Livro sobre João Ubaldo Ribeiro é premiado pela União Brasileira de Escritores

 

 

Categoria Ensaio – PRÊMIO AMELIA SPARANO

 Depois de ter sido lançado com sucesso na França (2005), o livro da professora Rita Olivieri-Godet, João Ubaldo RibeiroLittérature Brésilienne et Constructions Identitaires foi lançado também no Brasil – Bahia – no dia 31 de julho de 2009.

O trabalho é inteiramente dedicado ao estudo de romances, contos e crônicas do autor de Viva o Povo Brasileiro. A capa, obra da artista plástica Nanja, acrílico sobre tela, Série Barcos, 1998, tem arte final de Mariana Nada.

Com 288 páginas, o livro, uma publicação conjunta das editoras UEFS, Hucitec e da Academia Brasileira de Letras, constitui-se na mais completa reflexão até hoje publicada sobre a obra do escritor baiano, segundo a professora Zilá Bernd, da UFRGS/CNPq, na apresentação da obra. Ela afirma, ainda, que trata-se “de  leitura indispensável para todos os interessados nas relações literatura e identidade nacional e cultural, nas relações literárias e culturais interamericanas, literatura brasileira contemporânea e na constituição da nação e, mais especificamente, para aqueles que se detêm na produção literária de João Ubaldo Ribeiro”

A edição brasileira, Construções Identitárias na Obra de João Ubaldo Ribeiro,  é dividida em quatro capítulos que são precedidos por apresentação teórica sobre a questão identitária. O primeiro, com o título “Identidade, território e memória”, aborda Viva O Povo Brasileiro; o segundo, intitulado “Identidade, território e utopia”, trata de Vila Real e o Feitiço da ilha do pavão. Já no terceiro capítulo, que traz o título “Voz e identidade”, a autora analisa A casa dos budas ditosos, do ponto de vista da voz autorial e o Diário do Farol, tendo como foco a violência e o sujeito totalitário. O quarto e último capitulo “Estratégias narrativas e problemática identitária”, aborda alguns contos e as crônicas contidas em Um Brasileiro em Berlim, onde a relação do autor com a alteridade é tratada com originalidade.

Rita Olivieri-Godet é professora titular de Literatura Brasileira na Universidade de Rennes 2, França e diretora do Departamento de Português. Brasileira, especializou-se nas relações entre literatura e identidade, tomando como corpus privilegiado a produção literária dos séculos XX e XXI. Ela foi professora titular de Teoria da Literatura na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Publicou vários artigos em revistas nacionais e estrangeiras e livros sobre literatura e cultura brasileiras no Brasil e na França.

 

Rita Olivieri-Godet é Licenciada em letras Vernáculas com francês pela UFBa. Doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP e pós-doutorado na Universidade de Paris 10. Foi professora titular de Teoria da literatura da Universidade Estadual de Feira de Santana–Bahia e Professora Visitante de literatura brasileira da Universidade de Bordeaux 3. Vive atualmente na França, tendo prestado concurso para professora titular de literatura brasileira na Universidade de Rennes 2 em 2003, depois de ter assumido o cargo de  Maître de Conférences na Universidade de Paris 8 (1998-2003).

Entre 2004 e 2006 foi diretora adjunta da Ecole doctorale “Humanités et Sciences de l’Homme” de Rennes 2. Diretora do Departamento  de  Português de Rennes 2 é também responsável pela  coordenação do Master internacional “Les Amériques” e pelo laboratório de pesquisa PRIPLAP- Pôle de Recherche Interuniversitaire sur les pays de langue portugaise da equipe de pesquisa ERIMIT – Equipe de Recherche “Mémoires, Territoires, Identités”, no seio do qual organiza inúmeras atividades em torno da cultura brasileira, com um destaque especial para a cultura baiana.

O último colóquio internacional “João Guimarães Rosa: memória e imaginário do sertão-mundo”, realizado em Rennes2, em outubro de 2008, contou com a participação de pesquisadores de várias universidades brasileiras e estrangeiras e a presença representativa de artistas e professores baianos como Antônio Brasileiro, Juraci Dórea e Aleilton Fonseca.

