Um poema de Luís Pimentel

 

O poema Canto Menor foi publicado na revista Hera, nos anos 70. Gosto muito do poema e quis fazer uma surpresa ao poeta; em um daqueles momentos de paz e ócio imaginei como ele ficaria na língua de Voltaire. O resultado está no post que ora publico.

CANTO MENOR

p/ Antonio Brasileiro

Eu que recitava

ser maior que o mundo,

hoje me concentro:

sou menor que a água.

Só que menos clara,

só que menos calma,

só que menos

e só.

             (Luís Pimentel)

 

Chant  mineur

p/ Antonio Brasileiro

Moi qui m’imaginais

plus grand que le monde,

aujourd’hui je me concentre :

Je suis plus petit que l’eau.

Bien que moins clair,

bien que moins calme,

bien que plus petit

c’est tout.

(Luis Pimentel)

 

Um pouco de humor

 

Os tempos andam difíceis! Nada melhor para espantar os problemas que uma boa risada. A piadinha que publico abaixo foi enviada por e-mail, por meu primo e amigo Antônio Isaias. Muito obrigada!

 

Poder do Marketing:

Duas crianças de oito anos conversam no jardim e o menino pergunta à menina:

– O que vais pedir no DIA DA CRIANÇA?

– Eu vou pedir uma Barby, e tu?

– Eu vou pedir um TAMPAX ou um OB! – Responde o menino.

– TAMPAX?! OB?! O que é isso?!

– Nem imagino… Mas, na televisão dizem que com TAMPAX  ou OB, a gente pode ir à praia todos os dias, andar de bicicleta, andar à cavalo, dançar, ir ao clube, correr, fazer um montão de coisas, e o melhor… SEM QUE NINGUÉM PERCEBA!

 

O muguet e o Dia do Trabalho

Primeiro de maio – Festa do trabalho e Festa do muguet

A história do muguet, essa florzinha singela e perfumada tornou-se um símbolo do mês de maio, tempo de primavera na Europa. Contam que os Celtas festejavam o muguet no primeiro dia do mês de maio. Na idade média ela era colhida para festejar as noivas; na França do Renascimento, Charles IX recebeu um galhinho de muguet no primeiro de maio e instituiu o costume de oferecer  muguets, nessa data,  às damas da corte.

Em seguida, as costureiras, também na França, cultivavam a  tradição de oferecer muguets às crianças no dia primeiro de maio, como porte-bonheur (símbolo de boa sorte) costume que foi incorporado pelos trabalhadores, que transformaram a singela flor em símbolo da festa do trabalho,

O muguet é uma planta originária do Japão; típica das regiões temperadas ela cresce nos bosques, em locais protegidos da luz intensa, na Ásia na Europa e nos Estados Unidos e desabrocha no início da primavera. Ele simboliza a entrada da primavera no hemisfério norte. O seu nome científico é Convallaria majalis leucanthenum.

As flores, que têm a forma de pequenos sinos, também são conhecidas como Lis de la vallée (lírio do vale) e lágrimas de Nossa Senhora (em Portugal); elas exalam um perfume delicioso e são consideradas como símbolos de felicidade e da boa sorte. O Muguet é a flor símbolo da Finlândia. Na França e na Bélgica ele é oferecido aos familiares e aos amigos no dia 1 de Maio, “Dia do Trabalho”, com votos de felicidades e prosperidade, e simboliza também, na França, os 13 anos de casamento, as Bodas de muguet.

Não sei se aqui no Brasil, no sul e sudeste, o muguet é cultivado. Ah, quando eu era menina, minhas tias e a minha mãe usavam, nas grandes ocasiões, um perfume francês que deixava o rastro por onde elas passavam; chamava-se Muguet du Bonheur (lírio da felicidade). Nem sei se ele ainda é comercializado.

Como não tenho muguets de verdade para oferecer deixo algumas fotos e votos de felicidades e prosperidade para todos. Feliz primeiro de maio!

