PROJETO SONORA BRASIL SESC – Formação de Ouvintes Musicais


QUARTETO COLONIAL (RJ)

Apresentação

O Sonora Brasil – Formação de Ouvintes Musicais é um projeto temático que tem como objetivo desenvolver programações identificadas com o desenvolvimento histórico da música no Brasil.

Pela primeira vez, em sua 14ª edição, o projeto apresenta dois temas – Sotaques do Fole e Sagrados Mistérios: vozes do Brasil – que serão desenvolvidos no biênio 2011/2012, com a participação de quatro grupos em cada tema.

Em 2011, o primeiro tema circula pelos estados das regiões Sul e Sudeste, enquanto o segundo segue pelos estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Em 2012, na 15ª edição, procede-se a inversão para que os grupos concluam o circuito nacional. Com essa nova metodologia, o projeto passa a ter um planejamento bienal, contando com a participação de oito grupos, em circuitos com duração de aproximadamente 70 dias em cada ano.

Sotaques do Fole apresenta o acordeão em suas variantes regionais ligadas à tradição oral, trazendo a gaita-ponto, com o músico Gilberto Monteiro (RS), a sanfona de oito baixos, com o músico Truvinca (PE), e o acordeão de 120 baixos, com Dino Rocha (MS). Fazendo um contraponto com a tradição oral, o projeto traz o duo de acordeões Ferragutti/Kramer, que apresenta composições modernas e contemporâneas relacionadas à música de concerto e a outras formas ligadas à vertente acadêmica.

Sagrados Mistérios: vozes do Brasil apresenta repertório da música vocal presente nas festividades populares em devoção às entidades religiosas, trazendo os cânticos das Caixeiras do Divino (MA), da Comitiva de São Benedito da Marujada de Bragança (PA) e da Banda de Congo Panela de Barro (ES). Representando a música de concerto, o Quarteto Colonial (RJ) apresenta repertório composto pelos mestres de capela para o ofício religioso da igreja católica e a obra de compositores modernos e contemporâneos inspirada nesse universo.

Em cumprimento à sua missão de difundir o trabalho de artistas que se dedicam à construção de uma obra de fundamentação artística não comercial, o Sonora Brasil consolida-se como o maior projeto de circulação musical do país. Em 2011, são 420 concertos, em 110 cidades, a maioria distante dos grandes centros urbanos. A ação possibilita às populações o contato com a qualidade e a diversidade da música brasileira e contribui de forma significativa para o conjunto de ações desenvolvidas pelo SESC visando à formação de plateia. Para os músicos, propicia uma experiência ímpar, colocando-os em condição privilegiada para a difusão de seus trabalhos e, consequentemente, estimulando suas carreiras.

O projeto Sonora Brasil busca despertar no público um olhar crítico sobre a produção e sobre os mecanismos de difusão de música no país, incentivando novas práticas e novos hábitos de apreciação musical, promovendo apresentações de caráter essencialmente acústico, que valorizam a pureza do som e a qualidade das obras e de seus intérpretes.

Quarteto Colonial

A expressão “música sacra” designa a música erudita da tradição religiosa judaico-cristã, mas em sentido mais amplo também relaciona a música religiosa presente em cultos de outras religiões. Encontra-se essa denominação desde a Idade Média, quando se buscou definir uma forma distinta para as composições relacionadas às missas e outras práticas religiosas, tendo o canto gregoriano como uma de suas expressões mais antigas e reconhecidas.

Em todos os períodos da história da música ocidental encontramos exemplos de repertório composto para a função religiosa ou para concertos a partir das referências dessa música funcional. Palestrina, Monteverdi, Vivaldi, Bach, Mozart, Gounod, Penderecki e tantos outros podem ser citados como exemplos em âmbito mundial. No Brasil, Lobo de Mesquita, Padre José Maurício Nunes Garcia, Camargo Guarniere, João Guilherme Ripper, Ernani Aguiar e Almeida Prado são destaques.

Os salmos, os motetes, as missas e os réquiens, principais formas representativas da música sacra, tinham na voz um elemento fundamental em sua representação. Coros e solistas interpretavam os textos bíblicos sobre os quais eram compostas as músicas que acompanhavam as partes das missas. Muitas igrejas tinham seus músicos residentes, que compunham novas músicas regularmente, especialmente para os ciclos da Semana Santa, o que fez com que o repertório de músicas sacras alcançasse volume expressivo de obras ao longo da história. O mais ilustre compositor que um dia assumiu essa função foi Johann Sebastian Bach e, no Brasil, o grande destaque foi o Padre José Maurício.

O Quarteto Colonial, formado por Doriana Mendes, Daniela Mesquita, Geilson Santos e Luiz Kleber Queiroz, apresenta no projeto Sonora Brasil a música sacra brasileira de concerto, partindo da obra do Padre José Maurício Nunes Garcia (1767 – 1830), que foi mestre de capela da Sé do Rio de Janeiro e, posteriormente, da Capela Real, passando por compositores de vários períodos até chegar nos da atualidade.

