Dia 11/11/11

 

Em 1 de fevereiro de 2011, publiquei aqui no blog uma informação que recebi por e-mail, e que chamei de Curiosidade.  Aqui está ela:
 “Em 2011 várias datas serão formadas pelo número 1. A primeira, 1/1/11; a segunda, 11/1/11 (as duas aconteceram no mês de janeiro). Agora falta o mês de novembro:1/11/11 e 11/11/11.
Mas não é tudo! Se você somar os dois últimos dígitos do ano em que você nasceu e a sua idade neste ano de 2011, o resultado será 111.
Ex: 85 (ano de nascimento) + 26 (idade em 2011) = 111. Experimente, o resultado será sempre o mesmo! ALGUÉM EXPLICA?”

Hoje, 11 de novembro de 2011 (11/11/11) encontrei na internet diversas versões para o
fato; entre elas, selecionei um texto do Yahoo notícias que publico abaixo:

“Os numerólogos esperam com ansiedade esta sexta-feira, 11 de novembro de 2011.  Quando faltar 49 minutos para o meio dia, o relógio marcará 11H11 do 11/11/11,  um raro número que, para os adeptos das ciências ocultas, pode indicar a  ocorrência de eventos incomuns.

Para a maioria das pessoas é apenas uma coincidência de relógio e calendário que
acontece uma vez a cada 100 anos, mas numerólogos e esotéricos procuram sinais
do que isto pode significar.

Alguns acreditam no início de um humanismo renovado, de uma nova harmonia no mundo, a abertura de um portal para outra dimensão ou até, uma revolução da consciência.

Centenas de aficionados pelas ciências ocultas planejam se reunir neste dia para  cerimônias e danças. Várias páginas dedicadas a esta data apareceram no  facebook. A Organização Nacional dos Cegos Espanhóis (ONCE) organizará uma loteria especial  com um prêmio de 11 milhões de euros.
Os médiuns e sacerdotes paranormais mais renomados comentaram sobre a importância  da sincronia das 11h11 do dia 11/11/11 como o israelense Uri Geller e o americano Solara.
Fanáticos do “Spinal Tap”, um filme de 1984 baseado em fatos reais e imaginários que descreve uma banda de hard rock e onde o número 11 tem um significado especial, também ressaltaram essa importância. “Ter um triplo número em uma data é, sem dúvida, de grande importância”, disse  Solara à AFP. “Vejo uma grande mudança na consciência do planeta e isto  coincide com a data”, acrescentou o médium.
Solara vive no Peru e mantém em segredo seus planos para o dia 11/11/11. Ele revelou que grupos em mais de 50 países vão aproveitar a ocasião para sentar em  silêncio e meditar.
Alguns numerólogos atribuem ao número 11 poderes paranormais que criarão um canal de comunicação com o subconsciente. Outros sustentam que o número representa a dualidade do bem e do mal na Humanidade.
Na internet, blogueiros insistem no caráter místico do 11, que segundo eles pode  estar associado aos desastres como os ataques do 11 de setembro de 2001 nos  Estados Unidos.

Sabendo francês podemos ser mais felizes

 

Ignácio de Loyola Brandão – O Estado de S.Paulo

Não me considerem esnobe, exibido. Mascarado, como se dizia na minha infância. Não usam mais a palavra? Tão atual. O que há de gente mascarada no mundo. Vou dizer o óbvio. Para desfrutar melhor Paris, a Provence celebrada, e outros, sabendo francês, os prazeres multiplicam-se por cem, o desfrute por duzentos, a alegria por quinhentos. Mesmo que você tenha ido apenas para fazer compras, como a maioria dos brasileiros, que pedem descontos em português mesmo e em altos brados (ou em brado retumbante), vale a pena aprender francês.

O parisiense muda quando você se dirige a ele na sua língua, ainda que precariamente, como eu. Quem não gosta de uma pessoa que chega e você percebe o esforço que ela faz para se expressar em sua língua natal? Assim, vale a pena aprender francês para poder caminhar à vontade em Paris deixando-se envolver por ela, sabendo um pouco mais.

Claro, o francês não é importante apenas por isso. Mas já é um enorme handicap. Há as revistas, os milhares de livros traduzidos do mundo inteiro, o cinema, a música, até a facilidade nas compras. Só poder ler a gigantesca coleção La Pléiade (projeto de uma vida) no original é uma bênção, raras vezes igualada. Ou os fólios, delicados, sensuais? Hoje estamos aprendendo apenas o que o mercado chama de línguas úteis, como o inglês, o japonês, o mandarim. Mandarim? (Eu lá quero falar chinês?) Para vencermos na vida? Nos tornarmos empreendedores? Sermos alguém? Mas o que é ser alguém? Tudo tem de ter aplicação prática? Se é assim, acabemos com o ensino brasileiro, ele não leva a nada, do jeito que está estruturado.