Colabora com várias Universidades brasileiras entre as quais se destacam a Universidade Estadual de Feira de Santana-UEFS, a Universidade de São Paulo, a Universidade de Brasília, a Universidade Federal de Minas Gerais, entre outras. Publicou vários artigos em revistas nacionais e estrangeiras e vários livros sobre literatura e cultura brasileiras no Brasil e na França. Construções identitárias na obra de João Ubaldo Ribeiro é a versão revista de um livro publicado originalmente em francês, João Ubaldo Ribeiro: literatura brésilienne et constructions identitaires pela Presses Universitaires de Rennes, em 2005.

 Obras publicadas:

. GODET, Rita Olivieri, Construções identitárias na obra de João Ubaldo Ribeiro; tradução de Rita Olivieri-Godet e Regina Salgado Campos. São Paulo: Hucitec; Feira de Santana, BA: UEFS Ed.; Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2009. 288p.-(Linguagem e cultura; 44)

. GODET, Rita Olivieri, João Ubaldo Ribeiro : littérature brésilienne et constructions identitaires, Rennes : Presses Universitaires de Rennes, Collection Interférences / Programa de Pós-Graduação em Literatura e Diversidade Cultural/UEFS-Bahia, 2005, 244 pages.

. GODET, Rita Olivieri et HOSSNE, Andrea, La littérature brésilienne contemporaine  (de 1970 à nos jours), Rennes: Presses Universitaires de Rennes, 2007, 238 pages.

. GODET,Rita Olivieri et PENJON, Jacqueline, Jorge Amado : lectures et dialogues autour d’une œuvre, Paris : Presses de la Sorbonne Nouvelle, 2005, 208 pages.

. GODET, Rita Olivieri et PENJON, Jacqueline, Jorge Amado : leituras e diálogos em torno de uma obra, Salvador : Fundação Casa de Jorge Amado, 2004, 283 pages.

. GODET, Rita Olivieri et PEREIRA, Rubens Alves (sous lã direction de), Memória em movimento : o sertão na arte de Juraci Dórea , Feira de Santana – Bahia : UEFS/Programa de Pós-Graduação em literatura e Diversidade Cultural, 2003, 150 pages.

. GODET, Rita Olivieri (sous la direction de), Figurations identitaires dans les littératures portugaise, brésilienne et africaines de langue portugaise, Saint-Denis : Université Paris 8, Série “Travaux et Documents” n° 19, 2002, 259 pages.

. GODET, Rita Olivieri et SOUZA, Lícia Soares (sous la direction de), Identidades e representações na cultura brasileira, João Pessoa : Ideia Editora, 2001, 230 pages.

.  GODET, Rita Olivieri et BOUDOY, Maryvonne (sous la direction de), Le modernisme brésilien, Saint-Denis : Université Paris 8, Série “Travaux et Documents” n ° 10, 2000, 197 pages.

. GODET, Rita Olivieri (direction, présentation, sélection de poèmes, bibliographie) A poesia de Eurico Alves. Imagens da cidade e do sertão. Salvador : Fundação Cultural da Bahia / EGBA, 1999, 220 pages.

 

Aberto do Cuca proporciona 15 horas de diversão e arte

 

 Muita diversão, arte e cultura. Foi assim que a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), através do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), realizou o Aberto do Cuca deste ano. A Cia Cuca de Teatro, juntamente com pessoas da comunidade, realizou um cortejo teatral, que saiu da praça da Matriz em direção ao Cuca.  Cantando músicas e fazendo brincadeiras, os integrantes vestidos de palhaço, convidavam as pessoas para participar do Aberto com 15 horas de atividades, das 8 às 23 horas.

“A iniciativa deu certo,” afirma Jacy Queiroz, que coordena as oficinas teatrais. Segundo ela, esta foi a maneira mais alegre e divertida de conclamar público para o evento, que marca os 15 anos do Cuca. “A atividade atraiu grande número de pessoas, que acompanharam o cortejo até o  seu destino final”,comemorou.

