11ª Caminhada do Folclore leva manifestações populares às ruas – 29 de agosto

 

Repentistas, aboiadores, maculelê, capoeira, reisado, caretas, forró pé de serra e bumba meu boi.  Estas e outras manifestações que expressam as raízes da cultura popular, vão emprestar um colorido especial às ruas da cidade, dia 29 de agosto, na 11ª Caminhada do Folclore. A iniciativa é da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), por meio do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), juntamente com o Sesc, TV Subaé e Prefeitura Municipal.

A proposta, segundo Selma Oliveira, diretora do Cuca, é realizar um desfile de grupos folclóricos que deverão mostrar diferentes aspectos dos traços culturais de Feira de Santana e de outros municípios da Bahia. “Enfim, o que pretendemos é resgatar, preservar, divulgar e valorizar as nossas tradições populares”, destaca.  Ela acrescenta que o evento é único na Bahia com esse perfil.

Até agora mais de 100 grupos, dos quais 48 de Feira de Santana e distritos estão inscritos para participar da Caminhada. São 53 grupos de outras cidades baianas, a exemplo de Alagoinhas, Santo Estevão, Tanquinho, Pedrão, Santo Amaro, Salvador, Antonio Cardoso, Anguera, Água Fria, Serra Preta, Conceição do Jacuipe, Irará, Santa Bárbara, Teodoro Sampaio, Barrocas, Araci e Ipirá “Mas as inscrições ainda estão abertas para grupos de outros municípios e continuamos a receber solicitações de muitos interessados, o que pressupõe que o número de inscritos ainda pode crescer bastante”, afirma Tânia Augusta Pereira, idealizadora e coordenadora do evento.

A Caminhada do Folclore está inserida no Guia de Bens Culturais do Brasil e marca o encerramento das comemorações alusivas à Semana do Folclore. Nesta edição serão homenageados dois grupos que sempre prestigiaram a iniciativa: Lagoa da Camisa, de Feira de Santana e Cara Pintada, de Lustosa, distrito de Teodoro Sampaio. “Essa é a maneira que encontramos para retribuir àqueles que contribuem para a realização de evento tão significativo”, observa Tânia Augusta.

A organização dos grupos começa às 8h, enquanto o desfile está  programado para as 9h, saindo da Avenida Getúlio Vargas, em frente ao bar 14 BIS, com encerramento na Praça de Alimentação.

A Caminhada conta com o apoio cultural da Faculdade Nobre (FAN), Colégios Nobre, Santo Antonio e Helyos, Escolas Despertar e João Paulo I. Também apóiam o evento o Corpo de Bombeiros de Feira de Santana, Fundação Cultural Egberto Tavares Costa, Juizado da Infância e Adolescência, Delegacia do Menor Infrator, Conselho Tutelar, Policia Militar e 35º Batalhão de Infantaria.

Socorro Pitombo – Cuca

Clube de fotografia Gerson Bullos realiza exposição

   

Como parte das comemorações do 3º aniversário do Clube de Fotografia Gerson Bullos, no dia 19 de agosto, dedicado mundialmente à Fotografia, foi aberta a Exposição Fotográfica “Bando Anunciador – Um Resgate Cultural” nas dependências do Boulevard Shopping. A exposição composta por sessenta fotografias retrata momentos de beleza, alegria e descontração captados durante o desfile do Bando Anunciador 2010, ocorrido no mês de julho passado pelos fotógrafos Antônio Vieira, Angelo Pinto, Claudia Freire, Lula Mascarenhas, Tomaz Coelho, Salete Bitencourt, Francisco Carlos e Dilson Morais.

O Bando Anunciador da Festa de Sant’Ana surgiu como uma manifestação popular no início do século XX, com o objetivo de divulgar a Festa da Padroeira de Feira de Santana, num período onde não existiam os meios de comunicação, tornando-se o grande marco para o início das comemorações da Festa de Sant’Ana.

O Bando Anunciador que as atuais gerações passam a conhecer, envolvia a juventude da época, que ganhava as ruas rumo à Igreja da Matriz,  reunindo mascarados, baianas com suas roupas típicas, cabeçorras e um grande número de populares que percorriam as poucas ruas centrais da cidade ao som de zabumbas e do espocar de foguetes e fogos de artifício, tendo como característica maior a irreverência, além de muita alegria e animação. A exposição ficará aberta ao público até o dia 29 de agosto.

Autorizada Ordem de Serviço para restauração da Igreja Senhor dos Passos

  

No dia 12 de agosto, o secretário de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia, Dr. Cícero Monteiro, na presença do Arcebispo Metropolitano Dom Itamar Vian, de autoridades e da imprensa local, assinou a Autorização para Ordem de Serviço para realização da primeira etapa da obra emergencial de recuperação da Igreja Senhor dos Passos.

