Nhô Guimarães está de volta!

 

Em 2008, ano em que se comemorou o centenário do escritor mineiro, João Guimarães Rosa, o Núcleo Criaturas Cênicas de Salvador/BA, realizou a adaptação do romance Nhô Guimarães (2006) para a linguagem teatral, do escritor baiano Aleilton Fonseca, escrito para homenagear os 50 anos do livro Grande Sertão: Veredas (1956) de João Guimarães Rosa. A adaptação para o teatro foi realizada por Deusi Magalhães e Edinilson Motta Pará, atriz e diretor desta montagem que teve sua pré-estréia no teatro do IRDEB em 27 de novembro de 2008. O projeto Nhô Guimarães Pelo Sertão do Núcleo Criaturas Cênicas foi um dos vencedores do Programa BNB de Cultura/2009.

O espetáculo, em forma de monólogo, transpõe para o palco a vida, as idéias e a mítica do nosso sertão, privilegiando a linguagem falada rica em neologismos, recheadas de palavras incomuns próprias dessas regiões e tão presente nas obras do autor mineiro. Esse tratamento é mantido na encenação como forma de valorização da diversidade lingüística, existente na língua portuguesa, especialmente a encontrada no sertão brasileiro.

Essa visão é apresentada através dos causos contados por uma senhora octogenária a um visitante. Entre uma estória e outra, a velha cita a presença de um amigo do falecido marido, Nhô Guimarães, senhor de jeitos elegantes, que sempre os visitava, com “seu ouvido bom de ouvir causos e seus óculos pretos de aros redondos”. Uma referência direta ao escritor mineiro João Guimarães Rosa. Enquanto relata suas lembranças, a velha desenvolve ações cotidianas, como coar um café, apertar um fumo de rolo, fazer um pirão, dar comida às galinhas etc., busca-se criar uma transposição de quem assiste para o ambiente do cotidiano interiorano.

O espetáculo é pura poesia. Para mais informações sobre o autor e o romance clique aqui.

Palavra Cantada

 

Temos a satisfação de anunciar o III Encontro de Estudos da Palavra Cantada, uma promoção conjunta do Programa de Pós-graduação em Música da UNIRIO e do PACC – Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ, com o apoio da CAPES, FAPERJ, UNIRIO, CNFCP/IPHAN e CAIXA Cultural RJ.

O evento acontecerá no Rio de Janeiro, de 23 a 26 de agosto, no Salão Pedro Calmon, Fórum de Ciência e Cultura, Campus da UFRJ na Urca.

O III Encontro de Estudos da Palavra Cantada tem como objetivo central promover a reflexão sobre as múltiplas e heterogêneas modalidades da palavra cantada – da mitopoética das sociedades tradicionais até a canção popular contemporânea –, a partir de abordagens que permitam apreender a interação entre suas dimensões verbal, musical, vocal e performática.

A conferência de abertura será proferida pelo professor e etnomusicólogo Anthony Seeger, da University of California em Los Angeles, cujas análises sobre as artes verbomusicais de povos indígenas do Brasil são referência para os interessados na matéria. No encerramento, teremos palestras do professor Stéphane Hirschi, da Université de Valenciennes, especialista nas relações entre poesia e canção; e do professor e compositor José Miguel Wisnik, amplamente reconhecido por seu trabalho criativo e investigativo nos domínios literários e musicais.

Além desses conferencistas, participarão do evento palestrantes de diversas áreas de estudo e atividade artística, representando 12 universidades e instituições culturais. Eles tratarão de um amplo leque de expressões da palavra cantada, em vários cenários sociais, discutindo associações entre letra e melodia, teorias da voz e da performance, problemas e modelos de análise, história da canção popular brasileira etc.

Após as sessões de palestras, nos quatro dias do evento, serão apresentados pequenos recitais de artistas que ilustram manifestações diferenciadas de palavra cantada, com usos originais ou específicos de palavra, música e voz.

