Um poema de Pessoa

 Poema em linha reta

 Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas  vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, indesculpavelmente sujo.

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

que tenho sofrido enxovalhos e calado,

que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,

eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,

eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado

para fora da possibilidade do soco;

eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que  eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana

que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó principes, meus irmãos,

arre, estou farto  de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu  que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as   mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

Eu, que venho sido vil, literalmente vil,

vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

(Álvaro de Campos)

Exposição no Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira

No dia 29 de setembro, quinta-feira, às 20h, o Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira promove a abertura da Exposição “Somos todos heroicos” com trabalhos de 20 artistas visuais do Recôncavo.

Os trabalhos foram realizados com a utilização de diversas técnicas: fotografia, desenho, pintura, escultura e gravura, compondo um painel representativo da arte que está sendo produzida nas cidades de Cachoeira, Muritiba e São Félix.

A mostra fica em pauta até 30 de outubro de 2011.

 

 

 

 

 

Curso Castro Alves 2011 – VI Colóquio de Literatura Baiana

ACADEMIA DE LETRAS DA BAHIA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA E DIVERSIDADE
CULTURAL/UEFS

CURSO CASTRO ALVES 2011 – VI COLÓQUIO DE LITERATURA
BAIANA

28, 29 e 30 de setembro de 2011

PROGRAMAÇÃO GERAL

Local: Auditório
Magalhães Neto –ALB

28/09 – Quarta-feira

14h30 – Sessões de
Comunicações

17h – Filme: Castro
Alves
(direção: Silvio Tendler)

18h – Abertura.
Aramis Ribeiro Costa (ALB)

Coordenação:Carlos
Ribeiro (UFRB/ALB)

Conferência: As raízes libertárias de Castro Alves na
vanguarda baiana

Três exemplos: Glauber Rocha, Milton Santos e Carlos Marighella

Conferencista:
cineasta Silvio Tendler

29/09 – Quinta-feira

14h30 – Sessões de
Comunicações

17h00 – Mesa redonda:

Coordenação: Aramis
Ribeiro Costa (ALB)

Castro Alves: Lições de poesia

Evelina Hoisel (UFBA/ALB)

O impacto da
alta e da baixa auto-estima de Castro Alves em sua poesia

Joaci Góes (ALB)

28/09 – Sexta-feira

14h30 – Sessões de
Comunicações

17h00     – Conferência de encerramento

Coordenação: Aleilton
Fonseca

Conferência: Castro Alves : Hermano de
los pobres, hijo de la tempestad

Conferencista: María Pugliese (poeta,
professora da Universidad Nacional de Luján/Argentina)

Presidente: Aramis Ribeiro Costa

Coordenação: Aleilton Fonseca

 

Dinho Ouro Preto dedica música ao senador José Sarney

 

Capital Inicial no Rock in Rio: Que país é esse?

A música “Que país é esse ?” , eternizada pela banda de rock  brasiliense, Legião Urbana, foi cantada por Dinho Ouro Preto (Capital Inicial) no Rock in Rio e dedicada ao tetra presidente do Senado, José Sarney. O interessante é que o público (cem mil pessoas) reagiu com um coro inusitado. Vale a pena ouvir!