Carcará: Uma canção muito atual

 

Maria Bethânia cantando a música “Carcará” na sua estréia nos palcos, em 1965, quando ainda tinha apenas 17 anos de idade. Esse número fez parte do show “Opinião”, que foi um espetáculo histórico de protesto, do qual também participaram Zé Keti e João do Vale. A cantora Nara Leão fez parte da primeira versão do espetáculo, mas teve que se ausentar e indicou Bethânia pra lhe substituir, quando a baiana ainda era uma desconhecida. No final da música, Bethânia emenda com um texto sobre a migração do povo nordestino para os grandes centros urbanos brasileiros.

Observação: Em 2012 a seca assola (mais uma vez) o Nordeste; os professores estaduais estão em greve reinvindicando o piso salarial e o Carcará (ainda) “pega, mata e come”!

Alegria, protesto e descontração no Bando Anunciador

 

O Bando Anunciador vai às ruas de Feira de Santana nas primeiras semanas do mês de julho e anuncia a festa da padroeira da cidade, Senhora Santana. Hoje, 8 de julho, ele saiu às 7h do Cuca – Centro Universitário de Cultura e Arte.

O cortejo seguiu em direção à Praça Froes da Motta e retornou pela Rua Tertuliano Carneiro, passando ainda pela Praça da Bandeira, Rua Marechal Deodoro (com apoteose no tradicional Beco do Mocó) e chegada triunfal à Praça da Catedral.

 

 

O Bando Anunciador da Festa de Senhora Santana foi resgatado em 2007 numa iniciativa da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), à qual está vinculado o Cuca.

O projeto teve como objetivo resgatar uma das principais festas populares da cidade, que atraía  milhares de foliões para as ruas, ou seja, o lado profano da festa que que antecipava as comemorações e o novenário a Senhora Santana, padroeira de Feira de Santana.

 

O cortejo do Bando Anunciador foi extinto por decreto municipal nos anos 80, a pedido da  diocese local, pois constituía a chamada parte profana das homenagens à Senhora Santana

 

 

Os feirenses sempre lamentaram a extinção do Bando, da Lavagem da Igreja e da Levagem da Lenha. A partir de 2007 o Bando voltou a alegrar as ruas de Feira de Santana e  aos foliões  dos diversos bairros da cidade, que dançam e protestam fantasiados, de maneira irreverente, ao ritmo das charangas, bandinhas e zabumbas.

 

Fernando Pessoa interpretado por Paulo Autran

Ressaca de injustiças!

 
Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

Que tenho sofrido enxovalhos e calado,

Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,

Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado

Para fora da possibilidade do soco;

Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana

Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,

Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

 

Bando Anunciador da Festa de Santana 2012

A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) realiza, nesta quinta-feira (4), a partir das 19h, mesa redonda sobre o Bando Anunciador da Festa de Santana. Está confirmada a presença da professora Ana Rita Neves, do jornalista e publicitário Zé Coió e do foto-jornalista Reginaldo Tracajá. A mesa redonda, aberta à comunidade, será realizada no Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), localizado na rua Conselheiro Franco, centro.

Dentro da programação, haverá escolha da Rainha do Bando e a exposição “O Bando Anunciador – Registro Iconográfico 2011”, com fotografias de Beto Souza, George Lima, Juraci Dórea, Tomaz Coelho e de membros do Clube de Fotografia Gerson Bullos.

O Bando Anunciador da Festa de Santana volta às ruas domingo (8), com saída às 7h Cuca. O cortejo seguirá em direção à praça Froes da Motta, retornando pela rua Tertuliano Carneiro, praça da Bandeira, rua Marechal Deodoro, com apoteose no tradicional Beco do Mocó e na praça da Catedral Matriz.

A diretora do Cuca, Celismara Gomes, disse que este ano haverá novidades como o encontro de charangas no final do cortejo, com entoação do Hino de Senhora Santana e apresentação de canções populares. No café da manhã desta quinta-feira, os presentes assistiram uma prévia, com apresentação da Charanga Furiosos, do bairro Feira 10, comandada pelo mestre Roque Marques.

O Projeto Bando Anunciador da Festa de Senhora Santana foi executado pela primeira vez em 2007 numa iniciativa da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), à qual está vinculado o Cuca. O objetivo foi resgatar uma das principais festas populares que, durante décadas, atraiu milhares de pessoas ocupando as largas ruas centrais de Feira de Santana com cortejos diversificados.

Ascom/Uefs