Segundo o Engenheiro José Mendes Araújo, esta primeira etapa terá duração aproximada de quatro meses, devendo estar concluída até o final de dezembro, momento em que deverá receber recursos para o início da segunda etapa.

Esta primeira etapa de trabalhos refere-se precisamente à recuperação da torre principal, telhado e pináculos. Já na segunda etapa, objetiva-se recuperar  o revestimente externo para preservar as características do templo, visto que trata-se de patrimônio tombado.

Durante o período da reforma, os compromissos litúrgicos, catequéticos e pastorais serão celebrados na Igreja Nossa Senhora dos Remédios e na Capela Nossa Senhora da Piedade.

Comento: Trata-se de uma iniciativa louvável, pois a Igreja Senhor dos Passos, um dos monumentos mais importantes da nossa cidade, sofria desgastes visíveis provocados pela ação do tempo.

 

Feira de Santana – Começa hoje a terceira Feira do Livro

 

Terceira-Feira do Livro oferece opções para todos os públicos

 A realidade do livro e da leitura na contemporaneidade será tema de debates durante a 3ª Feira do Livro – Festival Literário e Cultural de Feira de Santana. O evento que começa nesta quarta-feira, às 15 horas com apresentação da Banda Marcial do Dispensário Santana e vai até domingo (22), terá a participação de escritores de renome nacional. A praça João Barbosa de Carvalho (Praça do Fórum) em Feira de Santana, local de realização do evento, será palco de debates, palestras, oficinas, apresentação teatral e shows musicais.

O primeiro debate será realizado sexta-feira (20), a partir das 9 horas, com a presença de Aleilton Fonseca, Antônio Brasileiro, Valdomiro Santana e Washington Queiroz que vão discutir sobre a situação do livro na Bahia. À tarde, às 16 horas, Washington Queiroz fará palestra com o tema Bahia e Vaqueiros: Um Débito. Sábado, também às 9, uma mesa redonda com a participação Luis Pimentel, Roberval Pereyr, Edson Machado, Aleilton Fonseca e Antônio Brasileiro vai abordar o tema o Papel do Editor Alternativo.

A programação da Feira inclui uma oficina de criação literária para prosa, poesia, literatura infanto-juvenil e textos de humor que será realizada no Museu de Arte Contemporânea quinta-feira, das 14 às 16 horas, e na sexta-feira das 8 às 10 e das 14 às 16 horas pelo jornalista, cronista, poeta e escritor baiano do município de Gavião, Luís Pimentel.

Hoje residente no Rio de Janeiro, Pimentel trabalhou em redações de jornais e revistas cariocas (Última Hora, Jornal do Brasil,  O Dia, Extra, Bundas e O Pasquim) e foi autor-roteirista de programas de televisão como Chico Anysio Show, Escolinha do Professor Raymundo e Zorra Total. Ele é o escritor baiano com maior número de livros infanto-juvenis já publicados.

Cordel

A Feira do Livro cederá espaço para a literatura de cordel. No sábado, a partir das 14h30, haverá uma mesa-redonda com o tema Tecendo Cordas: dos Pioneiros à Regulamentação da Profissão do Cordelista (conversa de poetas), com a participação do cordelista Antônio Alves da Silva, do xilógrafo e artista plástico Luiz Natividade e do folheteiro Jurivaldo Alves da Silva.

Confira outras informações sobre o evento no site da Feira do Livro

Com informações de Luciano Ferreira e Vivian Leite – Ascom/Uefs

 

Poemas de Uaçaí Lopes

 

Pequenina Aranha

 Pequenina aranha, que teces?

Teces a vida ou a morte?

Que teces, pequena aranha,

meu destino, minha sorte?

 

Nossa vida é tão vazia

nossos destinos são teias

que tecemos cada dia

– barcos singrando nas veias.

 

Pequenina, ao que parece

tua teia não nos guia.

Nossa vida é que se tece

 

numa outra teia ungida,

que se encontra em outra via

para além da nossa vida.

  

    Admoestação

– Que tens amigo meu? – Um desengano

– E quem causou teu pranto? – Uma pequena.

– Há quanto não a vês? – Já faz um ano.

– Que nela tanto o atrai? – Ser tão serena.

 

– Conquista então a outra. – É impossível.

– Mas, nada é impossível. – Esquecê-la.

– Que faz tudo tão trágico? – É tão terrível..

– Buscai-a mesmo assim. – Não posso tê-la.

 

– Eu não o entendo amigo? – Só com tempo.

– Pra onde ela se foi? – A outro plano.

– Oh! Que tragédia, amigo! – É um tormento.

 

– Somente o tempo acaba o desengano.

