Show ao vivo, na praça da Bastilha, em Paris (2005)
Show ao vivo, na praça da Bastilha, em Paris (2005)

O Centro Universitário de Cultura e Arte divulgou os finalistas do 5º Festival de Sanfoneiros, evento promovido pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Eles participam da grande final no dia 23 de maio, a partir das 19h, no Auditório Central do campus universitário, em apresentação aberta ao público.
Os classificados são:
Categoria sanfona até oito baixos: Aloísio Santos Pereira, Hermes Pereira Silva, José Apóstolo dos Santos, Luis Gonçalves de Andrade, Luiz Pinto Saturnino, Manoel Alves da Costa, Manoel Ferreira de Oliveira e Raul Carneiro Lima.
Categoria sanfona acima de oito baixos: Armando Lima Batista, Cícero Limeira Alves, Daniel Gomes Neto, Elizeu Cunha de Freitas, Igor Cavalcante de Araújo, Jeandro Ferreira da Silva, Jeferson Dias Rios e José Tadeu de Oliveira Filho.
Este ano o Cuca inovou nas etapas de seleção com apresentação prévia dos candidatos, ao contrário das edições anteriores em que os sanfoneiros eram escolhidos por uma comissão que avaliava os trabalhos gravados em mídia.
Participam artistas de diversos municípios e até de outros estados brasileiros em duas categorias. Para a grande final foram selecionados oito sanfoneiros de até 8 baixos e mais oito acima de 8 baixos. Em cada categoria, os premiados ganham R$ 3.500 (1° lugar), R$ 2.500 (2° lugar) e R$ 1.500 (3° lugar), além do prêmio júri popular no valor de R$ 1 mil.
O Festival de Sanfoneiros tem o objetivo de resgatar uma das principais culturas de raiz do nordeste brasileiro. Desde 2008, artistas têm se apresentado para públicos de todos os segmentos e faixas etárias, comprovando que a sanfona permanece forte no imaginário da população. Desta forma, o Festival se consolidou como uma das principais atrações da região que antecipam os festejos juninos.
Ascom/Uefs

Na arte contemporânea não existe limites estabelecidos para a invenção da obra, embora nem tudo em nome da liberdade, sem critérios e sem o risco de referências, a transgressão sem saber de que, divulgado como arte, é arte. Com o deslocamento dos suportes tradicionais, a exemplo da pintura e da escultura para outras opções estéticas ou experiências artísticas em processo, com o uso de novas tecnologias disponíveis ou não, mas principalmente com um novo conceito do que vem a ser uma obra de arte, hoje em dia, coloca em xeque o museu tradicional.
Determinadas linguagens de natureza diversificadas da atualidade solicitam a reformulação de demandas e estratégias museias, um outro modelo museológico e museográfico.
O museu é o recipiente de conservar uma coleção e preservar uma herança estética e cultural de um tempo que passou e do presente para significar o possível futuro. Ele ocupa um lugar de destaque entre os diferentes elementos que compõem o sistema da arte. Assim como o hospício e a clínica, é provável ver nele um espaço de confinamento, um espaço sagrado, intocável e asséptico de exposição de objetos, que exige do espectador um ritual de contemplação, quase em silêncio, das chamadas obras de arte.
Não é um lugar neutro, tem história e implicações ideológicas. Na primeira metade do século XX, o museu de arte era o depósito de repouso do moderno, questionado no início desse século pelo precursor das poéticas contemporâneas, Marcel Duchamp e seu novo paradigma, bem humorado, para a arte: não mais uma coisa criada pelo artista, mas a coisa que o sujeito reconhecido como artista escolhe e decide para ser a obra de arte.
O museu como lugar passivo foi desarticulado com o Minimalismo na década de 1960 e logo em seguida a Arte Conceitual entrou em cena questionando de forma crítica e decisiva as instituições culturais, em especial o museu, o templo da sacralização da arte. O embate foi travado entre o museu e as novas propostas artísticas, efêmeras, privilegiando a ideia contra a materialidade que se armazena na instituição e alimenta o mercado de arte com mercadorias. A arte, desde então, passou a ser uma usina geradora de críticas, provocações e incômodos. Os mal-entendidos entre a arte e a instituição museal foram inevitáveis e imprevisíveis.
O caráter problematizador dessa produção de arte praticamente rejeitou o estatuto da obra de arte como produto, isto contrariou interesses do mercado e o desejo de classificar e acomodar da instituição museológica. Para a arte contemporânea, o museu com sua arquitetura característica, com função de alojar uma diversidade de procedimentos, é um laboratório de ensaio do que pode ser uma obra de arte, um campo de experimentação. O museu é indispensável, é o ponto de partida e a estação de chegada. É ele que legitima o que se designa experiência artística. E o papel do museu, mais do que armazenar obras, é ser um espaço de pensamento crítico e educativo, frequentado por um público ativo e não mero observador do que está em exposição.