Mais informações sobre o evento e sobre os procedimentos de inscrição, bem como a lista de palestrantes, com os títulos e resumos das palestras, podem ser encontradas na nossa página.

Comissão organizadora:

Profª Elizabeth Travassos (CLA-UNIRIO)

Profª Cláudia Neiva de Matos (UFF; PACC-UFRJ)

Profª Liv Sovik (ECO / PACC-UFRJ)

Estudantes da Uefs farão intercâmbio no exterior

 

A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) assinou, nesta terça-feira (2), contrato de intercâmbio com 21 estudantes da graduação que vão cursar disciplinas em universidades parceiras da Argentina, Portugal e França. A solenidade foi realizada pela manhã no prédio da Administração Central com a presença do vice-reitor Genival Correa, do chefe da Assessoria de Relações Interinstitucionais (Aeri) Washington Franca-Rocha, dos estudantes e de familiares.

A estudante Shirley Geany Souza, do curso de Educação Física, vai fazer intercâmbio na Universidade de Coimbra, Portugal. Ela afirmou que a oportunidade “vai ampliar as possibilidades de crescimento profissional através dos novos conhecimentos que serão adquiridos”. Deise da Silva Conceição, do curso de Letras com Francês e que viaja para a Université Rennes 2, França, afirmou que “a bolsa é uma oportunidade única para o enriquecimento profissional e cultural”.

O Programa Institucional Bolsa Intercâmbio da Uefs disponibiliza bolsas desde 2005 para estudantes da graduação. No início, foram cinco bolsas e hoje são oferecidas 25 por ano. Os estudantes são responsáveis pelo transporte, mas recebem subsídio da Uefs para alimentação e alojamento nas universidades de destino.

O chefe da Aeri, Washington Franca-Rocha, salientou que os bolsistas viajam com a chancela da Uefs perante as instituições parceiras no exterior. A bolsa tem duração de seis meses com possibilidade de renovação.

Ascom/Uefs

 

Lançamento de livro – Sertões da Bahia

 

A Livraria LDM, a Editora Arcádia e os autores

convidam para o lançamento da obra

SERTÕES DA BAHIA

Formação Social, Desenvolvimento Econômico,

Evolução Política e Diversidade Cultural

 

Organizado por Erivaldo Fagundes Neves

 Sábado, 06 de agosto, à partir das 10h, na Livraria LDM.

(Rua Direita da Piedade, nº 22, Piedade. Próximo ao Banco do Brasil e à Secretaria de Segurança Pública)

A OBRA:

Este estudo coletivo dos sertões da Bahia pretende oferecer um panorama de viveres comunitários e de recortes regionais com o objetivo de ampliar as possibilidades de investigação de suas peculiaridades e estimular novos estudos de cotidianos históricos das diversas Bahias sertanejas. Organizado para uso de alunos de História da Bahia, atende também a interesses de estudiosos da economia, da sociedade, da cultura e da vida política desta unidade federativa. Apresenta análises tanto de algumas opções temáticas quanto de determinados recortes espaciais, em formato diferente dos tradicionais compêndios de história de unidades federativas, que tentam abarcar as suas totalidades territoriais. Do mesmo modo que a História do Brasil, a da Bahia não se caracteriza por um somatório de fatos e dados regionais e locais ou de assuntos sobre determinados temas, porque deve registrar os grupos sociais nas suas articulações inter-regionais, nacionais e exteriores, cujas memórias se conseguem recuperar.

Para o estudo de viveres e saberes de grupos humanos recorre-se ao uso de diferentes recursos metodológicos através da articulação de temas específicos ou do cotidiano de determinadas comunidades, sem que se constituam fragmentos do todo, mas conhecimentos de experiências sociais em tempos e lugares historicamente construídos por distintos grupos, em diferentes formas de interação social, diversificação cultural, integração econômica e articulação política.