Há na nossa vida algo que é preciso preencher. Uma necessidade interior de espírito, contemplação do mundo, da vida, avaliação das coisas. Encarar a existência como algo que precisa de alimento. Foram eliminando as línguas de todos os cursos, a não ser alguns muito especializados. Tive no ginásio português, inglês, francês, latim e espanhol e posso dizer que isso me ajudou. Mas vieram deletando tudo, como se diz. E o francês se foi por meio de ministros que só pensam em política. O atual quer a Prefeitura de São Paulo, imaginem. Nem administrou direito o Enem.

A primeira palavra que aprendi em francês foi: nous. Estava no primeiro ano do ginásio. Tínhamos aulas de francês desde o primeiro dia com mademoiselle Fanny, uma graça de pessoa. Perguntamos: “Por que a senhora começou com o nous, que significa nós, e não com o je, que quer dizer eu?” Ela sacudiu o dedo: “O nous somos todos, é o coletivo, a classe. O je é muito individualista.” Esses eram os professores que tínhamos. Jamais dona Fanny falou em português na aula. Nos virávamos para saber o que ela queria dizer. Ela sabia conduzir a lição, de maneira que descobríamos os significados e as pronúncias às vezes sutis do francês, língua tão poética, sensível, cheia de nuances, e ao mesmo tempo incisiva. Dificuldades terríveis para diferenciar Anne (Ana) de âne (asno). A professora insistia, queria a perfeição. Nesta minha idade, penso, dia desses entrar para a Aliança Francesa a fim de aperfeiçoar minha precariedade.

Donna Fanny ainda está lá em Araraquara. Até algum tempo atrás, quando eu a encontrava na rua, ela me dizia, como sempre disse ao entrar na classe:

– Bonjour, mon enfant!

– Bonjour, madame.

– Mademoiselle, mademoiselle…

Ria, afetuosa. Aos 14 anos estávamos lendo Alexandre Dumas no original. Não era fácil, mas a gente acabava gostando, se imaginava na França. Também Victor Hugo, Lamartine, Chateaubriand, depois Balzac, Flaubert, Stendhal. Hoje chegaríamos a Le Clézio, Houellebecq, Jonathan Littell, Georges Perec. Aos 16 tivemos acesso a Jaques Prévert, que deslumbramento! A poesia entrava em nós por meio de Aragon, Paul Valéry, Verlaine, e, claro Rimbaud e Baudelaire, o maldito. Também Céline, complicado, Camus, os romances de Sartre, um pouco de Proust (eu mantinha a tradução do Quintana do lado). Toda semana, nos anos 50, havia um filme francês no cinema. Fanny insistia para que fôssemos. Não era exigir muito, sabíamos que algumas estrelas francesas como Martine Carol, Claudine Dupuis e Françoise Arnoul mostravam os peitinhos, era um avanço na nossa vida sexual. Mas havia Arlety, Edwige Feuillère, Maria Casarés, soberbas. E Gerard Philippe, jamais substituído. Hoje minhas paixões são Juliette Binoche, Irene Jacob, Marion Cotillard. Por outro lado, descobrimos os filmes de Marcel Carné, de René Clair, André Cayatte, Jean Delannoy, Robert Bresson, clássicos. Depois, digerimos toda nouvelle vague, que mudou a linguagem do cinema.

Nós, que aprendemos francês, tivemos sempre algo mais dentro de nós. De coisas pequenas e grandes. Não estou aqui para fazer lista e apenas para insistir numa coisa muito simples: sabendo francês, sempre me senti um pouco mais feliz na vida. Uma delas foi ouvir, recentemente, do garçom de um bistrô; “Monsieur, vous êtes du quartier?” (O senhor é do bairro?) Que, como Eros Grau diz em um livrinho delicioso sobre Paris, é um sinal de que você está sendo aceito. Coisa nada fácil para um estrangeiro. Que volte o francês às escolas!

Uma canção antiga, três interpretações

 

Charles Trenet e Dalida

 

Gal Costa

Que Reste-t-il de Nous Amour, canção francesa muito antiga, de Charles Trenet. No primeiro vídeo ela é interpretada pelo próprio autor e pela cantora Dalida. No segundo vídeo quem canta é Gal Costa.
Uma outra interprtação, na voz de João Gilberto, pode ser vista aqui,  pois infelizmente a incorporação do vídeo foi desativada no youtube.

Essa música  foi trilha sonora do filme Baisers Volés, de Truffau. Para quem gosta, segue a letra:

Que reste-t-il de nos amours

Que reste-t-il de ces beaux jours

Une photo, vieille photo

De ma jeunesse

Que reste-t-il des billets doux

Des mois d’ avril, des rendez-vous

Un souvenir qui me poursuit

Sans cesse

Bonheur fané, cheveux au vent

Baisers volés, rêves mouvants

Que reste-t-il de tout cela

Dites-le-moi

Un petit village, un vieux clocher

Un paysage si bien caché

Et dans un nuage le cher visage

De mon passé…