De certa forma, a arte produzida hoje, expõe feridas da cultura e do sistema da arte. E o imaginário museal tem uma importância na formação do olhar capaz de pensar sobre a arte, do olhar que deixou de contemplar passivamente para experimentar e vivenciar. A arte de hoje não nos diz nada como a arte do passado, ela convida o espectador para refletir sobre o que é uma obra de arte e suas relações com o sistema institucional. Nesse caso, o museu é o lugar privilegiado para o exercício do pensamento, até porque, as obras efêmeras são transferidas ou resgatadas para dentro do discurso e da instituição museológica pelos documentos, registros e reproduções.
Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)
10ª Semana de Museus movimenta Museu da Cidade – Salvador:
Bate-papo com Almandrade
Tema: “O Museu e a Arte Contemporânea: Um Desafio”
16 de maio (quarta feira) às 10 h.
MUSEU DA CIDADE
Largo do Pelourinho – Centro Histórico – Salvador
Mãe
Martha Medeiros
Vamos esclarecer alguns pontos sobre mães, ok? Desconstruir alguns mitos. Não, não precisa se preocupar. Não é nada ofensivo, eu também sou mãe…e avó! Vamos lá:
MÃE É MÃE: mentira !!!
Mãe foi mãe, mas já faz um tempão! Agora mãe é um monte de coisas: é atleta, atriz, é superstar. Mãe agora é pediatra, psicóloga, motorista.
Também é cozinheira e lavadeira.
Pode ser política, até ditadora, não tem outro jeito.
Mãe às vezes também é pai. Sustenta a casa, toma conta de tudo, está jogando um bolão. Mãe pode ser irmã: empresta roupa, vai a shows de rock pra desespero de algumas filhas, entra na briga por um namorado.
Mãe é avó : moderníssima, antenadíssima, não fica mais em cadeira de balanço, se quiser também namora, trabalha, adora dançar.
Mãe pode ser destaque de escola de samba, guarda de trânsito, campeã de aeróbica, mergulhadora.
Só não é santa, a não ser que você acredite em milagres. Mãe já foi mãe, agora é mãe também.
MÃE É UMA SÓ: mentira !!!
Sabe por quê? Claro que sabe!
Toda criança tem uma avó que participa, dá colo, está lá quando é preciso. De certa forma, tem duas mães.
Tem também aquela moça, a babá, que mima, brinca, cuida. Uma mãe de reserva, que fica no banco, mas tem seus dias de titular. E outras mulheres que prestam uma ajuda valiosa.
Uma médica que salva uma vida, uma fisioterapeuta que corrige uma deficiência, uma advogada que liberta um inocente, todas são um pouco mães.
Até a maga do feminismo, Camille Paglia, que só conheceu instinto maternal por fotografia, admitiu uma vez que lecionar não deixa de ser uma forma de exercer a maternidade.
O certo então, seria dizer: mãe, todos têm pelo menos uma.
SER MÃE é PADECER NO PARAÍSO: mentira!
Que paraíso, cara-pálida?
Paraíso é o Taiti, paraíso é a Grécia, é Bora-Bora, onde crianças não entram. Cara, estamos falando da vida real, que é ótima muitas vezes, e aborrecida outras tantas, vamos combinar.
Quanto a padecer, é bobagem.
Tem coisas muito piores do que acordar de madrugada no inverno pra amamentar o bebê, trocar a fralda e fazer arrotar?
Por exemplo? Ficar de madrugada esperando o filho ou filha adolescente voltar da festa na casa de um amigo que você nunca ouviu falar, num sítio que você não tem a mínima ideia de onde fica.
Aí a barra é pesada, pode crer…
MATERNIDADE é A MISSÃO DE TODA MULHER: mentira !!!
Maternidade não é serviço militar obrigatório!
Deus nos deu um útero mas o diabo nos deu poder de escolha. Como já disse o poeta: filhos, melhor não tê-los, mas se não tê-los, como sabê-lo?
Vinicius era homem e tinha as mesmas dúvidas. Não tê-los não é o problema, o problema é descartar essa experiência. Como eu preferi não deixar nada pendente pra a próxima encarnação, vivi e estou vivendo tudo o que eu acho que vale a pena nesta vida mesmo, que é pequena mas tem bastante espaço.
Mas acredito piamente que uma mulher pode perfeitamente ser feliz sem filhos, assim como uma mãe padrão, dessas que tem umas seis crianças na barra da saia, pode ser feliz sem nunca ter conhecido Paris, sem nunca ter mergulhado no Caribe, sem nunca ter lido um poema de Fernando Pessoa. É difícil, mas acontece.
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Comentário: Gostei muito da crônica de Martha Medeiros e decidi publicá-la em homenagem às mães nesse dia especial. Aproveito para mandar um abraço forte e um beijo carinhoso para a minha Mãe, uma mulher bonita, forte, batalhadora e destemida; uma mãe com todos os defeitos e qualidades de todas as mães do mundo, mas exemplo vivo de força e coragem. Parabéns, Dona Hilda, pelo seu dia!
