Natal

 

 Foto: Leni David

O Natal tem como símbolo o nascimento de um menino. O nascimento de uma criança representa alegria, felicidade, ternura e muito amor. Nesse Natal estou a muitos quilômetros de distância da minha família biológica; sinto saudades, mas não posso me queixar, pois desfruto do carinho da minha  família por adoção.

Foto: Leni David

Confesso que me sinto novamente criança, ao improvisar uma árvore de Natal com garrafas vazias de água mineral, ou ao fotografar o pinheirinho, de verdade, ornamentado por minha sogra; ao observar a coroa natalina, comprada há muitos anos, enfeitando a porta de entrada da casa. Isso tudo sem esquecer dos presentes, dos prazeres da mesa, dos chocolates e vinhos.

Foto: Leni David

Estou feliz e quero agradecer os votos que recebi, retribuir calorosamente a todos e desejar às minhas famílias, a todos os amigos e a todos os leitores do blog, um Natal de paz, branco como a neve que cobre a paisagem francesa, colorido como as luzes que iluminam o Natal, generoso e brilhante como o sol que ilumina o Brasil.

Feliz Natal! 

Joyeux Noel!

Boas Festas!

Bonnes fêtes!

 

Quase Natal

 

Foto: Leni David 

Estou no centro da França, na montanha, rodeada de neve por todos os lados! Partimos de Paris no dia 21, no início da tarde; quatro horas mais tarde chegávamos ao destino: a simpática região conhecida como Auvergne, no Maciço Central.

 

Ontem, dia 20, a tarefa mais difícil foi esquentar a casa e descansar. Hoje fomos dar uma volta, mas esqueci a máquina fotográfica em casa. As fotos do post foram feitas com telefones celulares; assim, além da qualidade ruim, havia a neblina que cobria tudo.

 

O mais importante, porém, é que agora tenho um modem 3G (ganhei de presente), o que facilita a comunicação, visto que no village onde estamos não tem banda-larga. Mas a intenção é o que vale!

Amanhã darei notícias!

 

Obs. Esse post foi feito ontem à noite, mas na hora de publicar o Blog saiu do ar. Fui dormir frustrada!

Hemisfério Norte – Frio e Neve

 

Saímos da  Bahia no dia 16 de dezembro um pouco antes da meia-noite; chegamos em Paris  por volta das 16.30h do dia  17. Já sabíamos que o Natal e o  Ano-Novo  seriam frios, mas a gente só se dá conta, de verdade,  quando sente o nariz e as mãos geladas.

Ainda no avião fotografamos o sul de Paris e pelas fotos pode-se constatar que a França estava branca, branquinha, parecendo um bolo de noiva. As fotos que seguem foram feiras no dia 17, no final da tarde, quando nos aproximávamos de Orly.

Foto: Leni David

No aeroporto a nossa filha nos esperava; depois dos beijos e abraços  recheados pela saudade e pelo prazer da chegada, já dava para pressentir o que nos aguardava do lado de fora. Além do frio (2 graus negativos), a neve caía generosa, embranquecendo tudo!  Felizmente chegamos em casa, sãos e salvos.

Pelas ruas fui fotografando as luzes do Natal e a neve que caía; tudo bonito e alegre, diferente e aconchegante, apesar do frio, pois o coração estava quente, feliz.

 

 

Uma linda cena

 

Segundo soube, o  filme Amargo Pesadelo (Delivrance – 1972) estava sendo rodado no interior dos Estados Unidos. O diretor fez a locação de um posto de gasolina, onde aconteceria uma cena entre vários atores, que  contracenariam com o proprietário do posto, morador do local juunto à mulher  e o  filho.

Este último (o menino), autista, nunca saía do terreno da casa. A equipe parou no posto de gasolina para abastecer e aconteceu a cena mais marcante que o director teve a felicidade de encaixar no filme. Num dos cortes para refazer a cena  do abastecimento, um dos atores, que era músico e sempre andava acompanhado do seu instrumento de cordas, aproveitando o intervalo da gravação e já tendo percebido a presença de um garoto que dedilhava um banjo na varanda da casa, aproximou-se e começou a repetir a sequência musical do garoto.

Como houve uma “resposta musical” por parte do garoto, o diretor captou a importância da cena e mandou filmar. O restante vocês verão no vídeo.

Atentem para alguns detalhes: O garoto é verdadeiramente um autista; – ele não estava nos planos do filme; – A alegria do pai curtindo o duelo dos banjos… dançando.  A felicidade da mãe captada numa janela da casa; a reação autêntica de um autista quando o ator músico quer cumprimentá-lo.

Vale a pena o duelo, a beleza do momento e, mais que tudo, a alegria do garoto. No parece indiferente, mas, à medida que toca o seu banjo, ele cresce com a música e vai se deixando levar por ela, até transformar a sua expressão num sorriso contagiante,  que transmite a todos a sua alegria.