 

Homenagem a Dorival Caymmi

 

Dorival Caymmi, nascido em Salvador em 30 de abril de 1914, completaria hoje, dia 30 de abril, 97 anos de idade. Sua morte aconteceu em 16-08-2008.Caymmi que embarcou para o Rio de Janeiro nos anos 30, onde deveria trabalhar como jornalista e ilustrador, pegou um « Ita » (o navio Itapé) chegando à então capital do Brasil em 1938. Nessa época publicou  alguns desenhos na revista « O Cruzeiro » e apresentou-se na Rádio Transmissora. Seus primeiros sucessos, ao lado de Carmem Miranda, foram as canções A Preta do Acarajé e O Que é que a Baiana Tem…

Mas Caymmi consagrou-se no cenário musical nacional cantando canções sobre a Bahia, seus bairros, a vida simples do povo, principalmente dos pescadores. Sua obra está impregnada de temas populares, ainda vivos na memória do povo. O certo é que apesar de vários dos seus sucessos musicais terem sido lançados numa fase ufanista da música brtasileira, Caymmi continuou compondo e cantando canções com temas baianos que têm, inclusive,  um valor documental, o que  consolida a sua reputação como o mais importante compositor e cantor baiano no período e criador de um estilo singular.

Em 60 anos de carreira, Dorival Caymmi gravou cerca de 20 discos, mas o número de versões de suas músicas feitas por outros intérpretes é praticamente incalculável. Sua obra, considerada pequena em quantidade, compensa essa falsa impressão com a inigualável qualidade de algumas obras-primas. Entre as canções de grande sucesso pode-se citar: A preta do acarajé, O que é que a baiana tem, A Lenda do Abaeté, Promessa de Pescador, É Doce Morrer no Mar, Marina, Não Tem Solução, João Valentão, Maracangalha, Saudade de Itapoã, Doralice, Samba da Minha Terra, Lá Vem a Baiana, Sábado em Copacabana, Nem Eu, Nunca Mais, Saudades da Bahia, Oração pra Mãe Menininha, “Rosa Morena”, “Eu Não Tenho Onde Morar”, “Promessa de Pescador”, “Das Rosas, Saudades da Bahia, Cantiga pra Gabriela,Vou ver Juliana, etc. Em 1994, a Editora Lumiar lançou o songbook com suas obras, acompanhado por três CDs.

Aqui fica a minha homenagem ao inesquecível cantor da Bahia.

Uma crônica de Hilda Hilst

A crônica que publico abaixo foi escrita por Hilda Hilst em 1959, ou seja, há 52 anos. Gosto muito dela e esse gostar tem algumas razões; gosto, em primeiro lugar, pela irreverência que ela aparenta; segundo, porque ela me diverte, como se abrisse um espaço para escapadas nada convencionais. Hilda Hilst, na realidade, em vez de citar explicitamente os anseios, revoltas e desejos que cada um guarda dentro de si, muitas vezes de maneira velada, ela os explicita de forma divertida, como se fossem sonhos de um personagem não muito equilibrado e que usa uma linguagem coloquial bem próxima do que estamos acostumados a ouvir em nosso cotidiano.

Quem não gostaria de fazer (ou receber) o carinho de um cafuné, de sonhar com viagens e coisas que parecem sonhos quase incessíveis a pessoas comuns? Quem não gostaria de sonhar com um Brasil que deu certo, um Brasil solidário e justo?

Melhor ainda, quem não gostaria de sonhar com dias de paz, “asas e barcos”, envolvidos pela “poesia que viceja e grassa como grama”, aconchegados num ninho de poesia e de amor? Diante da impossibilidade, a autora sugere brincar de autista, como aquele que se ausenta do mundo e de tudo que se passa ao seu redor… Para brincar de ilha: só, embora rodeada de gente por todos os lados.

Tô Só


Hilda Hilst

Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? Vamo brincá que a peste passô, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? E que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica  quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta? Vamo brincá e teta de azul
de berimbau de doutora em letras?

E de luar? Que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar… Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro? Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?

nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.*
Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? Bom-dia, leitor. Tô brincando de ilha.

Crônica escrita por Hilda Hilst para o “Correio Popular” de Campinas-SP
* Trovas de muito amor para um amado senhor – SP: Anhambi, 1959.