Com uma intervenção urbana, o Grupo Gema, coordenado pela artista plástica Maristela Ribeiro, inaugurou a Alameda Georgina Erismann, em homenagem à musicista e poeta feirense e ao aniversário da cidade. Trata-se de uma rua imaginária que começa na porta de entrada do Cuca e se estende até a sinaleira, no encontro entre a Rua Conselheiro Franco e a praça da Bandeira. O artista plástico Juracy Dórea descerrou a placa inaugural, ao som do Hino à Feira executado por professores do Seminário de Música e integrantes do Coral da Uefs.

O grupo Gema é formado por artistas, estudantes e pesquisadores, com a proposta de refletir, através da arte, sobre as convergências artísticas na cidade e na vida contemporânea, de modo investigativo e experimental, explica Maristela Ribeiro.

O Aberto 2010 conta com uma vasta programação, incluindo música, dança, teatro, artes visuais, cultura popular, literatura e ciência. As atividades acontecem simultaneamente no Cuca, CDL e praça  da Matriz.

No Museu Regional de Arte, a exposição de esculturas reúne os artistas Jorge Galeano, Jaquisson Batista, Pithon, Sonia Pedreira, Juraci Dórea, Ronaldo Lima e Nailson Chaves, que mostra esculturas em ferro. Um trabalho interessante e, como define Chaves, inspirado a partir da exposição de pintura “Brinquedos Semânticos”, explorando signos nacionais.

Destaque para a oficina de lutheria (construção de violões), com o professor Gilberto Guimarães. Ele fez explanação sobre o instrumento, mostrando as partes que o compõem e a evolução da engenharia de construção. Gilberto vive na cidade de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia e é considerado um dos 50 profissionais dessa área no mundo inteiro, pelo GFA (Guitar Fundation of America).

O luthier  desenvolveu a sua própria técnica de construção e, por isso mesmo, é considerado um pesquisador. Ele conta que desde criança trabalhou em serraria, pois o pai era marceneiro e acabou se apaixonando por violino. “No  começo me dediquei à construção desse instrumento, utilizando madeiras européias. Depois, passei a me interessar também por violão, utilizando 80% de madeira brasileira, como o jacarandá”. O seu trabalho é direcionado para guitarras clássicas.

Socorro Pitombo – Assessoria Cuca/Uefs.

Aberto do CUCA 2010

 

O Baú da Princesa está participando do Aberto do CUCA .

 Muitos artistas e artesãos se encontram nas dependências do centro cultural.  O conjunto musical Ânima Trio se apresenta nesse momento (11.15h), no palco do Teatro de Arena.  

Anima Trio no Aberto do CUCA 2010 

 

O Brasil no Le Monde

 

Cartas de Paris

                                                                   Carolina Nogueira

Quem visita Paris esta semana vai certamente se surpreender ao esbarrar com a bandeira brasileira literalmente a cada esquina.

O jornal Le Monde está fazendo a maior propaganda do seu número especial sobre o Brasil – que estampa o lisonjeiro título de “o gigante se impõe”.

Mas desde a capa depreende-se que a revista vai além dos clichês óbvios. Ao lado do Corcovado, carnaval e futebol, a ilustração inspirada na bandeira brasileira faz referências à indústria aeronáutica, petróleo, energia nuclear, bio-combustíveis, jogos olímpicos. (Só não entendi muito bem a referência ao trigo ao invés da soja, mas tudo bem.)

Ao invés de uma entrevista com o presidente Lula como carro-chefe – o que o jornal provavelmente conseguiria, se quisesse – a publicação escolheu retratá-lo por meio de um abecedário com uma seleção de frases colhidas de seus discursos.

Algo inspirado no livro do Ali Kamel, desconfio. Editada com uma bela foto do presidente posando de estadista, o abecedário revela uma opção editorial honesta em relação à figura de Lula – sem oba-oba nem desdém.

Em seguida, a seção entitulada “25 anos de democracia” me surpreendeu, ao propor um enfoque que eu sinceramente não me lembro de ter visto na própria imprensa brasileira. Nós fizemos este balanço?

Este que o Monde propõe começa colocando em perspectiva o indiscutível papel de liderança do Brasil no mundo (“quem pode imaginar, hoje, resolver os problemas do mundo sem o Brasil?”, pergunta Sarkozy), temperado pelas “derrapadas” diplomáticas dos discursos de Lula.

