Arquivo da categoria: Eventos
Dia de Amigo
Desejos
Desejo a você…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel…
E muito carinho meu.
(Carlos Drummond de Andrade)
Hoje é o Dia do Amigo. Celebrado no dia 20 de julho, o Dia do Amigo foi instituído na Argentina, através do Decreto nº 235/79; aos poucos foi sendo adotado em outras partes do mundo. A idéia foi do argentino Enrique Ernesto Febbraro.
Dia de Amigo é todo dia, para quem quer bem, respeita e admira. Como não sou capaz de escrever versos tão bonitos, faço minhas as palavras de Drummond e publico o poema Desejos, que recebi hoje pela manhã enviado pela minha amiga Letícia. Obrigada Amiga!
E posto também a magnifíca Canção da América, de Fernando Brant e Milton Nascimento.
Fogos de artifício iluminam Paris no 14 de julho
O 14 de julho na França, a “fête nationale”, é marcada por desfiles militares, muita festa e bailes nas ruas, culminando com o espetáculo de fogos de artifício, no Champs de Mars ou em Trocadero, perto da Torre Eiffel.
Geralmente associado à tomada da Bastilha, o 14 de julho é a festa da Federação (14 julho 1790). Ocorre que, na manhã de 14 de julho 1789 a população com medo das tropas de Luis XVI resolveu procurar armas para se defender. Estas armas ficavam guardadas nos “Invalides”. Uma vez de posse das armas faltava a munição que ficava guardada na prisão da “Bastille”, uma fortaleza real. Após uma batalha sangrenta a população tomou a Bastilha e liberou os prisioneiros. O edifício foi demolido e hoje existe na praça, para perpetuar a memória, a Collone juillet.
Nos dias atuais a festa começa no dia 13 à noite. No dia 14, todos os sinos das igrejas francesas tocam. O desfile militar tem início, após as salvas, na famosa avenida dos Champs-Élysées, em Paris, e à tarde, bailes populares e espetáculos animam a capital; à noite acontece um espetáculo de fogos de artifício.
Lançado o Clipe oficial da logomarca da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014
Irma Rosa – Pura Poesia

Numa manhã de maio de 2006 depois de ministrar três horas de aula entrei na sala dos professores para tomar um cafezinho e descansar alguns instantes. Sentados à mesa estavam Roberval Pereyr e Irma Caribé, ele colega da faculdade, ela pessoa muito amiga da família. Ao sentar-me fui surpreendida pela proposta de Roberval:
– Leni, Irma vai lançar um novo livro de poemas; você poderia fazer a apresentação…
Fiquei encabulada, pois não me sentia preparada para escrever a apresentação de um livro. Argumentei e até sugeri nomes de outras pessoas que poderiam cumprir a tarefa com propriedade. Não adiantou. Levei uma cópia do livro para casa e à noite, após a leitura de alguns poemas, escrevi a apresentação motivada apenas pelo conteúdo do que li, impregnada que fiquei daquela poesia viva, dura e terna ao mesmo tempo:
Apresentação
Como falar de poesia sem pedir conselho a um mestre? Em A rosa do povo Drummond advertia sabiamente: não se deve adular o poema; deve-se chegar bem perto, contemplar as palavras, consciente de que cada uma delas tem mil faces secretas sob a face neutra.
Mas onde encontrar a chave que nos conduz ao universo das formas poéticas? O segredo desvendou-se à luz de Noite Clara,de Irmã Caribe Amorim e conduziu-me por caminhos impregnados de fragmentos de vida, flagrantes de sonhos, dores…
Irma é Poeta, artista da palavra. Sua poesia, nua, explode permeada de nuanças,
revela-se em versos fortes:
E no silêncio injusto da aldeia, ruíram todos os erros. Todos.
Ou em versos ternos, plenos de lirismo, como em Crepúsculo:
O vento esfriava meu rosto. / Nada se ouvia além do mar / batendo contra si mesmo.
Ou simplesmente em versos breves como um gesto:
No inverno do ocaso / me pressinto.
Sua escrita tem força, flui como fonte cristalina, mas também machuca, devagar,como pedregulhos na areia. Vale a pena penetrar em Noite Clara para percorrer veredas enluaradas ou floridas; sótãos abandonados ou recantos perdidos, de mãos dadas com a poesia, sem compromisso com as convenções.
(Leni David)
Para que possamos voar, esparramar beleza e ternura por aí, em Noites Claras, ou em dias ensolarados.
RICTUS II
Nada mudaria.
queria apenas viver
o outro lado da lua
e as coisas simples
do dia-a-dia
(Noites Claras, p.15)
POEMA TÁCITO
Chorei as dores do pássaro errante.
Ferida tombei.
Entre medo e heresias
brinquei com deuses.
e me afoguei no aconchego
De noites frias.
(Noites Claras, p. 18)
ALEGORIA
Viajavam os ventos
ao infinito
Somente um barco
vagava
na tarde fria
de saudades rendilhadas
o sol em lágrimas últimas
beijou da noite
a face enluarada,
(Noite Clara, p.25)
RUPTURA
…e rasgando a ventania
(leveza e fúria)
nada mais é preciso mulher
que arriar as velas
ocupar a gávea
soltar os cabelos
suspirar profundo
olhar ao longe
nada dizer…
permitir apenas
que seus olhos digam…
(Um solto no outro, p. 70)
Irma Rosa de Lima Caribé Amorim – Nasceu em Feira de Santana, cidade onde vive. Odontóloga e educadora, Irma dirigiu o Centro de Cultura Amélio Amorim e atualmente é vice-presidente da Academia de Letras e Artes de Feira de Santana e membro da Academia de Cultura da Bahia. Publicou Um solto no outro (2003), em parceria com os poetas Cardan Dantas e Paulo Pedro Pepeu. Em 2005 publicou Noite Clara e em 2006, Avenida Senhor dos Passos. Tem poemas publicados nas revistas Hera e Arquitextos. Irma Rosa vive o dia-a-dia da cultura baiana.