “Fui estimulada a retornar pelo projeto político cultural da Uefs e também pela equipe que sei que poderei contar. Como diferencial, pretendo estreitar os laços entre o Cuca e a Secretaria de Cultura de Feira de Santana. O principal objetivo é aumentar o número de eventos culturais abertos à comunidade”, destacou.

Presente no evento, o reitor da Uefs, José Carlos Barreto, agradeceu a colaboração da antiga gestora, Celismara Gomes, e desejou sucesso a Selma Soares. Também participaram da solenidade, o secretário municipal de Cultura, Jailton Batista, funcionários do Cuca e artistas feirenses.

Júlia do Monte – Ascom/Uefs