Em seguida, ressalta a parceria militar estratégica com a França e avalia as ambições nucleares “preocupantes” do país. E adiciona um balanço melancólico das alianças regionais latino-americanas.

No balanço político, além dos perfis dos presidenciáveis e de alguns artigos mais ou menos bobos sobre a biografia de Lula e o passado da ditadura militar, uma entrevista com o ex-embaixador francês no Brasil, Alain Rouquié, revela um conhecimento de causa surpreendente – e uma falta de condescendência tipicamente francesa que, longe de ofender, oferece valioso material para nossa auto-análise.

A frase que serve de título para a entrevista, “os deputados brasileiros são eleitos na base do serviço prestado”, resume a ópera: clientelismo e um arcabouço legal engessado, que não ajuda as coisas a mudarem.

Sobre economia, a revista analisa os riscos de um “superaquecimento”. Nos artigos de sociedade, o fenômeno dos evangélicos divide espaço com uma análise madura – e nada sensacionalista – das nossas preocupações com uma violência endêmica.

Aos já cansados álbuns de paisagens, o portfolio escolhido para a revista mostra o cotidiano de um grupo que trabalha em uma favela. E na rubrica sociedade, telenovelas e futebol, que é abordado em seu potencial de ascenção social.

Seguindo a tradição francesa de uma imprensa que não se furta e flertar com a sociologia, a revista coloca a questão do que restou das raízes africanas de nosso povo e dedica algumas páginas às mais importantes regiões brasileiras. Há espaço até para a nova literatura brasileira, retratada em Milton Hatoum– ainda tão pouco conhecido no Brasil.

Para terminar, a alegria de viver brasileira – sem dúvida alguma, a parte do nosso país que o francês mais admira – em uma matéria que foge do óbvio, revelando nossa inventividade na arte.

Pelo nosso tamanho continental e por todas as contradições com as quais nos acostumamos a conviver, eu acho dificílimo definir o Brasil. Mas, sinceramente, o Monde não fez feio, não. Pas mal du tout.

 

PS: Esta coluna foi fortemente encorajada pela Gisele, das Cartas de Buenos Aires, que está de passeio por aqui. Obrigada pela “pauta”!

*Carolina Nogueira é jornalista e mora há dois anos em Paris, de onde mantém o blog Le Croissant

Fonte: Blog do Noblat

Aberto 2010 marca as comemorações dos 15 anos do Cuca

 

Quinze  horas seguidas de arte e cultura. Esta é a proposta do Aberto 2010,  que será realizado no dia 17 deste mês. O evento marca as comemorações dos 15 anos do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), órgão responsável pela execução da política cultural da Universidade Estadual de Feira e Santana (Uefs).

O objetivo é trazer o grande público para o Cuca durante todo o dia para participar, gratuitamente, das mais variadas manifestações artísticas. Serão oferecidas atividades nas diferentes modalidades, como pintura, escultura música, dança, performance, teatro, literatura, literatura de cordel, vídeo, documentários, filmes, fotografia, artesanato, cultura popular e outras.

Selma Oliveira, diretora do Cuca, ressalta que a proposta é abrir o espaço para as pessoas que trabalham com arte e cultura nas mais diferentes linguagens, além de sinalizar para a comunidade que o Cuca/Uefs é totalmente aberto para todas as manifestações de cunho artístico e cultural

O evento será aberto oficialmente às 8h, com a intervenção  cortejo teatral, que sairá do Coreto da Matriz em direção ao Cuca. Conta com a participação especial da Cia Cuca de Teatro, Núcleo de Dramaturgia Corporal, alunos das oficinas de teatro e artistas feirenses. A coordenação é de Jacy Queiroz, Geovane Mascarenhas e Elizete Destéffani.

Mas o Aberto 2010 vai mostrar muito mais, a exemplo do workshop de Lutheria (construção de violões) e laboratório de construção, com o professor Gilberto Guimarães. Exposição de Esculturas, com a participação dos artistas Pithon, Jorge Galeano, Nailson Chaves, Sonia Pedreira, Ronaldo Lima, Jaquisson Batista, Almandrade e Juraci Dórea.

O show “Minha Vida Minha Música”, com a participação da cantora feirense Dilma Ferreira, encerra o evento às 23 horas.