 O ORGANIZADOR:

Erivaldo Fagundes Neves – Cursou Licenciatura em História na Universidade Católica do Salvador (1976), Especialização em Conteúdo e Métodos do Ensino Superior na Universidade Federal da Bahia (1977), Mestrado em História na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1985) e Doutorado em História na Universidade Federal de Pernambuco (2003), com um ano de bolsa na Universidade de Salamanca (Espanha). Professor pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana. Tem experiência de ensino na área de História, em cursos de graduação, especialização e mestrado nas disciplinas: História Econômica Geral, Formação Econômica do Brasil, Evolução do Capitalismo, História da Bahia, Metodologia da Pesquisa Histórica, Historiografia, História Regional e Local e História Agrária. Desenvolve pesquisas sobre os sertão da Bahia, escravidão na pecuária e nas policulturas do semi-árido, História Agrária, Teoria e Metodologia da História.

O Dia do Amigo é ontem, hoje, amanhã…

 

Quem é amigo ?

Amigo é quem, conhecido ou não, vivo ou morto, nos faz pensar, agir ou se comportar no melhor de nós mesmos. É quem potencializa esse material. Não digo que laboremos sempre no pior de nós mesmos (algumas pessoas, sim) mas nem sempre podemos ser integrais para operar no melhor de nós. Há que contar com algum elemento propiciador, uma afinidade, empatia, amor, um pouco de tudo isso. E sempre que agimos no melhor de nós mesmos, melhoramos, é a mais terapêutica das atitudes, a mais catártica e a mais recompensadora. Esta é a verdadeira amizade, a que transcende os encontros, os conhecimentos, o passado em comum, aventuras da juventude vividas junto. Um escritor ou compositor morto há mais de cem anos pode ser o seu maior amigo.

Esse conceito de amizade, transcende aquele outro mais comum: a de que amigo é alguém com quem temos afinidade, alguma forma de amor não sexual, alguém com quem podemos contar no infortúnio, na tristeza, pobreza, doença ou desconsolo. Claro que isso é também amizade, mas o sentido profundo desse sentimento desafiador chamado amizade é proveniente de pessoas, conhecidas ou não, distantes ou próximas, que nos levam ao melhor de nós. E o que é o melhor de nós? É algo que todos temos, em estado latente ou patente, desenvolvido ou atrofiado. Mas temos. E certas pessoas conseguem o milagre de potencializar esse melhor. Sentimo-nos, então, fundamente gratos e de certa maneira orgulhosos (no bom sentido da palavra) por poder exercitar o que temos de melhor. Este melhor de nós contém sentimentos, palavras, talentos guardados, bondades exercidas ou não.

Amar, ao contrário do que se pensa, não perturba a visão que se tem do outro. Ao contrário, aguça-a, aprofunda-a, aprimora-a. Faz-nos ver melhor. Também assim é a amizade, forma de especial de amor, capaz de ampliar a lucidez e os modos generosos e compreensivos de ver, sentir, perceber o outro e sobretudo -se possível- potencializar os seus melhores ângulos e sentimentos.

Somos todos seres carentes de ser vistos e considerados pelo melhor de nós. A trivialidade, a superficialidade, as disputas inconscientes, a inveja, a onipotência, a doença da auto-referência faz a maioria das pessoas transformar-se em vítimas do próprio olhar restritivo. E o olhar restritivo é sempre fruto da projeção que fazem (fazemos) nos demais, de problemas e partes que são nossas e não queremos ver. E quantas vezes isso acontece entre pessoas que se dizem amigas. Essas pessoas (que se dizem amigas), ignoram certas descobertas do velho Dr. Freud e através de chistes passam o tempo a gozar o “amigo”, alardeando intimidade (onde às vezes há inveja) como prova de amizade. O que não é. Mesmo quando é…

Se se quiser medir o tamanho de uma amizade, meça-se a capacidade de perceber, sentir e potencializar o melhor do outro, porque somente essa atitude fará dele uma pessoa cada vez melhor e por isso merecedora da amizade que se lhe dedica.

Arthur da Távola

Fonte: Blog de Maria Helena