Repertório

Divertimentos harmônicos (Luis Álvares Pinto – 1719-1789)

Quae Est Ista

Eficcieris Grávida

Oh! Pulcchra Es, ET Decora

Cum appropinquaret (dominica in palmis) (José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita – 1746-1805)

Obras para a Semana Santa Gradual para Domingo de Ramos (Pe. José Maurício Nunes Garcia – 1767-1830)

Domine Jesu

Domine Tu Mihi Lava Pedes

Improperium Espectavi

O salutaris hostia (Alberto Nepomuceno – 1864-1920)

Ave Maria Nº 17 (Heitor Villa-Lobos – 1887-1959)

Kyrie (da Missa Ferial) – (Osvaldo Lacerda – 1927)

Categiró (Ernst Mahle – 1929 | Texto de Cassiano Ricardo – 1895-1974)

Procissão da chuva (Cacilda Borges Barbosa – 1914-2010 e Wilson Rodrigues)

Pater Noster (Antônio Vaz – 1935-2005)

Kyrie (Caio Sena – 1959)

2ª Ladainha (Antônio Vaz – 1935-2005 e Cassiano Ricardo – 1895-1974)

Sacra Cantilena Alleluia/Oratio/Psalmos Brevis (João Guilherme Ripper – 1959 |

texto de Maria Lucia Vianna em Oratio)

Requiem (Do Tríptico) (Alexandre Schubert – 1970)

SERVIÇO:

Dia: 04 de dezembro

Local: Teatro do CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte

Endereço: Rua Conselheiro Franco, no 66 – Centro

Horário: 19h

Ingressos: R$ 8,00 (Inteira) e R$ 4,00 (Meia)

Telefone: (75) 3622.1077

 

Lançamento de livros

 

Lançamento de livros dos poetas Antonio Brasileiro e Ruy Espinheira Filho, no Póstudo Restaurante, na  Rua João Gomes 87, FreeShop do Rio Vermelho, dia 5 de dezembro, segunda-feira, das 19 às 22 horas. Os livros fazem parte da coleção Cartas Baianas, coordenada por Claudius Portugal.

Mário Lago

Quem nunca cantarolou, pelo menos uma vez na vida, os versos de Amélia, aquela que era a mulher de verdade? Mário Lago, um dos compositores, estaria completando 100 anos, ontem, dia 26 de novembro. Cheguei a ensaiar a publicação de um post bem bonito sobre ele, mas, continuo sem internet… Publicar qualquer coisa tem sido um pesadelo, pois como já expliquei, o blog é muito pesado para um modem 3G. Devido às limitações apresento um vídeo com uma das composições de Mário Lago, “Nada além”, uma das minhas favoritas.

No entanto, graças a Ronaldo Torres, um material interessante foi publicado para homenagear o artista; desse modo, seria bom fazer uma visita. Vejam o que ele escreveu:

 “Nos cem anos de Mário Lago, o pai da Amélia, tão festejado pela mídia, não poderia deixar passar em brancas nuvens esse dia. Trago aos leitores do blog mais uma história de bastidores da nossa MPB, desta vez um depoimento de Ataulfo Alves, o outro pai, onde ele esclarece certas coisas a respeito do nascimento da mulher de verdade. Esse depoimento faz parte de um registro em LP, em 1969, de uma entrevista de Ataulfo Alves, concedida a Ilmar Carvalho, Ary Vasconcelos, Sylvio Túlio Cardoso e Ricardo Cravo Albim, no Museu da Imagem e do Som, no dia 17 de novembro de 1966. Acompanhado do seu violão, ele conta a história de sua trajetória musical e interpreta várias músicas, porém, hoje, é o centenário do seu parceiro, e não do grande compositor e sambista de Miraí, portanto, só tem o áudio da parte que ele fala de Amélia, que, apesar de ser a mulher de verdade, foi a pedra no sapato entre os dois ícones da nossa Música Popular Brasileira”

Para ouvir esse registro histórico, basta clicar no link do blog Onde Canta a Acauã, aqui.

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A Oficina de Criação Artística (OCA) realiza exposição no Amélio Amorim

A direção do CUCA informa que na próxima quinta-feira, dia 24 de novembro, acontecerá a abertura da Exposição 2011, promovida pela OCA – Oficina de Criação Artística – como resultado de suas oficinas, com apresentação de um catálogo, resultado da seleção das melhores obras elaboradas pelos seus alunos durante o segundo semestre deste ano.

A publicação da seleção denominada “Prêmio Catálogo” e que contou com a colaboração dos artistas Nanja, Márcio Junqueira e Silvio Portugal na seleção dos trabalhos, apresenta os alunos premiados e atribui menção honrosa àqueles que se destacaram. Além da publicação, será oferecida uma bolsa de estudos em qualquer das oficinas da OCA (Cerâmica, Fotografia, Produção em Vídeo, e Arte para Criança).

A exposição estará à disposição do público até o dia 15 de dezembro, no Foyer do Centro de Cultura Amélio Amorim.

 

Juventude e maturidade

35 anos para ser feliz

 Martha Medeiros

Uma notinha instigante na Zero Hora de 30/09: foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.

A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: “Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes”. É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes.

Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.

Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem: depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.

Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.

Outubro de 1998