A alegria de um autista, que é resgatada por alguns momentos, graças a um violão forasteiro. O garoto brilha, cresce e exibe o sorriso preso nas dobras da sua deficiência, que a magia da música traz à superfície.  Depois, ele volta para dentro de si, deixando a sua parcela de beleza eternizada “por acaso” no filme “Amargo Pesadelo”

 

Colaboração enviada pelo meu primo-amigo, Antônio Isaias. Muito obrigada, Tonho, gostei muito!

 

Tempo de Natal

 

Tonde  lilás

Leni  David

 Era dezembro e o dia estava frio e cinzento; saiu do trabalho no final da tarde e pegou o metrô. O movimento era intenso. Algumas pessoas sorridentes, outras afobadas, quase todas carregavam sacolas onde se viam pacotes coloridos e decorados. Sentia-se cansada, mas não conseguira um lugar para sentar-se. Desceu na estação Palais Royal onde um músico tocava harpa. Andou durante algum tempo escutando a melodia e acompanhando o compasso do ritmo.

Sentiu frio. Ajeitou a bolsa à tiracolo, calçou as luvas e enfiou as mãos nos bolsos do casaco. Tomou a direção da rua de Rivoli onde as vitrines faiscavam exibindo brilhos e cores. Havia vitrines verdes, vermelhas, amarelas, azuis, como se os comerciantes houvessem decidido espalhar cores mágicas pelas ruas para magnetizar os passantes. Decoradas e iluminadas com esmero, as vitrines tinham uma aparência fantástica.

De vez em quando, seduzida como uma borboleta que gira em torno da chama incandescente, parava para apreciá-las. Era época de Natal e talvez comprasse alguma coisa interessante para presentear os familiares, mas não se sentia motivada a entrar nas lojas abarrotadas de pessoas que escolhiam objetos, jóias, e que rodopiavam frente aos espelhos. Olhando-as de longe pareciam crianças travessas, felizes com as traquinagens.

A rua de Rivoli era longa e a noite já se anunciava. Exposta ao frio sentia os pés e as mãos enregelados, apesar dos agasalhos; as faces e a boca dormentes e os olhos lacrimejantes. Diante de uma vitrine viu refletida a imagem de uma mulher, vestida com um casaco preto e longo. Ela usava uma cachecol colorido em volta do pescoço; tinha um aspecto elegante, mas parecia triste. Assustou-se quando percebeu que a imagem que via refletida no vidro era a sua. Sentiu vergonha e fugiu dali apressada, na direção do ponto de ônibus que a levaria para casa.

Enquanto andava convencia-se de mil razões para estar feliz; não havia motivo para tristeza. Estava vivendo um momento especial; a iluminação feérica deixava a cidade fascinante. Era Natal e ela podia comprar todos os presentes que quisesse. Nada lhe faltava! Sua casa estava decorada, a festa organizada e até havia na sala um lindo pinheiro natural, perfumado, ornado de bolas prateadas e azuis. Sabia que ganharia os presentes que havia escolhido. Além disso, estava em Paris – nome que soa como sinônimo de paraiso – e sabia que muitas pessoas dariam tudo para viver um momento como aquele. Bobagem! Estava apenas um pouco cansada…

Ainda pensando no privilégio de estar ali e convencida de que estava tudo bem, chegou à esquina da praça do Hôtel de Ville. Ficou petrificada no meio da calçada, quase sem fôlego, os olhos arregalados. Não acreditava no que via, pois jamais vira algo tão espetacular. A praça estava lilás! Vários tons de lilás misturados e difusos davam um aspecto inusitado ao local. O imenso prédio da prefeitura, ao fundo, parecia dourado à luz dos refletores. Os jatos d’água da fonte luminosa projetados no espaço refletiam as cores do arco íris e acompanhavam a melodia de uma música de Bach. Era um cenário de sonho.

Sentou-se num banco da praça como se estivesse hipnotizada pelas nuanças do lilás e pela dança das águas coloridas. Quanto tempo ficara absorta contemplando aquele espetáculo? Não sabia. Entrou no ônibus como um autômato e enquanto ele deslizava pelas ruas iluminadas chorou baixinho e admitiu que sofria. Sentia uma tristeza profunda que se insinuava no ânimo e no coração. Portanto, tudo era belo e ela gostava de estar ali. A  cidade não tinha culpa da sua agonia, ninguém tinha culpa. Compreendeu, porém, que era  impossível estar feliz, mesmo se o cenário era  de sonho e encantamento, pois sua presença não estava incorporada àquele espaço; faltava-lhe um pedaço. Ele se encontrava muito longe dali, bem longe, onde o sol esparramava raios dourados para iluminar o verão.

Paris, dezembro 1997