– Entrego então a ele, o sofrimento.

– O tempo acaba a hora, o mês e o ano.

                                 Salvador, 29 de julho de 2002.

 

O rei, os cegos e o elefante

                       Para o amigo Carlos Barbosa

 

Dispondo um rei, mui sábio, um elefante,

a cegos que o tocaram levemente.

Pediu-lhes prá falar, naquele instante,

o que no toque, vinha-lhes à mente.

 

Primeiro um diz que a cauda é uma vassoura.

Outro compara a tromba, a uma mangueira.

O próximo, que a boca é uma tesoura

e o último a entrar na brincadeira,

 

afirma que um dente é uma lança.

O Rei então percebe ali, na hora,

o quanto da verdade, cada, alcança.

 

E lembra uma verdade de outrora

e lança em assertiva derradeira:

nenhum mortal tem a verdade inteira.

                                  Salvador, 30/07/2008.

 

 O desenho da palavra

              Para o meu amigo, Mário Vieira, o cara.

Todos os caminhos são todos certeiros.

São encruzilhadas a nos desviar

dos nossos destinos. Portos, paradeiros,

tudo, eternamente, sempre a cambiar.

 

A mudança é a única certeza

que tecemos. Quando estamos numa trilha

tudo segue sempre em nossa natureza

como se a mudança fosse maravilha.

 

Assim é o mundo, não se desiluda,

nada muda. Na torrente quase cega,

tudo segue, sempre, tudo ao deus dará.

 

O coração sente, a palavra é dita,

mas, porquanto pese, o vento carrega.

Já o desenho fica, se ela é escrita:

                    prá não mais mudar…

                          Salvador, 28/07/08.

 

           HAICAS

Sonhei que sonhavas comigo.

No teu sonho,

o meu sonho era contigo.

        ********                     

No canto do grilo

ninguém advinha

o seu tamanho.

      ******** 

Ah! navegante mostra o teu peito.

Teu amor é tão grande

o mar, tão estreito.

Uaçaí Lopes – Nasceu em Feira de Santana, em 18 de abril de 1957. Filho do poeta Antonio Alves Lopes e de Aldovanda de Magalhães Lopes. Viveu toda a infância na cidade considerada a Princesinha do Sertão. Feira de Santana na década de 60 do século XX vivia ainda em pleno século XIX e isso marcou profundamente o universo cosmológico do menino e do adolescente, para o qual a sua cidade era o centro do mundo e o seu mundo o centro do universo.

A ida para Salvador no final dos anos 70 e a tomada de consciência acerca da situação política do país, o engajamento na luta contra a ditadura foram determinantes para uma abrupta tomada de consciência que iria marcar todo o desenvolvimento posterior de sua trajetória. As luta estudantis, o movimento pela abertura política, o envolvimento, mais tarde com a fundação do Partidos dos Trabalhadores e da CUT, todos esses elementos contribuíram para uma revalorização da realidade local a partir de outros significados e concepções. Talvez, numa tradição de poetas, terminou por estudar contabilidade. Seu pai era contador, Fernando Pessoa, guarda-livros. Isso bastava para se sentir em boa companhia. Entretanto, a graduação em contábeis serviu para aproximá-lo de uma atividade que teria grande significado do desenvolvimento de sua vida. Tornou-se auditor e avaliador de projetos sociais para instituições européias de ajuda mútua para o terceiro mundo. Com esse trabalho viajou várias vezes para a Europa, África e para quase todos os países da América Latina (Uruguai, Paraguai, Chile, Argentina, Bolívia, Peru) às vezes para avaliação de projetos, outra para participação em seminários, palestras etc.

Concluiu em 1990 o Mestrado em Educação pela UFBA, com a defesa da dissertação “O Princípio Pedagógico de Makarenko”. Muito cedo iniciou sua carreira de docente na Universidade Estadual de Feira de Santana. Ingressou como professor Auxiliar em agosto de 1983. Atualmente é professor adjunto tendo ocupado por algumas gestões o posto de Coordenador da Área de Conhecimento de Metodologia do Trabalho Científico. Está em vias de conclusão do doutoramento em Educação pela Universidade Federal da Bahia, cujo tema da tese a ser defendida versa acerca das relações entre Educação e Sustentabilidade. Sua atividade literária esteve sempre ligada ao Grupo Hera, através da liderança de Antonio Brasileiro. Publicou várias vezes na Revista Hera e outras revistas editadas pelo Grupo. Publicou os livros Caminhos (poesias), 1986; Digressões Acerca do Conteúdo do Armário (poesias), 2005; Vôo do Assanhaço, (haicais), 2006, além de outras publicações de poesia infantil. Na área acadêmica tem publicado vários artigos em revistas nacionais e estrangeiras.